RAY CHARLES

Ray Charles

Nascido na Georgia, em 1930, Ray Charles foi um músico lendário e um dos pioneiros da soul music nos anos 50. Muitas vezes chamado de “Pai do Soul”, Charles misturava blues, gospel e jazz para criar sucessos inovadores como “Unchain My Heart”, “Hit the Road Jack” e “Georgia on My Mind”. Ele morreu em 2004, deixando uma marca indelével na música contemporânea.

Ray Charles Robinson nasceu em 23 de setembro de 1930, em Albany, Georgia. Seu pai, um mecânico, e sua mãe, meeira, levaram a família para a Flórida quando ele ainda era criança. Um dos eventos mais traumáticos de sua infância foi ter presenciado o afogamento de seu irmão mais novo; e, logo após a sua morte, Charles começou a perder a visão gradualmente. 


Perda da visão

Aos 7 anos, ele já estava totalmente cego, e sua mãe o mandou para uma escola de deficientes visuais e auditivos, financiada pelo estado, a Florida School for the Deaf and the Blind – onde ele aprendeu a ler e escrever música e fazer arranjos em braile. Lá, Ray também aprendeu a tocar piano, órgão, sax, clarinete e trompete. Seus interesses musicais eram muito abrangentes e iam do gospel ao country e ao blues.


Single de estreia

É melhor viver cada dia como o último, porque um dia você vai estar certo

A mãe de Ray morreu quando ele tinha 15 anos, e, por um ano, ele excursionou no “Chitlin’ Circuit”, no sul do país. Durante a turnê, viciou-se em heroína. Aos 16, mudou-se para Seattle. Lá, conheceu o jovem Quincy Jones, um amigo e colaborador que ele manteria pelo resto de sua vida.

Nos anos 40, Ray se apresentou ao lado do McSon Trio. Seu estilo inicial lembrava bastante o de duas grandes influências suas – Charles Brown e Nat King Cole. Posteriormente, Ray viria a desenvolver sua própria sonoridade. Em 1949, ele lançou seu primeiro single, “Confession Blues”, com o Maxin Trio. A música teve uma boa colocação nas paradas de R&B, e, sem seguida, vieram outros sucessos como “Baby Let Me Hold Your Hand” e “Kissa Me Baby”. Em 1953, Ray assinou um contrato com a Atlantic Records, cujo single de estreia foi o hit R&B “Mess Around”.


Criação do Soul

No ano seguinte, Ray lançou a clássica “I Got a Woman”, que alcançou o número 1 nas paradas de R&B. A canção mostrava um progresso no seu estilo musical – ele não era mais um imitador de Nat King Cole. Sua fusão de gospel e R&B o ajudaram a criar um novo gênero musical conhecido como soul. No final dos anos 50, Ray começou a se aventurar no mundo do jazz, lançando discos com membros do Modern Jazz Quartet. Colegas músicos o chamavam de “Charles, o Gênio”, um título apropriado para um músico errante, que nunca se ateve a um único estilo, mas misturava e embelezava tudo o que ele tocava (e também recebeu o apelido de “Pai da Soul”). Mas o maior triunfo de Ray era sua habilidade de dar um acento pop às suas composições, alcançando o sexto lugar nas paradas pop e o primeiro nas paradas de R&B com o seu hit “What’d I Say”.


Sucesso e problema pessoais

Você precisa saber como chegar ao coração das pessoas.

O ano de 1960 deu a Ray Charles o seu primeiro Grammy por “Georgia on My Mind”, seguido por “Hit the Road Jack”. Para a sua época, ele possuía raro controle criativo sobre sua própria música. Ray quebrou as barreiras dos gêneros musicais em 1962 com “Modern Sounds in Country and Western Music”. Nesse disco, ele deu suas próprias interpretações emocionantes a vários clássicos country. Enquanto amadurecia criativamente, Charles enfrentava dificuldades em sua vida pessoal. Ele continuava a lutar contra o vício da heroína e, em 1965, foi preso por posse da droga. Depois disso, evitou ser encarcerado novamente ao largar o vício em uma clínica de reabilitação em Los Angeles. 

Seus lançamentos nos anos 60 e 70 foram instáveis, mas ele continuou a ser uma das estrelas mais respeitadas da música. Ray ganhou outro Grammy por sua versão de “Living for the City”, de Stevie Wonder. Três anos depois, ele lançou sua autobiografia, “Brother Ray”.


Rock and Roll Hall of Fame

Em 1980, Ray apareceu no filme de comédia “Os Irmãos Cara de Pau”, com John Belushi e Dan Aykroyd. O ícone da música recebeu uma homenagem especial alguns anos depois como um dos primeiros artistas a entrar para o Rock and Roll Hall of Fame. Charles foi reconhecido por suas contribuições ao gênero ao lado de colegas ilustres como James Brown, Elvis Presley, Sam Cooke e Buddy Holly.

Ele retornou aos holofotes no início dos anos 90, com várias aparições de destaque. Ray também gravou comerciais para a Pepsi, cantando “You Got the RIght One, Baby!” como bordão, e tocou “We Are The World” para a organização USA for Africa, ao lado de nomes como Billy Joel, Diana Ross, Cyndi Lauper, Bruce Springsteen e Smokey Robinson.


Anos finais

(…) Eu só quero deixar a minha marca, deixar algo musicalmente bom como legado. Se for uma grande música, isso é apenas a superfície do bolo, mas a música é o prato principal.

Em 2003, Ray teve que cancelar sua turnê pela primeira vez em 53 anos por causa de uma cirurgia nos quadris. Apesar de a operação ter sido bem-sucedida, Ray soube que estava com uma doença no fígado. Ele morreu em 10 de junho de 2004, na sua casa, em Beverly Hills. Em vida, Charles gravou mais de 60 álbuns e realizou mais de 10 mil shows. O amigo de longa data Quincy Jones foi apenas um dos muitos que lamentaram sua morte: no total, 1.500 pessoas compareceram ao seu funeral; B.B. King, Willie Nelson e Stevie Wonder foram alguns dos artistas que se apresentaram na cerimônia.

O último disco de Ray Charles, “Genius Loves Company”, lançado dois meses depois de sua morte, é composto por duetos com vários admiradores e contemporâneos. Sua história de vida se tornou o filme de sucesso “Ray”, no final daquele ano. Jamie Foxx interpretou Ray Charles de forma impressionante e ganhou um Oscar de Melhor Ator no ano seguinte.

 


Imagem: Koch, Eric / Anefo [CC BY-SA 3.0 nl], Wikimedia Commons