Passado Presente

Conheça os segredos do Mausoléu aos Heróis de 32

Por Ricardo Della Rosa, do canal Passado Presente

 

"AOS ÉPICOS DE JULHO DE 32 QUE FIÉIS CUMPRIDORES DE SAGRADA PROMESSA FEITA A SEUS MAIORES - OS QUE HOUVERAM AS TERRAS E AS GENTES POR SUA FORÇA E FÉ - NA LEI PUSERAM SUA FORÇA E EM SÃO PAULO SUA FÉ."
Guilherme de Almeida

 

O Mausoléu aos Heróis de 32 localizado no Parque do Ibirapuera em São Paulo, é o local de descanso dos soldados tombados na Revolução de 1932. Obra do escultor italiano e ex-combatente Galileo Ugo Emendabili o obelisco é feito em puro mármore travertino. Sob o obelisco, um mausoléu em formato de cruz que abriga os restos mortais dos combatentes com acesso diante ao parque.

 

Saiba mais com a Pílula Histórica dessa semana:

 

Inaugurado em 9 de julho de 1955 é neste local que a população paulista presta anualmente a mais de cinco décadas, homenagens aos seus heróis em solenidades que contam até hoje com a participação de veteranos da revolução e seus familiares. Não seria exagero dizer que este é um dos lugares mais simbólicos de São Paulo, aonde o paulista expressa constantemente seu amor por seu passado e sua História.

 

Campanha e Construção

Desde o final da revolução a população de São Paulo demandou um monumento que pudesse prestar uma justa homenagem aos seus heróis. Para isso criou-se uma Comissão e uma Campanha Pró Monumento e Mausoléu ao Soldado Paulista de 1932.

 

Em 1934 durante a gestão do interventor federal Armando de Salles Oliveira, um concurso público foi proposto para a escolha do projeto do futuro monumento. O projeto escolhido foi o de Galileo Ugo Emendabili em co-autoria com o Engenheiro Mario Pucci.

 

"Quando cheguei ao Brasil, integrei-me completamente na vida brasileira. Nada tinha a não ser minha esposa e eu mesmo. Nove anos após minha chegada estourou a Revolução Constitucionalista. Pode parecer estranho que um italiano tenha sentido tão profundamente este movimento tipicamente brasileiro. Mas em nove anos, aprendi a querer bem o Brasil e particularmente São Paulo. Em virtude desse amor à causa paulista, por ter compreendido a santa finalidade da revolução que procurei lembrar para sempre os feitos dos soldados de São Paulo nesse movimento."
Galileo Emendabili

Ainda que o concurso tenha sido realizado em 1934, foi apenas em 1949 que a sua pedra fundamental foi lançada. Durante este longo período a Comissão Pró Monumento fez diversas campanhas para a arrecadação de fundos entre a população uma vez que o Governo Estadual alinhado ao Governo Federal de Vargas não colaborava com a verba necessária para a construção. Porém, em 1951 as obras finalmente começaram aceleradas pela proximidade aos festejos do IV Centenário. Em 1954 foram depositados no mausoléu os primeiros restos mortais de combatentes, mas a obra só seria de fato concluída em 1955. 

Maquete de Emendabili. Repare que nesta altura do projeto ainda não havia o poema de Guilherme de Almeida, apenas a marcação do espaço que seria usado para este fim.

 

O escultor em frente a uma das cenas retratadas no Obelisco.

Uma imagem da construção da estrutura do monumento tirada em 1954 na inauguração do Parque Ibirapuera.

 

Anos 50 e 60

A partir de sua inaguração, as comemorações de 23 de Maio e 9 de Julho organizadas pela Associação de Veteranos deixam de ocorrer apenas na Praça da República e são também celebradas no Parque do Ibirapuera.

 

Nas imagens a seguir vemos diversas solenidades que contavam com a presença de inúmeros veteranos desfilando cheios de orgulho em frente ao recém inaugurado Monumento. (Imagens do acervo do autor do blog) 

 

Visitantes ilustres

O Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira visita o Mausoléu e usa um capacete comemorativo na lapela.

 

Juscelino serviu nas tropas mineiras que combatiam as tropas constitucionalistas, porém grande estadista que era não deixou de homenagear os soldados paulistas.

O poeta Guilherme de Almeida cumprimenta o também veterano Dirceu Nogueira Arruda. Mais tarde o poeta teria ali no Mausoléu o local de seu descanso eterno. 

 

Atualmente

Organizadas pela Sociedade Veteranos de 32 MMDC juntamente com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, ocorrem três solenidades anuais no Obelisco nos dias 23 de Maio, 9 de Julho e 2 de Outubro. 

Amparados por seus familiares, veteranos que fazem questão de desfilar em homenagem aos que tombaram pela lei e pela ordem. Sem dúvida alguma o momento mais emocionante dos desfiles.

A artista plástica, Diretora de Comunicação do MMDC e neta de combatente, Camila Lourenço Guidice.

Os paulistas comparecem em peso para participar das homenagens. A cada ano aumenta o público deste tradicional desfile. 

Cap. Ex-Combatente Gino Struffaldi - Presidente do MMDC, Cel. PM. Ref. Antônio Carlos Mendes - Vice-Presidente da Diretoria Executiva do MMDC e o Ex-Combatente Sr. Oswaldo Diana.

Cel. PM Ref. Mário Fonseca Ventura - Secretário da Diretoria Executiva do MMDC.

 

Memorabília

Convites e impressos alusivos as solenidades acontecidas no Obelisco do Ibirapuera ao longo das décadas. 

Braçais usados pelos veteranos nos desfiles das décadas de 50 e 60.

 

A   E S P A D A   D E   P E D R A

DE UM PLAINO NO ALTIPLANO

VERTICALMENTE JORRA,

EM TETRAEDRO IMENSO,

RUMO NADIR-ZENITE,

PETRIFICADO JACTO.

ASSIM, NO ALTIVO APRUMO,

É DE QUE ESPECTRO PRISMA?

DE QUE PALMEIRA FUSTE?

DE QUE PORTAL COLUNA?

DE QUE NAVIO MASTRO?

DE QUE CONFINS BALISA?

DE QUE BANDEIRA POSTE?

DE QUE ALTO MAR FAROL?

 

E OUVIU-SE: - NEM PRISMA,

NEM FUSTE OU COLUNA,

NEM MASTRO OU BALISA,

NEM POSTE OU FAROL.

EU SOU A ESPADA

QUE A MADRE TERRA,

QUANDO AO SEU SEIO

SE ACONCHEGARAM

OS FILHOS MORTOS,

MATERNALMENTE

DESEMBAINHOU.

FEITA DE PEDRA

MAS PEDRA FEITA

DE OSSOS E CINZAS

E CALCINADA

PELA CANDÊNCIA

DO SEU AMOR,

TORNEI-ME A ESPADA 

DA RESISTÊNCIA.

TÊMPERA IMPERTÉRRITA

À INTERPÉRIE AVESSA

SOU A REFRATÁRIA

CONTRA MIM NEM MESMO

AS ADVERSAS FÔRÇAS

DOS QUATRO ELEMENTOS

TERRA, AR, ÁGUA, FOGO

PREVALECERÃO.

NÃO HÁ CHÃO QUE ME CORROMPA,

NÃO HÁ VENTO QUE ME VERGUE

NÃO HÁ CHUVA QUE ME OXIDE,

NÃO HÁ SOL QUE ME DERRETA.

 

ALÇADA SOBRE O SILÊNCIO

DE ETERNIZADA TRINCHEIRA,

VIGIA DE QUATRO SÉCULOS,

EXPOSTA AS QUATRO ESTAÇÕES

E AOS QUATRO PONT0S CARDEAIS

EU SOU A ESPADA DE PEDRA

PEDRA ANGULAR DE UMA PÁTRIA

PEDRA-DE-TOQUE DA RAÇA

PEDRA DO LAR E DO ALTAR

QUE NA QUADRIGÚMEA LÂMINA

TRAZ A LEGENDA QUE REZA:

 

AOS ÉPICOS DE JULHO DE 32 QUE FIÉIS CUMPRIDORES DE

SAGRADA PROMESSA FEITA A SEUS MAIORES - OS QUE

HOUVERAM AS TERRAS E AS GENTES POR SUA FORÇA E FÉ -

NA LEI PUSERAM SUA FORÇA E EM SÃO PAULO SUA FÉ.

GUILHERME DE ALMEIDA

 

 

 


Ricardo Della Rosa é blogueiro, colecionador de antiguidades e pesquisador da história militar brasileira. Em seu canal do You Tube, Passado Presenteele apresenta várias peças históricas, locais e personagens muito interessantes.