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Este vilão épico realmente existiu - e foi muito mais perverso que na ficção

Imperador romano desenvolveu gosto pela morte e pela tortura ainda pequeno. 

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O filme superpremiado de Ridley Scott, “Gladiador”, foi um sucesso mundial e significou um retorno da indústria cinematográfica ao cinema épico. O filme conta a história de um gladiador durante o reinado do cruel imperador romano Cômodo, mas a maldade desse vilão real supera a ficção.

Cômodo Antonino nasceu em 161 d.C.. Filho de Marco Aurélio, desde uma idade muito precoce ele demonstrou sinais de uma crueldade inusitada e uma inclinação evidente à violência e à megalomania.

As crônicas da época contam que, quando criança, ele gostava de torturar seus colegas que ousavam contradizê-lo e que inclusive chegou a mandar matar um escravo que preparava um banho muito frio para ele.

Na adolescência, Cômodo desenvolveu uma obsessão pelos gladiadores, obrigando-os a treinar com ele para, depois, assassiná-los cruelmente.

Cômodo gostava de participar do circo romano. Suas entradas na arena muitas vezes começavam com a tortura de pessoas com deficiência. Além disso, o imperador cobrava quantias altíssimas de dinheiro por suas atuações, o que acabou colocando Roma à beira de um colapso econômico.


Fonte: Informe Insolito

Imagem: José Luiz Bernardes Ribeiro/Wikimedia Commons

Como viviam os gays na Roma Antiga

Durante o Império, até o casamento entre homens era liberado! 

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A homossexualidade, regida por regras de protocolo, era uma prática comum na Grécia Antiga. Até a adoção do catolicismo, o Império Romano, herdeiro cultural dos helenos, também aceitava o sexo entre homens, contanto que cumprisse as leis.

Nos primeiros anos da República Romana, foi proibida a pederastia, considerada uma perversão característica dos gregos, e o sexo entre cidadãos livres. Porém, os patrões podiam ter relações sexuais com seus escravos, desde que fossem ativos.

Na época do império, a pederastia não só foi legalizada, como também era permitido o casamento entre homens, já que as atividades privadas não diziam respeito ao foro penal.

A prostituição masculina se tornou uma prática comum, e havia banheiros públicos aonde iam os homens que buscavam relações homossexuais. Existia, inclusive, uma série de códigos gestuais e de vestimenta que indicavam quando um sujeito queria se relacionar com um congênere.

As relações lésbicas não eram regidas por nenhuma lei, provavelmente porque, dadas as normativas de gênero vigentes, estas aconteciam no âmbito doméstico, longe dos olhos inquisidores dos censores.


Fonte: Super Curioso
Imagem: Shutterstock

Lápide romana de quase 2 mil anos é encontrada em Nova York

Operários encontraram uma lápide romana de quase 2 mil anos enterrada em um quintal no estado de Nova York, nos EUA. Eles realizavam trabalhos de manutenção quando se depararam com a relíquia milenar, que data de 54 d.C.

Sabe-se que o terreno onde a descoberta foi feita pertencia a uma das famílias mais ricas da região, que teria trazido a pedra de Roma, no final do século XIX. A propriedade foi destruída por um incêndio no início do século XX, após o qual a peça acabou enterrada no quintal, confundida com escombros.

Christopher Lightfoot, curador do Metropolitan Museum of Art de Nova York, confirmou a autenticidade do objeto após uma análise minuciosa de suas inscrições em latim. Atualmente, a lápide pode ser vista no pavilhão do museu dedicado ao Império Romano.


Fonte: FOX 5

Afrescos em Pompeia revelam segredos sobre o sexo no Império Romano

As pinturas nas paredes do Lupanar (termo que designava os prostíbulos) de Pompeia têm muito a revelar sobre a sexualidade na Roma Antiga.

Os afrescos eróticos sobreviveram à erupção que destruiu a cidade em 79 d.C. O prostíbulo foi descoberto no século XIX, mas suas portas só foram abertas ao público há poucos anos. Em suas paredes, é possível observar várias pinturas de grande realismo que, conforme acreditam os pesquisadores, poderão ter funcionado como uma vitrine das práticas sexuais oferecidas no local.

O Lupanar era um centro de reunião de políticos e empresários da época. Lá, eles podiam contratar os serviços sexuais tanto de mulheres quanto de homens jovens, na maioria ex-escravos que se tornaram trabalhadores sexuais.

Kelly Olson, professora da University of Western Ontario, no Canadá, dedica-se a estudar o papel das mulheres na antiga sociedade romana, e explica: “Os homens casados podiam dormir com qualquer uma, desde que mantivessem as mãos longe das esposas de outros homens. As mulheres casadas, no entanto, não podiam ter relações sexuais com ninguém mais”.

No bordel, é possível ver também várias inscrições feitas à mão pelos clientes do local – inscrições curiosamente parecidas às que podemos encontrar atualmente em lugares desse gênero.


Fonte: Daily Mail

Imagem: Boris Stroujko/Shutterstock.com

Seis saques vergonhosos de Roma

Em 24 de agosto de 410 d.C., tribos bárbaras sob o comando do rei visigodo Alarico entraram em Roma para três dias de assassinato e pilhagem. O saque teve papel importante na eventual queda do Império Romano, mas não foi a única vez que a metrópole foi conquistada, saqueada ou queimada. Explore as histórias por trás de seis dos ataques mais violentos à Cidade Eterna.

 

[ASSISTA A REBELIÃO DOS BÁRBAROS. ESTREIA SEGUNDA (12/09), ÀS 22H40]

 

Os gauleses

A história do primeiro saque de Roma é envolta em mito e lenda, mas provavelmente aconteceu quando a jovem cidade se envolveu em um conflito com um grupo de gauleses celtas liderados pelo chefe militar Breno. Em 18 de julho de 387 a.C., os dois lados se enfrentaram em uma batalha às margens do Rio Ália. Os romanos ainda não haviam aperfeiçoado o estilo de luta que tornaria suas legiões famosas, e muitos homens se dispersaram no primeiro ataque do exército de gauleses cabeludos e com os peitos nus.  O resto sofreu uma carnificina, deixando o caminho de Roma livre para Breno. Seus homens entraram na cidade alguns dias depois e iniciaram uma orgia de estupros e pilhagem. Prédios foram incendiados ou saqueados de seus objetos de valor. A maioria do senado romano tombou vítima das espadas no Fórum.

 

Enquanto os gauleses atacavam o resto da cidade, os romanos sobreviventes se fortificaram no topo do Monte Capitolino. Eles repeliram vários ataques gauleses, mas depois de meses de cerco, eles concordaram em pagar mil libras de ouro para que Breno e seu exército deixassem a cidade. Reza a lenda que Breno usou balanças manipuladas para pesar o resgate. Quando os romanos reclamaram, ele jogou sua espada nas balanças e gritou “Vae Victis!” (“Ai dos Vencidos!”). Roma se reconstruiu depois que os gauleses partiram, mas a derrota no Rio Ália deixou feridas profundas. Por todo o resto da história romana, 18 de julho foi considerado um dia maldito.

 

Os visigodos

Roma se recuperou do desastre gaulês e floresceu por quase 800 anos, mas seu segundo saque, em 410 d.C., marcou o início de uma longa e dolorosa queda. Na época, o Império Romano estava dividido e em declínio. Tribos saqueadoras germânicas haviam começado a fazer incursões pelo Reno e Danúbio, e uma delas, um grupo de visigodos, liderados por um rei chamado Alarico, já havia cercado Roma em duas ocasiões distintas.  Quando os bárbaros voltaram para um terceiro cerco, um grupo de escravos rebeldes abriu a Porta Salária e deixou que eles entrassem na cidade. Alarico e suas hordas começaram a incendiar prédios, matar aristocratas e roubar tudo que fosse possível. Três dias depois, tendo depenado a cidade de toda sua riqueza, eles partiram de Roma e desapareceram pela Via Ápia.  

 

O saque visigodo foi relativamente controlado. A maioria dos monumentos e prédios mais famosos foram poupados, e como os godos eram cristãos, eles deixaram que as pessoas se refugiassem nas basílicas de São Pedro e São Paulo. Mesmo assim, a notícia de que a Cidade Eterna havia sucumbido causou abalos por todo o Mediterrâneo. “Minha voz está presa na garganta, e, enquanto eu dito, soluços me engasgam”, escreveu o cristão São Jerônimo. “Tornou-se cativa a cidade que antes havia tornado todas as outras suas cativas”.

 

Os vândalos

O uso da palavra “vandalismo” para descrever a destruição de patrimônio público ou privado deve sua origem aos vândalos, um povo tribal germânico responsável por um famoso saque de Roma. A invasão foi motivada pelo assassinato do Imperador Romano Valentiniano III, que havia prometido sua filha Eudóxia para o filho do rei vândalo Geiserico como parte de um acordo de paz. Alegando que o acordo havia se tornado inválido após a morte do Imperador, Geiserico invadiu a Itália e marchou sobre Roma em 455. Os romanos não conseguiram impedir o avanço do exército dele e enviaram o papa Leão para negociar. O pontífice persuadiu Geiserico a não queimar a cidade ou matar seus habitantes, e em troca, os vândalos poderiam passar pelos portões de Roma sem luta.

 

Geiserico e seu bando passaram as duas semanas seguintes juntando todo o butim que conseguiam carregar. Eles saquearam as casas dos patrícios da cidade levando ouro, prata e móveis. Eles até mesmo saquearam o palácio imperial e o Templo de Júpiter Ótimo Máximo. Fiéis a sua palavra – se não seu nome – eles evitaram destruir prédios ou matar pessoas, mas tomaram algumas prisioneiras. Entre elas estava a filha de Valentiniano, a princesa Eudóxia, que mais tarde casou com o filho de Geiserico, conforme o acordo inicial.

 

Os ostrogodos

Depois da deposição do último Imperador do Ocidente no ano 476 d.C., Roma foi governada por uma série de reis germânicos e ostrogodos. O Imperador do Oriente, Justiniano, conseguiu recuperar a região durante o século VI, mas a resistência ostrogoda logo retornou, cortesia de Totila, um líder magnético que comandava os godos e cercou Roma. De acordo com o historiador Procópio, Totila e seus homens conseguiram acessar a cidade em 546 ao escalar suas muralhas escondidos pela escuridão da noite e abrir a Porta Asinária. A pequena guarnição de Roma imediatamente fugiu aterrorizada, deixando a cidade indefesa e pronta para ser saqueada. Os Ostrogodos passaram várias semanas lucrativas saqueando a cidade, mas apesar de ter prometido transformar Roma em um pasto de ovelhas, Totila evitou destruir a cidade quando partiu de lá, no início de 547. Mesmo com a maioria dos seus edifícios de pé, a metrópole, que um dia havia sido grande, agora se resumia a uma ruína estéril. Tendo abrigado mais de um milhão de habitantes durante os dias de glória do Império, quando os godos finalmente foram embora, sua população era de apenas algumas centenas de moradores.

 

Os normandos

Apenas alguns anos depois de seu compatriota Guilherme, o Conquistador, ter iniciado a invasão da Inglaterra em 1066, o chefe militar normando Roberto Guiscardo comandou um terrível saque de Roma. Guiscardo—nome que significa “astuto”— marchou sobre a cidade em 1084 depois de receber um pedido de auxílio de seu aliado, o papa Gregório VII, que estava sofrendo um cerco do Sacro Imperador Romano Henrique IV. Guiscardo capturou a cidade facilmente e resgatou o Papa, mas seus soldados foram apontados como inimigos pelos cidadãos romanos, muitos deles apoiadores de Henrique. Quando o povo se rebelou contra ele, Guiscardo esmagou a revolta a permitiu que seus homens se refestelassem com estupros e pilhagem. O fogo se espalhou pela cidade e muitos de seus habitantes foram mortos ou vendidos como escravos. Fontes divergem a respeito do grau de destruição da invasão de três dias, mas alguns historiadores acusam Guiscardo e seus normandos de destruírem muitos monumentos romanos antigos de valor inestimável.

 

O Sacro Império Romano

“Eles choraram muito; todos nós ficamos ricos”. Assim foi como um dos participantes resumiu os eventos de maio de 1527, quando um exército amotinado sob o comando do Sacro Imperador Romano Carlos V arrasou a cidade de Roma. As tropas imperiais haviam acabado de voltar de uma campanha contra a Liga de Cognac – de quem o Papa Clemente VII era aliado – mas não recebiam salário há meses. Para mantê-los marchando, seu comandante, o Duque de Bourbon, prometeu a eles a chance de saquear Roma. Os soldados miseráveis chegaram em 6 de maio e desferiram seu ataque. O Duque foi morto durante a batalha, mas seus homens derrubaram as muralhas de proteção e invadiram a cidade. A Guarda Suíça do Vaticano foi aniquilada perto da Basílica de São Pedro. O Papa Clemente, enquanto isso, foi forçado a fugir por meio de um túnel secreto e se refugiar no inexpugnável Castelo de Santo Ângelo.

 

Dentro de Roma, o exército sem líder se transformou em uma horda sanguinária. Prédios foram pilhados e queimados; homens e crianças foram torturados e mortos; e mulheres – até mesmo freiras católicas – foram estupradas ou leiloadas em mercados públicos. Quando o exército finalmente deixou a cidade, Roma estava depenada e metade de seus 55 mil habitantes estavam mortos ou sem teto. O prejuízo cultural também foi severo. Muitos artistas foram mortos e várias obras de arte de valor inestimável foram destruídas ou desapareceram. Alguns estudiosos até mesmo consideram o saque de 1527 como o fim oficial do Renascimento Italiano.

 


Imagem: Karl Briullov [Domínio público], via Wikimedia Commons

Oito razões pelas quais Roma caiu

No fim do século IV, o Império Romano do Ocidente desmoronou após quase 500 anos exercendo o papel de maior superpotência do mundo. Historiadores atribuem a culpa do colapso a centenas de fatores diferentes, que abrangem desde falhas militares até impostos extorsivos, passando por desastres naturais e mudanças climáticas. Outros defendem que o Império Romano não ruiu em 476 d.C, já que sua porção oriental continuou por mais mil anos, na forma do Império Bizantino. Enquanto o motivo – e a data – da queda permanecem em debate até hoje, algumas teorias tomaram a dianteira como as mais populares para o declínio e desintegração do Império Romano. Continue a ler para descobrir oito razões pelas quais um dos impérios mais lendários da história finalmente chegou ao fim. 

 

[ASSISTA A REBELIÃO DOS BÁRBAROS. ESTREIA SEGUNDA (12/09), ÀS 22H40]

 

Invasões de tribos bárbaras

A teoria mais simples para o colapso de Roma aponta para uma série de derrotas militares diante de forças estrangeiras. Roma teve que lidar com tribos germânicas por séculos, mas nos anos 300s, grupos “bárbaros” como os godos haviam se estabelecido além das fronteiras do Império. Os romanos resistiram a um levante germânico no fim do século IV, mas em 410, o rei visigodo Alarico saqueou com sucesso a cidade de Roma. O Império passou as próximas décadas sob ameaça constante antes da “Cidade Eterna” ter sido invadida novamente em 455, dessa vez pelos vândalos. Finalmente, em 476, o líder germânico Odoacro comandou uma revolta e depôs o imperador Rômulo Augusto. Daí em diante, nenhum outro imperador romano reinaria novamente de seu posto na Itália, o que faz muitos citarem 476 como o ano em que o Império Romano do Ocidente foi ferido de morte. 

 

Problemas econômicos e excesso de confiança no trabalho escravo

Mesmo quando Roma estava sob ataque de forças externas, o Império também estava desmoronando graças a uma crise econômica severa. Guerras constantes e gastos excessivos dilapidaram significativamente os cofres imperiais. Impostos escorchantes e inflação também contribuíram para aumentar o abismo entre ricos e pobres. Na esperança de evitar os coletores de impostos, muitos membros da alta classe fugiram e fundaram feudos independentes. Ao mesmo tempo, o império era chacoalhado por um déficit de mão-de-obra. A economia de Roma dependia de escravos para cultivar os seus campos e trabalhar como artesãos e o poderio militar do Império tradicionalmente fornecia novas levas de povos conquistados para atuar como trabalhadores forçados. Mas quando a expansão estancou no segundo século, a provisão de escravos e outros tesouros de guerra começou a secar. Outro golpe veio no século V, quando os vândalos reivindicaram o norte da África a começaram a perturbar o comércio do Império ao rondar o Mediterrâneo como piratas. Com a economia abalada e sua produção comercial e agrícola em declínio, o Império começou a perder o controle sobre a Europa.

 

A ascensão do Império Oriental 

O destino de Roma foi parcialmente selado no final do terceiro século, quando o Imperador Diocleciano dividiu o Império em duas metades – o Império do Ocidente, sediado na cidade de Milão, e o Império do Oriente em Bizâncio, conhecida mais tarde como Constantinopla. A divisão fez com que o império fosse mais facilmente governável em curto prazo, mas com o tempo, as duas metades foram se afastando. Ocidente e Oriente fracassaram em trabalhar juntos adequadamente para combater ameaças externas, além de discordarem constantemente a respeito de recursos e ajuda militar. Enquanto a distância aumentava, o Império do Oriente, onde a maioria da população falava grego, enriquecia, o Ocidente, que falava latim, caía em uma crise econômica. Mais importante, a força do Império do Oriente serviu para desviar as invasões bárbaras para o Ocidente. Imperadores como Constantino garantiram que a cidade de Constantinopla fosse fortificada e bem protegida, mas a Itália e a cidade de Roma – que tinha apenas valor simbólico para muitos no Oriente – ficaram vulneráveis. A estrutura política do Ocidente iria finalmente se desintegrar no século V, mas o Império Oriental de alguma forma conseguiu resistir por mais mil anos antes de ser conquistado pelo Império Otomano nos anos 1400.

 

Expansão exagerada e gastos militares excessivos  

No seu auge, o Império Romano se estendia do Oceano Atlântico até o Rio Eufrates, no Oriente Médio, mas sua grandeza talvez também tenha sido a razão de sua ruína. Com o território tão vasto para governar, o império encarou um pesadelo administrativo e logístico. Mesmo com seu sistema de estradas excelente, os romanos eram incapazes de se comunicar rapidamente ou de forma eficaz o suficiente para gerir seu território. Roma sofria para mobilizar tropas e recursos suficientes para defender suas fronteiras de rebeliões locais e ataques externos, e no século II o Imperador Adriano foi forçado a construir sua famosa muralha na Britânia para manter seus inimigos à distância. Enquanto mais e mais recursos eram gastos no poderio militar do Império, avanços técnicos diminuíram e a infraestrutura civil de Roma decaiu. 

 

Corrupção governamental e instabilidade política

Se o tamanho de Roma dificultava sua administração, lideranças ineficazes e inconsistentes só serviram para aumentar o problema. Se ocupar a posição de imperador romano sempre foi perigoso, durante os complicados séculos II e III virou praticamente uma sentença de morte. A guerra civil trouxe caos para o império e mais de 20 homens assumiram o trono em um período de apenas 75 anos, geralmente após o assassinato de seu predecessor. A Guarda Pretoriana – os guarda-costas pessoais do imperador – assassinava e instalava novos soberanos quando bem entendia e uma vez até mesmo leiloou a vaga para quem desse o maior lance.  A podridão política também se estendia ao senado romano, que fracassava em conter os excessos dos imperadores devido a sua própria corrupção generalizada e incompetência. Enquanto a situação piorava, o orgulho cívico diminuía e muitos cidadãos romanos perderam a confiança em seus líderes.

 

A chegada dos hunos e a migração das tribos bárbaras 

Os ataques bárbaros à Roma foram parcialmente resultados por uma migração em massa causada pela invasão dos hunos à Europa no final do século IV. Quando esses guerreiros euroasiáticos invadiram através do norte da Europa, eles empurraram muitas tribos germânicas para as fronteiras do Império Romano.  A contragosto, os romanos permitiram que membros da tribo dos visigodos cruzassem a sul do Danúbio para encontrar segurança no território do império, mas trataram os migrantes com extrema crueldade. De acordo com o historiador Amiano Marcelino, oficiais romanos até mesmo forçavam os godos famintos a oferecerem seus filhos como escravos em troca de carne de cachorro. Ao brutalizar os godos, os romanos criaram um perigoso inimigo dentro de suas próprias fronteiras. Quando a opressão se tornou insustentável, os godos se revoltaram, eventualmente matando o imperador Valente do Império do Oriente durante a Batalha de Adrianópolis em 378 d.C. Chocados, os romanos negociaram uma frágil trégua com os bárbaros, que terminou em 410, quando o rei godo Alarico se dirigiu para o Ocidente e saqueou Roma. Com o Império do Ocidente enfraquecido, tribos germânicas como os vândalos e os saxões puderam cruzar as fronteiras e ocupar a Britânia, Espanha e o Norte da África.

 

Cristianismo e a perda de valores tradicionais 

O declínio de Roma coincide com a expansão do Cristianismo e alguns defendem que a ascensão de uma nova fé contribuiu para a queda do império. O Édito de Milão legalizou o Cristianismo em 313, que se tornaria a religião oficial do Estado em 380. Esses decretos encerraram anos de perseguição, mas também erodiram o sistema tradicional de valores romanos. O Cristianismo depôs a religião politeísta romana, que dava ao imperador status divino, e desviou o foco da glória do estado para uma divindade única. Enquanto isso, papas e outros líderes da Igreja assumiram papéis mais importantes na política, complicando a governança. O historiador do século XVIII Edward Gibbon foi o maior difusor dessa teoria, mas desde então sua visão tem sido amplamente criticada. Enquanto a propagação do Cristianismo pode ter tido um pequeno papel na inibição da virtude cívica romana, muitos estudiosos agora defendem que sua influência empalidece quando comparada aos fatores militares, administrativos e econômicos.

 

Enfraquecimentos das legiões romanas 

Na maior parte de sua história, o poderio militar romano era invejado pelo resto do mundo antigo. Mas durante seu declínio, a imagem das outrora poderosas legiões começou a mudar. Incapaz de recrutar soldados suficientes de cidadania romana, imperadores como Diocleciano e Constantino começaram a contratar mercenários estrangeiros para engrossar suas fileiras. As legiões, eventualmente, se encheram de germânicos godos e outros bárbaros, tanto assim que os romanos começaram a usar a palavra em latim "barbarus" no lugar de "soldado". Enquanto esses soldados provaram ser guerreiros ferozes, ao mesmo tempo não tinham lealdade ao Império e seus oficiais sedentos por poder muitas vezes se voltavam contra seus empregadores romanos. De fato, muitos dos bárbaros que saquearam a cidade de Roma e derrubaram o Império do Ocidente conquistaram suas patentes militares enquanto serviam em legiões romanas.

 


FONTE: Evan Andrews
IMAGEM: Shutterstock

 

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Cleópatra se suicida

Cleópatra, rainha do Egito e amante de Júlio César e Marco Antonio, tira sua própria vida, após a derrota de suas tropas contra Otaviano, o futuro primeiro imperador de Roma.

 

Cleópatra, nascida em 69 a.C., tornou-se Cleópatra VII, rainha do Egito, após a morte de seu pai, Ptolomeu XII, em 51 a.C. Seu irmão se tornou Ptolomeu XIII na mesma época, e os dois irmãos governaram o Egito sob o título formal de marido e mulher. Cleópatra e Ptolomeu eram membros da dinastia macedônia, que dominou o Egito desde a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C. Embora Cleópatra não tivesse nenhum sangue egípcio, aprendeu sozinha, em sua residência real, a língua. Para aumentar sua influência sobre a população egípcia, ela também foi proclamada filha de Rá, o deus do sol egípcio. Cleópatra logo entrou em uma disputa com seu irmão e uma guerra civil eclodiu em 48 a.C.

 

Roma, a maior potência do mundo ocidental, também era assolada por uma guerra civil na época. Exatamente quando Cleópatra estava preparando um ataque contra seu irmão com um grande exército árabe, a guerra civil em Roma se alastrou ao Egito. Pompeu derrotou Júlio César na Grécia, fugiu para o Egito, à procura de abrigo, mas foi rapidamente morto pelos agentes de Ptolomeu XIII. César chegou a Alexandria logo em seguida e, encontrando seu inimigo morto, decidiu restaurar a ordem no Egito.

 

No século anterior, Roma havia exercido um controle cada vez maior sobre o reino egípcio, e Cleópatra procurou dar seguimento às suas metas políticas ao ganhar a ajuda de Júlio César. Ela viajou ao palácio real em Alexandria e foi supostamente carregada até Júlio César enrolada em um tapete, que foi oferecido como um presente. Bonita e sedutora, Cleópatra cativou o poderoso líder romano, e ele concordou em intervir na guerra civil egípcia a seu favor.

 

Em 47 a.C., Ptolomeu XIII foi assassinado após uma derrota contra as forças de Júlio César, e Cleópatra se tornou dupla governante ao lado de outro irmão, Ptolomeu XIV. Júlio César e Cleópatra passaram várias semanas amorosas juntos, e então César partiu para a Ásia Menor, onde declarou “Veni, vidi, vici” (Vim, vi, venci), após ter dado fim a uma rebelião. Em junho de 47 a.C., Cleópatra deu à luz um filho, o qual ela alegou ser de Júlio César e o chamou de Cesário, significando “pequeno César”.

 

Após o retorno triunfante de Júlio César a Roma, Cleópatra e Cesário se juntaram a ele. Sob os auspícios da negociação de um tratado com Roma, Cleópatra viveu de forma discreta em uma vila de propriedade de Júlio César fora da capital. Após este ser assassinado em março de 44 a.C., ela retornou ao Egito. Logo depois, Ptolomeu XIV morreu possivelmente envenenado por Cleópatra, e a rainha fez de seu filho o co-governante com ela sob o nome de Ptolomeu XV Caesar.

 

Com o assassinato de Júlio César, Roma entrou novamente em uma guerra civil, que foi temporariamente solucionada, em 43 a.C., com a criação de um segundo triunvirato, formado por Otaviano, o sobrinho-neto de Júlio César e herdeiro escolhido; Marco Antônio, um general poderoso; e Lépido, um estadista romano. Marco Antônio ficou responsável pela administração das províncias orientais do Império Romano e convocou Cleópatra a Tarso, na Ásia Menor, para responder às acusações de que ela teria ajudado o inimigo.

 

Cleópatra tentou seduzir Marco Antônio, como havia feito com Júlio César anteriormente. Em 41 a.C., ela chegou a Tarso em uma linda embarcação, vestida de Vênus, a deusa romana do amor. Bem-sucedida nos seus esforços, regressou com Marco Antônio a Alexandria, onde eles passaram o inverno em libertinagem. Em 40 a.C., Marco Antônio retornou a Roma e se casou com Octávia, a irmã de Otaviano, em uma tentativa de consertar a aliança com o rei romano. No entanto, o triunvirato continuou a deteriorar. Em 37 a.C., Marco Antônio se separou de Octávia e viajou para o leste, providenciando que Cleópatra se juntasse a ele na Síria. Enquanto estavam separados, Cleópatra lhe havia dado gêmeos, um menino e uma menina. De acordo com os propagandistas de Otaviano, os amantes então se casaram, o que violou as leis romanas que impediam que seus cidadãos se casassem com estrangeiros.

 

A campanha militar desastrosa de Marco Antônio contra Pártia, em 36 a.C. reduziu ainda mais seu prestígio, mas em 34 a.C., ele foi mais bem-sucedido contra a Armênia. Para celebrar a vitória, organizou uma marcha triunfal pelas ruas de Alexandria, na qual ele e Cleópatra sentaram em tronos de ouro e Cesário e seus filhos receberam títulos reais imponentes. Muitos em Roma, motivados por Otaviano, interpretaram o espetáculo como um sinal de que Antônio pretendia entregar o Império Romano a mãos alheias.

 

Após vários anos de tensão e ataques propagandísticos, Otaviano declarou guerra contra Cleópatra e, portanto, também contra Marco Antônio, em 31 a.C. Inimigos de Otaviano ficaram do lado de Marco Antônio, mas os comandantes militares brilhantes de Otaviano tiveram êxitos iniciais. Em 2 de setembro de 31 a.C., as duas frotas se enfrentaram em Áccio, na Grécia. Depois de combates intensos, Cleópatra escapou da batalha e foi em direção ao Egito, com 60 de seus navios. Em seguida, Marco Antônio abriu passagem pela linha inimiga e a seguiu. A frota desmotivada permanecente se rendeu a Otaviano. Uma semana depois, as forças terrestres de Marco Antônio também se renderam.

 

Embora tenham sofrido uma derrota decisiva, demorou quase um ano para que Otaviano alcançasse Alexandria e mais uma vez derrotasse Marco Antônio. Como consequência da batalha, Cleópatra se refugiou em um mausoléu que ela havia encomendado para si mesma. Marco Antônio, informado de que Cleópatra estava morta, feriu-se com sua espada. Antes de morrer, outro mensageiro chegou, dizendo que Cleópatra ainda vivia. Marco Antônio foi levado ao refúgio de Cleópatra, onde morreu após ordená-la a fazer as pazes com Otaviano. Quando o romano triunfante chegou, ela tentou seduzi-lo, mas ele resistiu aos seus charmes. Em vez de cair sob o domínio de Otaviano, Cleópatra se suicidou em 12 de agosto de 30 a.C., possivelmente por uma víbora-áspide, uma cobra egípcia venenosa e símbolo da realeza divina.

 

Otaviano, então, executou seu filho Cesário, anexou o Egito ao Império Romano e usou o tesouro de Cleópatra para pagar seus veteranos. Em 27 a.C., Otaviano se tornou Augusto, o primeiro e provavelmente o mais bem-sucedido de todos os imperadores romanos. Ele levou à frente um Império Romano pacífico, próspero e expansivo até sua morte, em 14 d.C, aos 75 anos.

 


 

Imagem: Reginald Arthur [Domínio público], via Wikimedia Commons

Arquéologos lutam para preservar mosaicos de 2 mil anos na Turquia

Obras de arte decoravam as luxuosas casas na antiga cidade romana de Zeugma, que hoje pertence à Turquia.

Por volta do século 2 a.C., as ricas famílias gregas contratavam artistas para decorar suas luxuosas casas. Os temas variavam de acordo com o gosto e interesse intelectual do proprietário. Quando um hóspede chegava a uma casa dessas, era levado para as salas decoradas antes da bebida e comida serem servidas. A decoração estava também nos quartos, retratando, por exemplo, amantes como Eros e Telete.

Todo esse passado acabou soterrado com o passar dos séculos e, hoje, os arqueólogos trabalham duro para resgatar a história. Em Zeugma, cidade que hoje pertence à Turquia, o governo decidiu construir uma barragem que inundaria boa parte do patrimônio cultural e histórico escondido debaixo da terra. Os cientistas correram para salvar as relíquias. Entre elas, os famosos mosaicos de vidro da época do Império Romano.



Zeugma tem uma história que remonta ao século 3 a.C, quando era uma cidade grega chamada Seleucia. Em 64 a.C., os romanos conquistaram e rebatizaram a cidade, que passou a se chamar Zeugma, que significa ponte ou passagem em grego antigo. Por séculos, Zeugma foi uma das mais importantes cidades do império romano oriental, graças a sua localização – fronteira entre o mundo greco-romano e o império persa.

Quando o império romano entrou em decadência em 253 d.C., Zeugma também se enfraqueceu e foi tomada pelos persas. Por mais de 1 mil anos, a história das ricas famílias locais foi completamente esquecida e literalmente soterrada.



“Os mosaicos coloridos eram parte integrante das casas, retratando várias figuras mitológicas como deuses, deusas e heróis antigos. Eles eram um produto da imaginação e não simplesmente escolhidos de um catálogo de arte”, explica o professor Kutalmış Görkay, da Universidade de Ankara, que coordena as escavações na cidade.


Fonte: My Modern Met
Imagens: Ankara University

21.Abr.0753

Fundação da cidade de Roma

Em 21 de abril de 753 a.C., foi fundada, às margens do rio Tibre, uma cidade que dominou a Europa durante séculos: Roma. Localizada ao sul da Europa, na Península Itálica, foi a antiga capital do Império Romano e é, hoje, capital do estado moderno da Itália. Inicialmente, a cidade não teve grande importância: era mais um porto da rota costeira do sal, mas, sob o domínio de reis de origem etrusca, como Tarquínio, o Soberbo, foram realizadas campanhas expansionistas que permitiram o controle do Lácio (região da Itália Central). Durante o século II a.C., houve um grande avanço no desenvolvimento de cidades romanas. Foram construídos os primeiros aquedutos dignos desse nome (em Roma, o terceiro aqueduto da cidade e o primeiro moderno, chamado Márcia, foi criado antes de 144 a.C.) e foram feitas diversas obras, como a rede de esgoto romana, as ruas pavimentadas, os edifícios, etc.


Imagem: S.Borisov/Shutterstock.com

 

IMPÉRIO ROMANO

O Império Romano é conhecido como um dos mais poderosos que já governou a Terra. Mas a extensão de sua engenhosidade, ambição e escala parece impossível. Um imperador ambicioso construiu um muro colossalabrangendo uma nação inteira, enquanto outro construiu uma sala giratórialuxuosa que ficaria bem adequada no Bellagio. Nós examinaremos textos antigos que revelam extraordinárias tecnologias romanas tal como um lançador de flechas puxado por cavalos e a incrível tecnologia por trás dos anfiteatros romanos. Nesse episódio você vai conhecer o verdadeiro poder de Roma.

O Império Romano é conhecido como um dos mais poderosos que já governou a Terra. Mas a extensão de sua engenhosidade, ambição e escala parece impossível. Um imperador ambicioso construiu um muro colossalabrangendo uma nação inteira, enquanto outro construiu uma sala giratórialuxuosa que ficaria bem adequada no Bellagio. Nós examinaremos textos antigos que revelam extraordinárias tecnologias romanas tal como um lançador de flechas puxado por cavalos e a incrível tecnologia por trás dos anfiteatros romanos. Nesse episódio você vai conhecer o verdadeiro poder de Roma.