GEORGE ORWELL

George Orwell

Nascido Eric Arthur Blair, em Motihari, na Índia, em 1903, George Orwell foi um romancista, ensaísta e crítico, conhecido por seus livros “A Revolução dos Bichos” e “1984”.

Filho de um funcionário público britânico, George Orwell nasceu no dia 25 de junho de 1903 e passou seus primeiros dias de vida na Índia, onde seu pai trabalhava. No ano seguinte, foi, junto com sua mãe e irmã, para a cidadezinha de Henley-on-Thames, na Inglaterra. O pai ficou na Índia e raramente os visitava. Orwell só passou a conhecê-lo melhor depois que ele se aposentou, em 1912. Mesmo assim, os dois nunca chegaram a criar um vínculo forte. Orwell o achava chato e conservador.


Bolsa de estudos

Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros

Durante a infância, Orwell teve problemas de saúde, como bronquite e gripe constantes. Aos 4 anos, já havia escrito o seu primeiro poema e gostava de inventar histórias e criar personagens imaginários. Um de seus primeiros sucessos literários veio aos 11 anos, quando um poema seu foi publicado no jornal local.

Como muitos jovens na Inglaterra, ele foi enviado para um colégio interno. Com uma bolsa de estudos, Orwell percebeu que os funcionários da escola tratavam melhor os estudantes mais ricos. Ele não era popular entre seus colegas e escreveu muitas vezes sobre essa situação desconfortável em livros. Orwell gostava de ler as obras de Rudyard Kipling e H.G. Wells.


Vida de pobre e mendigo

Muito inteligente, ganhou bolsas para estudar na Wellington College e na Eton College. Depois de terminar seu ciclo na última, ele se viu em um beco sem saída, pois sua família não tinha dinheiro para pagar uma universidade. Por isso, acabou se alistando na Indian Imperial Police Force, em 1922. Após cinco anos na Birmânia, ele renunciou ao seu cargo e voltou para a Inglaterra, onde pretendia se dedicar à literatura.

Orwell teve dificuldades em deslanchar sua carreira de escritor, e seu primeiro grande livro foi “Na Pior em Paris e Londres” (1933), no qual contava suas experiências como pobre e mendigo nessas duas cidades. Para escrever a obra, ele aceitou todos os tipos de empregos e, não querendo envergonhar sua família, publicou-o com um pseudônimo: George Orwell.

Algumas vezes chamado de consciência de uma geração, Orwell decidiu explorar suas experiências em outro continente com “Dias na Birmânia” (1934). O livro oferece um olhar sombrio do colonialismo britânico no país asiático, ainda parte da Ordem do Império Indiano. O interesse de Orwell em questões polícias cresceu rapidamente depois da publicação desse livro.


Guerra Civil Espanhola

O homem é tão bom quanto o seu desenvolvimento tecnológico o permite ser.

Nessa época, ele conheceu Eileen O’ Shaughnessy, com quem se casou em junho de 1936. Ela seria uma grande apoiadora de sua carreira. Em dezembro do mesmo ano, viajou com Eileen para a Espanha, onde se juntou a um dos grupos milicianos que lutavam contra o general Francisco Franco, na Guerra Civil Espanhola.

Ele foi gravemente ferido, levando um tiro na garganta e em um dos braços e ficou sem poder falar por várias semanas. Orwell e Eileen foram acusados de traição na Espanha e tiveram que retornar à Inglaterra. Mas outros problemas de saúde o acometeram após seu regresso e, após vários anos enfermo, foi diagnosticado com tuberculose, em 1938. Ele passou vários meses no sanatório de Preston Hall, mas teve que lutar contra a tuberculose pelo resto de sua vida.


Jornalismo

Para se sustentar, Orwell aceitou todos os tipos de trabalhos com a escrita. Ele produziu inúmeros artigos e críticas ao longo dos anos. Em 1941, Orwell conseguiu um emprego como produtor na BBC. Ele fazia comentários sobre notícias e desenvolvia programas para os telespectadores na região oriental do Império Britânico. Ele atraiu grandes nomes da literatura como T.S. Eliot e E.M. Forster para participar de seus programas. Com a Segunda Guerra Mundial em curso, Orwell se viu atuando como propagandista do seu país. Ele abominava esse lado do trabalho e se demitiu em 1943. Nessa época, tornou-se o editor literário para um jornal socialista.

Orwell é mais conhecido por seus romances “A Revolução dos Bichos” e “1984”, os quais foram publicados no fim de sua vida. “A Revolução dos Bichos” (1945) é uma sátira antissoviética em um ambiente pastoral, tendo dois porcos como protagonistas – eles representariam Josef Stalin e Leon Trótski. O livro lhe trouxe grande aclamação e sucesso financeiro.


“1984”

Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.

Em 1949, ele publicou outra obra-prima, “1984”. Sua visão sombria do mundo, dividido em três nações opressoras, causou controvérsia entre os críticos, que consideraram essa ficção científica excessivamente pessimista. No romance, Orwell mostrava aos leitores o que aconteceria se o governo controlasse cada detalhe da vida de uma pessoa, até o próprio pensamento. Um dos personagens da obra é o “Big Brother” (ou Grande Irmão) que é uma propaganda do governo, que alega zelar e observar as pessoas. O livro foi um sucesso, mas o autor teve pouco tempo para aproveitá-lo. Nesse período, ele já se encontrava na última fase da luta contra a tuberculose.


Morte

Orwell faleceu em 21 de janeiro de 1950, em um hospital em Londres. Ele pode ter partido muito cedo, mas suas ideias e opiniões permaneceram para além de sua obra. Tanto “A Revolução dos Bichos” quanto “1984” se transformaram em filmes e tiveram grande popularidade ao longo dos anos.

Orwell foi casado com Eileen O’Shaughnessy até a morte desta, em 1945. De acordo com vários relatos, o casal mantinha um relacionamento aberto. Orwell teve vários outros casos durante o casamento. Em 1944, eles adotaram um menino, chamado Richard Horatio Blair, em homenagem a um dos antepassados do escritor. Richard foi criado pela irmã de Orwell após a morte de Eileen. Pouco antes de falecer, Orwell se casou com sua editora, Sonia Bromwell. Ela herdou a propriedade do escritor e fez uma carreira administrando seu legado.

 


Imagem: Branch of the National Union of Journalists (BNUJ) [Domínio público], via Wikimedia Commons