HISTÓRIA
República do Peru:
PERU: FILHOS DO SOL

Os milhares de anos de sua história guardam centenas de culturas, idiomas, sociedades, lugares distantes, invenções, imperadores, heróis e traidores: o Império Inca que governou grande parte da América do Sul, sendo um dos mais avançados do mundo, a história de traições que determinou a conquista espanhola, a conquista da independência, as décadas de guerras territoriais com países vizinhos, os conflitos internos do século XX: tudo parece caber nesta imensa História; clara, misteriosa, moderna e milenária.
AS CULTURAS PRÉ-INCAS
A primeira civilização que ocupou o atual território do Peru foi a Caral (ou Caral-Supe), originada em torno de 5.000 AC, e considerada como berço da cultura andina. A cidade sagrada de Caral, onde foram construídas as primeiras pirâmedes de pedra, os primeiros altares, é na realidade um importante sítio arqueológico situado no Valle de Supe, a 200 km de Lima, a capital do Peru.
No rastro desta primeira civilização, surgiram e, em alguns casos conviveram, durante inúmeros séculos, culturas diferentes que formaram sociedades, reinos e impérios através da vastidão do Império Peruano; cada uma atingindo o apogeu e a decadência próprias, fato muitas vezes associado à sua localização geográfica. Foram muitos e diversos os hábitos e costumes, assim como os destinos das culturas da selva, litoral e da região central do país.
Em torno de 200 AC, começa a etapa da agricultura extensiva, que incluie a irrigação de zonas desérticas, além da construção de aquedutos subterrâneos, o que se reflete numa complexidade nos aspectos sociais e políticos. Numerosas sociedades se desenvolvem em todos os setores, entre elas a Moche, Lima, Nazca e Tihuanaco, todas elas governadas por elites de guerreiros e um abrangente domínio das artes manuais.
Entre os séculos VI e VII surge a cultura Huari, precursora de um urbanismo sofisticado entre as culturas andinas: a cidade de Huari tinha grandes templos no centro, ruas ortogonais e canais de água que as cruzavam. Através da agricultura, que cultivavam nas encostas, conseguiram um progresso econômico que determinou na expansão territorial de sua cultura e domínios políticos. Esta situação perdurou quase até século XII, quando progressivamente, as culturas conquistadas começaram a tornar-se independentes. Em 1200 os Chimú (descendentes da sociedade Moche), construíram Chan Chan, a maior cidade da América do Sul até então. Em 1450, o Reino Chimú chegava até o Equador.
O IMPÉRIO INCA
Em torno de 1440 começa o avanço imperial Inca, uma das culturas mais sofisticadas do mundo pré-colombiano, e que se transformaria no Império Tahuantinsuyo, um dos maiores que existiam no mundo da época. A capital do Império era localizada no Reino de Cusco, fundada em torno do ano 1200. Seu governante, Sapa Inca, transformou-se rapidamente no Imperador de Tahuantinsuyo.
Em menos de um século de trajetória expansionista, os Senhores de Cusco (Pachacútec, Huayna Cápac e Túpac Yupanqui) conseguiram estabelecer um império que ia da Colômbia até a zona central do Chile. Eles implantaram um abrangente sistema que incluía todas as culturas e povos andinos, cujos idiomas e tradições respeitavam mas, ao mesmo tempo, mantinham sob seu estrito controle. Construíram estradas e fortalezas. Criaram e estabeleceram um sistema de armazenamento e obrigavam a todos os habitantes dos povos conquistados a trabalhar as terras ou colaborar nas obras públicas.
Em 1527,morre Huayna Cápac e inicia-se um período de lutas internas entre os possíveis herdeiros do Imperador.
Atahualpa saiu ganhador na batalha pela sucessão, mesmo não tendo o apoio dos povos e tampouco das famílias no poder. Em 1532 o novo imperador decidiu reunir-se com os espanhóis, que exigiram que ele se submetesse ao Rei da Espanha. Atahualpa negou-se e, começou então uma batalha na qual os espanhóis, com ajuda dos povos conquistados que se opunham ao poder de Cusco, aliados à outros nobres cusquenhos que questionavam seu poder, aniquilaram seus seguidores e transformaram Atahualpa em prisioneiro, finalmente executando-o em 1533. Os espanhóis fizeram alianças em Cusco e impuseram Manco Inca como governante de um Império que tinha seus dias contados. Manco Inca confronta-se com os espanhóis e toma Cusco, porém os mesmos o vencem e recuperam a cidade. Todas as províncias já eram independentes, somente alguns grupos próximos à Cusco, resistiam às tropas do conquistador Almagro. Os Incas resistiram nas montanhas de Cusco até 1572, quando o últimos Inca, Túpac Amaru, foi finalmente executado.
DA CONQUISTA À INDEPENDÊNCIA
Tanto Pizarro como Diego de Almagro tinham poder sobre a região de Cusco, por acordos firmados com a Coroa Espanhola. Um período de lutas entre ambos conquistadores terminou com a decisão da Coroa em transformar o Peru em Vice-reinado da Espanha, em 1544.
A partir de então o Vice-reinado do Peru passou a ser o enclave mais importante da Espanha na América do Sul.
Simultaneamente ocorreu no Peru uma catástrofe demográfica causada por inúmeras doenças trazidas pelos europeus e contra as quais os locais não tinham defesas. Estima-se que em apenas 100 anos, a população andina passou de 9 milhões a 600 mil habitantes.
Durante a primeira etapa do vice-reinado estabeleceu-se uma sociedade fortemente classista, onde os cargos públicos eram exercidos pelos espanhóis, que tinham mais direitos e status que os crioulos (filhos de espanhóis), mestiços e indígenas, nesta ordem; e por fim os escravos que começaram a ser trazidos da África. A religião católica foi imposta à força, com a destruição de objetos de culto de outras crenças.
No século XVIII as economias do continente foram liberalizadas, o que acarretou na queda econômica de Lima e de suas classes dirigentes. Sérias revoltas de ordem social aconteceram, porém foram duramente reprimidas. Este panorama de conflitos, somado à tomada do trono da Espanha por parte de Napoleão foi o preâmbulo para a independência.
Em 1820, desembarcou em Paracas, o General José de San Martín, comandando a Expedição Libertadora do Peru, que saiu do Chile, onde Bernardo O’Higgins havia conseguido a independência. O exército venceu na Batalha de Nazca. Em Julho de 1821, San Martín adentrou a cidade de Lima, que já havia sido abandonada pelos espanhóis. Em 28 de Julho a independência do Peru foi proclamada, apesar das lutas com as forças coloniais continuarem, sob o comando de Simón Bolivar. Em Agosto de 1824, Bolívar e suas tropas venceram a Batalha de Junín, e em 09 de Julho, após vencerem novamente na Batalha de Ayacucho, a independência da Espanha ficou consolidada.
A partir deste momento o Peru entrou num momento de turbulência política, marcado por confrontos com a Espanha, Bolívia e a Grande Venezuela, além das disputas entre os governantes políticos de cada conflito.
AS GUERRAS
O general Ramón Castilla, veterano da batalha de Ayacucho, ascendeu a presidência em 1845. Entre seus dois mandatos conseguiu grandes feitos: aboliu-se a escravatura, foram construídas estradas e ferrovias, um sistema de telégrafo e em 1860 foi redigida uma Constituição liberal. Paralelamente, começa a exploração de recursos naturais do país, tais como guano e jazidas de nitrato. Estas jazidas foram a causa principal da primeira Guerra do Pacífico (1864-1866) entre o Peru e a Espanha, que tinha sob seu poder importantes ilhas guaneiras. O Equador, a Bolívia e o Chile aliaram-se ao Peru e derrotaram a Espanha.
Em 1879 o Peru e a Bolívia entraram em guerra contra o Chile. A causa, mais uma vez, era a disputa sobre as jazidas de guano no sul do país. O Peru sofreu uma forte derrota e a decorrente ocupação de sua capital. O Tratado de Paz, assinado a força para impedir a guerra, fez com que perdesse as províncias de Arica, Tarapacá e parte de Tarata. Uma invasão brasileira pelos territórios amazônicos peruanos, resultou na perda de outros 451.000 km2. Uma disputa não resolvida na fronteira com o Equador, levaria a outros tantos confrontos bélicos até os últimos anos do século XX.
Desde o final da guerra com o Chile, o Peru foi governado por diferentes ditadores durante vinte e cinco anos.
A figura de Augusto Bernardino Leguía por um lado e a Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA) por outro foram os personagens mais importantes na vida pública peruana nas tres primeiras décadas do século XX. Leguía foi presidente durante dois mandatos. No primeiro (1908-1912), implementou um programa de reformas econômicas; em seguida, visitou a Europa e os Estados Unidos a fim de reunir-se com os setores empresariais e adquirir conhecimentos financeiros. No segundo mandato, contou com o apoio dos militares, que o elegeram logo após um golpe de estado. Em 1924 a EPRA foi fundada por um grupo de intelectuais exilados no México em oposição a Leguía e que reivindicava reformas radicais em todos os âmbitos, centralizando seu discurso nas precárias condições de vida dos indígenas. Leguía tentou proibir a atividade da APRA, porém não pôde evitar sua popularidade, que cresceu até transformar-se no partido político mais representativo do Peru.
Em 1940, durante o mandato presidencial de Manuel Prado y Ugarteche, as exigências feitas pela APRA passaram a ser postas em prática por todos os governantes.
ATUALMENTE
Após uma longa série de golpes e governos militares, a democracia retorna em 1980 e das eleições, Belaúnde Terry sai consagrado como presidente. Ele assumiu e formou seu governo baseado em uma nova Constituição.
Na década de 80, o índice de renda per cápita cai abruptamente e a gigantesca dívida externa torna-se incontrolável em consequência da política econômica de décadas anteriores.
Ao mesmo tempo, agravam-se os combates entre grupos de guerrilheiros e as forças para-militares do Governo. O poder do narcotráfico cresce: grandes quadrilhas de produtores de droga submetem vastas áreas às suas políticas violentas. Por outro lado, a guerrilha maoísta Sendero Luminoso inicia uma campanha que termina com a vida de inúmeros peruanos. A quantidade de vítimas se multiplica diante da aparição de grupos para-militares que, com a desculpa de combater à guerrilha, cometem diversos massacres e assassinatos.
Em 1985 a direita peruana atravessa um desgaste sem precedentes e Alan García transforma-se no primeiro Presidente aprista do Peru, porém tampouco consegue controlar a crise. Rompe com os fundos de crédito internacionais e faz um intento fracassado de estatizar os bancos.
O famoso escritor Mario Vargas Llosa lidera uma coalisão neo-liberal visando as eleições de 1990, nas quais é inesperadamente derrotado por Fujimori, um quase “desconhecido” da vida pública peruana até então.
A chegada do presidente Alberto Fujimori trouxe consigo políticas liberais e uma etapa de crescimento, porém também iniciou uma expansão da corrupção de níveis inéditos no Peru.
Em 1992 Fujimori, fundamentado por uma crítica social aos partidos tradicionais, desfere um auto-golpe de estado, no qual , com o apoio das Forças Armadas, dissolveu âmbas as Câmaras do Congresso e interviu na Corte Suprema.
No ano 2000, seguindo uma segunda reeleição de Fujimori, proliferam filmagens que comprovam as denúncias de suborno de congressistas e empresários que implicavam o Presidente, obrigando-o a renunciar do exterior e refugiar-se no Japão, sua terra natal.
Em junho de 2006 Alan García volta à presidência, derrotando nas eleições o nacionalista Ollanta Humala.
Filhos do sol”
GEOGRAFIA E CLIMA
Por seu tamanho e disposição geográfica, bem como a influência da corrente oceânica de Humboldt, o Peru possui uma grande variedade de climas e paisagens. A costa é caracterizada por um clima úmido e quente. Suas temperaturas são mais agradáveis devido à proximidade com relação ao Trópico e À linha do Equador.
Enquanto o norte pode possuir uma paisagem exuberante, o sul é dominado pelo clima seco do deserto. Ao leste fica a região da Serra, uma série de vales circundados por altitudes andinas. A elevação das três cadeias de montanhas que compõem esta região faz com que os vales intermediários variem em clima, fertilidade e extremidades climáticas. A região de selva corresponde à parcela da Amazônia pertencente ao Peru. Uma selva luxuriante e às vezes impenetrável se estende por elevações íngremes e rios turbulentos que correm entre vales de presença humana escassa.
É neste país que se localiza um dos maiores lagos situados acima do nível do mar, o Titicaca. Diversas cidades cresceram ao seu redor, como Puno, que hoje recebe milhares de turistas. Sua principal atração é o conjunto de Ilhas Flutuantes de Uros (foto). Elas surgiram como maneira de assegurar que os ancestrais Unos não seriam escravizados pelos Incas. Quando os exploradores Incas surgiam na região, os Uros se embrenhavam no lago Titicaca, território sagrado e proibido para os Incas.
ECONOMIA
Após um passado de populismo nacionalista, a partir da década de 1990, o Peru iniciou um profundo processo de transformação que o levou a construir um sistema econômico crescente identidade capitalista. É uma das maiores economias de maiores índices de crescimento do mundo na última década e, com a assinatura de um Tratado de Livre Comércio com os EUA, pôde aumentar significativamente suas exportações. Entretanto, a economia peruana ainda apresenta níveis elevados de desigualdade na distribuição da riqueza e altos níveis de informalidade.
As principais fontes de renda são as exportações de produtos primários com um peso crescente na produção. As atividades petrolíferas e de mineração constituem, junto à agropecuária e à pesca, os setores mais fortes da economia, mas o sector do turismo e finanças também apresenta alto nível de crescimento.
FATORES HUMANOS
A sociedade peruana é caracterizada pela sua variedade. As raízes pré-colombianas, principalmente de etnia aimará e quéchua, combinam-se com a migração europeia e uma forte presença das comunidades orientais, africanas e árabes. Metade das pessoas vive na região costeira, onde se destacam as grandes cidades. Dentro da Amazônia peruana, é possível encontrar comunidades indígenas cujas culturas permanecem inalteradas ou quase inalteradas.
Dada a distribuição desigual da riqueza, a sociedade peruana está fortemente dividida em classes de diferenciação econômica, cultural e geográfica marcada.
Linguisticamente, o Peru também apresenta uma grande diversidade. 80% dos peruanos falam o castelhano. O restante fala quéchua, aimará e outras línguas. Não é incomum a presença de comunidades bilíngues que utilizam o castelhano para se comunicar fora da comunidade e como idioma local para relações entre os pares.
O Peru é um país predominantemente católico, mas é também bastante difundida a presença de religiões indígenas, evangélicas e protestantes.
O viajante encontrará nos grandes centros urbanos pessoas que se expressam em línguas europeias, mas em direção ao interior, o castelhano é a língua mais utilizada.
No interior do Amazonas Peruano é possível encontrar comunidades indígenas cujas culturas permanecem intactas ou quase inalteradas”
CULTURA
Poucos países podem mostrar uma cultura tão eclética como o Peru. As raízes pré-colombianas se combinam com uma sociedade que se moderniza em ritmo acelerado, um rico legado da imigração proveniente de todo o mundo e o sincretismo característico típico uma sociedade com um elevado grau de miscigenação.
A música peruana reflete exatamente essa diversidade. Os ritmos folclóricos andinos são variados e cada região possui seu ritmo característico. O huayno, a muliza e o yarebí são exemplos desta variedade. Na região amazônica, as comunidades locais preservam a música antiga e a língua original. Nas áreas urbanas e do litoral, é presente uma releitura de ritmos europeus com influência das culturas indígenas e imigrantes árabes, negras e orientais. A valsa peruana, a cumbia e a marinera são alguns dos ritmos mais populares.
Em cada região, existem mercados onde é possível adquirir artesanato típico de cada local. Panelas de barro, esculturas e ornamentos feitos de diferentes materiais são alguns dos famosos produtos que atraem o interesse dos turistas.
As festas populares, como o carnaval em fevereiro, tendem a atrair milhares de turistas de todo o mundo. Outra festividade imperdível é o Inti Raymi, a festa do sol pelos descendentes dos Incas, realizada a cada solstício de inverno na fortaleza de Sacsayhuamán. Consiste de entronização simbólica do rei inca e à realização de oferendas aos deuses desta cultura.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Lima 14°41′18″S 75°7′23″O
A capital do Peru foi fundada por Francisco Pizarro em 18 de janeiro de 1535. Seu primeiro nome foi “Cidade dos Reis”, pois sua fundação coincidiu com a celebração da chegada dos Reis Magos a Nazaré. Mas com o tempo passou a se chamar Lima, em homenagem ao grupo étnico indígena que habitava a região antes da chegada dos espanhóis. As riquezas minerais e humanas tomadas dos incas e sua posição estratégica a tornaram a capital do Vicerreinado espanhol na América do Sul. Ao longo de sua rica história, Lima foi arrasada por terremotos, piratas e invasões estrangeiras. Foi também o local onde foi declarada a independência do Peru, em 1821. Prédios coloniais majestosos preservados por toda a cidade são testemunhas da história da cidade.
Linhas de Nazca 14°41′18″S 75°7′23″O
Poucos lugares no mundo despertam tanta curiosidade quanto as imensas e ainda não explicadas Linhas de Nazca. Embora a sua existência seja mencionada em textos da época da conquista espanhola, só foi possível desvendar o verdadeiro tamanho e aparência das linhas em 1927 quando o arqueólogo grego Paul Kosok fez um mapa preciso das figuras e pôde observar pela primeira vez formas geométricas, animais e até mesmo figuras antropomórficas de tamanho descomunal. O desenvolvimento da aviação permitiu, pela primeira vez, confirmar a extensão dos geoglifos. Acredita-se que as linhas sejam representações rituais dedicadas aos deuses. Outros assumem que tenham propósitos astronômicos e pesquisas recentes sugerem que seu uso pode estar relacionado com a marcação das águas subterrâneas.
Machu Picchu 13°9′48″S 72°32′46″O
O antigo santuário inca perdido em uma região montanhosa remota do Urabamba foi descoberto para o mundo ocidental em Junho de 1894 pelo aventureiro americano Hiram Bingham. Para localizar o lugar, Bingham se baseou nos relatos da população local que se referem a uma cidade secreta escondida nas montanhas. Estudos posteriores revelaram que outros exploradores como Enrique Palma e Justo Ochoa a haviam visitado no início do século, mas não relataram sua descoberta. A arqueologia desvendou o propósito da cidade, embora a maioria das opiniões concorde que é um complexo de origem religiosa. Suas ruínas estão espalhadas em uma área de 200 metros de largura e 530 de comprimento, onde são distribuídos templos, áreas residenciais e terraços agrícolas.
Cuzco 13°31′31″S 71°58′09″O
A antiga capital do império inca está localizada no sopé dos Andes. A tradição pré-colombiana atribui sua fundação ao mítico Manco Cápac. A arqueologia determinou que sua origem remonta ao final do reinado de Tiahuanaco, quando um grupo de imigrantes se estabeleceu na região e começou a estabelecer uma nova civilização que nos séculos posteriores fundaria o império inca. Pouco antes da chegada dos conquistadores europeus, Cuzco foi a maior e mais populosa cidade da América do Sul. Contudo, Cuzco é também uma cidade rica em história colonial. Foi sede de um poderoso governo que centralizou o comércio de uma vasta região do Peru. Foi lá onde as tropas do rebelde Tupac Amaru I estiveram prestes a derrotar os espanhóis e onde foi morto com sua família por seus adversários.
Cidadela de Chan Chan 8°6′31″S 79°4′30″O
Na costa norte do Peru está a cidadela de Chan Chan, a maior do mundo construída em adobe. Foi construída pelos nativos da etnia chimbu em honra do deus sol (seu nome no dialeto quingam significa “sol – sol”). O complexo é composto de nove cidadelas menores, distribuídas por cerca de 20 km2. Parcialmente destruída pelos incas na época pré-colombiana, ainda é possível admirar os ricos afrescos e as ruínas de um complexo sistema de água capaz de suprir as 60.000 pessoas que chegaram a viver no interior da cidadela.
Iquitos 3°45′0″S 73°15′0″O
A Amazônia peruana é um dos locais do planeta onde é possível encontrar grandes extensões de floresta tropical intocadas pelo homem. A região era habitada por membros da tribo dos iquitos, que deram seu nome à principal cidade da região. A região foi colonizada pelos jesuítas em 1638 e sua chegada trouxe o levantamento das Reduções que preservam importantes edifícios. O boom da borracha desencadeado até 1880 marcou o período de crescimento e de glória da cidade. Além de sua bela arquitetura, que descreve as diferentes fases de colonização da Amazônia peruana, a cidade é o ponto de partida a exploração de paisagens naturais de uma área escondida e virgem.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
O Peru é acessível por muitas companhias aéreas, mas os voos domésticos são insuficientes. Suas comunicações terrestres são muitas vezes facilitadas quando percorrem estradas costeiras que ligam as principais cidades. No interior, as estradas são mais agrestes e as estradas pavimentadas são menos frequentes. É importante tomar precauções ao se viajar pelas estradas de cascalho ou borda, visto que a altura, o clima em constante mudança, assim como a falta de atenção de alguns motoristas locais transformam a direção em algo que deve ser levado a sério.
A alternativa é percorrer as estradas mais remotas a pé. O mal da montanha é um imprevisto a ser considerada nas regiões de montanha. Na região Amazônica, é essencial ter um guia local, visto que as trilhas na selva podem causar desorientação.
O sistema ferroviário está passando por um processo de modernização, mas ainda sofre com os atrasos e as suas ramificações estão pouco desenvolvidas.
Ao viajar o percurso de carro ou ônibus, o turista deve sempre ter em mãos seu passaporte, que pode ser requerido pelos frequentes controles policiais das rodovias. É aconselhável viajar de dia para evitar se perder ou ser vítima de grupos criminosos que, ocasionalmente, atuam na estrada. No interior do Peru, o sistema de transporte é utilizado por pessoas que às vezes lotam os veículos ou viajam com pertences e animais de estimação. O costume local é alertar o motorista onde se deseja descer.
As regiões da Amazônia são ligadas por vias navegáveis. Além de meios de transporte de pequeno porte, é possível alugar barcos e canoas com as populações locais.
GASTRONOMIA
Cebiche (ou Ceviche)
Este é o prato mais famoso da culinária peruana. Consiste em pedaços de peixe cozido na acidez do limão, que também são acompanhados com cebola vermelha e pimentas. Existem tantas variedades de ceviche quanto de peixes utilizados em sua preparação (marinhos ou água doce) e acompanhamentos adicionados, como no caso da batata-doce, cancha serrana (milho torrado), mandioca, feijão ou legumes de ocasião. (Dicas: por ser um prato não-cozido, recomenda-se o consumo em locais cujos padrões bromatológicos sejam aceitáveis. Não é aconselhável comprá-lo na rua.)
Chupe de camarão
Trata-se de um dos pratos típicos da cozinha do litoral. Consiste em uma sopa de camarão fresco e peixe em que são adicionados ovos, batatas, cebola refogada, arroz, tomate, batata, milho, ervilha, fava e leite. A mistura é uma das mais populares da cozinha peruana e uma importante fonte de nuances ao paladar. (Seu consumo proporciona uma grande quantidade de calorias. É um prato servido com generosidade, sendo o ideal compartilhá-lo.)
Choritos a la Chalaca
O chorito é uma variedade de mexilhões muito apreciada pelos peruanos. Seu consumo como aperitivo é costume em todo o país. Geralmente é consumido com um molho de cebola e tomate picados, que são cozidos juntos com o chorito em limão e servidos na casca do marisco. (Dica: é importante se informar sobre as restrições ao consumo de mariscos e em caso de advertência de “maré vermelha”, deve-se abster de consumi-los em locais que ofereçam variedades frescas.)
Alpaca
Esta variedade de camelídeos é consumida há milhares de anos. Os incas a incluam em sua dieta como um refinamento reservado às classes superiores. Pode ser consumida assada, com diferentes tipos de molho, em forma de guisados ou cozidos. Existem inúmeras receitas para prepará-la e em todas elas o sabor forte da carne se destaca, bem como a pouca gordura. (Dica: a carne de alpaca provém de criadouros legalizados. Seu consumo não representa riscos ambientais.)
Butifarra
O sanduíche típico do país pode ser consumido a qualquer hora e lugar, pois é oferecido em muitas bancas de rua e lojas de alimentos. Consiste em um presunto condimentado com cominho, orégano, pimenta, urucum, sal e alho. O presunto é cortado em fatias finas e posto de molho em um molho de cebola, pimenta, sal, azeite e vinagre. Após meia hora em repouso, é introduzido em um pão torrado com alface e salsa criolla. (Dicas: alguns locais oferecem pequenas variações de butifarra. Caso deseje consumir a versão original, bastar esclarecer no momento do pedido.)
Carapulca
A carapulca é preparada com carne suína ou bovina com batata desidratada, pimenta, amendoim, alho, cravo-da-índia, cominho, coentro, caldo de galinha, vinho e manteiga. Diz-se que sua origem remonta às receitas indígenas e às contribuições dos escravos no período colonial, que fizeram deste prato uma grande fonte de calorias e proteínas. É servida com arroz. (Dicas: uma porção de carapulca pode conter calorias suficientes para um dia inteiro de passeio. Trata-se de um prato barato para aqueles que desejam combinar economia com uma culinária requintada.)
Tacacho
Originalmente consumido na Amazônia peruana, o tacacho foi batizado após a palavra quéchua que se refere “àquele que foi golpeado”. Sua preparação é feita de torresmo, feito a partir de carne suína ou bovina macerada em sal, limão e temperos. Esta massa é misturada com manteiga e banana verde assada a lenha ou cozida, dependendo da área. Uma vez preparada, a massa é acompanhada com uma porção de cecina (embutido semelhante ao presunto) e chouriço. (Dica: em algumas regiões, este prato rico em calorias pode ser oferecido no café da manhã. Há variações de tacacho típicas de cada região.)
Bebidas típicas
Pisco
O pisco é a bebida típica do Peru. O governo peruano tem mantido uma disputa com o Chile para o uso exclusivo do nome. O Pisco Sour é o mais famoso em todo o Peru e é muitas vezes consumido em uma variedade de coquetéis misturados com outros destilados, vinho, frutas e até mariscos.
Chicha
A fermentação de grãos de milho jora, embora consumida em outros países da região, tem sua origem no Peru. Fazia parte dos rituais incas, que o consideravam uma bebida sagrada. A chicha de jora (ou Aqha, de acordo com o nome da quéchua) é utilizada em rituais e cerimônias incas até a atualidade.
Inka Kola
O Peru possui sua própria bebida gaseificada, preparada à base de hierba luisa, uma planta típica do Peru. Tão difundida no Peru quanto os refrigerantes multinacionais e, certamente, mais consumida que seus concorrentes, a Inka Kola é também uma demonstração da capacidade do Peru para desenvolver suas próprias e originais iguarias. Foi inventada no estabelecimento da família Lindley em Lima e logo se tornou uma das bebidas mais consumidas no país.
Masato
Produzido a partir da fermentação da mandioca, arroz, milho e abacaxi, o masato é uma das bebidas mais difundidas na Amazônia peruana. Ao contrário de outras bebidas, não é fermentada em fracos fechados, mas em vasos com água, cana-de-açúcar e especiarias como cravo e canela.
Vinho peruano
O Peru produz excelentes variedades de vinho desde os tempos coloniais. Como em outras atividades gastronômicas, o país produz muitas variações e estilos de vinho, sendo algumas exóticas, tais como o vinho de figo e versões doces provenientes da fermentação adiantada das uvas. O vinho do Peru ainda está se recuperando da reforma agrária implementada pelo governo do General Alvarado na década de 1970, quando as vinhas foram confiscadas e suas terras distribuídas entre agricultores que foram incapazes de sustentar a atividade vinícola. A nova geração de vinícolas conseguiu exportar seus vinhos aos mercados mais exigentes do mundo.
O chorito é uma variedade de mexilhão muito apreciada pelos peruanos”
DICAS E CURIOSIDADES
• Por estar localizado em uma das regiões mais ativas do Círculo de Fogo do Pacífico, o Peru é propenso a terremotos.
• A presença do grupo terrorista Sendero Luminoso, após um período de recolhimento, voltou novamente à ativa. Devido ao caráter xenófobo e violento de seus membros, recomenda-se evitar as regiões do departamento de Ayacucho, onde estão presentes.
• Nos mercados e nos transportes públicos, é costume pechinchar o preço. Esta prática faz parte da cultura peruana e o comerciante ou condutor não se ofenderão caso o turista negocie o preço. Os taxistas não costumam usar equipamentos para registrar o valor da viagem; o preço deve ser previamente acordado.
• O comércio ilegal de itens arqueológicos peruanos ilegais está sujeito a perseguição ativa. Nos mercados, hotéis e terminais, existem unidades especiais dedicadas à detecção do contrabando. A compra e a comercialização são fortemente punidas pela lei local. O turista pode ser receber ofertas interessantes, mas deve equilibrar a participação na depredação do patrimônio cultural do Peru e da possibilidade de multas severas e até mesmo prisão.
• O Peru é um país de grande extensão e, por isso, recomenda-se planejar cuidadosamente a viagem em seus pontos turísticos.
• A rede de água potável peruana costuma ter problemas e, por isso, recomenda-se o consumo de água engarrafada. Deve-se evitar, na medida possível, os alimentos vendidos em público, principalmente aqueles preparados com peixes e mariscos.
• As doenças com as quais o turista deve tomar cuidado são febre tifóide, poliomielite, tétano e hepatite. Nas regiões de floresta, é importante estar imunizado contra a febre amarela.
• No planalto andino, o mal da montanha, ou “soroche”, é frequente, sendo combatido com descanso ou chá de coca.
• Não é necessário visto para visitantes de qualquer país.
• Com relação à segurança, as áreas rurais são propensas a roubos sem violência. Nas áreas urbanas, deve-se estar atento a assaltantes e mal-entendidos forçados que podem fazer com que os turistas percam dinheiro.
Lima
Fortaleza do Callao
A antiga Fortaleza del Real Felipe no Callao foi o mais poderoso símbolo espanhol da América do Sul. Suas muralhas e portões, construídos entre 1640 e 1746 resistiram ataques de corsários, de uma frota espanhola e de um exercito chileno. É o forte mais bem conservado da América do Sul.
Casa de Pizzarro
O atual palácio presidencial do Peru foi construído em 1938 no local da residência do antigo conquistador espanhol Francisco Pizarro que data de 1535. Entre os residentes que passaram por lá estão José de San Martín, Simón Bolívar e todos os presidentes peruanos.
Embaixada do Japão
No dia 17 de Dezembro de 1996, um grupo de terroristas do Movimento Revolucionário Tupac Amaru invadiu a residência do embaixador do Japão na cidade de Lima durante uma festa, fazendo mais de 400 reféns. Após 126 dias de ocupação, tropas especiais do presidente Alberto Fujimori tomaram a embaixada. No total, os 14 membros do comando terrorista foram mortos, um dos reféns e dois militares.
Museu da Inquisição
A cidade de Lima foi o centro do Tribunal da Santa Inquisição, com jurisdição em todas as colônias espanholas da América do Sul. No museu encontra-se em exibição diversos objetos e documentos pertencentes ao Santo Oficio.
Catedral de Lima
Construída em 1535, ela é a maior igreja do Peru e abriga também o tumulo do conquistador Francisco Pizarro.
Batalha de Miraflores
Em 15 de Janeiro de 1881, tropas peruanas e chilenas se enfrentaram neste bairro, no que viria a ser a ultima batalha da Guerra do Pacifico. As tropas peruanas, ajudadas por civis que aderiram na defesa do local, não conseguiram resistira à ofensiva chilena e nos dias que se seguiram o local caiu diante de seus invasores.
Sítio Arqueológico de Huaca Pucclana
O local, juntamente com as evidências nele encontradas, foi importante fonte de informação sobre a cultura Lima, que deu nome à cidade. Na antiguidade o lugar abrigava um centro cerimonial de grande importância para esta etnia.
Igreja de Santo Domingo e Convento
O conjunto arquitetônico que abriga a Igreja e o Convento de Santo Domingo começou a ser construído na época da fundação de Lima. O local mais procurado pelos turistas é o túmulo de Santa Rosa de Lima, uma freira devota e supostamente milagrosa, nascida na cidade.
Muralhas de Lima
Entre 1684 e 1687, os espanhóis construíram uma muralha a fim de proteger as edificações mais importantes da cidade. As ruínas daquele muro, demolido em 1868 durante as obras de ampliação da cidade, podem ser observadas no Parque das Muralhas.
Museu de Arqueologia
O Museu Nacional de Arqueologia possui a maior coleção de objetos das culturas peruanas, incluído elementos da sociedade inca, inexistentes em outras cidades.