Orson Welles

Orson Welles

Orson Welles foi um ator e diretor de cinema que escreveu, dirigiu e estrelou Cidadão Kane, um filme considerado até hoje um dos mais influentes já produzidos.

Nascido em 6 de maio de 1915 em Kenosha, Wisconsin (EUA), Orson Welles começou sua carreira como ator de teatro antes de ir para o rádio, onde criou uma inesquecível versão de “Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells. No cinema, ele deixou uma marca indelével em filmes como “Cidadão Kane” e “Soberba”. Ele morreu de um ataque cardíaco em Los Angeles, em 10 de outubro de 1985.

 

Primeiros anos

Um pioneiro do cinema e rádio, Orson Welles nasceu em 6 de março de 1915 em Kenosha, no estado americano de Winsconsin. Seus pais, Richard e Beatrice, eram pessoas incrivelmente brilhantes que apresentaram o filho a mundos que iam muito além das raízes de Winscosin.

Por meio de seu pai, um inventor que fez fortuna ao criar um farol de carboneto para bicicletas, Welles conheceu atores e esportistas. Sua mãe era uma concertista que ensinou Welles a tocar piano e violino. Mas sua infância esteve longe de ser fácil. Os pais de Welles se separaram quando ele tinha quatro anos, e Beatrice morreu com icterícia quando ele tinha nove anos. Quando os negócios de Richard Welles deixaram de ir tão bem, ele começou a beber. Ele morreu quando Orson tinha 13 anos.

Welles encontrou estabilidade na vida quando ficou aos cuidados de Maurice Bernstein, que o acolheu e se tornou seu tutor oficial quando ele tinha 15 anos. Bernstein percebeu os talentos criativos de Welles e o matriculou na Todd School em Woodstock, Illinois, onde o jovem descobriu sua paixão pelo teatro.

Após os estudos na Todd School, Welles partiu para Dublin, na Irlanda, se sustentando com uma pequena herança que recebeu. Lá, ele cativou o público em uma produção de Jew Suss no Gate Theatre.

Aos 19 anos, o impertinente e confiante ator fez sua estreia na Broadway como Teobaldo, em Romeu e Julieta. Sua performance chamou a atenção do diretor John Houseman, que escalou Welles para o Federal Theatre Project, uma iniciativa de incentivo às artes.

 

“Guerra dos Mundos”

A parceria Houseman-Welles provou ser importante. Em 1937, aos 21 anos, tendo acabado de dirigir uma versão de Macbeth com um elenco composto apenas de atores negros, Welles se juntou a Houseman para fundar a companhia teatral Mercury Theatre. Sua primeira montagem, uma adaptação de "Júlio César” em roupagem contemporânea e com tons da Itália fascista, foi um enorme sucesso. Várias outras produções de sucesso vieram em seguida, antes que a Mercury se mudasse para o rádio e passasse a produzir um programa semanal. "The Mercury Theatre on the Air," foi ao ar na CBS entre 1938 e 1940 e novamente em 1946.

Apesar de receber elogios da crítica logo após ser lançado, a audiência do programa era baixa. Tudo mudou em 30 de outubro de 1938, quando Orson Welles transmitiu sua adaptação do romance “Guerra dos Mundos”, de H.G. Welles. O programa simulou um noticiário jornalístico, quando Welles, seu narrador, descreveu em detalhes uma invasão alienígena em New Jersey. O programa incluiu boletins de reportagens e depoimentos de testemunhas. Tudo soou tão convincente que ouvintes entraram em pânico porque acharam que era um acontecimento real. Quando a verdade veio à tona, eles ficaram furiosos.

 

Hollywood e “Cidadão Kane”

Mesmo enquanto atraía a ira de alguns de seus ouvintes, o rádio consagrou o status de Welles como um gênio, e seus talentos rapidamente causaram fascínio em Hollywood. Em 1940, Welles assinou um contrato de U$ 225.000 com a RKO para escrever, dirigir e produzir dois filmes. O acordo dava ao jovem cineasta controle criativo total, assim como uma porcentagem dos lucros. Na época foi o acordo mais lucrativo já feito com um cineasta iniciante. Welles tinha apenas 24 anos.

O sucesso não foi imediato. Welles tentou adaptar “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, mas abandonou o projeto. A audácia da empreitada empalideceu em comparação com o que se tornou a verdadeira estreia de Welles: “Cidadão Kane” (1941).

Inspirado na vida e obra do magnata das comunicações William Randolph Hearst, o filme contava a história do homem de mídia Charles Foster Kane (interpretado por Welles), traçando sua ascensão ao poder em uma trajetória de corrupção.

O filme enfureceu Hearst, que se recusava a mencionar o filme em seus jornais, o que prejudicou seu desempenho nas bilheterias. Mas “Cidadão Kane” entrou para a história como um filme revolucionário e rendeu o Oscar de melhor roteiro a Welles em 1941. No filme, indicado a nove prêmios da Academia, Welles usou uma série de técnicas cinematográficas pioneiras, inovando no uso da profundidade de campo, que apresentava todos os objetos de uma tomada em detalhes minuciosos. Welles também usou como base ângulos filmados de baixo para cima e contou a história com múltiplos pontos de vista.

Foi uma questão de tempo até que a genialidade de “Cidadão Kane” fosse celebrada. Hoje em dia ele é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos. O segundo filme de Welles para a RKO, “Soberba”, foi uma obra mais convencional e contribuiu para o afastamento de Welles de Hollywood. No fim das filmagens, Welles fez uma rápida viagem ao Brasil para fazer um documentário (a reencenação de um episódio que contava a história de quatro jangadeiros terminou com a morte de um deles). Quando ele voltou, descobriu que a RKO havia feita sua própria edição do fim do filme.

Welles, que renegou o filme, ficou enfurecido. Após um desentendimento público entre o cineasta e a RKO, a empresa conseguiu colocar em Welles o rótulo de difícil e gastador, o que prejudicou a carreira dele para sempre.

 

Anos finais

Por muitos anos Welles permaneceu em Hollywood. Ele casou com a “deusa do amor” Rita Hayworth em 1943, além de dirigir “O Estranho” (1946) e “Macbeth” (1948). Mas Welles não iria ficar muito tempo na Califórnia. No mesmo ano em que fez “Macbeth”, ele se divorciou de Hayworth e se impôs um autoexílio de Hollywood. Mais tarde ele apareceu em filmes como “O Terceiro Homem” (1949) e dirigiu outros projetos, incluindo “Otelo” (1952) e “Grilhões do Passado” (1955). Ele voltou a Hollywood em 1958 para dirigir “A Marca da Maldade” que teve pouco retorno nas bilheterias. Em 1962 ele dirigiu uma adaptação do livro “O Processo”, de Franz Kafka.

Welles enfrentou tempos difíceis por grande parte dos anos 1970. Problemas de saúde dominaram sua vida, muitos deles causados por sua obesidade – o cineasta chegou a pesar 180 quilos. Em sua última década de vida, Welles continuou ocupado. Entre muitos projetos, foi o porta-voz dos vinhos Paul Masson, fez uma participação na série “A Gata e o Rato”, da ABC, e fez um documentário chamado “Filming Othello” (1979) sobre seu filme de 1952.

No fim da sua vida, Welles e Hollywood pareciam ter feito as pazes. Em1975 ele recebeu o prêmio pelo conjunto de sua obra do American Film Institute. Dez anos depois ele foi agraciado com o prêmio D.W. Griffith, a maior honraria concedida pelo Directors Guild of America.

Ele deu sua última entrevista em 10 de outubro de 1985, apenas duas horas antes de sua morte, quando apareceu no Merv Griffin Show. Logo depois de voltar para a casa em Los Angeles, ele sofreu um ataque cardíaco e morreu.

 


Imagem: Carl Van Vechten [Domínio público], via Wikimedia Commons