HISTÓRIA
República Bolivariana de Venezuela:
VENEZUELA: PRAIAS, PETRÓLEO E REVOLUÇÕES

Todo mundo fica deslumbrado ao descobrir a Venezuela, tal como ocorreu com Cristóvão Colombo quando desembarcou pela primeira vez no continente americano. Percorrer seu litoral ou adentrar sua planície é como atravessar uma história de revoltas e heróis, tal como fez Simón Bolívar, e pisar o solo em que ele sonhou com uma América unida. Este mesmo solo de onde brotou o petróleo que mudaria sua história. Uma história que até hoje é escrita com agitação, veemência e a alegria de um povo que luta por um futuro próspero.
O DESEMBARQUE DE CRISTÓVÃO COLOMBO
A presença de povos da era paleolítica em território venezuelano remonta, pelo menos, do ano 5.000 AC. As primeiras tribos com certo desenvolvimento cultural foram os chibchas na região central, os arauaques na amazônia, os timotes huicas na região dos Andes e os carijós, no litoral.
O contato com os europeus deu-se a partir da terceira viagem de Cristóvão Colombo à América no ano de 1498. O descobridor da América pisou pela primeira vez em terra firme no continente na Venezuela. Em seguida subiu o Orinoco e, em sua volta, explorou desde o litoral até Isla Margarita. A primeira expedição que explorou a Venezuela estava a cargo de Alonso de Ojeda, um ano depois da chegada de Colombo. Uma das hipóteses acerca da origem do nome da Venezuela é a de que, Ojeda após sua viagem e tão impressionado com as casas dos índios construídas no meio da água, lembrou-se da cidade de Veneza, portanto teria batizado aquela terra como “Venezuela”, ou seja, uma pequena Veneza.
Após vencer a resistência dos grupos indígenas, muitas vezes feroz, os espanhóis criaram em 1501 a Governadoria de Coquibacoa, que foi mudando de nome e extensão até transformar-se, em 1717, em parte do Vice-Reinado de Nova Granada, juntamente com os territórios da Colômbia, Equador, Panamá e parte do Brasil e Peru.
Em 1528 o rei espanhol Carlos V fez um acordo com banqueiros alemães sobre a conquista e exploração destas terras. Os alemães chegaram ao povoado de Coro em 1529, levados por Ambrosio Alfinger, tido como um dos conquistadores mais cruéis daquela época. Fundaram em seguida, um assentamento em Maracaibo, depois de uma série de batalhas sangrentas contra os Coquivacoas, índios da região. Batizaram o assentamento Nova Nuremberg, nome que os espanhóis mudaram para Maracaibo quando os alemães abandonaram a Venezuela devido ao cancelamento dos acordos com a Coroa espanhola.
No fim do século XVI, com o começo da exploração do ouro, a escravidão foi introduzida; primeiro com indígenas nativos e logo depois, com negros africanos. Porém a atividade não chegou a ter muita relevância se comparada com a exploração de ouro e prata que os europeus conseguiam em outros Vice-Reinados. A principal atividade venezuelana era a pecuária.
A ERA BOLIVARIANA E A BUSCA PELA INDEPENDÊNCIA
Em 1742 o país conseguiu por primeira vez sua autonomia como Capitania Geral da Venezuela. Durante o período colonial, passou por numerosas rebeliões indígenas, entre as quais destaca-se a insurreição do cacique Guaicapurom, e constantes ataques de corsários ingleses interessados em abastecer-se no litoral de suas cidades e depredar suas riquezas.
A primeira tentativa de independência foi liderada pelo escravo negro José Leonardo Chirino em 1795, porém sua proclamação republicana foi prontamente aplacada pelos exércitos realistas. O intelectual crioulo Francisco de Miranda tentou dois outros levantes independistas em 1806. As expedições militares partiram do Haiti e foram lideradas por Miranda. Apesar de contarem com o apoio dos britânicos, resultaram em fracasso devido à pronta reação das tropas espanholas.
Em 19 de Abril de 1810, os crioulos caraquenhos destituíram o governador espanhol e proclamaram um governo independente sob o comando de Miranda. A primeira república terminou em Julho de 1812, quando o governo patriota rendeu-se diante das tropas espanholas.
Em 1813 o militar Simón Bolívar retornou do exílio em Curaçao comandando um contingente de tropas e conseguiu libertar Caracas após uma árdua campanha militar. A Segunda República caiu devido a uma rebelião de grupos realistas locais em Agosto de 1814. Bolívar voltaria à Venezuela no final de 1815. Com algumas centenas de homens que havia conseguido reunir durante seu exílio em terras haitianas, desembarcou na Ilha Margarita e a livrou da presença espanhola. Ao pisar em terra firme, sofreu uma grande derrota. Regressou no ano seguinte com um novo exército patriota e conseguiu avançar por terra com o crescente apoio da população local. Nos anos posteriores, as forças independistas conseguiriam avanços constantes sob a liderança de Bolívar. A batalha decisiva foi travada em Carabobo em 24 de Junho de 1824. O triunfo patriota destruiu o último exército realista no norte da América do Sul e após a batalha naval do Lago de Maracaibo em 1823, o poderio espanhol foi totalmente banido.
UMA GUERRA CIVIL E UMA FEDERAL
A Venezuela passou a fazer parte da Grande Colômbia, o grande estado que englobava os territórios da Colômbia, Equador e Panamá.
Em meados de 1820 começaram a entrar em ação na Venezuela os movimentos separatistas, em princípio divididos em dois grupos: os seguidores do líder José Antonio Páez e os de Bolívar. Ambos os grupos queriam a independência do governo de Bogotá. Logo após Páez ser suspenso de seu cargo pelo governo central, por “extrapolar suas funções”, o movimento “La Cosiata” foi criado, e Páez foi nomeado como Chefe de Departamento da Venezuela.
Para evitar aprofundar ainda mais o conflito, o que poderia haver resultado numa guerra civil, Bolívar confirmou Páez em seu cargo e reconheceu seu poder, em seguida instalando-se em Bogotá onde um grupo radical tentou assassiná-lo. No ano seguinte, uma assembléia popular decidiu não reconhecer a autoridade de Bolívar, com a intenção de conseguir a separar-se da Colômbia.
Em 1830, Bolívar fez seu último esforço para unir a Grande Colômbia: convocou um Congresso Constituinte, liderado por Sucre. A Constituição redigida foi aceita pela Venezuela. Bolívar renunciou ao cargo de Presidente da Grande Colômbia e morreu no mes de Dezembro. Sucre havia sido recentemente assassinado.
Em Abril de 1831, um grupo de independistas conservadores liderados por Páez declarou a separação da Venezuela. Nos anos seguintes, o país experimentou um período de auge e relativa calma política. Porém, poucas décadas depois, o país encontrava-se marcado por conflitos entre liberais e conservadores, disputas que terminaram na conhecida Guerra Federal.
Os liberais baseavam seus idéias nos princípios de liberdade e igualdade, enquanto os conservadores pretendiam manter intacta a ordem social vigente desde a época da colônia, o que implicava, entre outras coisas, na escravidão. O triunfo dos liberais foi coroado com a nomeação de Juan Crisóstomo Falcón como Presidente da República e a assinatura do Tratado de Coche em 1863, que pôs um ponto final nas hostilidades. Logo depois da guerra, os liberais e conservadores se alternaram no poder por mais de duas décadas.
Em 1899 o levante militar conhecido como Revolução Azul, liderada por Cipriano Castro, ocorreu, o que fez com que o então Presidente Ignacio Andrade ascendesse ao poder.
O COMEÇO DA ERA DO PETRÓLEO
Em 1808 o Vice-presidente Juan Vicente Gomez, amigo pessoal e parente do Presidente Castro, dá um golpe de estado e ascende ao poder, que não abandonaria até sua morte em 1936.
A partir da década de 1910, o país se transforma, a partir do início da exploração dos imensos campos de petróleo venezuelanos. Ao mesmo tempo em que a chegada de milhões de estrangeiros atraídos pela abundância da riqueza ocorre, entra em andamento uma reforma institucional que ampliou as liberdades públicas, é criado um Exército profissional e uma estrutura de governo centralizada. Tudo isto ajudou a manter o equilíbrio do país diante da drástica transformação originada pela renda gerada pela indústria petroleira.
Em 1945 outro golpe militar aconteceu, desta vez, levado a cabo por partidos da oposição apoiados pelos militares, e instaurou-se a chamada Junta Revolucionária do Governo, formada por quatro civis e dois militares. Dois anos depois celebram-se as eleições legislativas, mediante o voto secreto, direto e universal, nas quais sai vencedor o Partido da Ação Democrática, que convocou eleições presidenciais. Destas eleições, sai ganhador Rómulo Gallegos, que seria derrubado pelos militares em poucos meses de governo.
No começo dos anos 50, logo após sucessivos golpes e governos democráticos de pouca representatividade, o general Marcos Pérez Jiménez chega ao poder, um líder populista que governou de 1952 a 1958 por meio de grupos para-militares, discursos cheios de demagogia e a perseguição de opositores. Simultaneamente impulsionou um forte projeto de construção e investimento em infraestrutura.
Em 1958, Pérez Jiménez foi derrotado por uma revolta popular e uma Junta de Governo encarregou-se da transição. Esta Junta de Governo impôs o chamado Plano de Emergência, através do qual pagavam um salário e davam emprego a todos os trabalhadores e camponese que buscassem.
Começou um período político em que os tres partidos maioritarios se alternam no poder até 1989.
O “CARACAZO” E O SOCIALISMO DO SÉCULO XXI
Em Fevereiro de 1989 aconteceu o “Caracazo”, uma revolta massiva dos setores urbanos contra as políticas de ajuste do presidente Carlos Andrés Pérez. A utilização de políticas liberais no intento de frear a recorrente crise econômica venezuelana teve como consequência uma década de instabilidade e risco de uma revolta social. Em 1998, o nacionalista Hugo Chávez Frías triunfa nas eleições presidenciais, um ex-militar que havia ganho notoriedade em Fevereiro de 1992 ao liderar uma rebelião contra o Presidente Rafael Caldera. Depois de dois anos encarcerado, foi beneficiado por uma anistia presidencial.
Desde o momento em que assumiu o poder, Chávez começou a implementar medidas de corte nacionalista e adotar uma postura de claro confronto com os Estados Unidos. Ademais, aproximou-se do regime socialista cubano e daqueles governos em confronto com a super-potência norte americana. O “Socialismo do Século XXI”, como chama o Chefe venezuelano a seu programa de reformas, aconteceu com uma nítida intenção de hegemonizar o cenário político, respaldado com o apoio recebido pelas camadas mais populares, mais favorecidas por suas medidas.
Em 11 de Abril de 2002, um grupo de empresários e militares conseguiu tirá-lo do poder por algumas horas, fazendo-o refém. Porém a reação de seus seguidores fez com que o golpe fracassasse diante da certeza que a tensão acabaria terminando em uma guerra civil. O ex-militar voltou ao poder nas eleições seguintes por uma ampla margem de votos e aprofundou ainda mais o processo de reformas com a intenção de transformar o sistema político venezuelano numa variante moderna de socialismo.
PRAIAS, PETRÓLEO E REVOLUÇÕES”
GEOGRAFIA E CLIMA
A Venezuela se divide em regiões extremamente diferentes em sua topografia e clima. A região costeira e os grupos das ilhas, contam com um clima tropical influenciado pelas temperaturas elevadas e pela umidade trazida pelo oceano. A desembocadura do Orinoco está repleta de terrenos pantanosos e zonas úmidas. Do lado sul, encontra-se uma série de planaltos de clima temperado com grandes extensões de pastos verdes, intercalados por montanhas de média altitude. Os Llanos, planície que vem desde o interior do território colombiano, é uma região subtropical que conta com duas estações bem marcadas pelas chuvas intensas e secas prolongadas. Os Andes venezuelanos estão compostos por maciços montanhosos da serra de Perijá, a cordilheira de Mérida. Possue um clima temperado que se torna mais agreste a medida em que ganha altura. A região da Guiana venezuelana está coberta por uma espessa vegetação e amplos pastos. Apresenta um clima tropical úmido.
ECONOMIA
A Venezuela é uma nação que desde a década de 30 depende quase por completo da produção e exportação de petróleo. É o sexto maior produtor na escala mundial e principal dentro da América. A dedicação quase exclusiva ao setor teve consequências ao longo do tempo: quase toda a estrutura econômica do país foi criada em função da produção de petróleo e sua renda dependeu deste comércio por muito tempo. Em consequência, houve uma lentidão no desenvolvimento de outros ramos da indústria o que ocasionou o desaparecimento de muitos outros setores que haviam demonstrado potencial, antes do boom do petróleo. A variação do preço do petróleo transformou a Venezuela numa nação cuja saúde econômica depende quase exclusivamente de fatores externos.
A riqueza econômica foi controlada por muito tempo por uma elite empresarial e política pouco numerosa e com escasso interesse em gerar um plano de desenvolvimento que utilizasse a grande quantidade de divisas que ingressavam no país para estimular o crescimento em outros setores. O aumento da corrupção e as tensões provocadas pela desigualdade de renda fizeram com que o governo populista e nacionalista de Hugo Chávez chegasse ao poder, pondo em prática uma profunda transformação econômica com traços socialistas de grande aceitação por parte das classes populares. No momento a economia Venezuelana mostra um crescente nível de envolvimento estatal e a interligação dos setores produtivos está totalmente dirigida em função das necessidades do estado. Apesar de seguir praticando o capitalismo, a prática do “Socialismo do século XXI” vem acarretando uma mudança na distribuição da renda e um crescente interesse do estado em fiscalizar os fluxos econômicos e de consumo.
Além do petróleo, a Venezuela exporta produtos agrícolas, aço, cimento e recebe uma renda considerável do turismo.
FATORES HUMANOS
A sociedade venezuelana é produto de sucessivas correntes migratórias, mesclada com os habitantes originais da região. Desde os tempos coloniais, chegaram à Venezuela múltiplos contingentes de europeus e africanos, alimentando as numerosas comunidades utilizadas como mão de obra escrava para a exploração das riquezas naturais. Conta ainda com 200.000 habitantes indígenas, a maioria vivendo em cidades do interior. O auge da exploração do petróleo, a década de 30 atraiu a chegada de cerca de um milhão de estrangeiros, a marioria vinda da Itália, Espanha, Alemanha, China e países limítrofes.
A Venezuela tem uma das maiores populações urbanas do continente. Cerca de 95% dos habitantes vivem nas grandes cidades do país. A maioria dos venezuelanos é de religião católica apostólica romana, apesar de existirem representativas comunidades evangélicas, judias, muçulmanas, hindus e protestantes em seu território. No interior do país ainda é possível encontrar grupos étnicos que praticam formas variadas de animismo pré-colombiano.
O idioma oficial da Venezuela é o espanhol, mas a legislação mais recente reconheceu a existência de 25 línguas aborígenes como o pemón, o warao e o wayuú. O uso do inglês como segunda língua encontra-se bastante difundido como consequência do seu uso no mercado petrolero, tanto como meio de comunicação entre os trabalhadores estrangeiros vivendo na Venezuela, como para comunicação com outros países com quem negociam petróleo.
CULTURA
A cultura venezuelana é produto das influências aborígene, da influência colonial e das diferentes correntes migratórias. É também facilmente identificável a importante influência dos diversos grupos descentes de africanos. Desde a década de 40, a cultura venezuelana começou a experimentar a inevitável influência da cultura norte americana, que chegava ao país através da população que trabalhava na indústria petrolera. Deste modo, a Venezuela expressa um curioso sincretismo de várias correntes migratórias em sua maneira de vestir, sua música, artes e esportes.
O estilo musical mais expressivo da Venezuela é o “Joropo”, uma combinação de dança e rítmos alegres. A música caribenha, especialmente o merengue, a salsa e a cumbia fazem parte do gosto das classes populares. O rock, o reggaton, o hip hop e outras manifestações culturais norte americana, tem em outras classes mais adesão que os tradicionais rítmos venezuelanos.
A cerâmica e a cestaria venezuelana mantém intacta a habilidade desenvolvidas por povos locais, séculos atras. Nos mercados de artesanato é possível encontrar peças interessantes por preços bastante econômicos.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Caracas 10°30′21″N 66°54′52″O
Santiago León de Caracas foi fundada em 1567 pelo espanhol Diego de Lozada. Foi durante séculos o centro político e econômico da Venezuela. Foi frequentemente invadida por corsários, motivo pelo qual foi fortificada logo após sua fundação. A defesa não impediu que fosse saqueada em 1595 pelo pirata inglês Amias Preston. Foi em Caracas que a revolta independista de 1810 aconteceu. A cidade conserva muitos de seus palácios, que relatam sua rica e turbulenta história. O Palácio Federal Legislativo, com sua imponente cúpula central coberta de bronze e o Palácio Municipal são exemplos magnificamente conservados da arquitetura de Caracas. A poucos metros da Praça Simón Bolívar encontra-se, totalmente preservada, a casa do libertador e dentro dela, atualmente convertida em museu, vários objetos que pertenceram a seu dono. Em Caracas também encontra-se o Hotel Humboldt, uma construção de enigmático passado desenhada com propósitos turísticos e militares pouco conhecidos.
Maracaibo 10°38′26″N 71°36′06″O
O nome Maracaibo sempre foi associado aos relatos dos corsários. Desde sua fundação em 1529 a cidade foi objeto de diversos ataques piratas, interessados nas riquezas e provisões que podiam ser obtidas em Maracaibo. Em sua costa, defrontaram-se as frotas nacionais e espanholas, durante a batalha do Lago de Maracaibo, onde venceram os independistas e com sua vitória, destruíram o último bastião real da região. Em 1823 foi palco da batalha de Tablazo, a última travada em território venezuelano. A cidade conserva construções coloniais como o Palácio Legislativo e a Casa de Morales, lugar onde foi assinada a capitulação definitiva dos espanhóis na Venezuela.
Mérida 8°35'25"N 71°10'35"O
A cidade de Santiago dos Cavaleiros de Mérida conserva intactos suas construções e ruas coloniais. Fundada em 1558, foi por muitos anos um ativo centro de comércio e protagonista do processo de independência do norte da América do Sul. A Casa dos Antigos Governadores e a Catedral de Mérida (uma réplica da Catedral de Granada) são exemplos dos edifícios herdados do tempo do domínio espanhol. Também interessante é a Praça dos Touros da cidade, que apesar de construída em 1967, refleta a paixão centenária de seus habitantes pela tourada. Em fevereiro de cada ano, a Feira do Sol é organizada, e o público prestigia em massa as corridas de touros e outros festivais culturais.
Colonia Tovar 10°25′N 67°17′O
Em 1843 um grupo de imigrantes alemães do estado de Baden chegou à Tovar, então remota localidade do estado de Aragua, para formar uma colônia. A ausência de estradas e o isolamento cultural deu início à uma cultura própria. Obrigados por regras auto impostas a não misturarem-se com outras raças até 1940, os habitantes de Tovar constituem uma comunidade homogênea e etnicamente consistente. O povoado possue inclusive dialeto próprio, o alemão Tovar, que mescla palavras germânicas, expressões do dialeto badischen e espanhol. Neste lugar encontra-se uma arquitetura única e costumes ancestrais que fortemente resistiram à influência externa. No mês de outubro, milhares de pessoas viajam até Tovar, para celebrar o Oktoberfest.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
A Venezuela encontra-se em comunicação com o resto do mundo através de vôos de inúmeras companhias. Também possui uma extensa rede de vôos domésticos operada por pequenas companhias de relativo baixo custo.
Os grandes centros petroleiros em torno do Orinoco, Caracas e suas cidades satélites possuem estradas modernas. Fora deste circuito as estradas são menos desenvolvidas e inclusive no interior, muitas localidades encontram-se unidas por estradas sem asfalto e de difícil trânsito em épocas de chuva.
Para viajar pela Venezuela pode-se utilizar do serviço de ônibus, de certa qualidade em Caracas, porém de grande precariedade e com segurança rudimentar nas localidades mais remotas. Os venezuelanos tem um temperamento bastante rude na direção, tanto nas estradas, como nas cidades.
O visitante deve acostumar-se rápido às ruas engarrafadas onde percorrer uns poucos kilômetros pode levar horas. Os problemas de trânsito são tão comuns que os moradores locais apenas prometem chegar em determinado lugar com tempo em aberto, caso tenham que encarrar o trânsito infernal da cidade. O custo de um galão de gasolina na Venezuela é de 5 centavos de dólar, portanto fazer percusos mínimos de carro transformou-se num hábito nacional para os venezuelanos e principal motivo dos engarrafamentos cotidianos.
A Venezuela possui muito poucas localidades conectadas por trem. Alugar carro é a opção mais interessante e barata, principalmente no caso de viagem ao interior do país.
GASTRONOMIA
Pabellón criollo
O Pabellón Criollo é o prato nacional crioulo venezuelano. Consiste de uma fatia grossa de carne de boi, refogada com ervas e temperada com cebola, alho, aipo e coentro. Depois de esfriar, é misturada à um tempero de cebola e pimentão. O prato é servido acompanhado de arroz, banana caramelada, queijo branco ralado sobre feijão preto cozido (grão da espécie Phaseolus vulgaris). (Dicas: os vegetarianos podem disfrutar do Pabellón Criollo preparado com beringela. Cada lugar do interior da Venezuela tem sua própria variedade do prato. Na costa, a carne de boi pode ser substituída por peixe)
Arepa
O turista poderá provar uma Arepa em qualquer lugar da Venezuela. Trata-se de um crepe de farinha de milho ou trigo, cozido em um frigideira quente ou frita à óleo. Serve-se recheadas com diferentes tipos de carnes, frios, frutas ou verdura (Dicas: existem inúmeras variedades industriais pré- cozidas de Arepa. Entretanto é preferível visitar os lugares onde são preparadas na hora, para experimentar o sabor original.)
Hallacas
A Hallaca é um preparado de diferentes ingredientes servidos enrolados numa folha de bananeira. O componente principal do recheio é uma massa de milho, previamente cozida com azeite, limão, vinho Moscatel, carne de boi e frango, ervas, azeitona, cebola e alho. Uma vez dentro da folha de bananeira, leva-se a uma fervura rápida. A Hallaca é servida com uma massa preparada com toucinho frito na manteiga, milho moído, caldo de frango e sementes de urucum. Antigamente era um prato tradicional de Natal, mas hoje em dia pode ser encontrado em qualquer restaurante venezuelano.
Parrilla venezuelana
A carne produzida nas planícies venezuelanas caracteriza-se por sua qualidade e sabor. Utiliza-se para preparar o churrasco crioulo, onde é assada em braza, tanto carne de boi como costela de porco, frango e morcela. Em algumas regiões é conhecida como Carne em Vara, e preparada com os cortes mais macios de novilho. Cortada em fatias e depois colocada em pedaços de madeira, são assados na braza. No momento de servir, é acompanhada por aipim, guasacaca e banana verde assadas na mesma braza. (Dicas: o churrasco preparado na casa dos venezuelanos é parte de um ritual de amizade que requer tempo para ser preparado e onde os convidados aproveitam o tempo para conversar. Caso seja convidado para um churrasco, evite marcar qualquer outro compromisso)
Bebidas típicas
Rum
Ainda que não seja uma bebida originária da Venezuela, o rum é parte da tradição local. É preparado a partir do destilado do fermento da cana de açúcar. Adquire sua coloração após descansar em barris de carvalho. As marcas mais conhecidas de rum venezuelano são Cacique e Diplomático. (Dicas: o bebedor costumaz de rum cria boa resistência à bebida, portanto não é aconselhável competir com um venezuelano na hora de beber rum)
DICAS E CURIOSIDADES
• A Venezuela não exige visto aos turistas procedentes dos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália, Argentina, Chile, Costa Rica, México, Uruguai e Paraguai. Tampouco é exigido dos cidadãos gregos. O restante deve solicitar um visto nas embaixadas venezuelanas
• O sistema elétrico na Venezuela é de 110 Volts.
• Caracas e outras grandes cidades sofrem de um grande índice de delinquência, portanto devem ser tomadas precauções em lugares públicos e guardar valores e documentos em lugar seguro. É também recomendado utilizar serviços de rádio taxi registrados em hotel ou recomendados por agências de viagem.
• Recomenda-se evitar beber água do sistema público. Em regiões florestais e na costa existem risco de malária, cólera, hepatitis e meningite.
• Os venezuelanos gostam do contato com os turistas e é possível encontrar muitas pessoas que dominam inglês e outros idiomas.
• A região da fronteira com a Colômbia registra altos índices de violência. É preferível evitar destinos turísticos nesta região.
• A Venezuela encontra-se em uma região de atividades sísmicas portanto o risco de terremoto é constante. Outros acidentes naturais podem incluir o deslizamento de terra logo após a temporada de chuva. Na região amazônica, existem espécies perigosas ao homem, como cobras venenosas, insetos e a possível presença de felinos de grande porte e cobras constritoras.