HISTÓRIA
Republica de Turquía:
TURQUIA: UM PAÍS, DOIS MUNDOS

A história da Turquia é inseparável de sua geografia: localizada entre a Ásia e a Europa, foi uma terra ambicionada e disputada por séculos. Esta milenária sede de impérios reúne em seu território, as mais diversas influências culturais, religiosas e sociais. De essência muçulmana e natureza guerreira, a Turquia é um território que passou por inúmeras disputas e onde duas culturas vivem ao mesmo tempo, representando a ligação que une e, ao mesmo tempo, separa, dois continentes.
DE TROIA À CHEGADA DOS MUÇULMANOS
Segundo descobertas feitas em sítios arqueológicos em Mersin, Hacilar, Çatalhöyük e Göbekli, a Turquia possui os indícios de presença humana mais antigos do mundo que datam aproximadamente, de 70.000 anos atrás. A partir do século 30 AC começou o desenvolvimento da cidade de Troia, que seria destruída em 1.250 AC, pelos gregos
aqueus. Um século depois, a Turquia era palco do renascimento da civilização Hitita, (da qual Troia era parte) e que, nos séculos seguintes, transformaría-se numa das maiores potências da região. Após a derrota de Troia, os Gregos estabeleceram-se em Anatólia. No século VII foram desalojados pelos Persas e, em seguida, expulsos por Alexandre, O Grande, em torno de 327 A.C.
O território turco caiu sob o poder do Império Romano a partir do século I AC. Naquele tempo, já havia sido iniciada na Turquia a conversão ao cristianismo, por ordem de São Paulo. Em 324 D.C, o imperador Constantino transferiu a capital romana a Bizâncio, que passou a chamar-se Nova Roma e, em seguida, Constantinopla. Depois da morte do imperador Teodósio I, Constantinopla passou a ser a capital do Império Bizantino, nação surgida da divisão dos territórios orientais do Império Romano.
Depois da consolidação do poder muçulmano, em 1288 nasce o Império Otomano que em pouco tempo se tornaria a maior potência islâmica da Europa nos anos seguintes.
No ano 636 D.C, as forças muçulmanas árabes começaram a avançar sobre a Turquia. Após anos de batalhas e assédios, em 718 D.C, os muçulmanos finalmente, conseguiram tomar a cidade de Constantinopla. A conquista da principal cidade turca deu início ao começo da islamização da região, que resistiu longas campanhas dos cristãos para retomá-la.
Consolidado o poder muçulmano, em 1288 nasceu o Império Otomano, que viria a transformar-se na principal potência islâmica da Europa nos anos seguintes.
Em 1453, o sultão Mehmet II conquistou Constantinopla e rebatizou a cidade com o nome de Istambul. A partir daí, os muçulmanos ampliaram seu império, extendendo-se por toda a Península Árabe, no noroeste africano, Argélia, Iraque e Budapeste.
O IMPÉRIO OTOMANO
Os Otomanos chegaram a Anatólia (parte asiática da atual Turquia) no século XIII, depois de serem desalojados pela invasão dos Mongóis. O império deve seu nome a Otmán, pai de Orján que havia sido o primeiro governante otomano. A primeira conquista imperial foi a cidade bizantina de Niceia, em 1326. Em seguida, ao longo do século, os otomanos mantiveram sua política de campanhas militares o que lhes permitiu conquistar toda a região dos Bálcãs.
Durante seis séculos, o Império Otomano foi uma potência mundial que entrou no jogo estratégico europeu de alianças e conflitos crônicos. Na parte norte, o crescimento do Império Russo gerou conflito em diversas oportunidades com o Império Otomano , ao mesmo tempo que seus interesses sobre a região árabe, criavam problemas, permanentemente com as potências ocidentais, especialmente a Inglaterra, que fez esforços imensos para desestabilizar os governantes otomanos na região mediante o apoio dos movimentos nacionalistas, que lutavam contra eles.
Em 1854, enfrentaram às forças czaristas, com o apoio dos exércitos franceses e britânicos. Questões vinculadas à comunidade Católica Ortodoxa turca, serviram de desculpa para que a Rússia avançasse sobre a península da Crimeia, território que ambicionavam para obter controle do Mar Negro. Os muçulmanos terminaram vencedores depois de uma sangrenta campanha militar, que custou a vida de duzentos e cinquenta mil homens de ambos os lados.
No estouro da Primeira Guerra Mundial, os otomanos aliaram-se aos alemães e austríacos, decisão que lhes custou um ataque das forças russas, francesas, britânicas e aliadas. O começo da guerra foi vantajoso para os turcos, que em Fevereiro de 1915, conseguiram inflingir grande derrota numa força anfíbia franco-inglesa, que pretendia tomar a península de Gallipoli. A vitória colocou o comandante dos otomanos na batalha, o general turco Mustafá Kemal (conhecido como Atartürk), numa excelente posição política. Porém, o resultado do conflito favoreceu os aliados, que ocuparam o império e o desmembraram, apoderando-se de muitos dos territórios que, anteriormente, eram governados por Istambul.
A TURQUIA MODERNA
A invasão despertou o sentimento nacionalista do povo otomano, que começou uma revolta contra as tropas de ocupação aliadas. Para piorar, as potências vencedoras tinham tido a participação auxiliadora dos gregos, tradicionais adversários turcos. A liderança de Atartük foi fundamental para unir as diferentes facções na luta pela independência. O Tratado de Sèvres, firmado pelo Sultão e as forças aliadas, facilitou a liquidação territorial da Turquia, que devolveu os territórios da Síria, Iraque, Palestina e Arábia. Esta circunstância, naturalmente, foi utilizada pelos nacionalistas do general para acusar a nobreza de traição à pátria.
Em 18 de Setembro de 1822, os turcos conseguiram expulsar os ocupantes e as tropas independentistas concordaram, depois de uma longa etapa de disputas e negociações, com o fim da monarquia. O Tratado de Lausanne, assinado em 24 de Julho de 1923 pelos turcos, gregos e aliados, reconheceu a existência de uma nação independente, com capital em Istambul.
Em 29 de Outubro de 1923, a República da Turquia era proclamada. Nos anos seguintes, um acordo foi feito com a Grécia para tratar da mudança de povoados das respectivas etnias, que viviam em territórios do outro país, a fim de eliminar uma das mais tradicionais fontes geradora de conflito entre as duas nações.
Sob a liderança de Mustafá Kemal Atartük, a Turquia avançou na reconstrução do país e na modernização de suas instituições. Com seu ponto de vista secular, tratou de promover reformas que diminuiram a influência da religião muçulmana na política e na vida social dos habitantes, postura que lhe garantiu uma série de inimigos internos. Entre as medidas mais relembradas de seu governo, encontram-se o outorgamento do direito eleitoral e político às mulheres, em 1923 e a abolição da lei religiosa, em 1924. O primeiro presidente turco governou o país até 1938, quando faleceu debilitado pela cirrose.
Apesar da suspeita da simpatia turca com o Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial, o país manteve sua neutralidade. Declarou guerra à Alemanha, em 23 de Fevereiro de 1945, apenas dois meses antes da queda de Berlim.
O PÓS-GUERRA E OS GOLPES MILITARES
Em 1950, a Turquia retomou a política multi-partidária, depois de várias décadas de regime de com um único partido. Durante as eleições daquele ano, o Partido Democrata saiu vencedor, o que levaría ao início de uma época de grande popularidade, mantida por um forte crescimento econômico e uma política mais tolerante em relação aos direitos individuais, que enfrentavam diversas restrições do Islã.
Durante os anos do pós-guerra, a Turquia foi fiel integrante da coalisão ocidental e, em 1952, transformou-se em mebro da Organização do Atlântico Norte. Seu território foi utilizado como base para os mísseis nucleares da OTAN e tropas turcas participaram da Guerra da Coréia, contra as forças comunistas da Coréia do Norte e da China, apoiadas pelos soviéticos.
Este alinhamento proporcionou ao país uma boa remuneração, paga pelas potências ocidentais. Os mesmos que, em 1974, tiveram que intervir quando os turcos e gregos ameaçaram afundar o sul da Europa numa guerra, por conta das tensões militares entre as comunidades de cada país em Chipre, na qual eram apoiados, militarmente por cada governo, a fim de obter o controle da ilha.
O nacionalismo foi a força que imperou desde a criação do estado turco que ainda lutava contra os partidos islâmicos, pela implantação de um governo religioso. Em 27 de Maio de 1960, após um longo período de crise econômica e instabilidade polítca, um golpe de estado militar ocorreu e tomou o poder por um ano.
Novos golpes de estado, em 1971 e 1980, colocaram em evidência a imaturidade do sistema político turco, que não conseguia reverter a recorrente crise econômica e social do país. A ação de grupos para-militares, conhecidos como “Lobos Cinzentos”, provocou um grande número de vítimas, na tentativa de manter o controle da oposição.
A INTEGRAÇÃO COM A EUROPA
Em 1982, Targut Özal foi eleito para a presidência e o sistema de um único partido foi retomado, desta vez, ocupado pelo Partido da Pátria. Özal deu início a uma profunda série de reformas a fim de liberalizar e modernizar a economia, no objetivo de integrá-la a dos países europeus. Esta mesma estratégia política foi seguida por seus sucessores. Porém, em 1998, quano o presidente Necmettin Erkeban fez algumas concessões aos setores políticos muçulmanos, os militares seculares tiveram que intervir, obrigando o presidente a renunciar. Neste momento a oposição armada dos curdos, que há séculos vivem na região sudeste do país e reclamam por um território próprio, tornou a intensificar-se. A reação do governo turco conseguiu controlar, precariamente, a situação, sem conseguir entretanto que o problema fosse solucionado. A repressão do regime de Sadam Husseim provocou em 1991, uma corrente migratória de milhares de curdos procedentes do Iraque e nova pressão sobre Istambul para a formação de uma pátria curda. Em 2005, a União Européia aprovou a entrada da Turquia a seu grupo, para a felicidade dos modernistas turcos que ansiavam pela integração com a banda continental. O mais importante desafio turco no momento é o de enfrentar a ação de grupos fundamentalistas islâmicos, que consegue, nos grandes setores marginais, um sucesso que os turcos seculares nunca conseguiram alcançar. A exigência por parte dos curdos continua, tanto de forma pacífica como armada, reclamando pela liberdade de seus povoados e territórios.
Turquia: um país, dois mundos ”
GEOGRAFIA E CLIMA
O território turco é dividido por uma parte asiática, que cobre 97% do território, separada do restante da Europa pelo Estreito de Dardanelos. No litoral, predomina o clima temperado com forte influência dos ventos úmidos oceânicos. No interior do país, o terreno montanhoso bloqueia a umidade, criando um clima árido e seco a medida que o terreno se eleva e se afasta da costa.
clima temperado com forte influência dos ventos úmidos oceânicos ”
ECONOMIA
A economia turca caracteriza-se por um capitalismo com forte interferência estatal. O êxito dos programas de reforma econômica deu, ao sistema produtivo turco, um constante crescimento, mantido há décadas, apesar de alguns momentos cíclicos de crise em 1994, 1999 e 2001.
A indústria conseguiu grande desenvolvimento nos setores petroquímico, automotor, de maquinaria industrial, engenharia civil, eletrônica, têxtil, pecuarista e na área siderúrgica. Seu setor agrícola é o principal produtor mundial de avelãs, figo, damasco, cereja, marmelo e romã. Ademais, a Turquia produz melancia, pepino, feijão, beterraba, pimentão, tomate, beringela, chá, maçã, algodão, amêndoas, trigo, centeio e toranja. A mineração está concentrada na extração de carvão, ferro, cobre, cromo, urânio, mercúrio, ouro, magnesita, mármore, argila e boro. O setor de serviços conta com estável desenvolvimento no turismo, telecomunicação e energia.
grande desenvolvimento nos setores petroquímico, automotor, de maquinaria industrial, engenharia civil ”
FATORES HUMANOS
A grande maioria étnica é turca, e representa 75% da população. A primeira minoria são os curdos, habitando na maioria, a região sudeste do país, apesar de muitos haverem mudado para as grandes cidades, onde formaram núcleos importantes. A segunda minoria é composta por etnias caucasianas adiguês, circassianos e cabardinos, representando 5% da população. Em seguida a etnia zaza, que ocupa uma parte importante de Anatólia. O restante é formado por grupos gregos, armênios, suryanos, bósnios, albanêses e georgianos.
Entre os turcos, 98% são muçulmanos, divididos entre 78% sunis e 20% xiitas do ramo alevi. A Turquia ainda conta com uma pequena colônia católica, de ramas apostólica, armênia e ortodoxa grega. Há alguns séculos, uma pequena colônia judáica vive na Turquia.
Apesar do idioma oficial ser o turco, o Estado aceita a existência de outras línguas em seu território. Nas regiões de população curda, o idioma desta comunidade é o utilizado para comunicação, assim como entre os grupos bósnios, zazas e demais.
Nas regiões de população curda, o idioma desta comunidade é o utilizado para comunicação ”
CULTURA
A cultura turca é produto do encontro entre o ocidente e oriente, com sua história rica de influência dos povos que chegaram na região ao longo dos séculos. A arquitetura turca, que combina elementos bizantinos, islâmicos, greco-romanos e racionalistas, reflete com clareza a variedade de correntes que influenciaram na cultura local. Sua construção mais famosa, a Basílica de Santa Sofia de Istambul, é, precisamente, uma justaposição de estilos, que conseguiu obter um resultado magnífico, fruto desta contribuição.
A música turca é também bastante variada, a ponto de ter ritmos específicos para representar diferentes regiões, grupos étnicos e religiosos. Os estilos mais famosos são: a música folclórica turca, a música popular Kosma, a poética Semai, os cantos épicos do Deston, as longas composições de Uzun Hava e a pitoresca, Tekerleme. Da mesma forma, os diferentes tipos de dança Zeybek, Horon, Barra, Bengi e Halay, identificam as comunidades de cada região. Uma das danças mais admiradas da Turquia é a executada pelos dervishes sufis (conhecidos como Mevlevi) em seus rituais. Vestidos com trajes típicos, os homens sufis demonstram imensa elasticidade dançando nas cerimônias de Konya ou Shema, ao ritmo de tambores, alaúdes e kamanchas.
Sob o som da música turca, pode-se disfrutar o narguile ou a hooka, um costume turco que resiste ao passar do tempo e pode ser observado nas casas de chá de Tphane, na cidade de Istambul.
No Grande Bazar de Istambul e de outras cidades turcas, pode-se encontrar grande variedade de objetos maravilhosos, feitos por artesãos locais, com a utilização de técnicas milenares. A produção de jarras de ferro ou bronze, almofadas com lindos tecidos, antiguidades raras, cobiçados azulejos com desenhos vivos em arabescos, tecidos bordados e trajes completos e sapatos que parecem ter saído diretamente de um conto das mil e uma noites, são algumas das coisas que podem ser adquiridas na Turquia.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Istambul
Poucas cidades foram sede de tantos impérios, tão diferentes e poderosos, como os que ocuparam a milenária Istambul. Nascida de uma pequena colônia grega estabelecida em 667 A.C., a cidade presenciou a chegada dos persas, espartanos, atenienses e macedônios. Foi a capital do Império Romano no Ocidente e em seguida, centro do catolicismo durante o Império Bizantino. Transformada em baluarte islâmico, foi o centro do Império Otomano, ocupada por aliados e testemunha do renascimento turco, quando recuperou a independência do país. Seu passado está refletido na Basílica de Santa Sofia, construída em 532 por Justiniano I e tranformada em mesquita a partir de 1453. A Mesquita Yuni, de 1597, compete em esplendor, graças ao seu interior e abóbadas de 41 metros. A Mesquita de Sultanahmet, revestida com belíssimos mosaicos e relevos, é outra construção religiosa repleta de história. Perto da mesquita, o Palácio de Topkapi, relembra os tempos do Império Otomano, quando albergava o sultão e sua corte, dentro de suas muralhas.
Troia
Durante séculos, os arqueólogos acreditavam que a queda de Troia era fruto da imaginação popular. Porém, em 1863, o inglês Frank Calvert, um fã da arqueologia e apaixonado pela história de Troia, encontrou os primeiros vestígios da mítica cidade. Nos anos posteriores foram escavadas as ruínas da cidade e encontrados 7 períodos de épocas distintas. Atualmente, as ruínas podem ser visitadas e seus edifícios, muralhas e anfiteatros, podem ser observados, além do trabalho dos arqueólogos que ainda tentam decifras o segredo do fim dos troianos.
Ancara
A sede legislativa da Turquia nasceu na Era do Bronze. Como outras grandes cidades turcas, foi palco de domínio dos gregos, persas, macedônios, romanos, árabes muçulmanos e potências européias. As ruínas do Templo de Augusto e Roma ou as escadarias do Antigo Teatro refletem o tempo dos romanos. Sobre a colina que domina a cidade encontra-se Hisar, uma antiga fortaleza bizantina que protegeu a cidade durante séculos. O Mausoléu de Atartük, construído para representar que foi aqui, em Ancara, que o líder da independência turca estabeleceu seu primeiro governo republicano.
Éfeso
Os amantes de História encontram em Éfeso um local ideal para explorar os rastros de civilizações milenárias. Acredita-se que a cidade foi fundada durante o tempo do império Hitita, tendo sido depois, conquistada pelos gregos no século XI A.C. Entre suas construções emblemáticas estão a Igreja de São João, onde acredita-se que o apóstolo escreveu o Evangelho. Também abriga a conhecida “Casa de Maria”, que para alguns, era a residência da mãe de Cristo. Do período romano ainda foram conservados o Grande Teatro e o Templo de Atenas, dois magníficos exemplos da arquitetura desenvolvida nas cidades colonizadas pelos romanos.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
Para chegar até a Turquia, pode-se tomar um dos inúmeros vôos que conectam aos aeroportos internacionais de Istambul, Ancara e Izmit com o restante do mundo. Também é possível chegar a bordo de balsas, que atracam nos portos turcos, provenientes de países próximos.
A Turquia é ligada por um sistema ferroviário ao resto da Europa, com trens extremamente confortáveis. O mesmo acontece com as rodovias, que permitem chegar ao território por ônibus ou carro.
Para percorrer o interior pode-se utilizar os inúmeros vôos internos ou optar por um meio mais econômico, como o transporte rodoviário. Entretanto, a qualidade do serviço parece diminuir a medida em que as estradas se afastam da parte européia, e vão tornando-se mais precárias nas regiões curdas.
Uma boa opção são os cruzeiros de navios que percorrem a costa turca e ligam distantes localidades do país.
Deve-se levar em consideração que a Turquia é um território bastante extenso, portanto as distâncias podem demandar um tempo considerável. Dirigir pelo país pode representar grande desafio, pois os motoristas urbanos não são muito simpáticos no trânsito.
GASTRONOMIA
Lahmacun
Apesar da insistência de alguns em afirmar que o prato é a versão turca da pizza, o Lahmacun é completamente diferente. Na base, um círculo de farinha com fermento que vai ao forno, até se assemelha à pizza, mas as semelhanças param por aí. A receita turca leva depois um ensopado preparado com costeleta de cordeiro cozida em molho de tomate, cebola e cominho. Em seguida, a massa redonda vai ao forno por mais um tempo. Antes de servir, é temperada com de limão, salsa e outras ervas que dão um aroma muito especial ao prato (Dica: em algumas lanchonetes e restaurantes, o Lahmacun é enrolado para que o molho seja comido junto com a massa. Diferentemente da pizza, o prato não leva queijo e não é servido em pedaços.)
Dönner Kebab
Conhecido em muitos países como churrasco grego, o Dönner Kebab é o prato mais popular da Turquia e os imigrantes do país, o introduziram na Europa, transformando-o prato numa delícia universal. Consiste de um espeto onde a carne inteira é assada e depois servida em pedaços com pão pita, ou saç. O prato pode ser complementado com legumes, verduras e outros condimentos mais. Também costuma ser feito com frango ou peixe e acompanhado com molho de iogurt e arroz (Dica: o nome do prato com frango é tavuk döner. O que vem no prato com arroz chama-se Pilav Üstü Döner)
Cerkez Tavugu
O Cerkez Tavugu ou frango com nozes é uma das receitas mais apreciadas da gastronomia turca. O preparado consiste de um frango cozido, cujo caldo resultante é separado do preparo. Em separado prepara-se uma pasta com nozes moídas, pão seco moído e alho. A mistura uni-se ao caldo do frango e vai ao fogo para encorpar. O frango é servido já em pedaços, com a pasta de nozes por cima.
Dolma
A dolma é um prato bastante popular na Turquia. Preparado com folhas de uva (chamadas “yaprak”) recheadas com diferentes tipos de carne e legumes. Cada uma tem um nome diferente, de acordo com seu recheio. Encontram-se as de carne, cordeiro, frango, arroz, abóbora, berinjela, pimentão, acelga e até mexilhão. Prepara-se também em versão doce com morango, canela, marmelada ou maçã. Geralmente servido com azeite ou yogurt (Dica: a conhecida como “mulbar domasi” é preparada com entranha de cordeiro e arroz de ervas. No Brasil, costumamos chamar a dolma, rolinho de uva)
Bebidas típicas
Ayran
O ayran é servido pelo turcos como um sinal de cordialidade, ou como refresco, num dia de calor. Preparado com yogurt e água, batido por meia hora em um “yayik” para tomar consistência. Em seguida, um pouco de limão e sal. O ayran é colocado em jarras altas que podem ser encontrados em qualquer canto da Turquia. Em geral, utiliza-se o yogurt preparado com leite de cordeiro.
Chá
Os turcos são bebedores de chá fanáticos. A peculiaridade da bebida local é o preparo. Utiliza-se uma chaleira dupla que tem chá de um lado e água no outro. Lentamente misturados, o resultado é um chá bem espesso e de um vermelho vivo que os turcos gostam de tomar bem quente e em copos pequenos. (Dica: na Turquia, a maioria das pessoas considera errado colocar leite no chá.)
Raki
O raki turco é uma bebida alcoólica preparada a partir do fermento da uva (ou do figo, em algumas regiões) que recebem sementes de aniz, na segunda destilação. Na hora de tomar, o tradicional é servir em dois copos: um com raki e água, em partes iguais e o segundo apenas com água pura. A garrafa da bebida é previamente gelada para realçar o sabor, sem utilizar gêlo no raki, o que apaga seu sabor. Ao disfrutar a bebida grupo, apenas um dos presentes é encarregado de servir o licor. (Dica: quem serve tem autoridade para decidir quem não está mais em condições de seguir bebendo, quando o convidado dá sinal de exagero. Ao tomar a bebida deve-se brindar dizendo “sherefe”, como manda o costume local).
Salgam
A cidade de Adana é famosa por ser o berço do Salgam. Trata-se de um suco de cenoura fermentado e aromatizado com ervas. No preparo, junta-se nabos da espécie “çelem”. O resultado é uma bebida não alcoólica de sabor bem forte e que, segundo os turcos, com efeitos benéficos para o intestino e para cuidar de ressaca. (Dica: Por ser derivado do nabo, se tomado em grandes quantidades pode produzir um efeito de gás, bastante anti-social)
o Lahmacun é enrolado para que o molho seja comido junto com a massa ”
DICAS E CURIOSIDADES
Dicas:
• As leis turcas são bastante severas com a exportação de antiguidades. Cuidado com comerciantes desonestos, que podem oferecer peças por um preço mais barato, que depois são apreendidas e voltam misteriosamente, às lojas
• O sistema elétrico é de 220 V e 50 HZ
• O sistema de água potável não é seguro para consumo, portanto recomenda-se o consumo de água engarrafada. Atenção com a limpeza dos ambulantes, antes de comer coisas de rua)
• Existem riscos de pólio, malária, hepatite, tuberculose, difteria, tétano e raiva. Por ser uma região sísmica, existe risco de terremotos).
• Em Istambul existe um risco moderado de roubos e, mais esporadicamente, assaltos armados. No entanto, existem áreas bastante seguras, destinadas apenas aos estrangeiros.
• Na região curda o estado de tensão é permanente, portanto recomenda-se não passear pelo local. Caso faça, a documentação deve estar sempre em mãos, para ser mostrada nas barreiras militares ou para oficiais, caso seja abordado.
• São isentos de visto os turistas dos seguintes países: Espanha, Áustria, Canadá, Israel, Austrália, Reino Unido, Irlanda, Portugal, Costa Rica, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Uruguay, Venezuela e Estados Unidos. Cobra-se entretanto uma taxa de ingresso de 15 euros.
• Ao ser convidado para fumar a hookah, deve-se observar algumas regras de etiqueta: o ritual é lento e toma, pelo menos, uma hora. Não se apresse. Não passe o bico da hooka para outra pessoa, o que pode representar uma ofensa; deve-se apoiá-lo na bandeja antes de passá-lo. Na hooka só se fuma tabaco. O consumo de drogas severamente proibido.
• O aperto de mão é a forma mais comum de comprimento.
• Apontar alguém com o dedo, mostrar a sola do sapato ou assoar o nariz em público é sinal de falta grave de educação.
• Os turcos dizem sim, com um movimento de cabeça para frente. Cabeça para trás significa não.
• Nos bazares o costume é regatear. Em geral o preço já é mais alto, para esperar o regateio.
• É costume adicionar 10% ao valor das contas como gorjeta.
Curiosidades
• As leis turcas proíbem o ingresso de baralhos no país.
• Em 1593, o botânico holandês Carolus Clussius levou vários bulbos de tulipas da Turquia até à Holanda, onde vivia. Os vizinhos pediram alguns, mas Cassius se negava em dividir. Uma noite alguém roubou a casa do botânico. Em questão de meses, a tulipa florescia por toda a Holanda. Poucos sabem no entanto, que a tulipa era um símbolo turco, de muitos séculos.
• Segundo a tradição turca, Papai Noel foi inspirado num antigo bispo da cidade de Myra.
• Em função de leis de proteção cultural, os cineastas turcos desenvolveram suas próprias versões de filmes famosos como Superman, Rambo e Batman. É curioso dar uma olhade e observar a diferença das originais.
• O esporte nacional turco é o yagli, um tipo de luta livre em que os adversários lutam com o corpo molhado de óleo.
• En el año 1959, asumió el trono turco el sultán Mohamed III. Para que no tener competencia, hizo ejecutar a sus 19 hermanos. Em 1959, o sultão Mohamed III assumiu o trono. Para evitar competições, mandou executar seus 19 irmãos.
• Em 1961, nasceu na Turquia um bebê com 11 kilos. É recorde de peso de um recém-nascido até hoje.