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Copa do mundo é para alienados? Esporte é pão e circo?

Por Thiago Gomide do Tá na História, em parceria com o Catraca Livre.

 

Parceria HISTORY, Ta Na História e Catraca Livre

 

 

Copa do mundo é para alienados? Esporte é pão e circo?

Essas frases vão contra a corrida de Jesse Owens, nos jogos olímpicos de Berlim em 1936.

O pódio de um atleta negro foi um soco no estômago de Hitler.

Essas frases vão contra os jogadores ucranianos que não aceitaram perder para os invasores nazistas em 1942.

Por causa da vitória, muitos foram levados para campos de concentração e o final nós sabemos.

Era uma resistência, nas quatro linhas, que ajudava na resistência cultural e política.

Há uma homenagem aos heróis em Kiev, capital da Ucrânia.

A galera do “esporte é pão e circo” esquece do time da Portuguesa Santista, que decidiu não entrar em campo em protesto ao apartheid, em 1959.

O governo sul africano tinha proibido que os jogadores negros entrassem em campo.

Ninguém entrou. O Brasil, através do presidente Juscelino Kub, se pronunciou contra a segregação racial na África do Sul, estimulando o debate internacional.

O esporte pode ser um forte aliado na luta pra juntar pensamentos contrários. O esporte ultrapassa guerras.

Não podemos esquecer de Nelson Mandela, que foi eleito presidente sul africano após ficar quase 30 anos preso no Apartheid, por brigar por direitos raciais iguais.

 O que ele fez em 1995? Aproveitou o Mundial de Rúgbi na África do Sul pra juntar povos.

Como? Fazendo a seleção de rúgbi, uma seleção identifica com o regime segregacionista, uma seleção formada por brancos, ajudar na reflexão sobre o novo momento político. Os negros também começaram a se aproximar.

Isso diminuiu a tensão.

Não podemos esquecer do time do Santos, em 1969, na Nigéria.

O país estava em guerra civil. Os grupos que tentavam tomar o poder resolveram dar uma trégua pra ver Pelé e aquela seleção do Santos jogarem.

Sabe o que representa isso?

O esporte vai muito além do pão e circo.

O esporte possibilita que dois atletas negros americanos subam ao pódio em uma Olímpiada, no caso do México, e protestem contra o racismo, homenageando os Panteras Negras, um grupo que lutava contra o racismo nos Estados Unidos.

Estamos em 1968, há 50 anos, ano que Martin Luther King foi assassinado.

O esporte possibilita que a democracia seja assunto recorrente de debates. A democracia Corinthiana, no começo da década de 1980, possibilitou que o tema saísse das quatro linhas.

O esporte é só pão e circo pra quem não viu Cassius Clay virar Mohamed Ali. Pra quem não viu um assistente de pedreiro virar Maguila.

O esporte é só pão e circo pra quem não viu o dramaturgo Nelson Rodrigues falar: a vitória na copa de 1958, na Suécia, fez o nosso país chutar o complexo de vira lata.

A copa do mundo não tá na Rússia. A copa do mundo tá esquina, tá na resistência, tá no menino, na menina, na professora que ensina a vida aproveitando o encanto da bola, ou do Neymar, por que não?

Quem é o alienado nessa história?  

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THIAGO GOMIDE é jornalista e pesquisador. Foi apresentador e editor do Canal Futura e da MultiRio, ambos dedicados à educação. Escreveu e dirigiu o documentário "O Acre em uma mesa de negociação". Além de ser o responsável pelo conteúdo do Tá na História, atualmente edita e apresenta o programa A Rede, na Rádio Roquette Pinto ( 94,1 FM - RJ). 

A proposta do Tá na História é oferecer conteúdos que promovam conhecimento sobre personagens e fatos históricos, principalmente do Brasil. Tudo isso, claro, com bom humor e muita curiosidade. 


 

IMAGEM: fc-dynamo.ru