Todos os horários

Viriato interpretado por Jefferson Hall

Morenos, com os cabelos longos e armados com suas machetes que eram sua marca registrada, esses guerreiros-bandidos pertenciam às montanhas de Portugal.Viriato veio da Lusitânia, que ocupava áreas onde hoje ficam Portugal e o oeste da Espanha. Não se sabe exatamente sua data de nascimento, mas os autores antigos o descrevem como um habitante litorâneo e um pastor que, durante a infância, viveu nas montanhas. Relatos apontam para a sua grande força e agilidade, resultado de uma dieta restrita e de trabalhos físicos pesados.

A conquista da Espanha pelos romanos se deu início durante a Segunda Guerra Púnica contra os cartagineses e seu famoso general Aníbal. Alguns lusitanos tentaram evitar a guerra, solicitando um tratado de paz com Roma, mas a aliança ficou só no papel. Em 151 a.C., Roma os traiu, matou sistematicamente e escravizou todos os homens em idade de combate, supostamente 30 mil pessoas. Viriato era um dos poucos homens a escapar do massacre. Na sequência, ele convenceu seus colegas sobreviventes a recusarem qualquer acordo de paz oferecido a eles. Com o tempo, tornou-se líder do crescente exército rebelde lusitano, determinado a resistir às forças romanas vastamente superiores.

 

Mas enfrentar legiões mortais e disciplinadas de soldados romanos foi uma tarefa difícil para os lusitanos menos equipados. Em vez de encarar os inimigos de frente, Viriato desenvolveu uma estratégia própria: guerrilhas baseadas em ataques relâmpagos e recuos igualmente rápidos. Relatos apontam Viriato como um estrategista militar astuto, com uma grande reputação por sua coragem, decência e generosidade. Ele tinha o cuidado de dividir os espólios da vitória entre seus guerreiros mais valentes. Por um período de oito anos, trouxe vários prejuízos aos romanos. Percebendo a gravidade da ameaça, Roma enviou duas legiões à Espanha para detê-lo e, ao final, acabou expedindo mais de 20 mil homens para derrotar os lusitanos e conquistar a região de vez.

 

As táticas de guerrilha de Viriato eram tão bem-sucedidas que outras tribos locais começaram a imitá-las. Os romanos se viram constantemente atormentados por dezenas de tropas pequenas em vez de uma única e grande. Em 139 a.C., uma vez confiante de que um futuro pacífico era possível para os lusitanos, Viriato enviou mensageiros ao exército romano para pedir a paz. Em vez disso, os mensageiros foram subornados para que o assassinassem enquanto dormia. Depois de realizada a ação, em vez de pagar seus assassinos contratados, Roma prontamente os executou.

Aníbal interpretado por Nicholas Pinnock

Uma força de elite: vestidos com armaduras de bronze, os cartagineses são uma tribo altamente culta com um corpo militar e marítimo desenvolvido.Aníbal Barca, nascido em 247 a.C., era o filho do grande general cartaginês Amílcar. Os Barcas eram uma família de líderes militares, os maiores generais do exército cartaginês. Amílcar havia lutado contra os romanos na Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.). Ele foi obrigado a evacuar a Sicília após os romanos terem destruído a frota cartaginesa, uma humilhação pela qual nunca perdoou os romanos. Amílcar passou a obrigação da vingança ao seu filho, que, aos 9 anos, teve que cumprir um pacto de sangue, jurando que, um dia, derrotaria Roma. O jovem Aníbal foi levado de Cartago às colônias espanholas, onde foi criado. Durante seu crescimento, apaixonado pela guerra, Aníbal também recebeu educação de alto nível e teria supostamente escrito livros tanto em púnico quanto em grego.

 

 

Na época em que Aníbal se tornou general, os romanos, tendo roubado tecnologia cartaginesa de construção naval, dominaram os mares em volta do sul da Itália. Apesar da supremacia da República Romana, a rota do Mediterrâneo era considerada por todos o único jeito de chegar a Roma. A rota terrestre incluía as gigantescas barreiras geográficas dos Pirineus e dos Alpes. Os romanos acreditavam que qualquer guerra com os cartagineses seria travada na Espanha em vez de na Itália. Quando Aníbal finalmente iniciou sua campanha de vingança contra a República, ele acabou lançando seu primeiro ataque contra o território principal.

 

Ele partiu de “Nova Carthago” – a Cartagena moderna – em 218 a.C., com um exército imenso, o qual os autores romanos estimam que tenha ultrapassado os 100 mil homens. Após meses de perseguições de gato e rato entre os dois lados, Aníbal viu suas forças cercadas pelos romanos em um lado e a as montanhas formidáveis do outro. O inverno estava chegando e, no momento em que eles se aproximaram dos Alpes, os homens de Aníbal já estavam exaustos. Mas em um movimento ousado, o general ordenou uma das manobras militares mais ambiciosas da história antiga. As forças de Aníbal cruzaram os Alpes para aterrissar na entrada de Roma, sendo em grande parte dizimadas ao longo do caminho, com milhares de homens e a maioria dos seus elefantes sucumbindo aos fatores naturais durante a jornada gelada e traiçoeira.

 

A tropa sobrevivente marchou em direção à Itália e deixou um rastro de destruição na sua passagem. Em 216 a.C., Aníbal destruiu uma enorme força militar romana em Canas, a pior derrota de Roma na guerra. Mas Roma não foi tão facilmente dominada. Ambos os irmãos de Aníbal, também generais, cruzaram os Alpes para prestar seu apoio, porém seus exércitos foram derrotados. O pior ainda estava por vir, quando mensageiros logo trouxeram a Aníbal notícias relativas a Cartago, que estava sob o ataque dos romanos.

 

Por fim, Aníbal se tornou o senador da derrotada Cartago e ajudou a negociar acordos de paz com Roma. Sua aproximação agressiva deixou a elite da cidade desconfortável e ele acabou sendo forçado ao exílio. Perseguido pelos romanos, ele preferiu se envenenar, por volta de 181/183 a.C., em vez de se render ao seu inimigo de toda a vida.

Espártaco interpretado por Bem Batt

Com a barba por fazer e dura como pregos, essa tribo multiétnica começa a batalha seminua e desorganizada, mas logo se transforma em uma força de combate suprema. Nascido na Trácia (atual Leste Europeu) por volta de 109 a.C., pouco se sabe sobre os primeiros anos de vida de Espártaco, que viria a liderar uma revolta de escravos que abalou a República Romana no seu âmago.

Fontes dizem que, enquanto servia como auxiliar do exército romano, ele desertou, foi capturado e então escravizado. Por causa de sua enorme força física, foi escolhido para se tornar um gladiador e transferido a um campo de treinamento de elite em Cápua, na Itália. As condições para os gladiadores nunca foram boas, mas Cápua era particularmente inóspita. Os que sobreviviam à arena eram atormentados e maltratados pelos guardas. Espártaco conspirou uma fuga ao lado de 70 de seus companheiros gladiadores – incluindo Criso da Gália.

 

A princípio, a República tratou a fuga como uma questão policial menor. O cônsul romano, Caio Cláudio Glabro, enviou às pressas uma tropa para lidar com eles, armando-lhes uma cilada no Monte Vesúvio. Mas os romanos estavam excessivamente confiantes, sem ter conhecimento do gênio tático de Espártaco. Ao descer do Vesúvio em cordas de videira, os rebeldes conseguiram emboscar e destruir o acampamento romano.

 

Escravos advindos dos campos circundantes abandonaram suas fazendas para se unirem a Espártaco, e o exército cresceu de forma espetacular. Eles atropelaram uma legião romana e seguiram ao norte, em direção aos Alpes – o caminho de casa para muitos dos escravos –, invadindo e saqueando vilarejos no itinerário. É provável que o exército final de Espártaco tenha acumulado um total de 40 mil homens.

 

Espártaco agora, encontrava o exército romano de Cisalpina, que protegia a passagem para a Gália. Tendo-o derrotado definitivamente, a saída para a Itália estava aberta, mas, em vez de continuarem, Espártaco e seu exército recuaram. Aqueles que haviam sido forçados a matar por diversão tinham agora intenção de vingança.

 

Depois diso, a República Romana passou a temer seriamente o efeito desestabilizador da insurreição crescente dos escravos e começou a reagir com força total. Oito legiões (com mais de 32 mil homens) foram reunidas sob o comando de Marco Licínio Crasso. Dois grandes generais, Pompeu e Lúculo, foram chamados de volta de províncias longínquas para apoiar Crasso. Espártaco e seu exército amador enfrentavam agora três exércitos romanos altamente treinados e disciplinados. Desesperado, ele arriscou um confronto decisivo com Crasso.

 

A maioria dos rebeldes morreu na batalha, mas os 6 mil sobreviventes tiveram um destino pior. Eles foram crucificados por toda a Via Ápia, até Roma, em um aviso assustador para qualquer um que ousasse desafiar o poder de Roma.

 

Espártaco foi ferido em batalha, mas seu corpo nunca foi achado. Ele tinha 38 anos de idade.

Genserico interpretado por Richard Brake

Os vândalos eram descritos pelo historiador bizantino do século VI Procópio como altos, loiros e “bonitos de se ver”.Genserico nasceu por volta de 389 d.C., filho ilegítimo do grande rei vândalo Godegisílio. Quando Genserico foi eleito rei em 428, os vândalos tinham sido por muito tempo povos errantes. Movidos pelo avanço dos hunos, os vândalos cruzaram a fronteira norte do império pelo rio Reno, em 406, e encontraram seu caminho para a Espanha. Lá, eles se estabeleceram, mas assim que o governo de Genserico teve início, eles foram atacados pelos visigodos e tiveram que migrar para o Norte da África.

 

Na época, o Mestre dos Soldados romanos do Norte da África, Bonifácio, tinha medo de perder sua posição devido a intrigas em Roma. Como resultado, ele concordou com Genserico que um determinado número de vândalos poderia se estabelecer na África e trabalhar como mercenários para dar suporte ao seu cargo. Em uma operação gigantesca, Genserico deslocou toda a população vândala – mais de 20 mil soldados junto com 60 mil famílias não combatentes – pelo Estreito de Gibraltar.

 

Genserico parece ter sido um homem de reflexões profundas e poucas palavras, com desdém pelo luxo, furioso, ganancioso por suas conquistas, sagaz ao ganhar dos bárbaros e habilidoso em plantar as sementes da dissidência ao seu próprio favor.

 

Chegando à Líbia, ele descobriu que Bonifácio não precisava mais dos seus serviços e que estava exigindo que os vândalos retornassem à Espanha. Mas Genserico conseguiu ver uma grande oportunidade nas terras férteis do Norte da África. Ele se recusou a ir embora e os vândalos derrotaram as forças romanas enviadas por Bonifácio para expulsá-las. Em seguida, conquistaram o território litorâneo até a cidade de Hipona e ali se estabeleceram para subjugar a população da cidade à fome. Por fim, após 14 meses amargos, ele entrou na cidade e a tornou capital do novo reino vândalo em 435. A vitória foi a porta de entrada para o verdadeiro prêmio de Genserico: Cartago, uma cidade vital para o abastecimento dos romanos, e que eles dominaram por quase 600 anos. Por quatro anos, Genserico cooperou de forma submissa com os romanos. Foi então que, repentinamente, em 339, enquanto as forças ocidentais de Roma estavam ocupadas pelos godos e francos, ele fez seu avanço, tomando Cartago em um ataque surpresa.

 

Nesse golpe brilhante, Genserico adquiriu não apenas Cartago, mas também os navios romanos ancorados no seu porto. Mostrando mais uma vez sua desenvoltura, Genserico começou a transformar seus vândalos nos piratas mais formidáveis do Mediterrâneo e da Sicília e, embora um contra-ataque romano em 441 tenha recuperado essa ilha, os vândalos continuaram a invadir livremente o sul da Europa enquanto Roma enfrentava problemas para lidar com Átila.

 

Na década de 450, os vândalos tiveram um momento próspero de paz com o Império. Genserico estava pressionando o imperador relutante para que lhe entregasse sua filha Eudóxia para o casamento planejado com seu filho. Ele também era capaz de ver como a ameaça crescente ao Império imposta pelos hunos poderia estar ao seu favor. Começou então a enviar presentes em dinheiro para subornar Átila a atacar a fronteira romana e impedir que os romanos reunissem seu exército contra ele.

 

Em 455, o imperador Valentiano foi assassinado em um golpe palaciano e, mais uma vez, Genserico enxergou uma oportunidade. Os vândalos pegaram seus barcos e navegaram até a Itália, onde marcharam até Roma. Máximo fugiu apavorado, mas foi apanhado por uma multidão romana em fúria e apedrejado até a morte por sua covardia.

 

O saque de Roma, em 455, marcou o declínio final do Império Romano no Ocidente. Ele não foi tão violento conforme diz a lenda. Os vândalos pilharam, mas deixaram grande parte das construções da cidade intacta.

 

À época da morte de Genserico, em 477, depois de quase 50 anos no trono, ele havia levado uma pequena e insignificante tribo germânica e a transformado em uma grande potência mediterrânea.

Fritigerno interpretado por Steve Waddington

Com os corpos altos e bem desenvolvidos, esses guerreiros nórdicos empunham machados enormes para aterrorizar o inimigo.Os povos godos têm origem na Germânia, mas, por volta do século IV, habitaram a Cítia (atual Romêmia). Eles eram diversos culturalmente, compartilhando algumas características com os hunos e outros povos do leste.

A tribo de Frigiterno havia se convertido recentemente ao Cristianismo, mas eles eram inimigos de Roma e frequentemente entravam em conflito com os exércitos imperiais e invadiam as fronteiras do império. Mas quando a ameaça huna colocou sua sobrevivência em risco, Fritigerno pediu ao seu companheiro cristão, o imperador romano Valente, que concedesse asilo ao seu povo dentro do império, em troca de soldados para lutar no exército romano. Valente permitiu que os godos de Fritigerno cruzassem o Danúbio e se estabelecessem em Trácia. Ao seu general, Lupicinus, foi dada a tarefa de desarmar e alimentar os godos. Mas Lupicinus era corrupto e cruel e estava disposto a lucrar com a desgraça dos godos, vendendo-lhes rações escassas a preços inflacionados. Os godos ficaram agitados e raivosos. Lupicinus, alarmado pela fúria das massas, convidou seus líderes, incluindo Fritigerno, a um banquete no acampamento romano. Uma vez dentro, os guarda-costas dos líderes godos foram assassinados. A captura dos chefes deixou os godos loucos e furiosos. Fritigerno negociou sua própria soltura ao prometer acalmar a horda goda. Mas, em vez disso, ele planejou sua vingança.

 

Quando as forças de Fritigerno atacaram, elas destruíram o exército de Lupicinus e saquearam livremente o campo. Ao mesmo tempo, os bárbaros na cidade de Adrianópolis se rebelaram contra os senhores romanos e se juntaram a Fritigerno.

 

A ameaça era tão grande que tanto o Império do Oriente quanto o do Ocidente enviaram suas legiões para enfrentá-la. Em Adrianópolis, o conflito chegou ao clímax com uma batalha épica.

 

O assassinato das forças romanas pelos godos foi o mais sangrento desde Aníbal, na Batalha de Canas. O imperador Valente fugiu da batalha em pânico e se escondeu em um celeiro próximo. Os godos o localizaram, cercaram o celeiro com feno e assistiram ao Imperador de Roma queimar vivo.

 

Fritigerno liderou os godos de volta a Trácia, onde eles se estabeleceram não como servos de Roma, mas como semelhantes e rivais temidos. Ele morreu logo em seguida, mas seu nome ficou para a história como o homem que destruiu legiões romanas e matou um imperador.

Boadiceia interpretada por Kirsty Mitchell

Os icenos iam para a batalha com sua pele tingida, ouro em volta do pescoço e capacetes adornados com estranhos desenhos de animais e imagens místicas.Boadiceia nasceu de uma descendência real em 21 d.C. Um registro diz que ela era “dotada de inteligência superior à maioria das mulheres. Ela era alta e seu cabelo era descrito como ruivo ou castanho avermelhado, indo até abaixo da sua cintura.

 

O marido de Boadiceia, Prasutagus, era rei dos icenos, uma tribo de guerreiros celtas orgulhosos da província romana de Britânia. O império fez inúmeras tentativas de desarmar e derrotar os icenos, mas não teve sucesso, decidindo, em última instância, selar a paz em vez de continuar lutando contra os rebeldes. Prasutagus se tornou um aliado favorito. Ele fez do imperador romano um coerdeiro de seu reino, junto com sua mulher e suas duas filhas. Em troca, os icenos receberam grandes empréstimos de Roma.

 

Com a morte do rei, Roma ignorou seu pedido de deixar o reino para suas filhas. Suas terras foram anexadas a Roma, como se tivessem sido conquistadas. Quando se opôs, Boadiceia foi espancada e suas filhas estupradas. Icenos foram arrancados de suas propriedades, e os parentes do rei escravizados.

 

Boadiceia jurou se vingar dos romanos pelo estupro de suas filhas e as mortes em sua tribo. Mas sozinhos, os icenianos não poderiam derrotar a ameaça romana, cada vez maior. Agora líder de seu povo, Boadiceia reuniu várias tribos britânicas – todas em perigo de aniquilação nas mãos de Roma – e as convenceu a se juntarem a ela em uma rebelião contra o império. Ela, então, esperou uma oportunidade para atacar.

 

Movido pela raiva e pelo desejo de liberdade, o exército de Boadiceia atacou toda a Britânia em uma campanha de morte e fogo contra os assentamentos romanos da ilha, destruindo três grandes centros do poder romano, matando civis “romanizados” e uma legião romana. As batalhas foram algumas das mais brutais empreendidas contra Roma.

 

O governador de Roma, Paulino, não podia deixar que a rebelião continuasse. Os dois exércitos finalmente se encontraram em uma planície não muito distante de Londínio. O conflito durou horas, mas em uma batalha convencional, as forças de Boadiceia não eram páreo para as tropas disciplinadas romanas.

 

Inúmeros britânicos foram abatidos enquanto fugiam. Os romanos mataram civis desarmados e animais de carga que viajavam com o exército de Boadiceia. As fontes divergem quanto ao destino de Boadiceia. Alguns dizem que ela fugiu do campo de batalha, mas morreu logo em seguida. O historiador Tácito acredita que ela se envenenou, mas outro registro diz que ela morreu de uma doença enquanto planejava um novo ataque.

 

Seja qual for a verdade, não só a resistência britânica ao poder romano havia sido quebrada como o nome de Boadiceia entraria para a história como a primeira a unir o povo da Britânia.

Átila interpretado por Emil Hostina

Os hunos possuem cabelos escuros e suas bochechas são cicatrizadas em um ritual na infância. Eles lutam, comem, negociam e até mesmo dormem nos cavalos.

 

Os hunos eram uma tribo nômade, que surgiu das estepes asiáticas e trouxe destruição a todos os lugares que atacaram. Movidos por um desejo de pilhagem, os hunos enchiam seus inimigos de medo, com ataques relâmpagos violentos em vilas desavisadas. Cavaleiros e arqueiros experientes, eles eram mortalmente precisos com o arco e a flecha em qualquer velocidade.

 

Acredita-se que Átila tenha nascido por volta de 406 d.C. Em 434, quanto tinha em torno de 30 anos de idade, ele e seu irmão Bleda sucederam o senhorio huno após a morte de seu tio. Apesar da cobiça em saquear riquezas, os registros mostram que os gostos de Átila eram modestos. Ele não estava interessado nas luxúrias da vida romana. Ele comia carne em um prato de madeira. Seu cálice era de madeira, enquanto os convidados recebiam taças de prata. Seu modo de vestir era simples, porém limpo. Observadores notavam que ele não era facilmente entretido.

 

Seu objetivo não estava nada aquém da conquista absoluta, e as riquezas de Roma eram usadas para a construção de seu espólio. Diz-se que ele pensava que estava destinado a conquistar o mundo. Quando um pastor trouxe uma espada que havia achado no campo para Átila, este se convenceu de que ela era a Espada de Marte (ou Espada de Deus) e que isso era um sinal de que sua supremacia havia sido de algum modo ordenada.

 

Em 445, Bleda morreu misteriosamente, provavelmente morto por seu irmão, deixando Átila como governante único dos hunos. O Império Romano, então, ficou seriamente preocupado com ele. O imperador Teodósio enviou assassinos para que o matassem, mas estes foram facilmente descobertos. Átila nem sequer se preocupou em matá-los; em vez disso, mandou-os de volta a Constantinopla com novas exigências tributárias.

 

Os ataques hunos ao Leste Europou foram tão violentos que causaram uma crise de refugiados, levando as tribos bárbaras, como os godos, a fazer alianças com seu próprio inimigo – o Império Romano. O perigo aumentou quando os hunos desenvolveram armas de cerco para conquistar cidades muradas. Em seguida, Átila também ameaçou o Império do Ocidente e, com a ajuda do rei vândalo, Genserico, e um complô dentro de Roma, ele reuniu o maior exército invasor que o império já havia visto. O que se seguiu foram algumas das batalhas mais sangrentas da Idade Antiga, devastadoras para ambos os lados e terminadas em recuos.

 

Átila se casou com uma bela princesa ostrogoda. Mas na noite de seu casamento, ele morreu misteriosamente, com sangue escorrendo por seu nariz. Álcool? Veneno? Ou simplesmente um esforço excessivo? Qualquer que seja a causa, o grande líder huno e oponente do Império estava morto, e a grande sombra que ele levantou sobre o Oeste havia sido levantada.

Armínio interpretado por Tom Hopper

Homens da tribo de físico brutal: barbudos, de pele clara e vestidos rudemente em peles de lobo. Nascido na Germânia por volta de 18 a.C., Armínio e seu irmão Flavus eram os herdeiros de uma família querusca de alto escalão. Assim como muitas tribos germânicas, a guerra era um estilo de vida para os queruscos, mas após a derrota da tribo, ambos os rapazes foram enviados a Roma como reféns, com o objetivo de romanizar os bárbaros. Em Roma, eles foram educados, treinados como soldados e ganharam a cidadania romana. Armínio ascendeu na hierarquia da família, lutando em campanhas pelas províncias orientais e acabou sendo promovido à elite, a Ordem Equestre, o grupo mais elevado de Roma, junto com o Senado.

Por volta de 7 d.C., Armínio foi enviado de volta à sua terra natal, na Germânia, para ajudar a manter a paz. Lá, ele encontrou o seu povo altamente tributado pelo governador romano Varo e tratado como escravo. Não demorou muito para que ele começasse a pensar em rebelião, mas, contando com a lealdade de ambos os lados, Armínio teria que agir com cautela. Secretamente, ele reuniu o apoio de tribos vizinhas com o objetivo de formar uma coalisão germânica para se levantar contra os ocupantes. Armínio tinha a vantagem de conhecer os pontos fortes e fracos do exército romano, mas isso não seria suficiente para enfrentar uma legião de soldados treinados. Ele precisava de um plano mais inteligente; o que se seguiu foi uma traição que mudou completamente o jogo para Roma e Germânia.

 

Armínio e seus aliados planejaram uma emboscada que daria aos bárbaros uma vantagem contra as legiões que os ultrapassavam numericamente. Na Batalha da Floresta de Teutoburgo (9 d.C.), as táticas de guerrilha de Armínio pegaram Roma desprevenida. Foi uma das derrotas mais humilhantes para Roma e mudou a maré da rebelião bárbara e secular contra Roma, que se espalhava pela Europa. Após a batalha, Armínio se tornou o líder dos queruscos e voltou à vida de um verdadeiro germânico. Mas os romanos queriam vingança. O grande general Germânico e o próprio irmão de Armínio, Flavus, perseguiram-no pelas florestas da Germânia por mais de dois anos. Uma série de confrontos sangrentos não teve consequências. Foi então que a esposa de Armínio, Thusnelda, foi raptada. Enfurecido, Armínio levou seus soldados ao rio Weser, onde os exércitos adversários haviam se preparado para uma batalha campal.

 

No conflito que se seguiu, Armínio foi ferido. Percebendo que era alvejado, ele espalhou o sangue de sua ferida pelo seu rosto, mascarando sua aparência, e recuou para um terreno mais elevado. Com Armínio em retirada, os romanos haviam ganhado. Muitos germânicos foram mortos e outros tentaram fugir nadando pelo rio.

 

 

Essa derrota marcou o fim da rebelião de Armínio e, aos 39 anos, ele foi assassinado e traído por um membro de sua própria família.

Alarico interpretado por Gavin Drea

Alarico não tomou Roma à força. Os escravos deixaram seu exército entrar, como parte de uma estratégia astuta chamada “Cavalo de Troia” para ingressar na cidade.

Nascido na Ilha Peuce, na foz do rio Danúbio (atual Romênia), Alarico ainda era uma criança durante a migração em massa dos godos pelo Danúbio e sua guerra subsequente com Roma. Alguns anos depois da morte de Fritigerno, Alarico ascendeu como líder e, posteriormente, rei dos visigodos de 395 a 410 d.C.

Ele tinha uma personalidade carismática, que atraía muitos escravos oprimidos e bárbaros do Império Romano para se juntarem à sua causa. Mantinha uma relação de amor e ódio com Roma, mas esperava que essa colaboração garantisse uma terra para os godos, que há tempo se viam deslocados.

 

Alarico tentou fazer com que os guerreiros godos fizessem parte oficialmente do exército romano, para que eles tivessem direito à comida e a terras dentro do império. Contudo, maus tratos e traições repetidas por parte do Império colocaram Alarico contra o imperador. De 396 d.C. em diante, ele invadiu tanto o Império Oriental quanto o Ocidental, especialmente Ilíria e Trácia.

 

Seu exército foi derrotado em Trácia em 397 pelo general meio-bárbaro Estilicão. Mas, quatro anos depois, Alarico invadiu a Itália, causando um pânico tão grande no império que eles tiveram que mudar a capital para Ravena. Os godos se defenderam contra Estilicão várias vezes, mas não foi travada nenhuma batalha grande ou decisiva entre eles. Nenhum dos líderes estava disposto a submeter seus exércitos a uma guerra potencialmente desastrosa do tudo ou nada.

 

Em 408, Estilicão foi preso e executado como um inimigo suspeito do estado. Em Roma, os bárbaros foram culpados pelos problemas recentes do império e as famílias dos soldados bárbaros do exército de Estilicão foram massacradas por romanos furiosos. A atrocidade e a morte de Estilicão foram um desastre duplo para o império. Eles não apenas perderam seus generais mais capacitados, mas suas forças bárbaras restantes – 30 mil homens no total – desertaram imediatamente e se juntaram a Alarico. Dessa vez, com o suporte de um número esmagador de homens, Alarico e os godos marcharam a Roma sem oposição.

 

Ele exigiu a libertação de 400 mil escravos godos em Roma e o comando do exército Romano, com o título de Mestre dos Soldados. Os bárbaros foram soltos e o Império pagou a Alarico uma quantia enorme de ouro, mas o Imperador recusou o acordo final; ele não queria permitir que outro bárbaro comandasse os exércitos romanos.

 

Em 410, pela terceira vez em três anos, os godos de Alarico sitiaram Roma. A destruição goda de Roma não foi tão séria como alguns temiam. Como cristãos convertidos, eles permitiram que os cidadãos sitiados se refugiassem nas igrejas.

Alarico morreu no mesmo ano, de doença, mas sua vitória foi uma virada decisiva na longa luta contra o poderoso Império. Depois de anos lutando contra a resistência de inúmeros bárbaros por toda a Europa, Roma deixava de ser invencível.

Percival Farquhar

Percival Farquhar foi um dos empresários mais poderosos que o Brasil já conheceu. O empreendedor se notabilizou por sua atuação na indústria ferroviária e pela exploração de minério de ferro.

Vindo de uma tradição disciplinada e ascética quaker, o norte-americano Percival Farquhar chegou aos negócios com um objetivo ousado e nada modesto: tornar-se milionário. Nascido em 1864, em Iorque, na Pensilvânia, cresceu em ambiente rico, embora sem ostentação, e logo se acostumou a frequentar altas rodas e conhecer membros da elite.

“Eu sou o homem que tudo financia.”

Com disposição para embarcar em projetos arriscados, ele decide se envolver em negócios no Brasil. Chega ao país com a missão de concluir uma negociação secreta de concessões de exploração de serviços públicos no Rio de Janeiro com seus detentores estrangeiros.

Antes de desembarcar no país, ele carregava a experiência como alto executivo de duas companhias ferroviárias nos Estados Unidos e já havia conquistado a concessão de ferrovias em Cuba e Guatemala.

No Brasil, Farquhar enfrenta a preocupação dos políticos que receavam deixar serviços essenciais da capital brasileira nas mãos de estrangeiros e sofre a concorrência de empresários como Cândido Gaffré e Eduardo Palassin Guinle, que tentavam obter a concessão para si.

Rivalidade com os Guinle

Misturando doses calculadas de pressão (até por meio do embaixador americano) e a enorme oferta de capital, Farquhar consegue derrotar a intervenção de Guinle e obtém a concessão para explorar serviços como o transporte de bondes, iluminação a gás e energia hidrelétrica por meio da Rio de Janeiro Light & Power. A empresa foi fundada em 1904, junto com o engenheiro norte-americano F. S. Pearson e o advogado canadense Alexander Mackenzie. 

Essa é uma das disputas entre Farquhar e a família Guinle, que tornam-se rivais constantes pelos próximos 30 anos. Alguns anos mais tarde, os Guinle conseguem um contragolpe na Bahia, vencendo a disputa pelos serviços públicos da capital Salvador. 

Estradas de ferro

Com a vitória no Rio de Janeiro, Farquhar começa seu projeto mais ambicioso: a construção e reforma de centenas de trechos de estrada de ferro, com o objetivo de interligar as Américas por meio de uma ferrovia Pan-americana. No Brasil, ataca em duas frentes: a estrada de ferro Madeira-Mamoré, no meio da Amazônia, e a Brazil Railway, conjunto de ferrovias localizado no sul e sudeste do Brasil.

No caso da Madeira-Mamoré, seu sucesso dependia do porto de Belém (outra obra de Farquhar) e da criação de uma companhia de navegação eficiente e da rentabilidade da borracha. As ferrovias do Sul (SPRG) dependiam da exploração da pecuária, da madeira e da chegada de colonos europeus.

Negócios que naufragam

Os negócios não vão exatamente como o esperado. O projeto da estrada de ferro no meio da Amazônia se vê falido com a entrada da borracha do sudeste asiático no mercado mundial. Farquhar inaugura sua ferrovia no meio da mata já sabendo que os negócios ali não tardariam a naufragar. No sul, explode uma revolta nas fronteiras entre os estados do Paraná e de Santa Catarina, parcialmente motivada pela expulsão de posseiros para a passagem da ferrovia e dos negócios de Farquhar. 

No Rio, o americano atrai publicidade negativa na imprensa. Ele faz uma oferta para comprar o porto de Santos, uma concessão da família Guinle. Isso foi visto como uma afronta, e os Guinle não economizaram esforços para agitar a imprensa contra Farquhar, especialmente por meio dos Diários Associados de Chateaubriand, o magnata das comunicações daquele momento.

Tempos difíceis

Os tempos ficariam difíceis para Farquhar. A disponibilidade de capitais na Europa começou a escassear por causa dos crescentes atritos diplomáticos e a guerra dos Bálcãs. A Primeira Guerra Mundial estoura e a insolubilidade financeira acaba por tornar-se irremediável. Assim, as empresas do americano são levadas à intervenção pelos banqueiros dos EUA.

Em 1919, Farquhar faz uma última grande aposta no Brasil: adquire a mina de Itabira para exportar o minério de ferro brasileiro. Mas essa disputa ele perde novamente os Guinle. O então presidente Getúlio Varga - opositor do norte-americano - decide se aproximar de Guilherme Guinle, filho de Eduardo P. Guinle, que lhe oferece um plano para viabilizar uma fábrica estatal, a Companhia Siderúrgica Nacional. Dessa forma, no início da década de 1940, o Estado desapropria Itabira, e Farquhar se vê derrotado mais uma vez.

Farquhar morreu no dia 4 de agosto de 1953 em Nova York, nos Estados Unidos.