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Laboratório pretende desvendar civilização que pode ter inspirado os Incas

Quem já foi à Bolívia? Um dos locais mais valiosos do país, o sítio arqueológico de Tiwanaku, ganha finalmente seu primeiro laboratório de conservação. Isso é importante porque os Incas podem ter copiado várias coisas dali.

Graças a uma cooperação entre a Unesco e o governo do Japão, a ciência finalmente poderá começar a desvendar os mistérios de Tiwanaku, sítio arqueológico localizado nas proximidades do lendário Lago Titicaca, 72 km a Oeste da capital do país, La Paz.

Nesta região surgiu a civilização Tiwanaku, em aproximadamente 1.500 a.C. Ou seja, muito antes do império Inca, que teve seu auge entre 1438 e 1533 d.C. Os incas provavelmente absorveram muito dessa civilização menos famosa, avaliam especialistas.

Tiwanaku foi, segundo historiadores, uma das mais duradouras civilizações indígenas da América. A cidade principal chegou a ter mais de um milhão de habitantes e se espalhava por partes dos atuais territórios de Bolívia, Peru, Chile e Argentina. A civilização teve seu auge nos primeiros séculos da era Cristã e teria existido até o ano 1200 d.C., quando desapareceu misteriosamente.

Desde que foi tombada pelo Patrimônio da Humanidade da Unesco, em 2004, buscavam-se maneiras de estudar suas ruínas. Na semana passada, o governo da Bolívia anunciou o início do funcionamento do laboratório.

Primeiro, técnicos farão um levantamento das peças arqueológicas que existem ali, trabalhando em sua conversação. O laboratório foi equipado com controladores de temperatura e humidade, além de equipamentos como fornos, lasers, filtros de água e máquinas capazes de avaliar produtos químicos. Em breve, o local ganhará um novo sistema de iluminação - numa parceria com o governo da Índia. Um grande software será instalado para fazer um banco de dados dos mais de 3 mil artefatos encontrados no local.

Ao contrário de Machu Picchu (a suntuosa cidade Inca, no Peru), que se manteve intacta por tantos anos, Tiwanaku foi bastante depredada. Atualmente, os arqueólogos trabalham em três grandes projetos. O principal é a pirâmide de Akapana, de pelo menos sete andares, onde, em 2009, cientistas encontraram uma tumba com ossadas, roupas, peças de ouro e um fóssil de uma lhama, animal sagrado para a cultura andina. Ali, acreditam, eram mumificados e enterrados integrantes da alta hierarquia tiwanacota.



O que intriga os arqueólogos é como uma civilização tão evoluída como a tiwanacota floresceu sem aparentemente nenhum antecedente com uma sofisticação nem próxima à sua. Eles já mantinham um governo central e uma hierarquia entre governantes e povo; tinham uma boa noção de astronomia (o Templo de Kalasasaya foi construído em conexão aos solstícios de verão e inverno); sabiam cultivar batatas (raiz até hoje abundante na região); usavam a água do Titicaca; e tinham um culto complexo a deuses, animais e aos mortos. Além de uma iconografia potente, mesmo sem terem desenvolvido nenhuma forma de escrita.

Com a criação do laboratório, a Bolívia pretende colocar o local no mapa dos grandes estudos científicos envolvendo sítios arqueológicos. Peru e México, por exemplo, sempre receberam muito mais financiamento para este tipo de pesquisa.


Fontes: Unesco, Correo del Sur, Pagina Siete
Imagens: jjspring/Shutterstock.com