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GIGANTES DO BRASIL

Guilherme Guinle

Segundo filho de Eduardo Pallasim Guinle, fundador da Companhia Docas de Santos, Guilherme Guinle, foi engenheiro, empresário, filantropo um dos homens mais importantes do Brasil de seu tempo.

Nascido no dia 27 de janeiro de 1882, no Rio de Janeiro, viveu alguns anos na casa provisória da rua D. Mariana, enquanto o famoso palacete da família era construído na rua S. Clemente, 193.

O pai vistoriava as obras todos os dias, a caminho do trabalho. Mais tarde, quando estudante na escola Politécnica, também presenciou as obras intensas e imensamente aguardadas de expansão do edifício-escola.

Fascínio pelo desenvolvimento

Nesse mesmo período, viu as reformas sanitárias do Rio de Janeiro sob comando do médico e sanitarista Osvaldo Cruz - com quem teria muitos contatos depois - e o “bota-abaixo” (a reforma urbana) do prefeito Pereira Passos. Também em Santos, a empresa da família exercia obras de modernização e saneamento. A ideia de construir, solidificar, erguer pode ser um mote para explicar o fascínio do engenheiro pelo desenvolvimento.

Por conta dos negócios do pai, Guilherme já estava acostumado à presença de empresas estrangeiras no ramo de exportação e importação por sua atuação quase monopolista no porto. No entanto, é lidando com os representantes estrangeiros do norte-americano Percival Farquhar, primeiro em Salvador e depois no Rio e em São Paulo, que Guilherme nota de perto um sistema de pressão e chantagem que envolve embaixadas, contatos internacionais, bancos ultramarinos e outros.

Com a morte do pai em 1912, Guilherme assumiu, em 1918, a presidência da Companhia Docas de Santos, cargo que ocuparia por toda a sua vida.

Aposta no petróleo

Ao passar para a fase de grandes projetos nacionais sob a Era Vargas, o cenário se intensifica e os atores, multiplicados, aumentam suas apostas. O petróleo é um primeiro enfrentamento em que Guinle não se ata à espera de outorgas burocráticas, mas financia a prospecção com base no relato de apenas dois indivíduos, e de posse dos resultados os apresenta ao presidente.

Durante a década de 30, realizou investimentos na exploração de petróleo e, durante o Estado Novo (1937-1945), foi vice-presidente do Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda.

Companhia Siderúrgica Nacional

Na década de 40, Guinle foi escolhido por Vargas para presidir a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O caso da siderúrgica nacional é o mais impactante, pois nele Guinle consegue a virada em favor de seu projeto (em oposição ao da Itabira Iron, de Farquhar) e sua visão de Brasil – uma vitória tão determinante que até o Partido Comunista o procura para lançá-lo candidato a presidente.

Ficou no posto até 1945, mas permaneceria como membro do conselho consultivo da empresa até seus últimos dias. 

Guilherme Guinle morreu no dia 20 de maio de 1960 no mesmo palacete em que cresceu, no Rio de Janeiro.