NELSON MANDELA

Nelson Mandela

Nelson Rolihlahla Mandela, ou Nelson Mandela, nasceu no dia 18 de julho de 1918, em Mvezo, na África do Sul, e morreu aos 95 anos, no dia 5 de dezembro de 2013, em Johanesburgo, na África do Sul. Foi uma personalidade reconhecida mundialmente por sua luta contra o Apartheid, o regime de segregação racial que imperou na África do Sul da década de 40 até os anos 90. Ele foi ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1993 e ex-presidente sul-africano (1994-1999).

Depois de ter recebido mais de uma centena de prêmios por mais de quatro décadas - entre eles o Presidential Medal of Freedom, dos Estados Unidos, e a Ordem de Lenin, da União Soviética -, Mandela vinha atuando como um célebre estadista, opinando em temas fundamentais da nossa atualidade. Na África do Sul é conhecido como "Madiba", um título honorário adotado por anciãos da tribo de Mandela. Vários sul-africanos também se referem a ele como "mkhulu" (avô).

 

Vida tribal

Mandela foi um dos 13 filhos de Nkosi Mphakanyiswa Gadla Mandela com Nosekeni Fanny, a terceira esposa de seu pai. Ainda quando vivia em sua tribo, ele havia recebido o nome de Rolihlahla Dalibhunga Mandela. Até os cinco anos, viva os costumes tribais, cuidava do gado e escutava histórias sobre mitos e fábulas ancestrais.

A derrubada da opressão foi sancionada pela humanidade e é a maior aspiração de cada homem livre.

Quando começou a frequentar a escola, recebeu da professora o nome de Nelson, em homenagem ao almirante Horatio Nelson. Como a África do Sul era uma colônia inglesa na época, era comum que as crianças recebessem nomes ingleses nas escolas. Na época em que estava sendo preparado para assumir o comando de sua tribo e também teria um casamento arranjando, Mandela negou seu destino e foi estudar em uma escola de elite para negros. Depois, teve formação acadêmica em Direito e, ao longo de sua vida, prestou serviços à humanidade e defendeu os direitos humanos. Quando jovem, defendia a resistência não violenta.

 

Lutas contra o governo

Contudo, as respostas do governo às manifestações pela igualdade começaram a ser combatidas com violência e assassinato de protestantes. Mandela entendeu que era preciso partir para a resistência armada. "Foi só quando tudo o mais falhou, quando todos os canais de protesto pacífico foram barrados, que a decisão foi tomada para embarcar em formas violentas de luta política", disse o líder em seu julgamento.

Bravo não é quem não sente medo, é quem o vence.

No dia 5 de agosto de 1962, ele foi condenado por sair da África do Sul sem passaporte, uma das acusações contra ele. Enquanto Mandela estava preso, no ano seguinte, a polícia invadiu seu antigo esconderijo e apreendeu papéis e anotações comprometedoras de Mandela.

Em 1964, Mandela foi submetido a um novo julgamento, com acusações mais graves por conta de sua luta política, e foi condenado à prisão perpétua. Acabou enviado à prisão da Ilha Robben, onde ocupou a cela com número 466/64. Ficou completamente isolado do mundo, sem acesso a notícias ou visitas frequentes.

 

Maus tratos na prisão

Durante seu tempo na prisão, transformou-se em um símbolo internacional na luta contra o Apartheid. Na cadeia, contraiu tuberculose, doença que deixou sequelas das quais nunca se recuperou completamente. Ele ficou os primeiros 18 de seus 27 anos na prisão Robben Island, um antigo local de leprosos, na Cidade do Cabo. Acabou confinado em uma pequena cela, sem cama ou encanamento, e era obrigado a fazer trabalhos forçados em uma pedreira. Como um prisioneiro político negro, recebeu comida escassa e poucos privilégios. Só tinha direito de ver a esposa e filhas a cada seis meses.

Em 1982, Mandela foi transferido para a prisão Pollsmoor, de segurança máxima, também localizada na Cidade do Cabo. Em 1988, obteve a prisão domiciliar. Com a eleição de F. W. Klerk como presidente no ano seguinte e também por conta de toda uma pressão internacional pela libertação de Mandela, ele foi solto no dia 11 de fevereiro de 1990.

 

Presidente da África do Sul

A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias.

Quatro anos depois, foi eleito presidente sul-africano. Mandela instituiu uma comissão de verdade e reconciliação para investigar violações aos direitos humanos e políticos entre 1960 e 1994. Ele ainda introduziu inúmeros programas sociais e econômicos com o objetivo de elevar a qualidade de vida da população negra na África do Sul. Mandela também buscou a união entre brancos e negros com o objetivo de evitar retaliações dos segundos sobre os primeiros. Ele ainda formou um Governo de Unidade Nacional multirracial e proclamou o país como "uma nação arco-íris em paz consigo mesma e com o mundo".

 

Saída da política

A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.

Nelson Mandela deixou a vida política em 1999 e seguiu sua luta pela paz e justiça social no seu próprio país e em todo o mundo. Ele formou várias organizações, entre elas a influente Fundação Nelson Mandela. Tornou-se um defensor da conscientização sobre a Aids e dos programas de tratamento em um país onde a doença tornou-se uma epidemia. Seu filho, Makgatho (1950-2005) morreu vítima da Aids.

Após fazer tratamento por conta de um câncer da próstata em 2001, Mandela também estava sofrendo com outras doenças. Com sua saúde frágil, fazia poucas aparições públicas nos últimos anos. Durante a Copa do Mundo de Futebol da África do Sul em 2010, muitos aguardavam ansiosos pela sua presença na competição, contudo, um acidente de carro, que matou sua neta justamente após o show de abertura da Copa, deixou Mandela de luto. Ele compareceu somente pouco antes da partida final, por apenas três minutos, para um breve aceno ao público.

 

Morte aos 95 anos

A violência do governo só pode fazer uma coisa: gerar a contra-violência.

Mandela faleceu no dia 5 de dezembro de 2013, em Johanesburgo, na África do Sul. Ele morreu em casa, aos 95 anos, vítima de problemas pulmonares, contra os quais vinha lutando nos últimos anos de sua vida. Mandela era casado com Graça Machel, uma política e ativista dos direitos humanos moçambicana. Além dela, ele teve outras duas esposas: Evelyn Ntoko Mase, entre 1944 e 1957, com quem teve quatro filhos; e Winnie Madikizela-Mandela, entre 1958 e 1996, mãe de suas duas filhas.