HISTÓRIA
Federação Russa:
Rússia: A História da Terra sem Fim

Tanto as tropas napoleônicas como as da Alemanha Nazista foram derrotadas na Rússia, em épocas distintas, mas da mesma maneira: os russos retrocederam, deixando seus inimigos a mercê da imensidão e do frio. Além de ser uma estratégia militar, esse movimento é a chave para entender a história russa: qualquer um que queira ter algum poder ali tem que encarar uma extensão ingovernável e uma sociedade incompreensível. Desde Ivan o Terrível até a URSS de Stalin, a dinastia dos Romanov e a Revolução Bolchevique, tudo em sua história é gigante, transcendendo o tempo e o espaço, na história e no mundo.
DOS ESLAVOS ATE A DINASTIA DOS ROMANOV
O imenso território russo esteve povoado desde o período paleolítico por diversas tribos. A partir do século VI os povos eslavos se assentaram nos territórios que vão desde a atual Polônia até os Balcãs. No século VIII, os vikings fundaram o reino de Kiev. No século X, o reino de Kiev tornou-se poderoso, fortalecido pela consolidação da Igreja Ortodoxa Russa e pelos recursos que gerava através do comércio entre o norte e o sul da Europa.
No século XI o reino de Kiev se desintegrou em uma serie de principados unidos que apenas conseguiu resistir ao avanço dos mongóis liderados por Gengis Khan a partir do ano 1.223. A maioria dos sobreviventes escapou em direção ao norte, êxodo que transferiu o eixo de poder para Moscou, a nova sede do reino russo.
As invasões mongóis continuaram nos anos seguintes, ao mesmo tempo em que a Suécia e a Lituânia lançavam incursões ao oeste russo para apropriar-se de seus territórios. A resistência do príncipe russo Aleksandr Nevski, com apoio dos mongóis, começou a criar o sentimento de unidade dos russos.
O príncipe moscovita Ivan II O Grande iniciou uma política de expansão territorial. À chegada do século XV, a Rússia havia multiplicado seu território.
Em 1547 Ivan IV, “O Terrível”, assumiu o principado de Moscou e se proclamou Czar da Rússia, executando uma política de concentração de poder que levou a morte ou ao exílio os nobres que se negavam a submeter-se ao seu poder. Em 1571 os tártaros da Criméia chegaram a Moscou e a devastaram. Outras guerras com as potências fronteiriças do oeste levaram o reino à ruína.
Em 1613, Mikhail Romanov foi nomeado czar com o título de Mikhail I. Após assinar uma trégua com os estados europeus que ameaçavam suas fronteiras, esse czar conseguiu trazer a paz ao país.
A pesada carga de impostos e os abusos da nobreza provocaram a primeira revolta dos camponeses em 1667.
A EXPANSÃO TERRITORIAL
Com a ascensão do czar Pedro I em 7 de Maio de 1682, a Rússia iniciou sua mais importante expansão territorial. O czar lançou campanhas militares e expedições para aumentar seus domínios até o Oceano Pacífico, arrancou dos suecos um acesso ao Mar báltico e colonizou os confins da Sibéria. Também iniciou um processo de europeização da Rússia e reorganizou o estado de uma maneira absolutista. Uma nova revolta de camponeses foi reprimida a sangue e fogo.
Em 1762 a czarina Catarina A Grande assumiu o trono. Com o apoio da Áustria a Rússia anexou à Polônia, a Lituânia e derrotou o Império otomano, vitória que lhe garantiu o acesso ao mar Negro.
Em 23 de junho de 1812 o general francês Napoleão Bonaparte invadiu a Rússia a frente de um exército de 700.000 soldados. A Rússia, que não possuía forças para enfrentar tamanho exército, destruiu plantações e moveu rebanhos à medida que se retirava, para privar os franceses de recursos. O inclemente inverno russo surpreendeu os invasores, ao mesmo tempo em que as forças russas executavam uma série de contra-ataques. Em 2 de Setembro Napoleão entrou na capital russa, que se consumia em incêndios iniciados pelos russos, decididos a privar o inimigo de um local para acampar. Sitiado pelas táticas de guerrilha russas, Napoleão iniciou uma longa e amarga retirada na qual apenas 58.000 soldados sobreviveram.
Apesar dos soldados de Napoleão serem derrotados, as ideias da Revolução Francesa já haviam chegado à Rússia. Os setores da crescente burguesia e oficiais veteranos tentaram obter algumas concessões do czar, mas o monarca só permitiu pequenos avanços e em 1825 a monarquia teve de enfrentar um levante militar, rapidamente sufocado pelo novo czar Nikolai I. A política repressiva não freou o descontentamento e a polícia czarista aumentou a perseguição aos dissidentes. Em 1861 o czar Nikolai II aboliu a servidão que afetava 23 milhões de russos, mas implantou um sistema de impostos que os atava economicamente ao governo.
A REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE
O início da Primeira Guerra Mundial encontrou a Rússia mal preparada e no meio de uma profunda tensão social causada pela repressão excessiva e a autocracia do czar. O sistema de alianças O obrigou a atacar os alemães e os austríacos, ao mesmo tempo enfrentava uma nova guerra no sul contra os otomanos aliados de seus adversários.
As derrotas nas frentes de batalha provocaram a revolução de Fevereiro de 1917, que destituiu o czar e formou um governo provisório com representação de todas as forças políticas. O novo governo pretendia instaurar um regime liberal e parlamentarista. Mas em 17 de Outubro os bolcheviques liderados por Lenin e Trotsky organizaram uma revolta dos soviéticos que desalojou seus adversários do poder. Em 1918, o czar e sua família foram assassinados pelo governo revolucionário, terminando assim a dinastia Romanov.
O governo comunista presidido por Lenin instituiu a abolição da propriedade privada e a instauração de um sistema de partido único modelado de acordo com os ideais marxistas. Iniciou-se assim um processo de industrialização acelerada.
Após a morte de Lenin em 21 de Janeiro de 1924, Stalin foi nomeado chefe do governo. O novo mandatário avançou a centralização do poder e eliminou qualquer indício de dissidência mediante expurgos que causaram a morte e o exílio de milhões de russos. Além disso, implementou um programa de coletivização forçada do campo que causou uma das maiores fomes da história do país e a morte por inanição de pelo menos 10 milhões de pessoas. Stalin também consolidou o ressurgimento econômico e militar da URSS e lhe deu projeção internacional ao iniciar um programa de expansão da revolução a outros países do planeta.
Em 1939 Stalin aprovou a assinatura de um tratado de não agressão com a Alemanha Nazista, conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop. Ao iniciar-se o ataque alemão a Polônia, tropas soviéticas ocuparam a outra metade do país e cometeram numerosos abusos contra a sociedade e propriedades. Logo após invadiram a Finlândia, que apesar de uma valorosa defesa com forças muito inferiores teve que render-se e fazer concessões territoriais aos soviéticos.
DA SEGUNDA GUERRA À QUEDA DA UNIÃO SOVIÉTICA
No dia 15 de Maio de 1941 as tropas nazistas iniciaram uma invasão em grande escala sobre o território soviético. Os batalhões soviéticos foram varridos enquanto os nazistas lançavam uma operação macabra para capturar e assassinar judeus, ciganos e membros da resistência. O inverno surpreendeu os nazistas às portas de Moscou, Stalingrado e Leningrado. Stalin ordenou mover as reservas estratégicas e as fábricas essenciais para a retaguarda, longe do alcance das tropas nazistas.
Enquanto lutavam contra as tropas alemãs os soviéticos foram aumentando o número de soldados, tanques e aviões.
Stalingrado, Leningrado e Moscou romperam o cerco em 1942 e capturaram centenas de milhares de alemães que foram enviados a campos de concentração.
A guerra terminou com a vitória dos aliados, mas de imediato começaram as tensões com as potências capitalistas. Em 1949 ambos os blocos já haviam se enfrentado apos o bloqueio decretado por Stalin.
Stalin morreu no dia 5 de Março de 1953 e foi substituído por Nikita Kruschev, cuja chegada trouxe um endurecimento da política de confrontação com o ocidente, que ficou evidenciada durante a Crise dos Mísseis. No dia 28 de Outubro, os soviéticos anunciaram a retirada dos mísseis de Cuba em troca de uma promessa de não invasão norte-americana a Cuba e o desmantelamento de armamentos nucleares da OTAN na Turquia.
A chegada de novas gerações com menos fervor revolucionário e a evidência de uma rede de privilégios para os membros do Politburo começaram a semear o descontentamento e o desânimo. A falta de incentivos pessoais e o atraso tecnológico de sua indústria levaram ao estancamento da economia no início da década de 80.
Em 1985 Mikhail Gorbachev foi eleito Primeiro Ministro Soviético, um dirigente reformista que impulsionou um programa de reestruturação econômica e um plano de transparência política. A União Soviética se dissolveu na confusão ante a evidência de enormes erros e transtornos provocados por gerações anteriores de líderes. A queda do muro de Berlim e a reunificação alemã foram parte crucial desse processo, que finalizou com uma aproximação oficial ao Ocidente e um acordo global de desarme nuclear.
A FEDERAÇÃO RUSSA E O PÓS-COMUNISMO
Em 1991 a Rússia fez um acordo com as oito antigas Repúblicas soviéticas para criar uma federação onde o país seria o sócio principal. Em 18 de Agosto deste ano, um grupo da velha guarda comunista tentou um golpe de estado, fracassado pela energética intervenção do presidente Boris Yeltsin. A reação contra o golpe levou Yeltsin ao poder. O Partido Comunista foi dissolvido e ilegalizado e, em 25 de Dezembro o fim da URSS foi finalmente anunciado. Em 3 de Dezembro de 1993, os setores do Parlamento que se opunham a Boris Yeltsin e seu poder crescente, tentaram derrubar o presidente. Em resposta, Yeltsin ordenou que o exército bombardeasse o Parlamento e em seguida dissolveu o corpo legislativo.
O período do pós-comunismo foi marcado também pela dura luta entre os grupos políticos que tentavam predominar dentro do novo sistema democrático. Além disto, as primeiras reformas capitalistas foram introduzidas, dando inicio a um período de apropriação dos bens que antes pertenciam ao Estado, numa briga que incluía práticas mafiosas. Foram tempos de crise econômica e empobrecimento de grande parte da população, enquanto novos magnatas faziam enormes fortunas à custa dos bens públicos.
Com a chegada do novo milênio a economia russa começou a dar sinais de recuperação. A liderança do presidente Vladimir Putin conseguiu recuperar grande parte do controle estatal do sistema econômico ao mesmo tempo em que a Rússia retomava o papel de superpotência, desta vez como competidor, ao invés de inimigo das nações ocidentais mais poderosas.
Rússia: A História da Terra sem Fim”
GEOGRAFIA E CLIMA
A Rússia e o maior país do mundo e, em consequência, possui uma enorme variedade de climas e regiões geográficas. De modo geral seu território pode ser dividido entre a região europeia, caracterizada por grandes planícies que se estendem ate o monte Elbrus, a estepe fria e plana da Sibéria Ocidental, cujo extremo norte se encontra coberto por bosques de coníferas, as ondulações da Sibéria Central com imensos vales situados nas regiões das Cordilheiras de Sayanes, as montanhas dos Urais e a região do Pacifico no Oriente, cujo relevo áspero e frio se estende por uma vasta região de 6 milhões de quilômetros. Por ultimo, a zona do ártico, no extremo norte, com gelos permanentes que dificultam o estabelecimento de assentamentos humanos.
Por estar localizado próximo ao polo norte, a maior parte do território da Rússia possui clima frio durante a maior parte do ano. Nas planícies situadas ao sul, entretanto, podem ser registradas temperaturas de 35 a 40 graus durante o Verão.
O oposto acontece na Sibéria, onde a temperatura pode alcançar 70 graus negativos e a região de Kaliningrado, uma zona de clima subtropical eleita por muitos russos como local de veraneio. Entretanto a temperatura media do território é de 5 graus negativos.
o maior país do planeta ”
ECONOMIA
A Rússia conseguiu fazer a transição do sistema comunista para o capitalista, apesar de o Estado ainda ter um alto nível de interferência na produção. Outro fator determinante é a atividade dos carteis que se infiltrou em alguns setores da economia, formando monopólios e oligopólios em determinadas atividades. O país continua sendo uma potencia industrial, mesmo com a queda do sistema comunista, com uma vasta produção de armas, siderurgia, indústria automotora, petroquímica, energética, de maquinaria pesada, aeroespacial, eletrônica, equipamentos médicos, florestais e têxteis. O setor industrial é responsável por 40% das divisas nacionais. Além disto, o território é rico em recursos naturais, sendo o maior produtor mundial de gás e o segundo de hidrocarbonetos. Os recursos florestais são capazes de atender a três quartos da demanda mundial anual. A Rússia também possui jazidas de carvão, ouro, sódio, diamante e potássio.
O setor agrícola produz trigo, arroz, cevada, milho, aveia, legumes, frutas, algodão e beterraba. O setor pecuário dedica-se a produção de gado bovino, equino, ovino, porcino e caprino com um excedente de produção dedicado a exportação. Na região norte existe grande criação de renas. A pecuária, de um modo geral, é responsável por 5% do PIB.
o país tem avançado cada vez mais no sistema capitalista ”
FATORES HUMANOS
A sociedade russa é formada por 160 nacionalidades e grupos étnicos. Cerca de 80% pertence à etnia eslava. As minorias mais representativas são os tártaros, ucranianos, bashkires, chuvashes, judeus, alemães, chechenos e armênios. As regiões mais afastadas ainda contam com comunidades cujo estilo de vida permanece inalterado há séculos. O idioma oficial é o russo, porém existem outros 100 idiomas e dialetos diferentes dentro do território. Cada republica associada utiliza o russo como língua oficial, porem mantem seu idioma original. Algumas comunidades falam o dialeto ancestral como é o caso do Yiddish entre alguns judeus e o Plautdietsch, na Sibéria.
Apesar dos anos de comunismo onde a pratica religiosa era proibida, o catolicismo ortodoxo russo é a religião mais popular. Além disto, existe uma presença de 10% de protestantes divididos entre diversas denominações. A segunda religião mais presente é o islamismo especialmente em algumas regiões autônomas como a Chechênia. O budismo segue e o judaísmo vem logo depois. Aproximadamente 20% da população não professa nenhuma religião.
é composta por 160 nacionalidades e grupos étnicos ”
CULTURA
A cultura russa reflete o mosaico de diferentes culturas e tradições, próprias de um território tão extenso, porem a corrente principal descende da cultura eslava, que se vê refletida na arte clássica do ballet, ópera e música. Também típicas são as danças Balalaica e Pereplyas.
Na arquitetura o racionalismo soviético convive com alguns antigos prédios de arquitetura romântica, com perfeito exemplo nos palácios de São Petersburgo, assim como a linda Catedral de São Basílio convive com prédios residenciais austeros construídos por arquitetos comunistas.
A Rússia possui boa tradição desportiva e uma cultivada tradição circense.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Moscou
A cidade de Moscou foi fundada no século XII, quando o Príncipe Yuri Dolguruki fortificou a antiga aldeia eslava, a fim de protegê-la dos ataques mongóis. Ao longo dos anos, foi palco de diferentes ocupações e, finalmente foi reconstruída durante o período comunista. Um dos grandes pontos turísticos de Moscou é a Praça Vermelha onde se encontra o Kremlin, que ainda guarda o corpo mumificado de Lenin. Um símbolo da resistência é a Catedral de São Basílio, vizinha ao complexo governamental. O Teatro Bolshoi, o Hotel Ucrânia e a Academia de Ciências são outros pontos históricos da cidade.
São Petersburgo
A cidade de São Petersburgo foi criada pelo czar Pedro, o Grande, que decidiu criar uma luxuosa capital para seu reino, que superasse a beleza de todas as outras cidades europeias, portanto em Maio de 1703 um exército de 40.000 servos começou a trabalhar para transformar aquele sonho em realidade. Desde então a cidade viveu grandes momentos: foi capital do reino, mudou de nome, foi invadida pelos nazistas. Em 1991, a cidade recuperou seu nome de batismo e hoje o Palácio de Inverno, a Fortaleza de Pedro e Paulo e a Casa-Museu Dostoievsky estão entre os muitos pontos históricos e monumentos da grande cidade a serem visitados.
Novgorod
Em 1221 o Príncipe Yuri fundou a cidade de Novgorod a fim de controlar as rotas comerciais que passavam pela região. Novgorod transformou-se numa das cidades mais poderosas da Rússia antiga e uma das principais cidades do Leste Europeu durante a Idade Media. Com a Revolução de 1917 a cidade passou a chamar-se Gorki e em 1941, foi ocupada pelos nazistas. Ainda assim, a cidade conservou lindas construções como a Catedral de Santa Sofia, inúmeros monastérios e muitas de suas edificações medievais.
Vladivostok
Situada no extremo oriente do país, a cidade de Vladivostok há séculos é o mais importante porto da Rússia sobre o Oceano Pacifico. Nascida como um pequeno porto de pesca, a cidade tomou maior notoriedade quando a soberania russa foi reconhecida no local. Anos mais tarde o czar ordenou a fortificação do porto e concedeu facilidades aos comerciantes locais. Com a conclusão da Ferrovia Transiberiana, a cidade foi unida ao resto do continente russo. O Hotel Versailles é símbolo dos tempos de prosperidade da cidade. O centro ainda conserva muitas de suas construções do século XIX, assim como os submarinos e navios da época soviética, hoje transformados em museus flutuantes.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
A Rússia conta com voos originados em quase todas as capitais da Europa, além de muitos outros países da América. Apesar das grandes distâncias internas, a Rússia conta com boa oferta de conexões domesticas, porem o serviço ferroviário é uma excelente opção para quem deseja viajar entre as diferentes localidades, de maneira econômica e com bastante pontualidade. A qualidade do serviço diminui um pouco na medida em que o destino se afasta das grandes capitais. O trem Transiberiano, reativado recentemente, é uma opção aventureira e romântica de cruzar o território.
O aluguel de carro ainda representa outra opção, porém, para explorar o interior do país, algumas medidas de prevenção devem ser tomadas, em função do clima rigoroso e até mesmo para calcular o uso de combustível necessário para os longos trajetos. Algumas estradas, com manutenção insuficiente, devem ser evitadas para não causar danos aos automóveis.
As ruas das grandes cidades são bastante congestionadas em horas de pico e deve-se tomar muita atenção durante o Inverno com o congelamento dos pavimentos.
Durante uma visita por Moscou, um passeio pelo metro é imprescindível, pela beleza da decoração de suas galerias. Como seu desenho foi projetado para acolher boa parte da população, em caso de ataque atômico, a profundidade das estações do metro é grande se comparada aos de outras capitais do mundo.
GASTRONOMIA
Borsch
O borsch é uma sopa muito popular da Rússia. Sua coloração vinho bem forte vem do uso da beterraba e, além disto, leva carne, nabo, cenoura, tomate, pepino e batata. Durante o Verão, pode ser servido frio, com um toque de creme de leite, que lhe confere um sabor agridoce.
Pelmeni
As incursões tártaras na Rússia deixaram rastros na gastronomia local e o pelmeni é um deles. Preparado a base de farinha, ovos e água, a massa é cortada em delicados círculos, recheada com diversas carnes (boi, cordeiro ou porco). A carne picada é misturada ao alho e cebola e serve de recheio a massa, no que se assemelha a um ravióli italiano. É depois cozido em agua e sal, temperada com louro, molho de nata ou molho de tomate.
Caviar
O caviar russo é uma das mais sofisticadas iguarias do mundo. Produto das ovas dos mais de 25 tipos de esturjão da região do Mar Cáspio, que produz em media 10 gramas por unidade e deve ser pescado com extrema precisão. A demanda pelo caviar causou uma grande diminuição no produto original, portanto o caviar é bastante raro e muito caro. Atualmente, existem criadouros produzindo outras variedades como os de salmão e bacalhau.
Blini
Apesar de ser um prato encontrado em muitos países do norte da Europa, o crepe (blini) é um elemento encontrado em todas as mesas russas. Preparado com uma massa feita com farinha, leite, ovos e levedura que, uma vez misturada é frita. Podem ser consumidos com diferentes acompanhamentos, tanto doces como salgados e creme fresco.
BEBIDAS TÍPICAS
Vodka
Apesar de outros países reclamarem o titulo de berço da vodka, seu nome é sempre associado à Rússia. O produto é feito a base da fermentação de grãos de centeio, trigo, beterraba ou batata que, uma vez destilados, produzem uma bebida com teor alcoólico entre 30 e 50%. Na Rússia a vodka não tem horário ou classe social: é a bebida mais popular do país e parte do dia-a-dia de seus habitantes.
Kvass
A cerveja nascida nas planícies russas e ucranianas é bastante leve e possui baixo teor alcoólico. Preparada com farinha de trigo, centeio e malte. É fermentada com pedaços de frutas, em geral, maçã, o que da um aroma especial à bebida. A kvass é fabricada artesanalmente e pode ser encontrada em ambulantes por toda a Rússia, além da bebida engarrafada e industrializada.
Sbiten
Antes da chegada do chá, os russos tomavam o sbiten, uma infusão de ervas e frutas de composições de acordo com cada região. A infusão é preparada com água e mel, repousa e depois pode ser servida quente ou fria. Em geral, é condimentada com amora, hortelã, cravo, mel ou cardamomo.
As incursões tártaras na Rússia deixaram rastros na gastronomia local ”
DICAS E CURIOSIDADES
• A Rússia exige visto para quase todos os cidadãos estrangeiros. Dentro do território a documentação de viagem pode ser solicitada a qualquer momento, portanto é essencial estar sempre com documentos ou copia dos originais. O visto de entrada pode ser solicitado nas embaixadas do país espalhadas pelo mundo.
• O visto de entrada não significa autorização para viajar a determinadas regiões de conflito no país.
• O sistema de agua potável não é seguro, portanto recomenda-se o uso de agua engarrafada. Existem riscos de doenças tais como: difteria, hepatite B, encefalite e febre tifoide. Devido às temperaturas extremas existe um grave risco de hipotermia, especialmente nas regiões rurais.
• O sistema de eletricidade é de 220 V e 50 HZ.
• A falta de segurança nas grandes cidades é bastante grave. A presença de bandos de ladroes em locais turísticos é registrada constantemente.
• A gorjeta usual é de 10% da conta.
• O aperto de mão é a forma de saudação mais comum.
• Ao ser convidado a uma casa russa, deve-se sempre levar um presente, como um vinho, velas ou algum doce.
• Nas igrejas locais, as mulheres devem cobrir a cabeça antes de entrar.
• O brinde é uma instituição social na Rússia. Brinda-se com todo o tipo de bebida.
• Muitos taxis não tem identificação regular. É comum ate mesmo fazer sinal para carros de passeio e negociar com habitantes locais um preço para a carona.
CURIOSIDADES
• A temperatura mais baixa da historia do mundo foi registrada na Rússia, em Verjoyansk. Em 7 de Fevereiro de 1982 o termômetro marcou 70 graus abaixo de zero.
• O Natal na Rússia é celebrado em 7 de Janeiro.
• Cerca de 80% dos russos possuem diploma universitário.
• A Rússia é o país com maior numero de milionários.
•O lago Baikal é o mais antigo e fundo do mundo. Sua profundidade máxima chega a 1565 metros.
Moscou
Praça Vermelha
A grande praça no centro de Moscou foi palco de desfile de dezenas de gerações de soldados russos desde os tempos da União Soviética. Simboliza a forca, esperança e resiliência do povo russo.
Catedral de São Basílio
A igreja mais importante da russa foi construída em 1555, por ordem do czar Ivan, o Terrível. Suas cúpulas elaboradas e coloridas refletem a influencia mongol sobre a arquitetura russa da época.
Túmulo de Lenin
O túmulo de Vladimir Ulianov é um dos monumentos mais visitados da Rússia. Construído em 1924, ainda guarda o corpo mumificado do líder revolucionário.
Lubyanka
Trata-se do apelido popular para a sede da KGB, o serviço secreto russo. Guarda histórias de espionagem, perseguição a dissidentes e complôs até hoje desconhecidos do público e que, seguramente, afetaram a historia da humanidade. O prédio foi construído em 1889 para uma companhia de seguros, porem em 1917 foi transformado no centro da espionagem soviética.
Kremlin
O complexo fortificado começou a ser erguido em 1339 e ao longo de dois séculos recebeu novas muralhas, torres e edifícios. Atualmente é o principal prédio do Poder Executivo da Rússia.
Duma
O parlamento russo, ou Duma, protagonizou muitos feitos da historia mais recente do país. Talvez o mais dramático deles tenha sido em 21 de Setembro de 1993, quando o Presidente Boris Yeltsin decretou a dissolução do Congresso. Depois da tentativa dos deputados de destituir o Presidente, o mesmo ordenou que tanques bombardeassem o recinto.
São Petersburgo
Arco do Triunfo de Narva
Monumento dedicado aos soldados que venceram os exércitos de Napoleão em 1814. Construído em pedra e ferro batido com projeto do artista Giacomo Quarenghi.
Igreja da Ressurreição de Cristo
Construída entre 1883 e 1907, a Igreja da Ressureição é também conhecida como “Igreja do Sangue Derramado”. Foi ali que o czar Alexandre II, foi ferido de morte por um integrante do grupo anarquista russo Narodnaina Volia (Vontade Popular). Como a Catedral de São Basílio em Moscou este templo também é decorado ricamente em suas cúpulas.
Fortaleza de São Pedro e São Paulo
A cidadela que protege a cidade de São Petersburgo foi construída por ordem do czar Pedro I, O Grande. Trata-se de um imenso complexo militar, construído entre 1703 e 1740 com uma planta hexagonal. Ao ser concluído transformou-se em uma das maiores fortalezas do mundo. Durante a Segunda Guerra Mundial foi o centro da resistência de 29 meses contra os nazistas, que nunca conseguiram toma-la.
Catedral de São Pedro e São Paulo
Esta igreja foi construída no conjunto do forte do mesmo nome. Construída entre 1703 e 1755, seu ponto mais alto encontra-se a 123 metros de altura. Em seu interior descansam os restos do czar que ordenou sua construção, além do mausoléu de Nicolas II e sua família, assassinados depois da Revolução Russa de 1917.
Palácio de Gelo
Em 1740, a czarina Anna Ioannovna ordenou a construção de um palácio de gelo para festejar a vitória dos russos sobre os turcos. Desde 2006 uma réplica é reconstruída todos os anos, com todos os detalhes de decoração. O gelo é transportado diretamente do Lago Lodoga.
Grande Sinagoga de São Petersburgo
Trata-se de uma das maiores sinagogas da Europa, construída entre 1880 e 1888 para atender a grande população judaica russa.
Novgorod
Kremlin de Novgorod
Construído no século X para defender a cidade das frequentes invasões do oeste. Seu muro de pedra vermelha e sua torre oval são um dos símbolos mais reconhecidos da cidade.
Monastério de Antoniev
Belíssima construção medieval de 1117. Segundo a lenda, Santo Antônio de Roma voou da capital da Itália e aterrissou no local para fundar a Igreja Católica.
Catedral de Santa Sofia
A igreja de nove cúpulas de Santa Sofia de Novgorod foi construída em 1045. Foi destruída por um incêndio e reconstruída em 1150. Foi uma das construções mais atingidas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Em 2004, a cruz que decorava sua nave principal foi devolvida a Espanha, de onde havia sido retirada pelos integrantes da Legião Azul.
Monastério de San Varlaamo de Jutyn
Um dos locais religiosos mais venerados da cidade. Ali se encontra o túmulo de Gavriil de Novgorod, o santo padroeiro local. Durante a revolução comunista o local foi utilizado como manicômio, mas em 1993 sua função religiosa foi reestabelecida.
Monastério de Yuriev
O antigo monastério de Yuriev (São Jorge) é uma das mais antigas igrejas católicas da Rússia. Foi fundada no século X por Vsevolod Mstislavich, príncipe de Novgorod. Na verdade a igreja é apenas parte de um complexo bem maior, destruído em parte pelos soviéticos.