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Carmilla: a história das vampiras lésbicas que surgiu antes de Drácula

Anos antes de Bram Stoker conceber “Drácula”, seu clássico romance e obra fundamental para um novo gênero fantástico, “Carmilla” era escrita na Irlanda  - a primeira história sobre vampiros da qual se tem notícia. 

Ela foi escrita em 1871 e possui uma narrativa em primeira pessoa de uma personagem chamada Laura, uma jovem inglesa que vive com seu pai em um castelo e que, após um incidente curioso, recebe a visita da bela Carmilla.

Enquanto a relação entre as meninas transmite um certo medo, para depois se transformar em algo ardente e intenso, o pânico toma conta da cidade: as mulheres mais jovens começam a morrer em decorrência de uma doença misteriosa. Chegando perto do fim, se desenvolve uma história sobre vampiros - a primeira no seu gênero.

Os elementos de Carmilla aparecem em Drácula quase de forma idêntica, embora modificados: estética de uma vampira sexualmente irresistível, o caçador de vampiros e relatos em primeira pessoa.


Fonte: Super Curioso

Imagem: David Henry Friston via Wikimedia Commons

A Chapeuzinho Vermelho e os estupradores

O famoso conto de fadas pode encobrir verdades muito mais obscuras.

02.Jul.1992

Stephen Hawking bate o recorde dos best-sellers britânicos

O físico teórico Stephen Hawking quebrou os recordes editoriais em 2 de julho de 1992. Seu livro “Uma Breve História do Tempo” esteve na lista de best-sellers de não ficção por três anos e meio, vendendo mais de 3 milhões de cópias em 22 idiomas.

 

“Uma Breve História do Tempo” explica as teorias mais recentes sobre a origem do universo em uma linguagem acessível para leigos. O livro foi transformado em um documentário aclamado em 1992, que foca principalmente na história do próprio cientista. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica durante seus 20 anos, foi dito a Hawking que ele teria apenas mais dois anos de vida. Mas, apesar do grave prognóstico, ele deu seguimento aos seus estudos em física teórica, casou-se e teve um filho. Posteriormente, sua doença o deixou paraplégico, à exceção da mão esquerda. Hawking pôde continuar a falar, mas seu discurso era difícil de entender até ele se submeter a uma traqueotomia, em 1985, durante um ataque de pneumonia. Em seguida, Hawking começou a utilizar um sintetizador de voz controlado por um mouse, o que melhorou a clareza de seu discurso. Sua popular e sintetizada voz pode ser ouvida no documentário de “Uma Breve História do Tempo”, em uma música famosa do Pink Floyd e em um episódio dos Simpsons.

 

Ganhador da Medalha Presidencial da Liberdade e várias outras homenagens, Hawking escreveu muitos outros livros populares de ciência, incluindo “Buracos Negros, Universos Bebês e Outros Ensaios” (1993) e “O Grande Projeto” (2010), o qual ele coescreveu com o colega físico Leonard Mlodinow. Hawking é conhecido por suas contribuições científicas para a cosmologia e a gravidade quântica e está afiliado à Universidade de Cambridge e ao Instituto de Tecnologia da Califórnia, entre outras entidades.

 


Imagem: Flickr [CC BY 2.0]

Pablo Neruda

Nascido em Parral, Chile, em 12 de julho de 1904, o poeta Pablo Neruda causou controvérsia com sua afiliação ao Partido Comunista e seu apoio a Joseph Stalin, Fulgencio Batista e Fidel Castro. Mas sua poesia nunca foi posta em dúvida, e ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, e foram realizadas investigações póstumas para saber se ele havia sido envenenado.

Pablo Neruda nasceu Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto na cidade chilena de Parral, em 1904. Seu pai era ferroviário e sua mãe uma professora que faleceu logo após seu nascimento. Aos 13 anos, ele começou sua carreira literária, contribuindo para o jornal La Mañana, onde publicou seus primeiros artigos e poemas. Em 1920, ele contribuiu para o jornal literário Selva Austral, sob o pseudônimo de Pablo Neruda, em homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda.

Alguns de seus poemas mais antigos estão no seu primeiro livro, “Crepusculário”, publicado em 1923, e um de seus trabalhos mais renomados, “Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada”, foi publicado no ano seguinte, fazendo de Neruda uma celebridade.

Em 1927, Neruda iniciou sua carreira diplomática, por conta da tradição latino-americana de honrar poetas com cargos diplomáticos. Dessa forma, Neruda morou em muitos locais do mundo. Em 1935, a Guerra Civil Espanhola começou e Neruda escreveu crônicas sobre suas atrocidades, incluindo a execução de seu amigo Federico García Lorca, na obra “Espanha no Coração”.

Nos 10 anos seguintes, Neruda retornaria ao Chile muitas vezes. Nesse meio tempo, ele foi nomeado cônsul chileno no México e ganhou as eleições para o Senado do Chile. Ele também iniciaria a atrair controvérsias, primeiro com sua adoração por Joseph Stalin, em poemas como “Canto a Stalingrado” e “Novo Canto de Amor a Stalingrado”), e depois com homenagens a Fulgencio Batista e Fidel Castro.

Neruda se uniu ao Partido Comunista do Chile em 1945, mas em 1948, quando o partido estava sob cerco, ele saiu do país com sua família. Em 1952, o governo chileno retirou sua decisão de apreender escritores e políticos de esquerda, e Neruda retornou ao Chile.

Nos próximos 21 anos, Pablo Neruda continuaria a escrever prodigiosamente, e ele receberia prêmios de prestígio, como o Prêmio Internacional da Paz, em 1950, o Prêmio Lênin da Paz e o Prêmio Stalin da Paz, em 1953, e o Prêmio Nobel de Literatura em 1971.

Ele morreu em 23 de setembro de 1973 em Santiago, Chile. Apesar de sua morte ter sido atribuída a um câncer de próstata, muitos alegaram que ele havia sido envenenado, já que sua morte aconteceu logo após o ditador Augusto Pinochet assumir o poder.

Em 2011, o motorista de Neruda afirmou que o escritor tinha tomado uma injeção em uma clínica que havia piorado seu estado de saúde. O juiz Mario Carroza autorizou uma investigação oficial e o corpo do poeta foi exumado, mas não foram encontrados indícios. No início de 2015, o governo chileno reabriu a investigação, pedindo para que fossem investigados vestígios de metal no corpo. Porém, em abril, o juiz Carroza ordenou que o corpo fosse novamente enterrado.

 


Imagem: Mondadori Publishers [Domínio público], via Wikimedia Commons

Fernando Pessoa

Considerado o maior poeta da língua portuguesa, Fernando Antonio Nogueira Pessoa, conhecido apenas como Fernando Pessoa, foi também filósofo e escritor.

Ele nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 16 de junho de 1888, e morreu na mesma cidade, em 30 de novembro de 1935. O poeta fingidor, como se auto-denominava, criou os heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, cada um com personalidade e biografia próprias.


África do Sul

O primeiro poema foi escrito para a mãe, aos sete anos de idade. Aos cinco anos, perdeu o seu pai, vítima de tuberculose, que era funcionário público e escrevia críticas musicais no “Diário de Notícias”.

No ano seguinte, sua mãe casou-se com o cônsul de Portugal em Durban, na África do Sul. Fernando Pessoa foi para o país sul-africano aos seis anos e viveu até aos 17. Ali foi alfabetizado em inglês e seus primeiros textos foram escritos nesse idioma. Entre os autores que o influenciaram estão nomes como William Shakespeare, Edgar Allan Poe e Lord Byron.

A volta definitiva para portugual aconteceu aos 17 anos. Fernando Pessoa também passou a se interessar pela literatura portuguesa. Tornou-se tradutor de cartas comerciais, que eram sua fonte de renda. Também contribuiu para revistas, como o projeto luso-brasileiro modernista “Orpheu” (1915).


Livros publicados

Pouco livros foram publicados pelo autor ainda em vida. São as coletâneas de poemas em inglês “Antinous”, “35 Sonnets” e “English Poems I, II e III”, além de “Mensagem”, em português.

O escritor morreu aos 47 anos, vítima de cirrose hepática. Sua última frase, no leito de morte, foi em inglês: “I know not what tomorrow will bring” - “Eu não sei o que o amanhã trará”.

Somente após a sua morte é que sua arte ficou mais conhecida. Entre as suas obras importantes estão “”Poesia de Fernando Pessoa”” (1942), ““Poesia de Álvaro de Campos”” (1944), ““Poemas de Alberto Caeiro”” (1946), ““Odes de Ricardo Reis”” (1946) e ““O Livro do Desassossego”” (1982).

 


Imagem: Vitorino Braga [Domínio público], via Wikimedia Commons

George Orwell

Nascido Eric Arthur Blair, em Motihari, na Índia, em 1903, George Orwell foi um romancista, ensaísta e crítico, conhecido por seus livros “A Revolução dos Bichos” e “1984”.

Filho de um funcionário público britânico, George Orwell nasceu no dia 25 de junho de 1903 e passou seus primeiros dias de vida na Índia, onde seu pai trabalhava. No ano seguinte, foi, junto com sua mãe e irmã, para a cidadezinha de Henley-on-Thames, na Inglaterra. O pai ficou na Índia e raramente os visitava. Orwell só passou a conhecê-lo melhor depois que ele se aposentou, em 1912. Mesmo assim, os dois nunca chegaram a criar um vínculo forte. Orwell o achava chato e conservador.


Bolsa de estudos

Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros

Durante a infância, Orwell teve problemas de saúde, como bronquite e gripe constantes. Aos 4 anos, já havia escrito o seu primeiro poema e gostava de inventar histórias e criar personagens imaginários. Um de seus primeiros sucessos literários veio aos 11 anos, quando um poema seu foi publicado no jornal local.

Como muitos jovens na Inglaterra, ele foi enviado para um colégio interno. Com uma bolsa de estudos, Orwell percebeu que os funcionários da escola tratavam melhor os estudantes mais ricos. Ele não era popular entre seus colegas e escreveu muitas vezes sobre essa situação desconfortável em livros. Orwell gostava de ler as obras de Rudyard Kipling e H.G. Wells.


Vida de pobre e mendigo

Muito inteligente, ganhou bolsas para estudar na Wellington College e na Eton College. Depois de terminar seu ciclo na última, ele se viu em um beco sem saída, pois sua família não tinha dinheiro para pagar uma universidade. Por isso, acabou se alistando na Indian Imperial Police Force, em 1922. Após cinco anos na Birmânia, ele renunciou ao seu cargo e voltou para a Inglaterra, onde pretendia se dedicar à literatura.

Orwell teve dificuldades em deslanchar sua carreira de escritor, e seu primeiro grande livro foi “Na Pior em Paris e Londres” (1933), no qual contava suas experiências como pobre e mendigo nessas duas cidades. Para escrever a obra, ele aceitou todos os tipos de empregos e, não querendo envergonhar sua família, publicou-o com um pseudônimo: George Orwell.

Algumas vezes chamado de consciência de uma geração, Orwell decidiu explorar suas experiências em outro continente com “Dias na Birmânia” (1934). O livro oferece um olhar sombrio do colonialismo britânico no país asiático, ainda parte da Ordem do Império Indiano. O interesse de Orwell em questões polícias cresceu rapidamente depois da publicação desse livro.


Guerra Civil Espanhola

O homem é tão bom quanto o seu desenvolvimento tecnológico o permite ser.

Nessa época, ele conheceu Eileen O’ Shaughnessy, com quem se casou em junho de 1936. Ela seria uma grande apoiadora de sua carreira. Em dezembro do mesmo ano, viajou com Eileen para a Espanha, onde se juntou a um dos grupos milicianos que lutavam contra o general Francisco Franco, na Guerra Civil Espanhola.

Ele foi gravemente ferido, levando um tiro na garganta e em um dos braços e ficou sem poder falar por várias semanas. Orwell e Eileen foram acusados de traição na Espanha e tiveram que retornar à Inglaterra. Mas outros problemas de saúde o acometeram após seu regresso e, após vários anos enfermo, foi diagnosticado com tuberculose, em 1938. Ele passou vários meses no sanatório de Preston Hall, mas teve que lutar contra a tuberculose pelo resto de sua vida.


Jornalismo

Para se sustentar, Orwell aceitou todos os tipos de trabalhos com a escrita. Ele produziu inúmeros artigos e críticas ao longo dos anos. Em 1941, Orwell conseguiu um emprego como produtor na BBC. Ele fazia comentários sobre notícias e desenvolvia programas para os telespectadores na região oriental do Império Britânico. Ele atraiu grandes nomes da literatura como T.S. Eliot e E.M. Forster para participar de seus programas. Com a Segunda Guerra Mundial em curso, Orwell se viu atuando como propagandista do seu país. Ele abominava esse lado do trabalho e se demitiu em 1943. Nessa época, tornou-se o editor literário para um jornal socialista.

Orwell é mais conhecido por seus romances “A Revolução dos Bichos” e “1984”, os quais foram publicados no fim de sua vida. “A Revolução dos Bichos” (1945) é uma sátira antissoviética em um ambiente pastoral, tendo dois porcos como protagonistas – eles representariam Josef Stalin e Leon Trótski. O livro lhe trouxe grande aclamação e sucesso financeiro.


“1984”

Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.

Em 1949, ele publicou outra obra-prima, “1984”. Sua visão sombria do mundo, dividido em três nações opressoras, causou controvérsia entre os críticos, que consideraram essa ficção científica excessivamente pessimista. No romance, Orwell mostrava aos leitores o que aconteceria se o governo controlasse cada detalhe da vida de uma pessoa, até o próprio pensamento. Um dos personagens da obra é o “Big Brother” (ou Grande Irmão) que é uma propaganda do governo, que alega zelar e observar as pessoas. O livro foi um sucesso, mas o autor teve pouco tempo para aproveitá-lo. Nesse período, ele já se encontrava na última fase da luta contra a tuberculose.


Morte

Orwell faleceu em 21 de janeiro de 1950, em um hospital em Londres. Ele pode ter partido muito cedo, mas suas ideias e opiniões permaneceram para além de sua obra. Tanto “A Revolução dos Bichos” quanto “1984” se transformaram em filmes e tiveram grande popularidade ao longo dos anos.

Orwell foi casado com Eileen O’Shaughnessy até a morte desta, em 1945. De acordo com vários relatos, o casal mantinha um relacionamento aberto. Orwell teve vários outros casos durante o casamento. Em 1944, eles adotaram um menino, chamado Richard Horatio Blair, em homenagem a um dos antepassados do escritor. Richard foi criado pela irmã de Orwell após a morte de Eileen. Pouco antes de falecer, Orwell se casou com sua editora, Sonia Bromwell. Ela herdou a propriedade do escritor e fez uma carreira administrando seu legado.

 


Imagem: Branch of the National Union of Journalists (BNUJ) [Domínio público], via Wikimedia Commons

06.Abr.1895

Escritor Oscar Wilde é preso por relacionamento com filho de marquês

O escritor Oscar Wilde era preso no dia 6 de abril de 1895 após perder um processo por difamação contra o Marquês de Queensberry. Wilde mantinha um caso com o filho do marquês desde 1891, mas quando o indignado nobre o acusou de homossexualismo, o escritor o processou por difamação. No entanto, ele perdeu o caso quando evidências sustentaram fortemente as observações do marquês. O escritor foi preso, considerado culpado e sentenciado a dois anos de trabalhos forçados.

Wilde era muito conhecido na época, autor de inúmeras peças brilhantes e populares, como A Importância de Ser Prudente (1895). Nascido e educado na Irlanda, ele foi à Inglaterra para estudar em Oxford, onde se formou com honras em 1878. Uma figura popular na sociedade inglesa por sua sagacidade e seu estilo flamboyant, publicou seu próprio livro de poemas em 1881. Oscar passou um ano ensinando poesia nos EUA, onde suas roupas elegantes e sua devoção excessiva à arte foram consideradas ridículas por algumas pessoas.

Depois de retornar à Grã-Bretanha, Wilde se casou e teve dois filhos, para os quais escreveu deliciosos contos de fadas, publicados em 1888. Também fez resenhas e editou a revista The Woman’s World. Em 1890, seu único romance, O Retrato de Dorian Gray, foi impresso em série, aparecendo em forma de livro no ano seguinte.

Wilde compôs sua primeira peça, A Duquesa de Pádua, em 1891, e mais outras cinco antes de sua prisão. O autor foi solto em 1897 e viajou a Paris, onde vários de seus leais amigos o visitaram. Ele voltou a escrever, produzindo A Balada do Cárcere de Reading, baseado em suas experiências na prisão. Wilde morreu de meningite aguda em 30 de novembro de 1900, na capital francesa.

 


 

Imagem: Napoleon Sarony [Domínio Público], via Wikimedia Commons

 

 

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Oscar Wilde

Oscar Wilde foi um escritor, poeta e dramaturgo que publicou muitas obras de renome, incluindo “O Retrato de Dorian Gray” e “A Importância de ser Prudente”.

O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror.

Nascido em 16 de outubro de 1854, em Dublin, o escritor irlandês Oscar Wilde é mais conhecido pelo romance “O Retrato de Dorian Gray” e pela peça “A Importância de ser Prudente”, assim como pela sua prisão por ser homossexual. Morreu no dia 30 de novembro de 1900, em Paris, na França.

 

 

Primeiros anos

É tão fácil converter os outros. É tão difícil converter a nós mesmos.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde era filho de William Wilde, um médico consagrado por seu trabalho como conselheiro do censo irlandês. Mais tarde, ele fundou um hospital oftalmológico para tratar as pessoas carentes da cidade. A mãe de Oscar Wilde, Jane Francesca Elgee, foi uma poetisa associada à Rebelião da Juventude Irlandesa de 1848, uma linguista muito talentosa e bastante influente na escrita do filho.

Wilde era uma criança muito estudiosa e adorava os estudos gregos e romanos, tendo recebido diversos prêmios na escola. Após sua formatura, em 1871, ele recebeu uma bolsa de estudos para estudar na Trinity College, em Dublin. No fim do seu primeiro ano na universidade, recebeu uma bolsa de estudos que era a maior honra concedida aos graduandos. Ao término da universidade, em 1874, ele recebeu uma medalha como o melhor estudante de grego da Trinity, além de uma bolsa para estudar na Magdalen College, em Oxford, onde também se graduou com honras.


 

Mudança para Londres

Não há livros morais nem imorais. O que há são livros bem escritos ou mal escritos.

Depois de se formar, Wilde se mudou para Londres para morar com seu amigo Frank Miles, um pintor de retratos famoso da alta sociedade. Lá, concentrou-se na produção de poesias, publicando sua primeira coleção, “Poems”, em 1881, que recebeu poucas críticas elogiosas, mas o estabeleceu como um escritor promissor. No ano seguinte, foi para Nova York para realizar uma série de palestras. Ele aproveitou a viagem para conhecer algumas personalidades do meio literário, como Henry Longfellow, Oliver Wendell Holmes e Walt Whitman, o qual admirava especialmente.

Ao voltar para casa, Wilde iniciou um novo circuito de palestras na Inglaterra e na Irlanda, que durou até 1884. Nessas palestras e também em suas poesias, ele se estabeleceu como o líder do Movimento Estético, uma teoria de arte e literatura que enfatizava a busca da beleza pela beleza e não para promover um ponto de vista político ou social.

A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos a ela.

Em maio de 1884, ele se casou com uma inglesa rica chamada Constance Lloyd, com quem teve dois filhos: Cyril e Vyvyan. Um ano após o casamento, Wilde foi contratado para gerenciar a revista popular “Lady’s World”, que estava ficando fora de moda. Após dois anos, ele revitalizou a publicação, que agora tratava “não só meramente sobre o que as mulheres vestem, mas sobre o que elas pensam”, escreveu Wilde.


 

Obras aclamadas

Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada.

A partir de 1888, ainda na revista, Wilde entrou em um período de sete anos de criatividade feroz, em que produziu quase todas as suas obras literárias. No primeiro ano, publicou “O Príncipe Feliz”, uma coleção de histórias infantis. Em 1891, publicou “Intentions”, abordando o Movimento Estético, e no mesmo ano, seu primeiro e único romance, “O Retrato de Dorian Gray”. Trata-se de uma história ou fábula sobre um belo jovem, Dorian Gray, que deseja que o seu retrato envelheça, enquanto ele permanece jovem e levando uma vida de prazeres. Apesar de hoje o romance ser uma obra-prima, na época foi atacado por conta da aparente falta de moralidade.

A primeira peça de Wilde, “O Leque de Lady Windermere”, que estreou em 1892, foi aclamada pelo público e crítica, o que impulsionou Wilde a adotar a dramaturgia como sua forma literária primária. Nos anos seguintes, ele escreveu muitas peças, incluindo a sua mais famosa, “A Importância de ser Prudente”, (do original The Importante of Being Earnest, mas há outras traduções para o português como a Importância de ser Ernesto e a Importância de ser Honesto).

 

 

Vida pessoal e prisão

O velho acredita em tudo; o homem maduro duvida de tudo e o jovem sabe tudo.

Na mesma época em que experimentava o sucesso literário, Wilde começou um caso com o jovem lorde Alfred Douglas. O pai dele, Marquês de Queensberry, ao saber do romance, escreveu um bilhete a Wilde em que o acusava de sodomia. Wilde o processou, e a decisão do júri arruinou sua vida: ele foi condenado a dois anos de prisão em 25 de maio de 1895.

Quando saiu da prisão, em 1897, Wilde estava fisicamente abatido, emocionalmente exausto e falido. Ele foi para o exílio na França, onde brevemente reatou com Douglas. Ele escreveu muito pouco nesses últimos dias e seu único trabalho memorável da época é um poema sobre seu tempo na prisão, chamado “Balada do Cárcere de Reading”. Ainda na prisão, escreveu De Profundis, uma longa carta a Douglas.

 


Morte e legado

Devemos ser modestos e lembrar-nos de que os outros são inferiores a nós.

Wilde morreu de meningite em 30 de novembro de 1900, aos 46 anos. Mais de um séulo após sua morte, ele ainda é mais lembrado pela sua vida pessoal que por sua literatura. Todavia, suas obras, em particular o romance “O Retrato de Dorian Gray” e a peça “A Importância de ser Prudente” estão entre as grandes obras-primas literárias do fim do período Vitoriano.

 

 

Imagem: Napoleon Sarony [Domínio Público], Wikimedia Commons

Charles Lamb

Charles Lamb foi um escritor Inglês e ensaísta, mais conhecido pelas obras Essays of Elia e seu livro para crianças Tales from Shakespeare, que produziu com sua irmã, Mary Lamb (1764-1847). Charles Lamb nasceu no dia 10 de fevereiro de 1775, em Londres, e morreu no dia 27 de dezembro de 1834, também na capital inglesa. Ele foi filho de John Lamb, que trabalhou como assistente de um advogado durante a maior parte de sua via, e de Elizabeth Field.

As riquezas são, essencialmente, boas porque elas nos dão tempo.

Sentimentalmente, estou disposto a harmonia, mas, organicamente, sou incapaz de uma melodia.

Entre as obras que escreveu, também há destaque para uma série de poesias. Ele ainda fazia parte de um círculo literário na Inglaterra, juntamente com Samuel Taylor Coleridge e William Wordsworth, de quem Charles Lamb era amigo.

Uma tragédia familiar iria trazer consequências para Chales Lamb durante toda a sua vida. A sua irmã, Mary, em um acesso de loucura esfaqueou e matou a mãe. Para evitar que a irmã fosse encarcerada pelo resto da vida, Charles aceitou tornar-se responsável por ela e providenciar tratamento para seus problemas mentais.  

 

Infância e colégio interno

Charles era o filho mais novo da família. Sua irmã Mary era 11 anos mais velha e ambos tiveram uma relação bem próxima desde pequenos. Seu irmão John, era muito mais velho, e não houve uma grande proximidade entre eles. Charles mais tarde foi estudar na Christ's Hospital, uma escola interna, que ficou conhecida pelos relatos de violência e brutalidade sofridos pelos estudantes.

Acreditar em tudo é a fraqueza do homem, mas a força da criança.

Depois que terminou o ensino médio, Charles não conseguiu assegurar sua vaga em Cambridge - caminho de muitos dos seus colegas - e deixou a escola aos 14 anos. Finalmente, se estabilizou em um emprego no escritório de contabilidade da Companhia Britânica das Índias Ocidentais. Trabalhou ali por 25 anos até se aposentar.

Charles Lamb estreou na literatura em 1797 com o livro "Poemas em Verso Branco", publicado em colaboração com amigos. A sua popularidade, contudo, veio com os livros como "Rosamund Gray", "A Velha Margarida Cega", "John Woodwil", "Mr. H", "Falácias Populares", entre outros.

 

Tragédia familiar

Advogados, suponho, foram crianças uma vez.

Além dos seus livros, um outro fato chama atenção na sua vida. Em 22 de setembro de 1796, uma súbita loucura atacou sua irmã Mary, que matou a própria mãe. Charles não deixou que ela fosse para o manicômio e dedicou sua vida para a recuperação da irmã. Desta maneira, ele nunca se casou ou teve algum relacionamento mais longo. Sua irmã, quando possível, ajudava Charles com obras infantis. Após sua morte, em dia 27 de dezembro de 1834, em Londres, Mary viveu ainda outros 13 anos.

 

Legado

É bom amar o desconhecido.

As obras de Lamb não são amplamente lidas nos tempos modernos. Por causa de sua notoriamente peculiar, mesmo bizarro, ele tem sido mais um "cult" do que um autor com apelo popular.

 

Charles Dickens

Charles John Huffam Dickens, conhecido como Charles Dickens, nasceu o dia 7 de fevereiro de 1812, em Portsmouth, na costa sul da Inglaterra. Considerado um ícone da literatura inglesa e mundial, ele morreu no dia 9 de junho de 1870, aos 58 anos, vítima de um derrame, em Kent, na Inglaterra. Seu pai, John Dickens, era um funcionário naval que sonhava em ficar rico. Sua mãe, Elizabeth Barrow, aspirava ser professora e diretora escolar. Apesar dos melhores esforços de seus pais, a família permaneceu pobre.

Dickens, em suas obras, combinou com grande destreza humor, sentimento trágico e ironia, crítica social, descrevendo pessoas e lugares, tanto reais como imaginárias. Em muitas ocasiões, utilizava o pseudônimo de Boz. As obras mais destacadas são: Papéis Póstumos do Clube Pickwick (1836-1837), Oliver Twist (1837-1839), Nicolas Nickleby (1838-1839), Armazém de Ambiguidades (1840-1841), Barnaby Rudge (1841), Canção de Natal (1843), Martin Chuzzlewit (1843-1844), Dombey e Filho (1846-1848), David Coperfield (1849-1850), Casa Desolada (1852-1853), Tempos Difíceis (1854), A Pequena Dorrit (1855-1857), História de Duas Cidades (1859), Grandes Esperanças (1860-1861), O Nosso Amigo Comum (1864-1865) e El Guardavía (1866). Deixou inacabo o seu último romance, The Mystery of Edwin Drood.


 

Pobreza em Londres

Cada fracasso ensina ao homem algo que necessitava aprender.

Em 1822, a família de Dickens se mudou para Camden Town, então um bairro pobre de Londres. Seu pai, John Dickens, tinha um hábito de gastar além da renda da família e isso o levou à prisão por dívidas em 1824, quando Charles tinha apenas 12 anos de idade.

O garoto foi forçado a deixar a escola para trabalhar em uma fábrica perto do rio Tâmisa. Lá, realizava o ingrato trabalho de limpar lareiras e chaminés, convivendo com roedores. Esta experiência iria marcar Dickens para sempre, inclusive em sua obra, onde ele afirma ter se despedido de sua inocência juvenil. Ele se sentiu abandonado e traído pelos adultos que deveriam cuidar das crianças.

Para seu alívio, Dickens retornou à escola quando seu pai recebeu uma herança de família e pagou suas dívidas. Mas, quando tinha 15 anos, teve que abandonar novamente os estudos e trabalhar como office-boy para ajudar na renda da família. Este trabalho, porém, foi o ponto de partida para sua carreira de escritor.

Logo Dickens estava escrevendo como freelancer para tribunais de Londres. Alguns anos depois, contribuía para dois importantes jornais da cidade. Em 1833, começou a enviar desenhos para várias revistas e jornais sob o pseudônimo de "Boz". Em 1836, seus recortes foram publicados em seu primeiro livro, Sketches by Boz. O primeiro sucesso Dickens chamou a atenção de Catherine Hogarth, com quem ele se casou. Ambos tiveram 10 filhos. O casal se separou em 1858.

 

Sucesso com Oliver Twist

Aquele que alivia o fardo do mundo para o outro não é inútil neste mundo.

No mesmo ano em que esboços por Boz foi lançado, Dickens começou a publicar Papéis Póstumos do Clube Pickwick. Sua série de esboços era originalmente escrita como legendas para ilustrações humorísticas do artista Robert Seymour. O trabalho se tornou muito popular entre os leitores.

Neste meio tempo, Dickens se tornou editor executivo da revista Bentley’s Miscellany. Nela, começou a publicar seu primeiro romance, Oliver Twist, que fala sobre a vida de um órfão que vive nas ruas. A história foi inspirada na infância de Dickens, quando se viu forçado a conseguir ganhar seu próprio sustento. O livro foi extremamente bem recebido na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Ao longo dos próximos anos, Dickens se esforçou para igualar o nível de sucesso de Oliver Twist. De 1838 a 1841, publicou Nicolas Nickleby (1838-1839), Armazém de Ambiguidades (1840-1841), Barnaby Rudge (1841). Em 1842, Dickens e sua esposa Kate realizaram uma turnê de palestras, ao longo de cinco meses, pelos Estados Unidos. Após o seu regresso, Dickens escreveu American Notes, um diário de viagem sarcástico, criticando a cultura e materialismo norte-americano.

Em 1843, Dickens escreveu o romance Martin Chuzzlewit, uma história sobre a luta de um homem para sobreviver na fronteira americana. O livro foi publicado no ano seguinte. Ao longo dos próximos dois anos, Dickens publicou duas histórias sobre o Natal. Uma delas é o clássico A Christmas Carol (Canção de Natal), que apresenta o protagonista Ebenezer Scrooge, um velho avarento e ranzinza, que, com a ajuda de um fantasma, descobre que o espírito de Natal.

 

Primeira celebridade moderna

Depois de sua primeira turnê pelos Estados Unidos, em 1842, Dickens ganhou tanta fama que pode ser considerado a primeira celebridade moderna. Ele falou de sua oposição à escravidão e expressou seu apoio às reformas sociais. Suas palestras, que começaram na Virginia e terminaram em Missouri, foram um enorme sucesso e havia grande disputa por ingressos.

Por conta de suas críticas ao povo americano durante sua primeira turnê, Dickens lançou uma segunda viagem pelos EUA, entre 1867 e 1868, na esperança de se acertar com o público. Ele fez um discurso carismático, prometendo elogiar os Estados Unidos em novas edições de American Notes e Martin Chuzzlewit. Suas 76 palestras lhe renderam um bom dinheiro, o que hoje representaria mais de US$ 1 milhão. De volta para Inglaterra, Dickens se tornou tão famoso que as pessoas facilmente o reconheciam nas ruas em Londres.

 

David Copperfield, livro favorito de Dickens

Qualquer pessoa é capaz de ficar alegre e de bom humor quando está bem-vestida.

De 1849 até 1850, Dickens trabalhou no livro David Copperfield, considerado uma obra inovadora no seu tempo, pois ninguém havia escrito um romance que simplesmente seguia um personagem através de sua vida cotidiana. Ao escrevê-lo, Dickens trouxe suas experiências pessoais, sua infância difícil e seu trabalho como jornalista. Embora David Copperfield não seja considerado o melhor trabalho de Dickens, o livro era seu favorito.

Durante a década de 1850, Dickens sofreu duas grandes perdas: a morte de sua filha e de seu pai. Ele também se separou da esposa, caluniando Kate publicamente. Ele ainda conheceu uma jovem atriz chamada Ellen "Nelly" Ternan, com quem teve um relacionamento.

 

Visão obscura do mundo

Seus livros, a partir de então, começaram a mostrar uma visão pessimista de mundo. Na obra Casa Desolada, publicado em partes, entre 1852 e 1853, ele lida com a hipocrisia da sociedade britânica. Foi considerado seu romance mais complexo até o momento. Já Tempos Difíceis (1854) se passa em uma cidade industrial no auge da expansão econômica. Outro livro desta época é A Pequena Dorrit, um estudo ficcional de como valores humanos entram em conflito com a brutalidade do mundo.

Deixando o seu lado obscuro, em 1859, Dickens publicou Um Conto de Duas Cidades, um romance histórico contado durante a Revolução Francesa. Seu próximo livro, Grandes Esperanças é sobre uma viagem ao longo da vida do protagonista e de seu desenvolvimento moral. É considerada a maior realização literária de Dickens. Alguns anos mais tarde, ele ainda escreveu Our Mutual Friend, seu último romance completo, que analisa o impacto psicológico da riqueza na sociedade de Londres.

Após sua morte, aos 58 anos, Dickens foi sepultado no Poets' Corner ("Esquina dos Poetas"), na Abadia de Westminster.