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09.Sep.0009

Ocorre a Batalha da Floresta de Teutoburg, a "maior derrota de Roma"

A Batalha da Floresta de Teutoburg, também chamada de Desastre de Varo por historiadores romanos, ocorreu na Floresta de Teutoburg, no dia 9 de setembro (data estimada) do ano 9, na Alemanha, perto da atual cidade de Bramsche.

O confronto ocorreu quando uma aliança de tribos germânicas emboscou e destruiu três legiões romanas comandadas por Públio Quintílio Varo. A traição contra os romanos foi conduzida por Armínio, um oficial germânico, da tribo dos queruscos, que havia adquirido a cidadania romana e também recebido educação militar romana, o que lhe permitiu enganar o comandante romano e antecipar as respostas táticas do exército romano.

Apesar de várias campanhas de sucesso e incursões nos anos seguintes à batalha, os romanos nunca mais se aventuraram na conquista de territórios germânicos, ao leste do rio Reno, que, na realidade, constituía a maior parte da fronteira setentrional do Império Romano.

A vitória dos tribos germânicas contra as legiões de Roma, na Floresta de Teutoburg, teria resultado em efeitos que seriam sentidos durante muito tempo, tanto para os povos germânicos quanto no Império Romano. Os historiadores contemporâneos e modernos, geralmente, consideram a vitória de Armínio como "a maior derrota de Roma", uma das batalhas mais decisivas registradas na história militar, basicamente "um ponto de virada na história do mundo".



Imagem: Nawi112 [GFDL or CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

Quem eram os godos e os vândalos?

Os godos e os vândalos eram duas das tribos germânicas que enfrentaram o Império Romano pela Europa e o norte da África do século III ao V d.C.

 

[ASSISTA A REBELIÃO DOS BÁRBAROS. ESTREIA SEGUNDA (12/09), ÀS 22H40]

 

Pelo fato de quase todas as informações que restaram sobre os godos e os vândalos terem vindo de fontes romanas, a história adotou uma visão predominantemente negativa dessas tribos, como brutos e “bárbaros” não civilizados, que ajudaram a derrubar o grande império de Roma na Europa. Hoje, “vandalizar” a propriedade alheia significa causar danos ou destruição, enquanto “gótico” é aplicado a subculturas conhecidas por sua estética escura e sombria. Mas, embora tanto os godos quanto os vândalos tenham saqueado Roma (em 410 e 455 d.C., respectivamente), nenhuma das tribos deixou a grande cidade em ruínas ou massacrou seus habitantes. Na verdade, os reinos godos fundados na Gália (atual França), na Ibéria (atual Espanha) e na Itália adotariam o Catolicismo Cristão e outros aspectos da cultura romana, ajudando a preservar essas tradições muito tempo depois do declínio e queda do Império Romano do Ocidente.

 

Pouco se sabe sobre as origens dos godos antes de os romanos os encontrarem. Eles podem ter vindo da Escandinávia, segundo algumas fontes, ou da atual Polônia. Desde a primeira invasão goda ao território romano, em 239, a tensão era alta entre os romanos e o povo guerreiro que eles viam como inferiores e até subumanos. Ainda assim, muitos godos serviram como soldados romanos, adaptando-se ao estilo de vida dessa civilização e negociando com eles. Por volta de 375, uma nova tribo, conhecida como hunos, surgiu ao norte do rio Danúbio, e começou a empurrar outras tribos – incluindo os godos e os vândalos – para o território romano. Tensões entre os godos e os romanos se manifestaram no início do século V, quando o líder godo, Alarico, sitiou Roma e saqueou a cidade, em 410. Os descendentes de Alarico, conhecidos como visigodos (godos do oeste), assentaram-se na Gália e na Ibéria. O último reino visigodo, na Espanha, foi derrubado pelos mouros em 711. Na Itália, os ostrogodos (godos do leste) estabeleceram domínio no final do século V, mas caíram para o Império Bizantino apenas algumas décadas depois.

 

Como os godos, os vândalos podem ter suas origens na Escandinávia antes de migraram para o sul. Eles cruzaram a fronteira romana pela primeira vez em 406, com o Império distraído por divisões internas, e enfrentaram tanto os visigodos quanto os romanos na Gália e na Ibéria. Sob o reinado do guerreiro feroz Genserico, os vândalos se aproveitaram da fraqueza romana no norte da África e estabeleceram seu reino nessa região, com a capital em Cartago, por volta de 440. Com as forças de Genserico marchando a Roma em 455, desesperados, os romanos enviaram o Papa Leão I para pedir misericórdia. Em troca de entrarem livres pela cidade, os vândalos concordaram em não queimar a cidade ou matar seus cidadãos. Após a morte de Genserico, em 477, – ainda invencível no campo de batalha – seu império entraria em declínio em meio a disputas entre seus descendentes. Tropas bizantinas o invadiram em 534 e levaram o último rei vândalo, Gelimero, como prisioneiro em Constantinopla.

 


Imagem: Heinrich Leutemann [Domínio público], via Wikimedia Commons

 

De onde veio a palavra “bárbaro”?

A palavra “bárbaro” tem suas origens na Grécia Antiga e era inicialmente usada para descrever todos os povos que não falavam grego, incluindo os persas, egípcios, medos e fenícios.

 

[ASSISTA A REBELIÃO DOS BÁRBAROS. ESTREIA SEGUNDA (12/09), ÀS 22H40]

 

A antiga palavra grega “bárbaros” significava “tagarela” e era onomatopeica: para os ouvidos gregos, pessoas que falavam idioma estrangeiro produziam sons ininteligíveis (“bar bar bar”). Existem palavras similares em outas línguas indo-europeias, incluindo o sânscrito “barbara”, que significa “gagueira”.

 

Foram os antigos romanos, os quais, pela definição original, eram os próprios bárbaros, que transformaram inicialmente o uso do termo.  No final do Império Romano, a palavra “bárbaro” se referia a todos os estrangeiros que não vinham de tradições gregas ou romanas, especialmente as várias tribos e exércitos que pressionavam as fronteiras de Roma. Nunca houve um grupo bárbaro único e unido, e muitas das diferentes tribos – incluindo os godos, vândalos, saxões, hunos, pictos e muitos outros – trocaram de aliança ao longo dos anos e lutaram ao lado de forças romanas contra outros exércitos bárbaros. Mais tarde, estudiosos estenderiam o uso dessa palavra ao escrever sobre ataques a culturas consideradas “civilizadas” (seja a China Antiga ou Roma Antiga) por inimigos externos que não compartilhavam as mesmas estruturas ou tradições.

 

Hoje, o adjetivo “bárbaro” é mais comumente utilizado para descrever um ato brutal ou cruel no limite da selvageria ou do primitivo e não civilizado (ou todas as opções), enquanto “bárbara” é a pessoa que comete esses atos ou apresenta tais características. Essa definição genérica – e explicitamente pejorativa –, quando comparada às acepções gregas e romanas da palavra, mostra claramente o quanto o termo “bárbaro” foi afastado de suas antigas raízes.

 


 

IMAGEM: Shutterstock.com

8 líderes bárbaros famosos

Do século II ao V d.C., vários exércitos estrangeiros – principalmente os godos, vândalos e hunos – começaram a fazer incursões importantes no território dominado pelos romanos. Considerados pelos romanos como brutos, violentos e não civilizados, esses grupos “bárbaros” se mostraram adversários terríveis no campo de batalha, fazendo pressões implacáveis, que acabariam derrubando o Império Romano do Ocidente. Saiba mais sobre os oito líderes bárbaros mais famosos, incluindo suas origens, suas proezas militares e os reinos que muitos deles estabeleceram durante e depois o período final do Império Romano.

 

[ASSISTA A REBELIÃO DOS BÁRBAROS. ESTREIA SEGUNDA (12/09), ÀS 22H40]

 

1) Armínio

Nascido em uma família nobre da tribo germânica dos queruscos por volta de 18 a.C., Armínio (em alemão, Hermann) foi arrancado de seu lar pelos romanos quando criança e serviu o exército romano. Em 9 d.C., forças queruscas emboscaram e massacraram três legiões romanas sob o comando de Públio Quintílio Varo, governador da Germânia, na Floresta de Teutoburgo. Com uma derrota humilhante – depois que um Públio esmagado caiu sobre sua própria espada –, os romanos recuaram pelo rio Reno e não arriscaram novas invasões. Embora Armínio fosse saudado como um herói nacionalista durante a unificação da Alemanha, no final do século XIX, sua reputação foi abalada na Segunda Guerra Mundial, quando alemães modernos associaram suas façanhas históricas com o nacionalismo militar do Terceiro Reich de Adolf Hitler.

 

2) Boadiceia

Assim como outras mulheres celtas, Boadiceia (ou Boudica) gozava de maior liberdade do que muitas outras mulheres no mundo antigo e foi treinada para o combate e uso de armas junto com os homens de sua tribo. Quando seu marido, o rei Prasutagos dos icenianos da Anglia Oriental (atual leste da Inglaterra), morreu sem herdeiro do sexo masculino, em 60 d.C., os romanos aproveitaram a oportunidade para anexar o seu reino, castigar Boadiceia publicamente e estuprar suas duas filhas. Com o governador provincial romano Caio Suetônio Paulino ausente da região, a rainha guerreira e rebelde liderou uma rebelião de icenianos e de outras tribos descontentes contra a Nona Legião Romana. De acordo com o historiador romano Tácito, as forças de Boadiceia massacraram cerca de 70 mil romanos e britânicos pró-romanos durante seu ataque. Caio Suetônio retornou em seguida e suas forças ganharam uma batalha defensiva em um local desconhecido. Após essa derrota, Boadiceia teria provavelmente se suicidado com veneno.

 

3) Alarico

Um dos líderes bárbaros mais famosos, o rei godo Alarico I ascendeu ao poder depois que a morte do Imperador Romano do Oriente Teodósio II, em 395 d.C. pôs fim a um frágil acordo de paz entre Roma e os godos. Quando o Imperador do Ocidente Flávio Onório se recusou a abastecer as forças de Alarico com terra e suprimentos, em 408, o exército godo sitiou Roma. No verão de 420, um grupo de escravos rebeldes abriu a Porta de Salária e as tropas de Alarico se tornaram os primeiros inimigos estrangeiros a entrar na cidade em 800 anos. Eles saquearam Roma por três dias, mas trataram bem sua população. Acredita-se que Alarico tenha morrido logo depois de sua partida, durante uma expedição posterior à África. Seus descendentes, os visigodos, migraram para a Ibéria e estabeleceram seu reino, que é conhecido hoje como Espanha.

 

4) Átila, o Huno

Nascido em uma família real de hunos, um povo nômade que vivia no que agora é a Hungria, Átila ascendeu ao poder junto com seu irmão Bleda em 434 d.C. Uma vez aliado de Roma contra outros grupos bárbaros, incluindo os burgúndios e os godos, Átila aceitava enormes subsídios financeiros em ouro para que não atacasse o território romano – mas acabou o fazendo de qualquer maneira. Depois de matar Bleda, ele assumiu controle absoluto de um império que se estendia por toda a Europa Central. Uma série de acontecimentos complexos envolvendo o imperador de Roma Ocidental, Valentiniano III, e sua irmã Honória, incentivou Átila a invadir a Gália (atual França), em 450. Apesar de uma força conjunta de romanos e visigodos ter contido o ataque, Átila estava destemido e, em 452, invadiu a Itália. Os romanos enviaram o Papa Leão I como mensageiro da paz e, embora os detalhes de seu encontro sejam desconhecidos, Átila acabou recuando suas tropas e retornando para a Hungria. Em 453, ele foi encontrado morto na manhã após o seu casamento (ele tinha várias mulheres), aparentemente vítima de uma hemorragia nasal fatal, envenenamento acidental por álcool ou uma conspiração de assassinato, com possível envolvimento de sua nova esposa Ildico.

 

5) Genserico

Logo após o rei vândalo Genserico (também Gizerico) ascender ao poder, em 428 d.C., ele liderou 80 mil homens de seu povo ao Norte da África, onde eles estabeleceram um reino que iria controlar o Mar Mediterrâneo pelo próximo século. Depois que o imperador Valentiniano III foi assassinado, anulando um tratado que prometia sua filha Eudócia ao filho de Genserico em casamento, os vândalos marcharam a Roma em 455. Ao perceber a insuficiência de suas defesas, os romanos novamente enviaram o Papa Leão I para suplicar por misericórdia. Graças à diplomacia do Papa, os vândalos concordaram e não destruir a cidade e não matar sua população em troca de uma entrada livre. Posteriormente, um Genserico vitorioso retornou ao Norte da África, onde venceu com sucesso dois ataques romanos (em 461 e 468) e invadiu os territórios do Império Oriental de Alexandria, no Egito, a Anatólia. Ele morreu em 478 de causas naturais, invicto no campo de batalha.

 

6) Odoacro

A maioria dos estudiosos concorda que Odoacro, o primeiro rei bárbaro da Itália, era filho de Edecão dos hunos, chefe da tribo do esciros e conselheiro do temido líder dos hunos, Átila. Em 476 d.C., após servir como comandante do exército romano na Itália, Odoacro liderou uma rebelião contra Orestes, um general romano que havia derrubado o imperador romano do Ocidente, Júlio Nepos, e declarado seu filho adolescente, Rômulo Augústulo, imperador. As forças de Odoacro capturaram e executaram Orestes e enviaram Rômulo – o último imperado do Ocidente – ao exílio. Apesar de ter reconhecido oficialmente a soberania do imperador bizantino Zenão, Orestes se recusou a restabelecer Júlio Nepos como imperador do Ocidente (como Zenão queria) e, no lugar, declarou a si mesmo como rei. Ele era um governante tolerante, permitindo a prática do Catolicismo Romano, apesar de sua própria crença Cristã Ariana. Por final, a aliança de Zenão com o líder Teodorico dos ostrogodos (godos do leste) significou o fim para o reino de Odoacro, com as forças ostrogodas invadindo a Itália em 489 e se apoderando de quase toda a península. Odoacro conseguiu se manter por um tempo em Ravena, mas, após assinar um tratado para governar a cidade em conjunto em 493, Teodorico assassinou Odoacro, sua família e seus seguidores.

 

7) Clóvis

Clóvis I foi o primeiro rei da chamada dinastia merovíngia, que iria governar a Gália e a Alemanha de 500 a 750 d.C., e é considerado o fundador da França. Filho de Childerico, o rei pagão da tribo germânica conhecida como francos sálios, Clóvis assumiu o trono em 481, quando tinha apenas 15 anos de idade. Após derrotar o último governador romano da Gália na Batalha de Soissons, em 486, Clóvis estabeleceu um reino unido por vários povos francos, que se estendia desde a margem oeste do Reno até o Oceano Atlântico. Em um ato famoso, Clóvis se converteu ao Catolicismo e seu reino misturou tradições culturais romanas e germânicas. Uma luta por poder com o jovem rei visigodo Alarico II marcou grande parte do reino de Clóvis, mas em 507 ele derrotou e matou seus rivais perto de Poitiers, no centro-oeste da Gália. Do trono de seu império, em Paris, Clóvis procurou expandir ainda mais seu reino, porém foi frustrado nessas tentativas por Teodorico, o poderoso governante ostrogodo da Itália. Clóvis morreu por volta de 511 e seus descendentes meronvígios (principalmente Carlos Magno) reinariam por mais de 200 anos – não menos que 18 futuros reis da França utilizariam o nome Luís, uma versão latinizada de Clóvis.

 

8) Teodorico

Quando criança, Teodorico foi enviado a Constantinopla como refém do Império Romano do Ocidente, de modo que fosse garantido o consentimento do seu pai, o rei dos ostrogodos Teodomiro, com um acordo romano-godo. Apesar de nunca ter aprendido a ler nem escrever, ele acabou adotando vários aspectos da cultural romana. Em 488 d.C., Teodorico invadiu a Itália, conquistando, em 493, praticamente toda a península e a Sicília, quando manipulou e matou seu rival Odoacro. De acordo com sua própria vontade, a paz reinou na Itália durante o reinado de Teodorico por mais de três décadas (33 anos) no poder. Ele publicou decretos para garantir um tratamento legal e justo tanto para godos quanto para os romanos e ressaltou que os dois grupos deveriam viver juntos amigavelmente. Longe do estereótipo bruto de um rei “bárbaro”, Teodorico se vestia com o roxo real preferido pelos romanos e venerava a ideia da “civilitas” (“vida civilizada” ou “civilização”). Depois de sua morte, em 526, ele seria lembrado como Teodorico, o Grande, por seu governo justo e pacífico e sua revitalização da Itália após a queda do Império Romano do Ocidente.

 


FONTE:Sarah Pruitt
IMAGEM: Eugène Delacroix / Palais Bourbon [Domínio público], via Wikimedia Commons

7 armas bárbaras lendárias

Os romanos descreveram as civilizações que viviam além de suas fronteiras como “bárbaros” selvagens, mas essas tribos antigas eram qualquer coisa, menos primitivas.

Os líderes de grupos como os godos, celtas, hunos e vândalos eram quase sempre estrategistas militares brilhantes, e seus artesãos eram capazes de criar armas e tecnologia bélica avançadas, desde lâminas e arcos até armas de cerco. Conheça melhor as sete armas que as tribos guerreiras utilizavam pata enfrentar o Império Romano.

 

[ASSISTA A REBELIÃO DOS BÁRBAROS. ESTREIA SEGUNDA (12/09), ÀS 22H40]

 

1. O machado de batalha

Poucas armas bárbaras causavam tanto medo quanto o machado. Enquanto a maioria dos guerreiros tribais levava lanças ou espadas para o combate, os soldados germânicos eram conhecidos por manejar machados de batalha pesados e capazes de destruir escudos, armaduras e capacetes com um único golpe. Já os francos tinham uma predileção por um machado de peso leve conhecido como “francisca”, o qual poderia ser usado como uma arma para mutilar ou para ser arremessada como um projétil, à queima roupa. “A cabeça de ferro dessa arma era espessa e excessivamente afiada nos dois lados, enquanto o punho de madeira era muito curto”, escreveu o historiador Procópio sobre a francisca no século VI d.C. “E eles estavam acostumados sempre a lançar esses machados ao sinal do primeiro ataque e destruir os escudos dos inimigos, matando-os”. O machado foi uma das várias armas bárbaras a serem utilizadas na Idade Média. Ele era especialmente popular entre a guarda varegue, um bando de mercenários vikings que atuava como guarda-costas dos impérios bizantinos nos séculos X e XI.

 

2. A espada longa

A espada longa de dois gumes era a principal arma dos gauleses, um conjunto de tribos celtas que viviam no território que agora é conhecido como França, Bélgica e oeste da Alemanha. Ao contrário do gládio, uma espada romana e mais curta utilizada principalmente para apunhalar, as espadas de ferro manejadas pelos galeses eram projetadas para cortar o inimigo em um movimento descendente semelhante a um golpe de machado. As espadas tendiam a ser menos eficientes em campos de batalha abarrotados, onde não havia muito espaço de manobra, mas elas eram especialmente mortais em combates individuais e de guerrilha – as táticas preferidas dos bárbaros. A espada longa foi figura de destaque em várias guerras travadas entre os gauleses e a República Romana. Quando o chefe gaulês Breno invadiu a Itália, no século IV a.C., suas tropas utilizaram de forma notória seus sabres para perfurar escudos e derrotar o exército romano ao longo do rio Allia. Em seguida, realizaram um terrível saque na cidade de Roma.

 

3. Cota de malha

Algumas vezes, as tribos bárbaras eram conhecidas por entrar de surpresa em batalhas completamente nuas para intimidar seus inimigos, mas elas também possuíam uma ampla variedade de escudos e armaduras. Entre as mais eficientes, estava a cota de malha, que teria sido inventada na Europa pelos celtas gauleses no século III a.C. A maioria das malhas gaulesas tinham o formato de uma camisa de manga curta ou de um colete feito de um enredamento de pequenos anéis metálicos. Isso dava flexibilidade ao mesmo tempo em que protegia o usuário de golpes cortantes por espadas e adagas, que simplesmente raspavam em sua superfície exterior e dura. A cota de malha era extremamente trabalhosa para fazer – uma única armadura podia incluir dezenas de milhares de anéis –, por isso ela costumava ser usada por chefes bárbaros e aristocratas em vez de soldados de baixo escalão. No entanto, sua eficácia em combate fez com que ela fosse altamente valorizada pelos romanos, que acabaram adotando camisas de malha parecidas e conhecidas como “lorica hamata” para suas legiões.

 

4. A carruagem celta

Durante suas campanhas na Grã-Bretanha, em 55 e 54 a.C., Júlio César se tornou o primeiro general romano a encontrar carros de combate das tribos celtas nativas. Esses veículos eram geralmente compostos por dois cavalos com rodas de aro de ferro e plataformas resistentes feitas de vime e madeira. No combate, eles funcionavam como uma espécie de transporte pessoal antigo: condutores deixavam um guerreiro solitário perto da luta, escondiam-se e depois voltavam para pegar o soldado se ele estivesse ferido ou precisasse recuar. “Eles [os guerreiros] andam por todas as direções e lançam suas armas e muitas vezes quebram as fileiras dos inimigos com o grande pavor causado pelos cavalos e o barulho das rodas”, escreveu César, “e quando eles fazem seu trabalho por entre as tropas de cavalos, saltam das carruagens e entram na luta a pé”. Posteriormente, a carruagem britânica teria um papel fundamental na revolta de 60 d.C. da rainha guerreira Boadiceia, que uniu várias tribos celtas contra os romanos. Embora ela tenha conseguido arrasar três cidades bretãs da província romana, seus carroceiros acabaram sendo cercados e abatidos na Batalha de Watling Street.

 

5. A falcata

Quando os romanos invadiram a atual Espanha, em 218 a.C., eles ficaram cara a cara com uma tribo bárbara conhecida como celtiberos. Esses guerreiros eram reconhecidos tanto por sua capacidade de luta em guerrilhas quanto por sua habilidade como ferreiros. Uma de suas armas mais famosas era a “falcata”, uma espada de aço curvada, com 60 cm de comprimento, com um gume perto do punho e dois gumes na ponta. A arma pesava mais na direção da ponta, o que lhe permitia cortar e apunhalar com maior facilidade através da armadura. Ela era conhecida, inclusive, por cortar espadas romanas pela metade. A falcata serviu bem os bárbaros por mais de 200 anos de guerra com Roma e era altamente valorizada pelo antigo general Aníbal, que equipava as tropas cartaginesas com ela durante a Segunda Guerra Púnica. Armas celtiberas também se mostraram influentes para os romanos. Depois de encontrarem aço espanhol de qualidade superior, eles transformaram a pequena espada celtibera no famoso gládio das legiões romanas.

 

6. O arco recurvo

No século V d.C., Átila e seus hunos saqueadores das estepes invadiram a Europa a partir do leste e traçaram um caminho sangrento por todo o Império Romano. O “Flagelo de Deus” (como Átila era conhecido) e seus hunos chocaram os ocidentais com sua cavalaria móvel e táticas de batida e fuga, mas eles possuíam também uma arma nova e formidável: o arco recurvo. A maioria dos guerreiros hunos levava arcos  feitos de madeira, nervos, chifre e ossos. Ao contrário dos arcos ocidentais essas armas das estepes eram feitas de modo que se curvassem em direção a si mesmas nas extremidades, o que gerava uma rotação e fazia com que as flechas voassem com velocidade suficiente para penetrar armaduras a 90 metros de distância. Eles também eram menores que os arcos tradicionais, sendo mais fáceis de manejar em um cavalo. Os arqueiros montados hunos eram conhecidos por sua habilidade em disparar seus arcos com precisão, mesmo andando a todo galope. Nas batalhas, eles geralmente emboscavam seus adversários em grupos dispersos, disparando uma metralhadora devastadora de flechas antes de se esconderem. Depois que o inimigo estivesse enfraquecido, os hunos se aglomeravam sobre ele e finalizavam o trabalho com lanças, sabres e até mesmo laços.

 

7. Torres de cerco e aríetes

Ao contrário de grande parte dos grupos bárbaros, os hunos eram especialmente proficientes na guerra de cerco. Eles ganharam conhecimento da tecnologia de cerco enquanto serviam como auxiliares romanos e é possível que eles tenham contado com a ajuda de prisioneiros e desertores romanos na construção de máquinas de guerra. Segundo a descrição do cronista Prisco de Pânio do cerco de Naísso em 443 d.C., os hunos usaram torres de cerco imensas e com rodas, para levar os arqueiros protegidos às muralhas, e chuvas de flechas nos defensores da cidade. Eles também esmurraram as paredes da cidade com enormes aríetes, que Prisco descreveu como “um feixe com uma ponta de metal afiada e suspensa em correntes que pendiam de uma estrutura de madeira em forma de V”. As armas de cerco dos hunos só o fizeram destruir Naísso e eles seguiram para a captura de várias outras cidades fortalezas do Império Romano, incluindo as cidades conhecidas hoje como Sófia, Povdiv, Lüleburgaz. O imperador romano do Oriente, Teodósio II, deu fim a essa destruição, pagando quantias grandes, mas não demorou muito até que Átila, o Huno desse início a outra campanha mortal – dessa vez contra a Europa Oriental e a Itália.


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