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Hoje na história

10.Sep.1981

Guernica, de Pablo Picasso, retorna para a Espanha após quatro décadas

No dia 10 de setembro de 1981, o monumental mural antiguerra, Guernica, do artista espanhol Pablo Picasso era recebido na Espanha após quatro décadas fora do país. Uma das mais importantes obras de Picasso, a pintura foi criada após a destruição da cidade basca de Guernica pela aviação nazista durante a Guerra Civil Espanhola. Em 1939, Picasso passou sua obra ao Museu de Arte Moderna de Nova York. O artista disse que o mural só seria devolvido à Espanha quando as liberdades democráticas fossem restabelecidas no país. Seu eventual retorno à Espanha, em 1981 - oito anos após a morte de Picasso - foi comemorado pela jovem democracia espanhola.
 
No início da guerra civil espanhola, o governo republicano de esquerda da Espanha encomendou a Picasso um mural para a Exposição Internacional de Paris, em 1937. Trabalhando na capital francesa, Picasso ficou horrorizado ao saber do bombardeio alemão em Guernica, a cidade basca que havia se aliado com os republicanos contra as forças nacionalistas de direita do general Francisco Franco. 
 
Guernica estava bem atrás das linhas de batalha, mas Franco autorizou o ataque como forma de intimidar seus inimigos na região. Os ataques aéreos de três horas provocaram a morte de mais de mil moradores de Guernica. Picasso usou sua obra para expressar sua indignação e concluiu o grande mural em apenas três semanas. A enorme pintura, 3,5 metros por 6,8 metros, possui tons preto, branco e cinza com imagens como um cavalo agonizante, uma mãe gritando com uma criança morta e outras cenas de pesadelo que evocam o horror da guerra.
 
Guernica foi exposta no pavilhão espanhol na Exposição Internacional de Paris e, em 1939, foi enviada para Nova York. Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu no final daquele ano, Picasso solicitou que Guernica e uma série de outras obras suas ficassem no Museu de Arte Moderna (MoMA) em empréstimo prolongado. Depois da guerra, boa parte dessas obras foram devolvidas para a Europa, menos Guernica. O artista, contudo, ocasionalmente, empresou o quadro para museus europeus.
 
Francisco Franco governou a Espanha como ditador enquanto Picasso esteve vivo. Por causa disso, ele nunca mais voltou para seu país natal. Em 1967, Franco restaurou algumas liberdades, e, em 1968, o seu governo fez um esforço para recuperar Guernica. Picasso se recusou, esclarecendo que a pintura não seria devolvida até que a democracia fosse restabelecida. Em 1973, Picasso morreu na França, aos 91 anos. Dois anos mais tarde, Franco morreu e foi sucedido pelo Rei Juan Carlos I, que, imediatamente, deu início a um processo democrático. Novamente, houve um novo pedido pelo retorno de Guernica, mas os herdeiros de Picasso ainda questionavam a implementação da democracia no país. Por fim, em 1981, ocorreu o acordo pela transferência da obra.
 
Em 10 de setembro de 1981, Guernica chegou em Madrid sob forte vigilância. A pintura deveria ficaria em um novo anexo do Museu do Prado, a apenas dois quarteirões do parlamento espanhol, que havia sido palco de um golpe militar fracassado em fevereiro de 1981. O Rei Juan Carlos impediu a revolta, convencendo os comandantes militares a permaneceram fiéis à constituição democrática da Espanha.
 
Em 25 de outubro - no 100º aniversário do nascimento de Picasso - Guernica foi exposta ao público, protegida por uma espessa camada de vidro à prova de bala por conta de ameaças de terrorismo contra um trabalho de alto teor político, o que obrigou os visitantes a passar por um detector de metais. Por conta de alguns danos causados em anos de viagem da pintura, provavelmente, Guernica nunca mais deverá sair em turnê pelo mundo.
 

Imagem: Papamanila [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons