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DITADURA MILITAR

Investigações sobre morte de Vladimir Herzog são reabertas pelo MPF

As investigações sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog, ocorrida durante a ditadura militar, foram reabertas pelo Ministério Público Federal (MPF). No dia 24 de outubro de 1975, quando era diretor de jornalismo da TV Cultura, aos 38 anos, ele apresentou-se de forma voluntária no Destacamento de Operações de Informação (DOI/Codi) para prestar depoimento sobre sua conexão com o Partido Comunista Brasileiro. No dia seguinte, foi encontrado enforcado em uma cela. Apesar da causa oficial indicar suicídio, indícios sempre apontaram que ele foi assassinado após ser torturado por agentes da ditadura. 

Vladimir Herzog enforcado em suicídio forjado nas dependências do DOI-Codi. Out/1975

 

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A reabertura foi possível após a condenação do Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), no início de julho, pela falta de investigação, julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista. "Queremos a Justiça, queremos conhecer os culpados, mas não é simplesmente uma questão de reviver o passado, mas de construir um futuro melhor", disse Ivo Herzog, filho da vítima.

Para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o caso Herzog cumpriu os requisitos de crime contra a humanidade, o que extingue as possibilidades de prescrição e de anistia dos torturadores e assassinos. O procurador da República Sergio Suiama, que atuou como perito na CIDH na avaliação do caso, disse que a forma como se organizou a repressão política no Brasil consistia em um ataque sistemático e generalizado contra a população e que isso foi confirmado com a sentença da Corte.


Fonte: Agência Brasil

Imagem: Wikimedia Commons