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A bela cidade de Praga, capital da Republica Checa, guarda na memoria séculos de lutas e conflitos; tentativas de independência e intervenções; luta entre católicos e protestantes. O país passou pelo domínio dos francos, alemães e romanos, foi disputado pelo governo Austro-Húngaro, a casa real de Habsburgo, a Alemanha nazista e a União Soviética. A saga apaixonante de seu povo teve um grande marco quando o país conseguiu sua completa independência e tornou-se membro da União Europeia.
Os primeiros habitantes da República Checa chegaram ao território há 28.000 anos. Diversas tribos alemãs se assentaram na região a partir do século III A.C, e batizaram o território como Boemia. Duzentos anos mais tarde chegaram as tribos eslavas, dando origem a uma nova raça, fruto da miscigenação com os nativos.
No século VII, Carlos Magno derrotou os ávaros dando inicio a um período de paz na Boemia.
Mais tarde foi a vez do Imperio Franco chegar com missões a Nitra e Boemia. Iniciou-se um período de grande oposição entre o Vaticano e os eslavos que pertenciam ao Império Bizantino. Rostislav I unificou os territórios e fundou a Grande Moravia, que se integrou a Eslováquia. Entre os anos 830 e 907, o Imperio da Grande Moravia governou o destino da região que, em 1253 transformou-se num reinado governado por Přemysl Otakar II.
Durante a primeira década do século X, a Grande Moravia sofreu ocupações estrangeiras até que Mojmir II conseguiu chegar a um acordo com o monarca alemão Arnulfo. No decorrer do século, a situação se agravou devido ao crescimento tanto da Alemanha como do Sacro Império Romano, que tomaram posse de diversas zonas da Boemia.
Em 1039 as forças da Boemia, lideradas por Bfetilav I, invadiram à Polônia, porém foram derrotadas por Enrique III. Em consequência, a Eslováquia terminou sob posse dos húngaros. Nos anos posteriores, como estratégia de defesa diante dos alemães, a Boemia passou a intervir nas campanhas do Sacro Império Romano.
No século XIII a Igreja se separou do Estado, situação que foi aproveitada pelos senhores feudais que começaram a ganhar maior poder de intervenção politica. Durante esta época ocorreu uma grande imigração alemã, provocando um crescimento demográfico que impactou o crescimento das atividades econômicas e produtivas. Ate 1306 a Boemia dominou parcialmente a Áustria e a Polônia.
Carlos IV de Luxemburgo transferiu a capital do Sacro Império Romano para Praga, iniciando um período de auge cultural e econômico dentro de seus territórios.
A partir do século XV, um movimento contra a interferência da igreja na politica e vida cotidiana dos habitantes do reino começou a efervescer na Universidade de Praga, liderado pelo revolucionário Jan Hus, quem foi excomungado pelo Papa, acusado de heresia e rebeldia e condenado a fogueira por recusar-se a assinar um arrependimento. A morte de Hus resultou num conflito civil que submeteu o reino ao caos.
Os alemães se mantiveram fieis ao Imperio Romano e as questões religiosas e étnicas tornaram-se mais complicadas, resultando finalmente num conflito militar do Sacro Império Romano unido aos príncipes alemães, contra a Boemia.
A divisão na Boemia se agravou: Vladislav II reinava na Boemia, porém a Morávia, a Silésia e Lusácia respondiam ao rei da Hungria.
Em 1526 a Coroa foi ocupada por um integrante da família Hamburgo, logo após a morte de Luis II e, o território checo foi incorporado ao sistema de alianças desta Coroa. Fernando I da Áustria foi proclamado rei, atacando e se impondo sobre a sociedade protestante, em sua sucessão hereditária. Desta forma, a coroa checa passou a ser parte do Imperio Austro-húngaro. Os Habsburgo se mantiveram no poder durante quatro séculos.
Praga recuperou sua influencia cultural e politica quando Rodolfo II transferiu a sede do Império para a cidade. Em 1623 ocorreu um novo conflito protestante contra as imposições católicas, no que marcava o desejo checo e eslovaco por suas respectivas autonomias. Com a assinatura da Paz de Westfalia, os territórios checos ficaram submetidos ao Império Austríaco e as ideias morais do catolicismo, apesar da negativa dos protestantes em aceitar esta posição. O idioma alemão tornou-se oficial.
A Primeira Guerra Mundial e a derrota dos Austro-húngaros resultaram na independência checa, proclamada em 28 de Outubro de 1918.
A República Checa transformou-se rapidamente numa potencia econômica graças a seu desenvolvimento industrial e o alto nível educacional de sua população. Entretanto os efeitos da crise mundial de 1929 trouxeram dificuldades econômicas, facilitando o surgimento do discurso nacionalista, desta vez difundido pelo nazismo alemão. Foi dentro deste contexto que o presidente Edvard Beneš recebeu em 1938 um ultimatum para entregar a região aos Sudetes, que reclamavam seu direito. A Inglaterra e a França abandonaram os checos a própria sorte e os alemães tomaram conta.
O Tratado de Munique assinado com o consentimento de Paris e Londres garantiu uma legalidade à anexação de Sudetes. A Polônia e a Hungria uniram-se aos demais ao anexar os territórios checos. O presidente Beneš fugiu do país e formou um governo de exilio desde Londres.
A partir de 1939, a Eslováquia, apesar de ser um território independente, transformou-se numa nação satélite dos nazistas graças à ascensão ao poder do presidente fascista Josef Tizo. Rapidamente a indústria checa e eslovaca foi colocada à disposição do esforço de guerra nazista e muitos de seus soldados reforçaram as tropas alemãs. Entretanto, uma grande parte dos cidadãos demonstrava abertamente sua repulsa diante da ocupação nazista e, em 1944 produziram uma rebelião armada contra eles. Derrotados, continuaram com atos de sabotagem e ataques as tropas de ocupação.
Pelos acordos de Yalta, a Checoslováquia pertencia a União Soviética. Quando se inteiraram do fim da guerra e derrota dos soviéticos, os checos lançaram uma rebelião massiva para expulsar os nazistas de seu país, antes mesmo da chegada dos soviéticos com o exercito de ocupação. Um dia depois de conseguir seu objetivo, os comboios de tanques comunistas entraram em Praga e tomaram o poder. A Checoslováquia passou a ser uma das nações comunistas do hemisfério a partir de 1946, com Edvard Beneš, na presidência.
Sob a presidência de Alexander Dubček, um grupo de intelectuais de Praga começou a questionar as politicas autoritárias do comunismo. Dubček, ao invés de fazer oposição, a partir de 1967, articulou uma serie de reformas ampliando a liberdade de expressão, legalizando a existência de partidos políticos de oposição, o direito à greve, e a autonomia das comunidades checa e eslovaca. Tais medidas, que ocorriam dentro de uma filosofia de “socialismo humanitário”, despertou a fúria dos grupos aliados aos soviéticos.
Em 20 de Agosto de 1968, 200.000 soldados e 2.300 tanques da União Soviética, Alemanha Oriental, Hungria, Polônia e Bulgária empreenderam um ataque no evento conhecido como “A Primavera de Praga”.
Os protestos de oposição da população civil foram reprimidos a sangue e bala pelos invasores. Cerca de 70 pessoas foram assassinadas e 700 ficaram feridas. As tropas checoslovacas, sitiadas em seus quarteis por tropas muito mais numerosas, nem participaram do combate. Dubček foi preso, meio milhão de cidadãos sofreram represálias e outros tantos foram mandados a prisão. Outros tantos milhares decidiram abandonar o país.
Com a queda do Muro de Berlim em 1989, o governo comunista tornou-se impotente, ao perder o apoio dos tanques soviéticos. Um grupo de opositores, pertencentes ao fórum cívico que dirigia a Vaclav Havel, negociaram o fim do comunismo no evento que se tornou conhecido como “Revolução do Veludo”. Em pouco tempo a Checoslováquia introduziu um programa de reformas para eliminar a estrutura socialista. A economia foi liberalizada, o estado deixou de ser o protagonista das relações produtivas e as liberdades individuais civis foram garantidas pelo novo governo.
Em 1991, quando as últimas tropas soviéticas deixaram o país, já era bastante evidente que tanto os checos como os eslovacos queriam formara nações separadas. Em 1 de Janeiro de 1993 a República Checa e a República Eslovaca foram proclamadas como entidades independentes. Foi um processo bastante complexo, porem transcorreu sem a violência que caracterizou situações semelhantes no resto da Europa.
A partir de 1999 a Republica Checa passou a ser membro da OTAN e em 2004 passou a integrar a União Europeia.

