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O campeão olímpico que ganhou uma luta depois de morto

O cadáver foi coroado com louros e se tornou um verdadeiro mito esportivo! 

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Dentre os esportes populares na Grécia Antiga, talvez nenhum tenha sido tão famoso e prestigiado quanto o pancrácio, uma modalidade olímpica que unia o que hoje conhecemos como boxe e luta livre, embora tudo fosse permitido, exceto morder e furar os olhos com os dedos.

Entre os lutadores mais famosos destacou-se Arrhachion, um atleta de Figaleia – cidade que fica no sudoeste de Arcádia –, que se consagrou campeão dos Jogos Olímpicos de 572 e 568 a.C.. Em 564 a.C., ele disputou sua última luta contra um adversário sobre o qual não se tem mais detalhes.

Após uma luta difícil, Arrhachion tentou sair de uma chave de braço que estava lhe estrangulando. Ele, então, conseguiu girar seu adversário e quebrar um de seus dedos, lhe causando tanta dor que ele não teve alternativa senão dar-se por vencido. Porém, durante o movimento, Arrhachion não conseguiu sair da chave e fraturou o pescoço.

O grego morreu imediatamente, de acordo com Pausânia, em sua Descrição da Grécia (VIII, XL-12): “os de Élida votaram a favor de Arrhachion e, mesmo em sua condição de morto, foi declarado vencedor”. Os juízes consideraram que o adversário se rendeu antes de Arrhachion morrer e que, portanto, o último era o vencedor.

Seu cadáver foi coroado com louros e, desde então, Arrhachion se transformou em um verdadeiro mito, o atleta mais famoso de todos os lutadores de pancrácio da Grécia Antiga.


Fonte: La Bruja Verde

Imagem: Shutterstock

Michael Phelps e o recorde olímpico que demorou 2 mil anos para ser batido

Nadador Michael Phelps supera o grego Leônidas de Rodes e é o atleta com o maior número de medalhas de ouro de toda a história das Olimpíadas - antigas e modernas.


Desde o início dos Jogos Olímpicos, na Grécia Antiga, a força física dos atletas é valorizada para alcançar a glória, apesar de serem poucos os que conseguem se transformar em uma lenda. Após triunfar nos 200m medley nos Jogos do Rio deste ano, Michael Phelps bateu um recorde que não era superado há 2 mil anos e se tornou a lenda máxima desse evento histórico.

O nadador superou o atleta grego Leônidas de Rodes, quem, em 152 a.C., conseguiu o recorde de 12 medalhas de ouro individuais, marca que manteve por 2.168 anos, até a chegada de Phelps, que abocanhou sua medalha de número 13 este ano. O heleno havia ganhado as corridas estádio (180 metros), dialo (quase o dobro do stadion) e o hoplitódromo, títulos que defendeu em 160 a.C., 156 a.C. e 152 a.C., quando alcançou sua medalha de ouro de número 12, aos 36 anos.

Phelps foi o único na história que conseguiu superar o grego, mas esse não é o seu único recorde. O “tubarão de Baltimore” ultrapassou também o maior ganhador de medalhas de ouro da modernidade, o atleta de salto em altura, distância e triplo Ray Ewry. O sucesso de Phelps é tão grande que ele tem até mesmo mais medalhas de ouro que outros países (como o próprio Brasil este ano) – se entrasse na lista de medalhas, ficaria na 14ª posição.


Fonte: BBC

Imagem: Mitch Gunn/Shutterstock.com

Por que Bolt corre tão rápido?

O fenômeno jamaicano Usain Bolt bate todos os recordes por conseguir dar, em curtos espaços de tempo, passadas mais longas e mais fortes. A altura, no caso dele, até prejudica. Difícil imaginar que ele poderia ser ainda mais rápido...

Mais uma Olimpíada, mais uma vitória. O jamaicano Usain Bolt parece imbatível. Mas engana-se quem pensa que ele consegue isso movendo suas pernas mais rapidamente que os demais.

Seria assim se ele fosse um corredor comum. Mas o que os atletas de elite fazem é dar passadas mais longas e mais fortes. Pesquisas mostram que um corredor amador normalmente dá entre 50 e 55 passos para completar uma prova de 100m rasos, enquanto um velocista profissional dá em média 45.

“Atletas de elite têm mais impulsão, porque têm mais fibras musculares capazes de realizar movimentos rápidos. Eles passam menos tempo em contato com o chão, o que permite que se propulsionem para frente ainda mais rapidamente”, disse Sam Allen, da Universidade de Loughborough, na Inglaterra, à rede BBC.



Desde que surgiu nos Jogos de Pequim, em 2008, a invencibilidade de Bolt - que no Rio não fez diferente - é estudada pela ciência. Estudos realizados pelo pesquisador americano Peter Weyand chegaram à conclusão que, ao atingir sua velocidade máxima, um corredor de elite normalmente passa 0,08 segundos em contato com o solo em cada passada, em comparação com 0,12 segundos de um corredor amador.

Sam Allen diz que os velocistas mais rápidos passam cerca de 60% do tempo no ar, sem tocar os pés no chão, enquanto um amador passa 50% do tempo assim. Bolt se destaca ainda mais nesse cenário por causa de sua altura. Com 1,95 metro, é capaz de completar uma prova de 100m rasos dando 41 passos, cerca de três ou quatro a menos que seus adversários. Ele nem deveria conseguir acelerar tanto porque suas pernas são grandes demais. O fato dele quase sempre sair atrás de seus adversários seria por conta de ser tão alto.

Mas fenômeno é fenômeno e logo ele recupera. E que ainda venham os 200m rasos e os 4x100m.


Fonte: BBC
Imagens: Ververidis Vasilis/Shutterstock.com

24.Aug.2008

Olimpíadas de Pequim batem recorde de telespectadores

Em 24 de agosto de 2008, Pequim encerrava os XXIX Jogos Olímpicos com recorde de pessoas assistindo às competições pela televisão e pela internet. Estima-se que 70% da população mundial acompanharam os jogos naquele ano. Foram 4,7 bilhões de espectadores/internautas.

Foram os primeiros jogos olímpicos a serem produzidos e exibidos inteiramente em alta definição. Em 2001, na sua candidatura para os Jogos Olímpicos, Pequim confirmou à Comissão Olímpica de Avaliação "que haveria restrições à circulação dos meios de comunicação e movimentação de jornalistas, incluindo os Jogos Olímpicos."

Apesar da restrição por parte da imprensa, os Jogos Olímpicos de Pequim foram os mais vistos da história olímpica. A edição XXIX da competição também foi marcada pela organização impecável e grandiosidade dos estádios e das festas de abertura e encerramento.


Fontes: Wikipedia e olympic.org
Imagem: gary718/Shutterstock.com

O lado B do legado olímpico pelo mundo

Se os mais críticos alegam temer o que será feito com o legado da Olimpíada do Rio, o que será que pensariam ao ver como estão as antigas cidades que foram sede? Muitas antigas arenas olímpicas pelo mundo estão completamente abandonadas, outras até com aspecto sinistro...

O Rio de Janeiro continua lindo e foi palco de uma bela Olimpíada, mas muita gente acha que os altos investimentos serão pouco aproveitados depois. Infelizmente, essa é uma realidade em muitos antigos palcos de Jogos Olímpicos.

Vide por exemplo a Grécia, sede das primeiras Olimpíadas da era moderna, em 1896, e das Olimpíadas de 2004. O país está mergulhado numa crise econômica profunda. O lendário estádio Panatenaico, construído em 566 a.C., sede dos Jogos de 1896, foi abandonado por muitos anos e completamente reformado para 2004. Apesar de hoje ser usado para eventos esporádicos - como a pira Olímpica do Rio que foi ali acesa - não é aproveitado como os gregos gostariam. Relíquia do local é um antigo pódio do século XIX deixado por ali.



Os arcos olímpicos do parque de Helliniko, construído especialmente para os jogos de Atenas, encontram-se atualmente abandonados, pouco cuidados e com aparência enferrujada. As cadeiras do estádio palco das competições de hóquei, dentro do complexo, estão quebradas e ganharam até um “jardim particular”, com plantas crescendo em plena arquibancada.

A grande maioria do que foi construído na Grécia está abandonada.

A Alemanha, que não vive crise econômica nenhuma, também possui sua cota de sítios olímpicos deixados de lado. A vila olímpica dos jogos de 1936, localizada no lado oriental, é uma grande ruína atualmente - com pôsteres nazistas e soviéticos sobrepostos e rasgados na parede.

Situação semelhante vive vários locais das Olimpíadas de Pequim, em 2008: o local das competições de beisebol está abandonado e a praia artificial construída para o vôlei de praia está às moscas.



Em Sarajevo, na Bósnia, cidade que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de 1984, a situação é ainda mais precária.



Melhor fez a cidade americana de Atlanta que, palco das Olimpíadas de 1996, não viu muita utilidade para seu Fulton County Stadium. O local foi detonado com quilos de explosivo um ano depois dos jogos. Ali, hoje, funciona um estacionamento - mas a bela estrutura exterior foi mantida.

O ideal, no entanto, seria agir como Barcelona (sede dos jogos de 1992 - foto abaixo) ou Londres (Olimpíadas de 2012), que mantiveram todas as benfeitorias após os Jogos, revitalizando importantes regiões das duas cidades. A torcida é para que o Rio siga o mesmo caminho. 


Fonte: Buzzfeed e Wikipedia
Imagem destaque Atenas: Anastasios71/Shutterstock.com  
Imagem Barcelona: Regien Paassen/Shutterstock.com
Imagens da Bósnia: Fotokon/Shutterstock.com
Imagem China: travellight / Shutterstock.com

22.Aug.2004

Robert Scheidt conquista o Ouro em Atenas

No dia 22 de agosto de 2004, um domingo, o velejador Robert Scheidt chegou ao bicampeonato olímpico, enchendo o Brasil de orgulho com a medalha de ouro em Atenas.

Ao cruzar a linha de chegada em sexto, Scheidt encerrou uma espera que se arrastava por 48 anos. Naquela data, o paulista igualou o feito do lendário Adhemar Ferreira da Silva, ouro no salto triplo em Helsinque 1952 e Melbourne 1956 e, até então, o único atleta do Brasil a ter conquistado duas medalhas douradas em Jogos Olímpicos.

Scheidt nasceu em 1973, em São Paulo. Começou a velejar aos nove anos de idade e tornou-se um dos maiores atletas do Brasil. Ganhou quatro medalhas olímpicas consecutivas, sendo duas de ouro e duas de prata. Além disso, acumula 15 títulos mundiais de iatismo.


Fonte: Brasil2016.gov
Imagem: Brasil2016.gov

Veja 10 momentos mais marcantes das Olimpíadas

Conheça 10 fato que marcaram os Jogos Olímpicos e a história da humanidade.

As Olimpíadas são muito mais do que uma festa do esporte: funcionam como termômetro da História, dos momentos que o mundo vive. Abaixo, selecionamos dez momentos olimpícos em que esporte e política se misturaram.

1936 (Berlim): Atleta americano negro faz ruir o mito da supremacia ariana
Diante de Hitler (e olhem que a Segunda Guerra Mundial não tinha nem começado), o atleta americano Jesse Owens ganhou nada menos do que quatro medalhas de ouro na Olimpíada de Berlim.

Justamente quando Adolph Hitler tentava provar sua teoria de que os brancos eram superiores. Owen era negro. Reparem na cara de perplexidade de Hitler.



Não haveria Jogos Olímpidos nos anos seguintes (1940 e 1944), por conta da guerra. Os jogos de 1940 seriam no Japão e os de 1944, em Londres. Em 1948, Japão e Alemanha, que perderam a guerra, foram banidos dos jogos de Londres.

1960 (Roma): O atleta descalço e o banimento da África do Sul
O desconhecido atleta etíope Abebe Bikila tornou-se o primeiro africano a ganhar uma medalha de ouro nos jogos. Justamente na Itália que havia invadido seu país, nos anos 30.

Bikila correu a maratona sob o sol escaldante de Roma completamente descalço. Quatro anos depois, bateu seu próprio recorde, nas Olimpíadas de Tóquio. Outro fato político importante dessa Olimpíada foi o banimento da África do Sul por conta do Apartheid. A África do Sul só voltaria a competir nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992.



1968 (México): Protesto contra o racismo
O conturbado ano de 1968 teve reflexos nos esportes. A Europa estava em ebulição, o Brasil em plena ditadura. Nos EUA, Robert Kennedy e o líder do movimento negro Martin Luther King haviam sido assassinados.

Nesse clima, os corredores americanos Tommie Smith e John Carlos – medalhas de ouro e bronze nos 200 metros – subiram ao pódio trajando meias negras sem sapatos, broches do movimento pelos direitos civis e, ao som do hino americano, baixaram a cabeça e ergueram os punhos cerrados, cobertos por uma luva também negra. Era a saudação do movimento negro. Os atletas foram suspensos, mas seus gestos entraram para a História.



1972 (Munique): Atentado à delegação de Israel
Um grupo de oito terroristas palestinos entrou no alojamento da delegação de Israel, lutou com atletas e manteve 11 deles reféns. Em troca, exigiram a libertação de presos detidos em Israel. (Dizem que neonazistas alemães facilitaram sua entrada no local olímpico, mas nada foi comprovado). Israel se negou a negociar com os terroristas.

Numa ação desastrosa, todos os reféns morreram, além de um policial alemão e cinco terroristas. Os jogos foram interrompidos por dois dias e uma cerimônia de repúdio foi realizada.



1980 (Moscou): O maior boicote da História
Em plena Guerra Fria, 69 países aderiram ao boicote dos Jogos Olímpicos de Moscou promovido pelos EUA – o Brasil, no entanto, participou da esvaziada competição. Nenhuma TV americana transmitiu os jogos. Mas a emocionante imagem do mascote Misha, o ursinho chorão, ganhou o mundo. Até hoje Misha é o mascote mais lembrado dos jogos.



1984 (Los Angeles): A vez dos comunistas
Ao contrário dos russos, os americanos não choraram e não fizeram nenhuma menção ao boicote - desta vez por parte dos países alinhados à União Soviética. As Olimpíadas de Los Angeles foram hiperproduzidas e midiáticas, mas a ausência dos soviéticos, dos cubanos e dos alemães orientais prejudicaram bastante a qualidade dos jogos.

O destaque, além da participação americana, foi a da China, que resolveu não boicotar. Os países que boicotaram organizaram quase na mesma época uma outra competição de alto nível chamada Jogos da Amizade.

1992 (Barcelona): Alemanha unificada e a volta da África do Sul
As Olimpíadas de Barcelona revitalizaram completamente a cidade e foram marcadas pela volta de uma só Alemanha (após a queda do Muro de Berlim) e da África do Sul à competição. Com o fim da URSS, os soviéticos se juntaram a mais 12 territórios e formaram a Comunidade dos Estados Independentes, que viria a terminar em primeiro lugar no quadro geral de medalhas.

O esporte sentia a mudança do mundo após o fim da Guerra Fria. Nelson Mandela só seria eleito presidente da África do Sul em 1994, mas em 1992 já havia deixado a cadeia e seu país ganhou a chance de voltar à competição.

1996 (Atlanta): Atentado
Anos antes do 11 de setembro, os EUA já conviviam com um atentado de grandes proporções, num local público: uma bomba explodiu dentro do Parque Olímpico Centennial, sede dos Jogos de Atlanta, matando duas pessoas e ferindo 150.

O autor do atentado, Eric Rudolph, era um americano radical de extrema direita; foi preso em 2003 e condenado à prisão perpétua. O plano do radical era cancelar os jogos, o que não aconteceu. E ainda teve Mohammad Ali acendendo a tocha, mesmo com os sintomas do Mal de Parkinson ... prova de que a emoção sempre vence o terror.

2012 (Londres): O poder feminino
Pela primeira vez na história dos Jogos, todos os países enviaram mulheres em suas delegações. As atletas de origem muçulmana competiram com véu e tudo. A Olimpíada de Londres ficou conhecida também como a mais bem organizada de todas.

Veja imagens da prova feminina de remo, com as egípcias Sara Mohamed Baraka e Fatma Rashed:



2016 (Rio): Time de refugiados
Um momento político marcante é esperado para as Olimpíadas do Rio. O COI aprovou a participação de uma equipe de refugiados.

O Team Refugee tem apoio das Nações Unidas e deverá chamar atenção para uma das maiores tragédias da História: atualmente, mais de 65 milhões de pessoas no mundo foram obrigadas a deixar suas casas por conta de conflitos ou questões econômicas.


Imagem Abebe Bikila: Domínio público

Imagem atentado Munique: via Wikimedia Commons

Imagem Misha: Lefteris Papaulakis/Shutterstock.com

Imagem refugidado James Nyang Chiengjiek, do Sudão do Sul: Felipe Varandas/Rio 2016

Atletas ficariam doentes se caíssem na Baía de Guanabara?

Olimpíada já aí, e especialistas americanos estão preocupadíssimos com a qualidade da água da Baía de Guanabara e até mesmo das belas Ipanema e Copacabana. Garantem que podem causar doença nos gringos. Pânico ou realidade?&nbsp

Não é incomum um estrangeiro chegar ao Rio e sentir-se um pouco mal, vomitar ou ter diarréia. A culpa pode não ser apenas do sol e dos excessos de caipirinha, mostra um levantamento realizado pela agência de notícias americana AP. 


De olho na Olimpíada, cientistas analisaram, a pedido da agência, a qualidade da águas cariocas por quase um ano e meio. Descobriram que não só a Baía de Guanabara, que terá provas aquáticas, como também os cartões postais de Ipanema e Copacabana têm níveis “inaceitáveis” para os padrões americanos e europeus de vírus e bactérias em suas águas.

A quantidade de vírus chega a 1,7 milhão de vezes mais que a aceitável pelo chamado “primeiro mundo”. Os problemas mais comuns podem ser dor de barriga, náusea, vômito e diarreia. Em casos mais graves, se a pessoa for muito novinha ou tiver um sistema imunológico mais fraco, doenças respiratórias, cardíacas e até cerebrais.

Segundo o estudo, se atletas ou crianças ingerirem três colheres de chá da água carioca já poderiam cair doentes. “Não deixe as crianças engolirem areia, não coloquem a cabeça sob a água”, recomendou a bióloga Valerie Harwood, da Universidade do Sul da Flórida, que acompanhou os dados recolhidos pelo levantamento.

Os brasileiros, segundo outros especialistas ouvidos pela agência, e especialmente os caricoas teriam desenvolvido uma imunidade natural após tantos anos de praia e isso explica porque não ficam mais doentes.

Será?

André Correa, secretário do Ambiente do estado do Rio de Janeiro, garante que nada sem problemas no mares do Rio. Mas provavelmente não mergulha na Baía de Guanabara como, aliás, pouquíssimos cariocas fazem. O secretário já admitiu que a meta de despoluir a Baía para a Olimpíada, feita lá atrás, era irreal e que para isso seriam necessários R$ 20 bilhões - dinheiro que o Rio nunca teve.

Sempre tem um lado bom
Em vez de lamentar, o velejador alemão Thomas Plößel que já treinou no Rio e ficou doente, garantiu que isso lhe trouxe imunidade para os Jogos. “As águas realmente fedem muito. Mesmo assim, o Rio é um circuito muito querido, o mais maneiro que eu conheço”, disse em entrevista.

“O vento é forte e constante. A baía é perfeita para nossa classe de vela, porque quase não há ondas. O cenário de fundo, com muitas montanhas de verde profundo, as rochas e a paisagem urbana são incríveis! Igualmente lindo e complexo”. Complexo assim como o mundo, né, Thomas?


Fontes: AP e Die Welt
Imagem: lazyllama/Shutterstock.com

5 esportes que não fazem parte dos Jogos Olímpicos (ainda)

Por que o críquete, segundo esporte mais praticado no mundo, não está nas Olimpíadas? E o MMA? E o squash? Confira 5 esportes que ainda não integram os jogos, mas seguem tentando.

No mundo inteiro, atletas de elite sonham em aparecer nos Jogos Olímpicos. Mas, para que o evento possa ser administrável, nem todo esporte é incluído. O Comitê Olímpico Internacional (COI) tem critérios rigorosos para avaliar modalidades em potencial, que vão desde a história e a tradição do esporte até seus procedimentos antidoping.

Todos os cinco esportes abaixo possuem muitos adeptos no mundo inteiro e alguns tiveram, inclusive, uma aparição relâmpago na história olímpica. Mas nenhum deles chegou a virar um esporte olímpico – pelo menos até o momento.

1) Críquete
Você já deve ter ouvido falar do críquete. Um esporte tipicamente britânico, ele era praticado pela realeza inglesa ainda no século XIV. As regras oficiais do esporte são estabelecidas pelo Marylebone Cricket Club, fundado em 1787, em Londres. Apesar de relativamente desconhecido em grande parte do mundo, o críquete é o segundo esporte mais popular do mundo (depois do futebol), com 2,5 bilhões de fãs.

Esse número impressionante se deve em grande parte à sua predominância no densamente povoado subcontinente indiano, mas ele também é apreciado na Inglaterra, Ásia e Austrália. Além disso, possui um público crescente em outros países, graças, em parte, à recente introdução de um formato de jogo novo e mais curto, de 3 horas.

Todavia, apesar de sua enorme base internacional de fãs, o críquete não faz parte das Olimpíadas. Ele foi incluído no programa original dos primeiros Jogos modernos, em 1896, mas retirado devido à falta de participantes. Em seguida, em 1900, uma equipe de jogadores britânicos de críquete jogou contra a União Francesa de Esportes Atléticos (quase inteiramente composta por membros da equipe da embaixada britânica) em Paris durante os Jogos Olímpicos de Verão, que, na época, eram considerados parte da Exposição Mundial. Doze anos depois, a partida foi retroativamente reconhecida como um evento oficial dos Jogos de 1900.

2) Squash
O squash também possui um pedigree puramente britânico. Ele foi inventado em um internato inglês de prestígio por volta de 1830, quando estudantes começaram a jogar um esporte de quadra coberta com raquetes conhecido como “rackets”, com uma bola furada.

Ele se tornou um esporte em si em 1864, e sua popularidade disparou. Com início nos meados do século XX, jogadores do Egito e do Paquistão, assim como da Grã-Bretanha, dominaram o topo dos rankings de squash e o jogo também decolou nos EUA e na Austrália. Hoje, 17 milhões de pessoas em cerca de 190 países jogam o esporte de raquete e quadra fechada, o qual a revista Forbes considerou como o esporte mais saudável do planeta em 2007.



A modalidade foi incluída nos Jogos da Commonwealth, nos Pan-Americanos e nos Jogos Asiáticos – mas não nos Olímpicos. A World Squash Federation (WSF) tem feito campanhas para que o squash seja incluído no programa olímpico desde os Jogos de Barcelona, em 1992. Em 2005, quando o COI votou pela eliminação do beisebol e do futebol nos Jogos de Londres, o squash e o karatê – outro esporte não olímpico imensamente popular – foram selecionados como possíveis substitutos.

No entanto, nenhum deles recebeu a maioria dos dois terços de votos necessária para que fossem incluídos, e os Jogos de 2012 aconteceram com um número reduzido de provas – o futebol, contudo, continuou no programa. Tanto o squash quanto o karatê fizeram campanha por uma vaga nos Jogos do Rio deste ano, mas perderam para o rúgbi de sete e o golfe. Em Tóquio, em 2020, também já foi definido que o squash estará fora das competições.

3) Boliche
Poucos esportes têm uma história tão longa e rica quanto o boliche. Acredita-se que os egípcios antigos praticavam uma forma primitiva do jogo e que ele era popular na Inglaterra durante o reinado de Henrique VIII. Nos tempos modernos, o boliche de 10 pinos é um dos esportes mais populares do mundo, com um número estimado de 100 milhões de jogadores em todo o planeta.



Em 1979, o COI reconheceu oficialmente a Fédération Internationale des Quilleurs como o órgão responsável pelo boliche, e, desde então, a organização tem feito lobby para que o boliche integre os Jogos Olímpicos. Em 1988, o boliche chegou muito perto de cumprir seu sonho olímpico, quando foi incluído como um esporte de demonstração nos Jogos de Seul. No entanto, somente 20 nações participaram e a competição recebeu pouca cobertura da mídia por seu status demonstrativo. Coreia do Sul, Cingapura e Finlândia ganharam, respectivamente, as medalhas de ouro, prata e bronze na prova masculina de boliche daquele ano, enquanto Filipinas, Japão e Finlândia terminaram em 1º, 2º e 3º na feminina.

Desde então, o boliche nunca mais retornou aos Jogos Olímpicos. A modalidade concorreu novamente para os Jogos de Tóquio em 2020, mas perdeu para o surfe, karatê, skate, beisebol e escalada.

4) Xadrez
Assim como o boliche, muitas pessoas podem ver o xadrez como um jogo ou recreação em vez de um verdadeiro esporte. Mas não o COI, que reconheceu oficialmente o xadrez como um esporte ainda na década de 1920. Pretendia-se originalmente incluí-lo nos Jogos de Paris, em 1924, mas isso acabou não acontecendo devido a dificuldades em diferenciar os jogadores profissionais dos amadores.

Desde então, o xadrez não apareceu nos palcos olímpicos, apesar dos lobbys esforçados da Federação Mundial de Xadrez, cujo presidente uma vez chamou o esporte olímpico de inverno curling de “xadrez no gelo”. O órgão conseguiu ainda estabelecer testes antidoping nas competições, de modo que o xadrez estivesse em conformidade com as regras do COI, mas sua inclusão continua indefinida.



Enquanto isso, o xadrez possui sua própria Olimpíada – a Olimpíada de Xadrez, que conta com mais países participantes que os Jogos Olímpicos de Inverno. Em 2014, participaram 172 nações em Tromsø, na Noruega. Na Olimpíada de Istambul, 2012, o competidor mais jovem tinha 10 anos.

5) Artes Marciais Mistas (MMA, na sigla em inglês)
Do esporte olímpico com menor potencial de violência ao maior: as artes marciais mistas, ou MMA, também possui muitos seguidores no mundo inteiro, desde Brasil, EUA, Canadá e Reino Unido a Japão, Tailândia e Austrália.

O MMA também conta com uma federação recentemente criada, o que é um passo crucial no caminho para um possível status olímpico. Mas ele sofre por sua reputação violenta – o senador John McCain chegou a chamá-lo de “briga de galo humana” – e seu estilo sem limites não está muito de acordo com a ênfase olímpica na segurança dos atletas, que pode ser traduzida nos capacetes acolchoados para os boxeadores e a forte proteção para os lutadores de taekwondo.

De certa forma, o MMA estaria mais compatível com os Jogos Olímpicos da Antiguidade, na Grécia, no qual os competidores lutavam ferozmente – algumas vezes até a morte – em esportes como o boxe, a luta livre e o pancrácio (uma espécie de MMA ancestral que combinava técnicas de boxe e luta livre e tinha pouquíssimas regras).

Esses esportes têm uma história olímpica ainda maior que algumas das modalidades mais populares da atualidade, como a natação e a ginástica. Mesmo assim, será uma batalha árdua para o MMA conseguir um espaço nas Olimpíadas.


Imagem críquete: Rosli Othman/Shutterstock.com
Imagem squash: CHEN WS/Shutterstock.com
Imagem boliche: Pavel L Photo and Video/Shutterstock.com
Imagem xadrez: Sergey Peterman/Shutterstock.com

Atalho para o Ouro: 10 trapaças da história Olímpica

Trapaças para chegar ao pódio marcam a história das Olimpíadas. Conheça 10 casos emblemáticos.

Embora atletas olímpicos se comprometam a celebrar “o verdadeiro espírito esportivo”, trapacear nos Jogos Olímpicos é tão antigo quanto o evento em si. Conforme 10 exemplos abaixo demonstram, ao longo dos anos, atletas olímpicos tentaram usar todos os tipos de potencializadores de desempenho – desde drogas a automóveis, passando por irmãs gêmeas idênticas.

1. Atletismo russo é banido do Rio 2016
A poucos dias do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a participação russa ainda é questionada. Toda a equipe de atletismo foi banida dos jogos por doping e outros atletas aguardam, no Rio, a liberação do Comitê Olímpico Internacional (COI).

O mundo do esporte foi abalado no dia 9 de novembro de 2015 pela divulgação de um relatório de 323 páginas. Uma investigação de uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada) apontou um sistema de doping institucionalizado na Rússia, envolvendo atletas, técnicos, oficiais de controle de doping, dirigentes da federação do país, integrantes do governo russo e até membros da Federação Internacional de Atletismo (IAAF).

2. Ben Johnson
Após quebrar o recorde mundial para vencer a prova mais esperada dos Jogos de Seul, em 1988 (os 100 metros rasos), o atleta canadense disse em uma coletiva de imprensa: “Uma medalha de ouro, aí está algo que ninguém pode tirar de você”. Não exatamente. Um dia depois, o exame antidoping de Johnson para esteroide anabolizante deu positivo e sua medalha de ouro foi destituída e dada ao americano Carl Lewis (o próprio antidoping de Lewis para estimulantes havia dado positivo durante as classificatórias, mas o Comitê Olímpico Americano revogou a suspensão).

Em 1999, Al-Saadi al-Gaddafi, filho do ditador líbio Muanmar al-Gaddafi e aspirante a jogador de futebol, contratou Johnson como preparador físico. Após jogar uma partida pelo Campeonato Italiano, Gaddafi também foi reprovado no exame antidoping.

3. Madeline e Margaret de Jesús
Depois que a porto-riquenha Madeline de Jesús se machucou enquanto competia no salto em distância, ela não foi capaz de correr o revezamento de 4x400 nos Jogos de Los Angeles, de 1984. Em uma trama que poderia ter sido inventada na vizinha Hollywood, Madeline colocou sua irmã gêmea, Margaret, para competir no seu lugar nas classificatórias. Margaret correu a segunda etapa da classificação e a equipe avançou. Mas quando o técnico da equipe porto-riquenha ficou sabendo da artimanha, retirou sua equipe da final.

4. Fred Lorz
Diante de milhares de torcedores compatriotas nos Jogos de St. Louis, em 1904, o corredor americano foi o primeiro atleta a cruzar a linha de chegada da maratona. Só havia um problema: Lorz havia corrido 16 km do trajeto da maratona em um automóvel, após sofrer câimbras no início da prova. Após seu carro quebrar e já recuperado, Lorz correu os 8 km finais e entrou no estádio olímpico antes de todos os outros colegas maratonistas. Entretanto, a trapaça veio rapidamente à tona, e Lorz prontamente admitiu ter usado o carro.

Em outra estranha reviravolta, o real vencedor da maratona, o americano Thomas Hicks, havia tomado um estimulante – uma dose de estricnina, uma clara de ovo e um gole de conhaque – durante a maratona. O melhorador de desempenho, embora potencialmente letal, estava dentro das regras em 1904.

5. Spiridon Belokas
Lorz não foi o primeiro maratonista olímpico a pegar uma carona, mas, pelo menos, ele era um trapaceiro bom o suficiente para, aparentemente, ganhar a corrida. Por outro lado, Belokas correu em uma carruagem em uma parte da maratona olímpica inaugural de Atenas, em 1896, mas só conseguiu cruzar a linha de chegada em terceiro lugar. O atleta grego foi desclassificado, impedindo que o país anfitrião ficasse com os três primeiros lugares na prova mais representativa das Olimpíadas.

6. Marion Jones
A atleta norte-americana foi a estrela dos Jogos de Sydney, em 2000, uma vez que abocanhou três medalhes de outro e duas de bronze, tornando-se a primeira mulher a ganhar cinco medalhas em uma única edição dos Jogos Olímpicos. Porém, seus feitos estavam sob suspeita depois que veio a notícia, durante o evento, que seu marido, C.J. Hunter, um arremessador de peso americano, deu positivo no antidoping para esteroides. Em 2007, Jones admitiu ter usado esteroides antes dos Jogos de Sydney e ela teve de cumprir uma pena de seis meses por ter mentido aos investigadores federais. Ela foi destituída de suas medalhas olímpicas.



7. Boris Onischenko
Foi uma espécie de supertrapaça high-tech digna de um romance de espionagem da Guerra Fria que fez com que Onischenko, um pentatleta moderno soviético e coronel da KGB, fosse expulso dos Jogos de Montreal, em 1976. Onischenko, que já havia ganho duas medalhas olímpicas, armou sua espada de esgrima para que registrasse falsamente um toque todas as vezes que ele apertasse um botão escondido no punho. O soviético foi pego quando o placar registrou um golpe no momento em que o capitão britânico Jim Fox estava recuando e claramente não foi tocado pela espada. Oficiais examinaram o instrumento e encontraram o dispositivo.

8. Equipe tunisiana de pentatlo moderno
Se você não consegue ganhar de primeira, então trapaceie: palavras levadas ao pé da letra pela inapta equipe tunisiana de pentatlo moderno nos Jogos de Roma, em 1960. Na primeira prova, todos os integrantes caíram dos seus cavalos. Um atleta quase se afogou durante a competição de nado, e a equipe foi expulsa da prova de tiro após um membro ter quase acertado um dos júris. Para a prova de esgrima, os tunisianos decidiram enviar secretamente seu especialista espadachim para todas as lutas e torceram para que ninguém olhasse atrás da máscara. Porém, na terceira vez que o esgrimista se dirigiu para competir, a farsa foi descoberta.

9. Nadadores da Alemanha Oriental
A República Democrática Alemã (RDA) tornou-se uma potência das piscinas nos anos 70 e 80, e o seu incrível sucesso – assim como certas características físicas – levantaram suspeitas de uso de esteroide. Quando um treinador rival fez um comentário sobre as vozes graves de várias nadadoras da Alemanha Oriental, um técnico desse país respondeu: “Nós viemos aqui para nadar, não para cantar”. Após a queda do Muro de Berlim, treinadores da equipe feminina admitiram em 1991 o que muitos suspeitavam há muito tempo – que nadadores da Alemanha Oriental usavam esteroides sistematicamente. Em 2000, o ex-diretor de esportes da RDA e seu diretor médico foram condenados em um tribunal de Berlim por “doping sistemático e generalizado em competições esportivas na antiga Alemanha Oriental”.

10. Dora Ratjen
Durante os Jogos Olímpicos de 1936, a Alemanha terminou em quarto lugar no salto em altura feminino. Após estabelecer o recorde do salto em altura em 1938, uma notícia bombástica foi revelada – Ratjen era um homem. Posteriormente, Ratjen afirmou que os nazistas o obrigaram a se passar por mulher “pela honra e glória da Alemanha”. Ele também teria dito: “Por três anos eu vivi a vida de uma menina. Era quase entediante”.


Fonte: history.com e Reuters Brasil

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