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Quando a ciência trabalha para o racismo

Veja alguns casos em que teorias absurdas ajudaram a perpetuar o racismo na humanidade.

 

Ao longo da história, diversas teorias racistas foram elaboradas para justificar objetivos políticos. Apresentadas como fatos científicos, acabaram contribuindo e exacerbando o ódio e a intolerância.

Quem fez bastante uso da ciência racista foi Adolf Hitler. Ele construiu seu discurso xenófobo, que custou a vida de mais de 6 milhões de pessoas no século passado, inspirado nas teorias de Houston Stewart Chamberlain e do professor Alfred Ploetz. Esses pensadores defendiam a superioridade da raça ariana e propunham, com o objetivo de preservar sua pureza, a reprodução seletiva, o assassinato de crianças deficientes e a proibição de relacionamentos inter-raciais.

No século XVIII, inúmeros cientistas norte-americanos afirmavam que a pigmentação escura dos africanos era causada por uma doença genética similar à lepra. Com essa estanha hipótese, justificavam a cruel exploração de escravos e vários atos de racismo extremo.

A psiquiatria também contribuiu para a opressão racial nos EUA. No século XIX, o Dr. Samuel A. Cartwright cunhou o termo drapetomania, que definia a necessidade dos escravos de fugirem das fazendas como uma doença mental.

 


Fonte: Notimerica

Imagem: Shutterstock

7 abolicionistas brasileiros para se ter orgulho

Conheça alguns abolicionistas brasileiros que arregaçaram as mangas e lutaram para libertar os escravos! 

Não pense que por aqui a abolição da escravatura, em 1888, aconteceu porque os patrões se deram conta de que a escravidão era uma prática perversa.

O questionamento a respeito do tráfico de escravos e da situação desumana a qual eram submetidos vem de muito, muito antes. Foi preciso bastante tempo e trabalho até essa história surtir algum efeito.

Ao longo da história da luta abolicionista no Brasil existem nomes que não podemos esquecer: Dragão do Mar, André Rebouças, Paula Brito e tantos outros que arregaçaram as mangas e lutaram de verdade pelo fim da escravidão no Brasil. Alguns não viveram o suficiente para ver os escravos livres.

 

Conheça rapidamente a história de 7 grandes abolicionistas brasileiros!

 

Dragão do Mar

O cearense Francisco José do Nascimento, conhecido como "Dragão do Mar", foi um dos grandes abolicionistas do nordeste brasileiro. Recusava-se a transportar escravos em sua jangada e, em 1881, liderou a greve dos jangadeiros contra a escravidão. No Ceará a escravidão acabou sendo extinta quatro anos antes da Lei Áurea.

 

Castro Alves

Um dos abolicionistas mais famosos, é célebre por seus poemas engajados, entre os quais, Vozes d’ África e Navio Negreiro. Fundou em 1869 a Sociedade Libertadora 7 de Setembro na Bahia. Atuante, conseguiu alforria para 500 escravos e difundiu a luta em prol dos ideais de liberdade em um jornal chamado “Abolicionista”. Morreu aos 24 anos, em 1871 sem ver a Lei Áurea ser assinada.

 

André Rebouças

O engenheiro André Rebouças é uma das grandes vozes da luta abolicionista brasileira. Participou da criação de algumas agremiações antiescravistas, como a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, a Sociedade Abolicionista e a Sociedade Central de Imigração. Defendia a emancipação do escravo e sua total integração social por meio da aquisição de terras. Com a proclamação da República teve que exilar-se na Europa, onde viveu até sua morte, em 1898, aos 60 anos. Antes disso, ajudou a desenvolver as colônias portuguesas na África.

 

Francisco de Paula Brito

Tipógrafo, jornalista, editor, tradutor, dramaturgo, letrista, contista e um dos grandes nomes da imprensa brasileira.  Publicou “O Homem de Cor”, primeiro jornal antirracista que mais tarde passou a ser chamado de “O Mulato”. Morreu aos 52 anos, 1861, sem ter visto a abolição da escravatura no seu país.

 

Luís Gama

Poeta abolicionista nascido em 1830, era filho de mãe escrava e pai branco. Foi vendido como escravo aos 10 anos de idade e só aprendeu a ler aos 17. Conquistou sua liberdade provando ser um homem livre diante da lei. Alistou-se no Exército, foi escrivão de Polícia, jornalista e advogado atuante em prol da causa abolicionista. Libertou mais de 500 escravos. É considerado um dos expoentes do Romancismo no Brasil.

 

Joaquim Nabuco

Foi um diplomata, jornalista, político abolicionista e um dos criadores da Academia Brasileira de Letras. Em 1880 fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, que contava com a participação de André Rebouças. Entre suas obras voltadas ao tema estão O Abolicionismo (1883) e Escravos (1886). Nabuco também era um fervoroso defensor da total separação entre Estado e Igreja – o tão debatido estado laico.

 

José do Patrocínio

Filho de uma quitandeira com um padre, José do Patrocínio foi um desses abolicionistas que tinham a alma inspirada.  Era um jornalista polêmico e orador eloquente. Com o jornal Gazeta da Tarde fez ampliar a voz dos ideais abolicionistas. Terminou exilado por criticar demais o governo e problematizar a questão da população negra que, após a Lei Áurea, ainda continuava miserável.

 


Fonte: Museu Afro Brasil
Imagens: Wikimedia Commons - Angelo Agostini / Castro Alves / Rodolfo Bernardelli / Luís Gama / Joaquim Nabuco / História da Literatura Brasileira

 

RAÍZES - Inside History: Escravidão moderna

Se você perdeu a estreia da história que emocionou o mundo, prepare-se para a Maratona Especial de Raízes.

Você conhece a origem macabra da expressão 'Fulano está ferrado'?

Você já ouviu ou falou a expressão “fulano(a) está ferrado(a)”, certo? Pois saiba que aí tem uma origem macabra que muitos desconhecem: vem do hábito de marcar escravos com ferro em brasa!

 

Este artigo foi criado pelo HISTORY em parceria com o Museu AfroBrasil

Marcar a pele dos escravos com ferro em brasa era uma prática bastante comum durante o período de escravidão no Brasil. Assim como o gado, o negro era tratado como propriedade passível de marca de identificação.

 

O pior é que havia base jurídica para justificar a marcação de escravos com ferro quente. Estavam nas Ordenações Filipinas Portuguesas, que vigoraram no Brasil de 1603 até a chegada do Código Civil Brasileiro, em 1916.

 

Nelas, os escravos e os animais eram tratados sem distinção. O senhor tinha direito, por exemplo, de “enjeitar [rejeitar] os escravos e bestas por doença ou manqueira, quando dolosamente vendidos”.

 

Nem a Constituição de 1824, que proibia açoites, tortura, marcas de ferro quente e todas as penas cruéis aplicadas aos escravos, surtiu efeito nesse caso.

 

Alguns eram ferrados ainda em sua terra-natal, antes do embarque. De acordo com Clóvis Moura, autor do Dicionário da Escravidão Negra no Brasil, a palavra “carimbo”, que é de origem africana, surgiu a partir desse hábito.

 

Nem as crianças foram poupadas. Há relatos de escravos com 10 anos já com marcas da violência na pele.

 

A carne queimada dos escravos indicava a quem eles pertenciam. Era um mecanismo de controle cruelmente eficiente. Os jornais da época traziam uma seção denominada “Escravos fugidos”, em que descreviam o sujeito capturado e as iniciais.

 

Veja este exemplo de 1884:

“Acha-se acourado nesta cidade o escravo pardo de nome Adão de 29 anos de idade, pertencente ao fazendeiro abaixo assinado. É alto, magro, tem bons dentes e alguns sinais de castigos nas costas, com a marca S.P. nas nádegas. É muito falador e tem por costume gabar muito a Província da Bahia de onde é filho. Quem o prender e levar à casa de correção será gratificado com a quantia de 200$000”.  

 

Os “carimbos” podiam variar de acordo com o gosto do comprador. Alguns preferiam na coxa, outros no braços, no ventre, no peito e até no rosto. As marcas podiam ser letras, flores, símbolos ou sinos. Alguns dos que eram obrigados a se converter à religião cristã recebiam como recompensa um ferro incandescente em formato de cruz no peito.

 

Os escravos fujões ou aqueles que se rebelavam com frequência podiam receber uma nova marca, às vezes na testa, para tornar pública a insubordinação.

 

Os relatos obtidos em jornais e da época são de causar náuseas. O historiador José Alípio Goulart, revela, em seu livro “Da Palmatória ao Patíbulo – Castigos de Escravos no Brasil” que os escravos não eram feridos só com ferro em brasa – “com ponta de charuto, senhores de escravos divertiam-se fazendo chiar carne de negro.

 

A medida, apesar da violência, não foi capaz de deter a busca por liberdade. Nem o carimbo nem a mutilação (que era permitida em escravos que fugiam com frequência) surtiram o efeito desejado.  A luta por liberdade seguia inalterada.

 


Fontes:

GOULART, J.A. Da Palmatória ao Patíbulo – Castigos de Escravos no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Conquista, 1971.

MOURA, Clóvis. Dicionário da Escravidão Negra no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), 2004.

 

MUSEU AFROBRASIL
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Parceria: Museu AfroBrasil

 

 

Do primeiro acordo até a libertação, quase 100 anos de "protelação"

Sabia que o Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão? O processo foi lento, burocrático e sabotado por todos os lados!

 

Este artigo foi criado pelo HISTORY em parceria com o Museu AfroBrasil

O Brasil carrega dois tristes recordes: foi o país que mais escravizou africanos no mundo e o que mais demorou a abolir essa prática.

Quase um século antes de nós, para se ter ideia, os haitianos já haviam libertado seus escravos. Por aqui, o caminho até a abolição foi lento, tortuoso e cheio de “jeitinhos”- com leis não cumpridas, mercado paralelo e muita resistência à libertação por parte dos senhores de escravos.

Veja como foi todo o processo, que demorou quase 80 anos para acontecer:

 

1810

O Tratado de Aliança e Amizade, Comércio e Navegação, firmado entre Portugal e Inglaterra, determinava a extinção gradual da escravidão. A Inglaterra ganhou novo impulso financeiro com os benefícios que o trabalho assalariado trazia para a economia. Já o Brasil resistia à ideia porque dependia da mão de obra escrava para exportar inúmeros bens primários, como o café.

 

 

1826

Brasil e Inglaterra assinam contrato que tornava ilegal o tráfico de escravos. Pela nossa parte o tratado nunca foi cumprido. Pior: houve um aumento exponencial no tráfico negreiro. 

 

 

1831

É promulgada a lei Diogo Feijó, que proibia o tráfico de escravos e declarava livres todos os escravizados que chegassem ao Brasil. Adivinha se a lei foi cumprida? Pelo contrário: quem tentou aplicá-la sofreu ameaça de morte.

 

 

1834

As colônias inglesas libertam todos os seus escravos.

 

 

1845

Numa tentativa de deter o apetite brasileiro por escravos, o parlamento britânico promulga a lei “Bill Aberdeen”, que proíbe o comércio de escravos entre a África e a América. Houve protesto das classes dominantes. A lei acabou gerando reações violentas, como afundamento de navios negreiros.

 

 

1850 

Criada a Lei Eusébio de Queirós, que proibia definitivamente a entrada de escravos africanos no Brasil. 

 

 

1854

A Lei Nabuco de Araújo é criada para evitar o tráfico de escravos às escondidas.

 

 

1885

É criada a Lei Saraiva-Cotegipe, também conhecida como Lei dos Sexagenários, que concedia alforria a escravos maiores de 60 anos.

 

 

1888

A Lei Áurea finalmente extingue a escravidão no Brasil.

 

 

As consequências não pararam por aí: marginalizada, a população negra luta até hoje para conquistar seu espaço na sociedade. Como agilidade nunca foi o nosso forte, só mais de cem anos mais tarde, em 1989, é que foi criada a
Lei 7.716, que torna crime a prática de racismo no Brasil.

 

 


 

Fonte: SANTOS, Milton Silva dos; SILVA, Renato Araújo da. Da Escravidão ao Pós - Abolição: fatos históricos e políticos. São Paulo: Museu Afro Brasil - Organização Social de Cultura, 2010.

 

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8 grandes impérios africanos que você provavelmente não conhece!

As histórias de um continente de passado ilustre foram escondidas durante séculos com o subdesenvolvimento imposto pelas invasões europeias

O continente africano tem um passado exuberante, muito além das civilizações do Egito e Cartago. Grandes impérios ali floresceram na era antes de Cristo, na idade média e nos séculos seguintes. Por vários motivos declinaram: guerras civis, fragmentações políticas ou pela chegada dos colonizadores. O imperialismo, aliás, submeteu vários povos e dividiu o continente. Essa “partilha” misturou etnias e grupos inimigos, além de interferir nas práticas religiosas e na própria liberdade dos povos.

 

Mas o que havia antes dos invasores, que chegavam em busca de escravos e outras riquezas, como o ouro?

Sociedades tribais organizadas e complexas tinham seus sistemas políticos, econômicos, de crenças e línguas. Uma das cidades, no Império do Mali, era comparada a Paris. Muitas não deixaram vestígios, pois eram baseadas em tradições transmitidas oralmente. Em outros casos, as evidências históricas que restaram foram retiradas de seus locais de origem e passaram a habitar os grandes museus do mundo, como Louvre, em Paris, e o British Museum, em Londres.

 

Conheça oito grandes reinos e impérios africanos e olhe de outra maneira o continente vizinho, sobre o qual ainda se sabe tão pouco.

 

Império de Gana ou Wagadu

Existiu de 830 a.C. até por volta do ano de 1235 d.C, com apogeu nos últimos 500 anos. Localiza-se no que é hoje o sudeste da Mauritânia e Mali Ocidental.

 

A capital do império chamava-se Koumbi Saleh e chegou a ter 20 mil habitantes. Consistia em duas cidades, com habitações contínuas, em pedra. Em uma habitava o rei de Gana e na outra os mercadores muçulmanos.

 

Gana era chamada de Costa de Ouro, por causa da grande quantidade de jazidas. Ainda hoje está entre um dos principais produtores do metal. O império controlava a rota das caravanas de camelos que transportavam ouro e sal (que chegou a valer mais que o ouro) para exportação, rumo ao norte do continente, com eficiente sistema de cobrança de impostos.

 

O declínio se deu por instabilidades políticas internas, até perder força e se fragmentar. Gana também se recusava a seguir a religião islâmica. Em dado momento foi invadida e dominada pelo império mandinka do Mali.

 

 

Império de Aksum ou Axum

Existiu entre os anos de 100 a 940 d.C, aproximadamente, onde hoje se localiza a Eritreia e a Etiópia. Em seu auge, poderia ser comparado aos maiores impérios já conhecidos, como Pérsia, Roma e China. Controlou um território de 1,25 milhão de quilômetros quadrados. 

 

Era um centro estratégico para o comércio marítimo do Oceano Índico, que ligava o Egito à Índia, China e Sudeste da Ásia, controlando o Mar Vermelho. Foi um dos primeiros impérios do mundo a se converter ao cristianismo.

 

Durante a colonização europeia na África, a Etiópia foi o único país não dominado. Por isso, seu último imperador, Haile Selassie I, era adorado por seus súditos, os Rastafarians. No século 20 ele virou símbolo de liberdade e da representação política no cenário mundial.

 

O declínio do Império de Aksum acontece após disputas comerciais que acabaram resultando em isolamento e fragmentação política.

 

 

Império do Mali ou Mandinka

Existiu entre os anos de 1230 a 1600, com auge na década de 1350.Possuía imensas minas de ouro em suas fronteiras. Até o início do século 14, foi a fonte de quase metade do ouro e sal do Velho Mundo.

 

A religião predominante era o islamismo, mas havia influências especialmente pagãs, com muito de feitiçaria nas crenças populares. Parte dessas tradições você pode ver no seriado Raízes, produzido e exibido pelo History Channel.

 

O Mali teve um governo semidemocrático, com uma das mais antigas constituições conhecidas do mundo, o Kurukan Fuga.

 

A cidade de Tombuctu foi uma das mais ricas e importantes da região, considerada a Paris do mundo medieval. Sua universidade era um dos maiores centros de cultura muçulmana da época, com 25 mil estudantes. Foram construídas mesquitas, escolas e uma biblioteca que guardava manuscritos que abrangiam todas as áreas de conhecimento do mundo.

 

A decadência do império, no final do século 14, acontece por disputas pela sucessão que enfraqueceram a coroa. As cidades de Tombuctu e Djenné, dois dos maiores centros econômicos, foram designadas pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

 

Hoje, infelizmente, o Mali está entre os 25 países mais pobres do mundo.

 

 

Império do Congo

Estima-se que origens do Império do Congo remontem ao  século 14.O sistema econômico e social baseava-se no comércio de marfim, cobres, têxteis e cerâmica, além de escravos e, mais tarde, a borracha. Tudo era transportado pelos gigantescos rios que cortam a região: Cuango, a leste; Ogooué, a norte; e Kwanza, ao sul.

 

A religião cristã foi estabelecida a partir de missões religiosas pela Igreja Católica Romana, via ocupação portuguesa, recebida “cordialmente” ao apresentar suas armas de fogo. As relações com os europeus resultaram num forte comércio de escravos e na venda de prisioneiros de guerra para Portugal e Holanda.

 

Com as riquezas adquiridas, realizaram grandes construções como a Catedral de São Salvador do Congo, em Angola, conhecida como a primeira igreja construída na África subsaariana.

 

Mais tarde, o império do Congo foi dividido entre franceses, portugueses e belgas durante o século 19 e dessa “partilha” originaram-se as atuais República Democrática do Congo (antigo Zaire) e a República do Congo, além do noroeste da Angola.

 

 

Império Songhai

Do início do século 15 ao fim do século 16, foi um dos maiores impérios islâmicos na história, com organização mais elaborada que a do grande Mali, por exemplo. Seu nome vinha do seu principal grupo étnico, os Songhai. Eles haviam formado uma província desde o século 11 na região que passava a ser capital do império, Gao.

 

Ferramentas, artefatos religiosos e minas de ouro independentes formavam a base econômica do Império. Socialmente, o sistema era organizado em clãs: no topo, nobres e descendentes dos povos originais Songhai; na base, prisioneiros de guerra e escravos europeus condenados a trabalhar especialmente na agricultura.

 

No governo de Askia Muhammad, o Império assistiu a uma crescente centralização. Ele encorajou a aprendizagem em Tombuctu, recompensando os professores com pensões maiores.

 

O império foi perdendo força com guerras civis. Em uma delas, o sultão da Dinastia Saadi do Marrocos ordenou uma invasão a Songhai. Ele contou com a ajuda do espanhol Judar Pasha, que dispersou o numeroso exército Songhai com armas de pólvora do Saadi, na Batalha de Tondibi, em 1591.

 

 

Império de Zimbábue

Tradições orais que persistiram, bem como ruínas antigas, contam o que se sabe de Zimbábue. Provavelmente surgiu de um reino anteriormente conhecido como Mapungubwe, que existiu entre os séculos 11 e 13, sendo considerado por muitos arqueólogos a primeira sociedade hierárquica complexa na África Austral.

 

Agricultura, ouro e marfim eram as principais fontes de riquezas, fundamentais para estabelecer ligações comerciais com o Oriente Médio e a Índia. A transformação da região foi provavelmente desencadeada pela expansão das culturas Bantu, que trouxe novos métodos de plantio e metalurgia.

 

Zimbábue significa “grandes casas de pedra” na língua Shona, uma vez que a cidade moderna foi delimitada em torno de 1220 por uma impressionante fortaleza de pedra conhecida como Grande Zimbabwe.

 

Aliás, até 1950, os pesquisadores não aceitavam que a construção tivesse sido erguida pelo povo local.

 

O império não era convertido ao islamismo, como muitos na África. Quando os europeus chegaram, a população local praticava suas tradicionais crenças pré-abraâmicas, venerando tanto uma divindade suprema quanto espíritos ancestrais.

 

 

Império Oyo Yorubá

Império de Oyo Yoruba localizou-se no que hoje é a Nigéria ocidental entre 1400 e 1835. Até hoje os yorubás (ou iorubás ou yorubás) são um dos maiores grupo étno-linguístico da África Ocidental, composto por 30 milhões de pessoas.

 

Oyo era a capital política dos Yorubás. A partir do século XVI, o poder da cidade cresce até tornar-se o estado politicamente mais importante da região, unificando todas as Cidades-Estado Yorubá. Tornou-se, assim, um dos maiores impérios do Oeste africano encontrados pelos exploradores coloniais, tanto por suas riquezas obtidas pelo comércio como pela poderosa cavalaria.

 

Milhares de yorubás foram trazidos ao Brasil e aqui se tornaram escravos. Muitas palavras e tradições deste grupo são usadas até hoje por aqui.

 

 

Reino do Benin

Indícios apontam para seu desenvolvimento entre os séculos XII e XIII, na região onde estão Nigéria, Camarões e o próprio Benin.

 

A localização favorecia o encontro de mercadores, o que também contribui para  o processo de urbanização das cidades, convertidas em reinos cercados por muralhas.

 

O comércio era a principal atividade econômica, especialmente peixe seco, sal, inhame, dendê, feijão, animais de criação e cobre, um produto raro. Também faziam parte das transações itens como pimenta, marfim, tecidos e escravos

 

O governo temia a redução da população nativa masculina, pois muitos estavam sendo vendidos como escravos. A solução: importar homens de outras regiões do continente para comerciá-los com os europeus a partir do século 16.

 

Sob o domínio dos ingleses, o reino foi destruído pelas formas armadas em 1897, sob o comando de Harry Rawson. A cidade foi saqueada, destruída e incendiada.

Uma coleção dos famosos bronzes de Benin está exposta no British Museum, em Londres. Parte do acervo levado pelas tropas britânicas voltou para a Nigéria em 1972.

 


Imagem: Castelo Fasilide em Godar, Etiópia. Kenneth Dedeu / Shutterstock

Fontes:

http://www.timemaps.com/civilization/African-kingdoms

http://www.siliconafrica.com/terra-nullius/

http://observationdeck.kinja.com/5-awesome-african-civilizations-that-arent-egypt-1688047907

http://atlantablackstar.com/2013/12/05/7-midieval-african-kingdoms/

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/general_history_of_africa_collection_in_portuguese-1/#.WAQ1uaPOqRs

http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/educacao/lei-1063903-e-outras/#gs.2Bfnagk

http://novaescola.org.br/conteudo/370/quais-foram-os-colonizadores-da-africa

http://reinosafricanos-historia.blogspot.com.br/2008/11/reinos-africanos.html

http://africantiga.blogspot.com.br/p/importantes-reinos.html

https://theculturetrip.com/africa/tanzania/articles/kilwa-kisiwani-the-ruins-of-east-africa-s-greatest-empire/

http://time.com/money/3977798/the-10-richest-people-of-all-time/

Teste: o que você sabe sobre escravidão?

Um quiz para testar seus conhecimentos sobre o tema, que está longe de pertencer apenas ao passado.

 

Povos nativos: os primeiros escravos da América Latina

Embora a coroa espanhola se opusesse formalmente à escravidão, quando os primeiros conquistadores chegaram ao território americano, populações inteiras de nativos foram escravizadas pelos europeus.

Rina Cáceres, professora da Universidade da Costa Rica e coordenadora do projeto da UNESCO dedicado à reparação histórica de afrodescendentes na América, “Del Olvido a la Memoria” (Do Esquecimento à Memória, na tradução), explica: “na América, temos dois momentos de escravidão e sempre esquecemos o primeiro, que foi a escravidão dos indígenas”.



O assentamento dos espanhóis e portugueses no chamado "Novo Mundo" só foi possível graças a uma rede sanguinária de exploração indígena que ocorre nos primeiros 100 anos da chegada dos europeus. Desde que Cristóvão Colombo desembarcou na América, em 1492, até pelo menos 1542, os nativos foram vendidos em diferentes regiões. Particularmente, foram graves os casos na Nicarágua e no México, em que os índios eram vendidos para ilhas do Caribe ou para o Peru.

Agora, devemos lembrar uma das razões da entrada do trabalho escravo africano na América. Como ocorreu um colapso da população indígena, entre os séculos XVI e XVII, não havia mais mão de obra suficiente para tocar os projetos econômicos das metrópoes europeias - leia-se exploração agrícola e extração de minérios (ouro, prata, diamante e outras pedras preciosas) das colônias. Então, foi necessário recorrer à escravidão de povos da África.


Lei que só valia papel

Vale lembrar que em 1542 foi promulgada em Madri leis que proibiam a prática da escravidão indígena, mas, na realidade, isso ainda continou acontecendo nas colônias. A proteção da lei aos nativos, no entanto, não se deu por questão de natureza humana ou ética. Cáceres acredita que a proibição espanhola ocorreu, principalmente, por razões econômicas. “O tratamento dos indígenas estava relacionado ao interesse da Coroa em recuperar os impostos, porque os indígenas pagavam impostos por cabeça, então, conforme morriam, diminuía a arrecadação da Coroa”.

 


Fonte: BBC
Imagem: Everett Historical / Shutterstock.com

 

Números assustadores revelam o cenário da escravidão moderna

Em todo o mundo, há 49 milhões de pessoas que são exploradas sexualmente, forçadas a realizar trabalhos em condições subumanas ou que são até mesmo traficadas, segundo o relatório publicado no Índice Global de Escravidão da Fundação Walk Free.

Na foto de 26/10/2014, um menino olha curioso para dentro de uma fábrica de tijolos onde ele e sua família, assim como muitas outras, foram encontrados trabalhando em condições análogas à escravidão, na Índia.

Esse número estarrecedor revela que, desde 2014, a escravidão aumentou 28%, ou seja, há 10 milhões a mais de escravos no mundo, segundo um relatório que avaliou a situação em 167 países.

 

Entre as populações, um dos piores cenários, de acordo com o estudo, ocorre na Coreia do Norte, onde estima-se que 4,37% da sua população é vítima da escravidão moderna. Também é o país com a menor resposta governamental na questão de ações tomadas para combater essa terrível prática. Depois, aparecem Uzbequistão (3,97%), seguido por Camboja (1,65%). No entanto, em números absolutos, a Índia lidera com 18,35 milhões de pessoas, seguida pela China, com 3,39 milhões.


"Exportação" de trabalhadores 

Segundo um relatório da ONU de 2015, há um sistema de trabalho na Coreia do Norte que se enquadra no que seria chamado de "trabalho forçado" que contaria com participação do governo, em que pessoas "vivem em condições deploráveis". Neste sistema, 80% dos trabalhadores "exportados" seguem para China e Rússia para trabalhar na agricultura, construção, indústria naval e manufatura. Além desses dois países, os norte-coreanos também têm como destino Catar, Kuwait, Omã, Emirados Árabes Unidos, Polônia, Malta, Áustria, Suíça, Alemanha, Argélia, Angola, Etiópia, Líbia, Nigéria, Tanzânia, Malásia, Mongólia e Mianmar.

De acordo com a ONU, entre 50 mil ou 60 mil norte-coreanos estariam vivendo nessa situação, mas outras entidades apontam que esse número pode chegar a 100 mil.

Escravos do sistema

A Aliança Europeia para os Direitos Humanos na Coreia do Norte e a Universidade de Leiden, na Holanda, realizam o projeto "Escravos do sistema", em que é documentada a situação desses trabalhadores e os abusos que eles sofrem. Nas entrevistas, as pessoas disseram que ganham um salário de US$ 150 a US$ 230 por mês, mas precisam enviar uma "uma quantidade significativamente alta" do que ganham ao governo do país, que pode variar de 70% a 90% do que recebem.

As entidades tentam também colocar o foco nas empresas que aceitam essa mão de obra da Coreia do Norte, mas para isso é necessária a colaboração dos governos para acabar com essa prática, alegam as organizações.

 


Fonte: La Vanguardia , UOL

Imagem: arindambanerjee/Shutterstock.com

Conheça o "manual do RH" para o tratamento de escravos

Este artigo foi criado pelo HISTORY em parceria com o Museu AfroBrasil

 

Muito do que se sabe hoje sobre os escravos vem de cartas e testamentos, registros dos poucos homens que tinham o conhecimento e o poder da escrita. As palavras que resistiram ao tempo mostram o olhar dos donos das fazendas sobre seus escravos, tratados como mercadoria e propriedade.

Um exemplo são as “Instruções para a administração das fazendas”, escritas em Areias, em 1870. O município fica no Vale do Paraíba, norte do estado de São Paulo, e era um dos principais produtores de café no século 19. Na carta, o item “Tratamento dos escravos, respeito a roupas e comidas” revela especial atenção à alimentação, que deveria ser bem cozida, forte e variada o suficiente para que trabalhassem mais. Muitos dos pratos, inclusive, nós consumimos ainda hoje.

Vale lembrar que os chamados “crimes” cometidos pelos escravos, como tentativas de fuga, eram na verdade atos de resistência. Confira:

 

Alimentação

  • “Os escravos logo que se levantarem tomarão café bem feito, e adoçado, o equivalente a 2 xícaras, cujo café será feito com a escolha bem limpa de qualquer cisco, e que seja bem torrado”.
  • “Ao almoço comerão feijão bem cozido e bem temperado de sal, gordura e pimenta, com angu de milho (…) reduzido a fubá de finura regular, o qual deve ser peneirado, e bem cozido, o que se conhece pelo cheiro de pão que deve ter, assim como pela introdução dum pauzinho liso, que deve sair sem aderência de massa (…)”
  • “O feijão quase sempre deve ser misturado com ervas ou couves, e a preparação da carne também  deve variar, sendo às vezes ensopado com abóbora, pepino, couve etc”.
  • “A ceia deve ser leve para evitar indigestões, será variada, canjica bem limpa e bem cozida de milho branco e adoçada, ou mingau de fubá, ou arroz, mandioca temperada com gordura, abóboras com angu, ervas com angu, ou o que a estação oferecer (…)”. 
  • “Quando acontecer o tempo estar chuvoso, deverão os escravos na sua chegada de noite da roça achar o café pronto, no qual se lançará por cada 20 escravos, uma garrafa d’aguardente e uma libra de açúcar (…)”

 

Castigos

  • “Os escravos no geral têm bastante inteligência para descobrir as fraquezas da pessoa pela qual estão governados; eles sabem quando merecem castigo (…)”.
  • “Os castigos devem ser certos, e logo aplicados em proporção ao crime, e nunca excessivos; e para evitar o excesso nenhum feitor poderá dar mais que 6 vergalhadas ao escravo, e o castigo por mando do administrador nunca deve exceder a 24 vergalhadas (…)
  • “(…) se o crime cometido (…) merece castigo maior, o administrador dará parte ao administrador geral, aguardando as ordens do mesmo e conservará se julgar conveniente o criminoso no tronco até a decisão”.
  • “(…) aplicar os castigos em relação às naturezas dos criminosos, e sempre com sossego, e sem rancor, evitando o mais possível as palavras injuriosas (…). O escravo vendo o feitor encolerizado, tenta fugir, e aumenta o crime, e portanto também o castigo”.
  • “O escravo que der parte de doente deve ser mandado para o hospital (….); reconhecendo-se que ele não está doente, deve-se proibir o fumar, botá-lo a dieta rigorosa, e fazê-lo catar café (…)”.

 

Fonte: Trecho do manuscrito intitulado Instruções Gerais para Administração das Fazendas, 1870, coleção particular. Negro de Corpo e Alma. Mostra do Redescobrimento. 2000. Pagina 108.

 

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