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Culpado ou inocente? Por que entre toda a tripulação, apenas o cozinheiro foi preso?

O capitão já estava bem longe quando a polícia, avisada pela Capitania dos Portos, abordou o navio de bandeira panamenha.  O Solana Star estava aportado na Praça Mauá, enquanto esperava por reparos bem pertinho da sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

“Eu não sabia nada da carga. Já dei a volta no mundo duas vezes. Não tenho problemas financeiros e embarquei nessa só porque gosto de viajar ”, afirmou Stephen G. Skelton às autoridades brasileiras na época em que foi preso.

As justificativas da única pessoa condenada pelo despejo de 22 toneladas de maconha na costa brasileira no verão de 1987 ainda podem ser lidas no texto do processo de número 13.134, disponível para consultas no site oficial da Marinha do Brasil. Todos os outros tripulantes do navio de bandeira panamenha, que foram julgados à revelia, fugiram para os EUA dias antes da prisão de Stephen.

A história desse homem que embarcou contratado como cozinheiro do Solana Star na Austrália também é contada no livro O Verão das Latas de Maconha — O Processo, escrito por Wanderley Rebello Filho, o advogado que defendeu Skelton no Brasil e que também é um dos entrevistados do Verão da Lata, do HISTORY, que vai ao ar no dia 6 de dezembro, a partir de 22h.

"Ele teve de ser isolado num subsolo infecto e semialagado para não ser mais brutalizado pelos outros presos, que achavam que ele era um gringo rico. Numa das visitas, falou que iria se matar na prisão caso não fosse libertado, tamanho era seu desespero".

Skelton foi solto um ano depois, e hoje vive na Flórida, mas ainda não gosta de falar muito do assunto. Mais recentemente, quando procurado por uma revista, o ex-cozinheiro do Solana Star confessou:

“Sim, eu era o cozinheiro. Fui condenado a 20 anos. De tempos em tempos, alguém do Brasil me procura para contar a história das latas [...]. Ninguém que esteja vivo conhece a história real, exceto eu. Se algum dia alguém fizer um filme, seria um sucesso de público, um blockbuster mundial. Sugiro Edward Norton para interpretar meu papel, ele seria perfeito para ser ‘O Cozinheiro’.

Outros quatro acusados como responsáveis pela operação do Solana Star já foram identificados. Sob os codinomes de "Top Guy", "The Informer", "The Captain" e o elo brasileiro em toda a operação: "Os Cariocas".

Mas a grande pergunta que ainda assombra as autoridades brasileiras que acusaram o cozinheiro, e depois tiveram que inocentá-lo é:

 

POR QUE STEPHEN SKELTON TERIA FICADO NO BARCO SOZINHO, ENQUANTO OS OUTROS TRIPULANTES FUGIAM PARA OS EUA, SE ELE SABIA DE TUDO?

Para conhecer a resposta e o destino secreto dos outros envolvidos identificados até então, é só se ligar no VERÃO DA LATA, que estreia esse sábado, dia 6 de dezembro. O programa vai ao ar pelo HISTORY a partir das 22H.

A maldição e o triste fim do barco Solana Star, principal protagonista do Verão da Lata

Velhos marujos costumam dizer que trocar o nome de uma embarcação dá azar. Se assim for, o barco que ficou eternizado como Solana Star, no episódio conhecido como Verão da Lata, passou na fila do azar várias vezes.

O "Solana", que deve ser chamado assim até hoje pelos mais chegados, nasceu em 1973 como Foo Lang, foi rebatizado para Geraldtown Endeavour, em 1980, virou Solana Star em 1986, e ganhou o nome de Charles Henri ao ser leiloado pelas autoridades brasileiras. Agora, ele descansa registrado nos livros das profundezas como Tunamar. Segundo a superstição, Netuno e Poseidon tiveram um trabalho danado para aceitar o nome do barco cinco vezes. E cobraram alto por isso.

A última viagem do Tunamar, que havia sido reformado para atuar como barco de pesca de atum, foi também a sua viagem inaugural. Ele partiu de Niterói para Santa Catarina, e naufragou no dia 11 de outubro de 1994, na região de Arraial do Cabo, no litoral fluminense. Onze dos 22 tripulantes morreram, nove ainda estão desaparecidos no interior do navio.

Quem tiver vontade de conferir o que sobrou do ex-Solana Star terá de mergulhar 65 metros de profundidade. Conforme as últimas informações divulgadas em sites de naufrágios, as condições são difíceis, além do mar a 1,5 milha da Ilha de Cabo Frio ser freqüentemente agitado. As águas profundas são muito turvas e, geralmente, a temperatura está em torno dos 13º C.

Desta maneira, apenas um profissional bastante experiente reúne as qualificações necessárias para desbravar a história deste malfadado navio nas profundezas salgadas.

“Comecei a refletir sobre todos os mergulhos que já realizamos por lá, todos sem exceção tiveram problemas que curso algum pode ensinar, lá embaixo ainda há os corpos dos que morreram no interior da embarcação, que não deixa de ser um túmulo. Mergulhar no Tunamar requer não só uma técnica apuradíssima como também a coragem de se enfrentar as forças ocultas que lá te esperam.”

Quem explica é Paulo Dias, instrutor com 20 anos de mergulho, um dos entrevistados do VERÃO DA LATA, uma produção original do HISTORY que vai ao ar no dia 6 de dezembro, este sábado, às 22h. Superstição de marinheiro ou não, enquanto não chega a hora do programa, vale a pena conferir o que restou do Solana Star. Ou melhor, Tunamar.

 

VERÃO DA LATA - Deus é brasileiro!

Confira neste trecho inédito de VERÃO DA LATA -  especial inédito com grande estreia este sábado, às 22H -  histórias de quem pegou mais latas do que ondas no verão de 87-88.

Entenda exatamente o que aconteceu no Verão da Lata, uma história real, inacreditável e ainda e pouco contada por aí!

Para muita gente, avistar e  recolher no mar ou na praia uma lata “recheada” no mar daquele "Verão da Lata" de 1987-1988 era como acertar na loteria. Os adpetos ao uso da maconha sentiam que haviam tirado a sorte grande ao escapar da polícia e dos traficantes ao mesmo tempo. E a polícia sabia o que essas pessoas fizeram no verão de 1987, mas não poderia fazer muita coisa. Era muita, mas muita lata invadindo 2 mil quilômetros de praias, do litoral do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul como você vai poder conferir no especial do HISTORY que vai ao ar no próximo sábado, dia 6 de dezembro, a partir de 22h.

MAS PORQUE SERÁ QUE OS TRIPULANTES DO SOLANA STAR TIVERAM QUE JOGAR SUA PRECIOSA CARGA NO MAR?

O navio que deu origem ao famoso Verão da Lata foi o Solana Star, que partiu da Austrália e parou para recolher sua preciosa carga em Singapura, no sudeste da Ásia. Seu destino oficial era o Panamá, mas no caminho a droga seria infiltrada nos EUA, a partir de Miami. Depois de navegar por 65 dias, o barco começou a ser perseguido pela Marinha e Guarda Costeira, perto de Angra dos Reis, após ter que fazer uma baldeação de emergência no Brasil no dia 13 de setembro de 1987.

A DEA (Drug Enforcement Administration) fez o alerta sobre a carga do Solana Star para as autoridades brasileiras, enquanto o navio ainda estava na metade do caminho para cá. Um grupo de 15 a 20 homens promoveu uma caçada ao Solana Star por duas semanas, com o apoio de aeronaves, utilizando até uma fragrata e um contratorpedeiro da Marinha do Brasil. Foi uma verdadeira operação de guerra. Para se livrar do flagrante, aproximadamente, 22 toneladas de maconha foram despejadas próximo a Ilha Grande, na costa do Rio de Janeiro. No início, as correntes marítimas espalharam as latas, principalmente, no litoral paulista e fluminense.

Antes de jogar ao mar as 15 mil latas que continham entre 1,3 e 1,5 kg de maconha, os tripulantes que estavam sem comida e água potável, pensaram em afundar o Solana Star com toda a carga dentro. Pegariam outro barco nos EUA, retornando para buscar o carregamento no fundo do mar meses depois. Seis norte-americanos e um costa-riquenho, com idades entre 32 e 52 anos, formavam a tripulação registrada do Solana Star que desembarcou no Rio de Janeiro. O cozinheiro foi o único preso. Após três vistorias, apenas dez centigramas de maconha foram encontradas pela polícia nos depósitos do Solana Star, onze dias depois de sua ancoragem no Rio de Janeiro.  

No Brasil, devido a “qualidade superior da erva”, cada lata de maconha poderia ser comercializada por até 500 dólares na Zona Sul do Rio de Janeiro. Das 15 mil latas lançadas ao mar, a polícia só conseguiu apreender 2.563 latas, conforme os registros oficiais. O resto foi consumido ou se perdeu nos mares brasileiros.