República do Peru


Nome Oficial
República do Peru
Habitantes
Peruanos
Capital:
Lima
Língua Oficial
Espanhol – Castelhano. Uma parcela elevada da população fala quéchua, aimará e dialetos locais.
População
29.546.963 (est. 2010)
Presidente
Alan García
Prefixo internacional
0051
Fuso horário
UTC -5
Moeda
Nuevo sol
Outros grandes centros urbanos
Tacna, Cuzco, Arequipa
superfície
1.285.215 Km2
Geografia e clima
Peru possui uma grande variedade de climas e paisagens
Economia
Peru iniciou um profundo processo de transformação que o levou a construir um sistema econômico crescente identidade capitalista
O que vestir
dicas
28 de julho, 14 de agosto, 20 de setembro e 9 de dezembro
Locais essenciais
Lima, Linhas de Nazca, Machu Picchu, Cuzco, Ciudadela de Chan Chan, Iquitos


 
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HISTÓRIA
República do Peru:
PERU: FILHOS DO SOL
República do Peru - História

Os milhares de anos de sua história guardam centenas de culturas, idiomas, sociedades, lugares distantes, invenções, imperadores, heróis e traidores: o Império Inca que governou grande parte da América do Sul, sendo um dos mais avançados do mundo, a história de traições que determinou a conquista espanhola, a conquista da independência, as décadas de guerras territoriais com países vizinhos, os conflitos internos do século XX: tudo parece caber nesta imensa História; clara, misteriosa, moderna e milenária.

AS CULTURAS PRÉ-INCAS

A primeira civilização que ocupou o atual território do Peru foi a Caral (ou Caral-Supe), originada em torno de 5.000 AC, e considerada como berço da cultura andina. A cidade sagrada de Caral, onde foram construídas as primeiras pirâmedes de pedra, os primeiros altares, é na realidade um importante sítio arqueológico situado no Valle de Supe, a 200 km de Lima, a capital do Peru.

No rastro desta primeira civilização, surgiram e, em alguns casos conviveram, durante inúmeros séculos, culturas diferentes que formaram sociedades, reinos e impérios através da vastidão do Império Peruano; cada uma atingindo o apogeu e a decadência próprias, fato muitas vezes associado à sua localização geográfica. Foram muitos e diversos os hábitos e costumes, assim como os destinos das culturas da selva, litoral e da região central do país.

Em torno de 200 AC, começa a etapa da agricultura extensiva, que incluie a irrigação de zonas desérticas, além da construção de aquedutos subterrâneos, o que se reflete numa complexidade nos aspectos sociais e políticos. Numerosas sociedades se desenvolvem em todos os setores, entre elas a Moche, Lima, Nazca e Tihuanaco, todas elas governadas por elites de guerreiros e um abrangente domínio das artes manuais.

Entre os séculos VI e VII surge a cultura Huari, precursora de um urbanismo sofisticado entre as culturas andinas: a cidade de Huari tinha grandes templos no centro, ruas ortogonais e canais de água que as cruzavam. Através da agricultura, que cultivavam nas encostas, conseguiram um progresso econômico que determinou na expansão territorial de sua cultura e domínios políticos. Esta situação perdurou quase até século XII, quando progressivamente, as culturas conquistadas começaram a tornar-se independentes. Em 1200 os Chimú (descendentes da sociedade Moche), construíram Chan Chan, a maior cidade da América do Sul até então. Em 1450, o Reino Chimú chegava até o Equador.

O IMPÉRIO INCA

Em torno de 1440 começa o avanço imperial Inca, uma das culturas mais sofisticadas do mundo pré-colombiano, e que se transformaria no Império Tahuantinsuyo, um dos maiores que existiam no mundo da época. A capital do Império era localizada no Reino de Cusco, fundada em torno do ano 1200. Seu governante, Sapa Inca, transformou-se rapidamente no Imperador de Tahuantinsuyo.

Em menos de um século de trajetória expansionista, os Senhores de Cusco (Pachacútec, Huayna Cápac e Túpac Yupanqui) conseguiram estabelecer um império que ia da Colômbia até a zona central do Chile. Eles implantaram um abrangente sistema que incluía todas as culturas e povos andinos, cujos idiomas e tradições respeitavam mas, ao mesmo tempo, mantinham sob seu estrito controle. Construíram estradas e fortalezas. Criaram e estabeleceram um sistema de armazenamento e obrigavam a todos os habitantes dos povos conquistados a trabalhar as terras ou colaborar nas obras públicas.

Em 1527,morre Huayna Cápac e inicia-se um período de lutas internas entre os possíveis herdeiros do Imperador.

Atahualpa saiu ganhador na batalha pela sucessão, mesmo não tendo o apoio dos povos e tampouco das famílias no poder. Em 1532 o novo imperador decidiu reunir-se com os espanhóis, que exigiram que ele se submetesse ao Rei da Espanha. Atahualpa negou-se e, começou então uma batalha na qual os espanhóis, com ajuda dos povos conquistados que se opunham ao poder de Cusco, aliados à outros nobres cusquenhos que questionavam seu poder, aniquilaram seus seguidores e transformaram Atahualpa em prisioneiro, finalmente executando-o em 1533. Os espanhóis fizeram alianças em Cusco e impuseram Manco Inca como governante de um Império que tinha seus dias contados. Manco Inca confronta-se com os espanhóis e toma Cusco, porém os mesmos o vencem e recuperam a cidade. Todas as províncias já eram independentes, somente alguns grupos próximos à Cusco, resistiam às tropas do conquistador Almagro. Os Incas resistiram nas montanhas de Cusco até 1572, quando o últimos Inca, Túpac Amaru, foi finalmente executado.

 

DA CONQUISTA À INDEPENDÊNCIA

Tanto Pizarro como Diego de Almagro tinham poder sobre a região de Cusco, por acordos firmados com a Coroa Espanhola. Um período de lutas entre ambos conquistadores terminou com a decisão da Coroa em transformar o Peru em Vice-reinado da Espanha, em 1544.

A partir de então o Vice-reinado do Peru passou a ser o enclave mais importante da Espanha na América do Sul.

Simultaneamente ocorreu no Peru uma catástrofe demográfica causada por inúmeras doenças trazidas pelos europeus e contra as quais os locais não tinham defesas. Estima-se que em apenas 100 anos, a população andina passou de 9 milhões a 600 mil habitantes.

Durante a primeira etapa do vice-reinado estabeleceu-se uma sociedade fortemente classista, onde os cargos públicos eram exercidos pelos espanhóis, que tinham mais direitos e status que os crioulos (filhos de espanhóis), mestiços e indígenas, nesta ordem; e por fim os escravos que começaram a ser trazidos da África. A religião católica foi imposta à força, com a destruição de objetos de culto de outras crenças.

No século XVIII as economias do continente foram liberalizadas, o que acarretou na queda econômica de Lima e de suas classes dirigentes. Sérias revoltas de ordem social aconteceram, porém foram duramente reprimidas. Este panorama de conflitos, somado à tomada do trono da Espanha por parte de Napoleão foi o preâmbulo para a independência.

Em 1820, desembarcou em Paracas, o General José de San Martín, comandando a Expedição Libertadora do Peru, que saiu do Chile, onde Bernardo O’Higgins havia conseguido a independência. O exército venceu na Batalha de Nazca. Em Julho de 1821, San Martín adentrou a cidade de Lima, que já havia sido abandonada pelos espanhóis. Em 28 de Julho a independência do Peru foi proclamada, apesar das lutas com as forças coloniais continuarem, sob o comando de Simón Bolivar. Em Agosto de 1824, Bolívar e suas tropas venceram a Batalha de Junín, e em 09 de Julho, após vencerem novamente na Batalha de Ayacucho, a independência da Espanha ficou consolidada.

A partir deste momento o Peru entrou num momento de turbulência política, marcado por confrontos com a Espanha, Bolívia e a Grande Venezuela, além das disputas entre os governantes políticos de cada conflito.
 

AS GUERRAS

O general Ramón Castilla, veterano da batalha de Ayacucho, ascendeu a presidência em 1845. Entre seus dois mandatos conseguiu grandes feitos: aboliu-se a escravatura, foram construídas estradas e ferrovias, um sistema de telégrafo e em 1860 foi redigida uma Constituição liberal. Paralelamente, começa a exploração de recursos naturais do país, tais como guano e jazidas de nitrato. Estas jazidas foram a causa principal da primeira Guerra do Pacífico (1864-1866) entre o Peru e a Espanha, que tinha sob seu poder importantes ilhas guaneiras. O Equador, a Bolívia e o Chile aliaram-se ao Peru e derrotaram a Espanha.

Em 1879 o Peru e a Bolívia entraram em guerra contra o Chile. A causa, mais uma vez, era a disputa sobre as jazidas de guano no sul do país. O Peru sofreu uma forte derrota e a decorrente ocupação de sua capital. O Tratado de Paz, assinado a força para impedir a guerra, fez com que perdesse as províncias de Arica, Tarapacá e parte de Tarata. Uma invasão brasileira pelos territórios amazônicos peruanos, resultou na perda de outros 451.000 km2. Uma disputa não resolvida na fronteira com o Equador, levaria a outros tantos confrontos bélicos até os últimos anos do século XX.

Desde o final da guerra com o Chile, o Peru foi governado por diferentes ditadores durante vinte e cinco anos.

A figura de Augusto Bernardino Leguía por um lado e a Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA) por outro foram os personagens mais importantes na vida pública peruana nas tres primeiras décadas do século XX. Leguía foi presidente durante dois mandatos. No primeiro (1908-1912), implementou um programa de reformas econômicas; em seguida, visitou a Europa e os Estados Unidos a fim de reunir-se com os setores empresariais e adquirir conhecimentos financeiros. No segundo mandato, contou com o apoio dos militares, que o elegeram logo após um golpe de estado. Em 1924 a EPRA foi fundada por um grupo de intelectuais exilados no México em oposição a Leguía e que reivindicava reformas radicais em todos os âmbitos, centralizando seu discurso nas precárias condições de vida dos indígenas. Leguía tentou proibir a atividade da APRA, porém não pôde evitar sua popularidade, que cresceu até transformar-se no partido político mais representativo do Peru.

Em 1940, durante o mandato presidencial de Manuel Prado y Ugarteche, as exigências feitas pela APRA passaram a ser postas em prática por todos os governantes.
 

ATUALMENTE

Após uma longa série de golpes e governos militares, a democracia retorna em 1980 e das eleições, Belaúnde Terry sai consagrado como presidente. Ele assumiu e formou seu governo baseado em uma nova Constituição.

Na década de 80, o índice de renda per cápita cai abruptamente e a gigantesca dívida externa torna-se incontrolável em consequência da política econômica de décadas anteriores.

Ao mesmo tempo, agravam-se os combates entre grupos de guerrilheiros e as forças para-militares do Governo. O poder do narcotráfico cresce: grandes quadrilhas de produtores de droga submetem vastas áreas às suas políticas violentas. Por outro lado, a guerrilha maoísta Sendero Luminoso inicia uma campanha que termina com a vida de inúmeros peruanos. A quantidade de vítimas se multiplica diante da aparição de grupos para-militares que, com a desculpa de combater à guerrilha, cometem diversos massacres e assassinatos.

Em 1985 a direita peruana atravessa um desgaste sem precedentes e Alan García transforma-se no primeiro Presidente aprista do Peru, porém tampouco consegue controlar a crise. Rompe com os fundos de crédito internacionais e faz um intento fracassado de estatizar os bancos.

O famoso escritor Mario Vargas Llosa lidera uma coalisão neo-liberal visando as eleições de 1990, nas quais é inesperadamente derrotado por Fujimori, um quase “desconhecido” da vida pública peruana até então.

A chegada do presidente Alberto Fujimori trouxe consigo políticas liberais e uma etapa de crescimento, porém também iniciou uma expansão da corrupção de níveis inéditos no Peru.

Em 1992 Fujimori, fundamentado por uma crítica social aos partidos tradicionais, desfere um auto-golpe de estado, no qual , com o apoio das Forças Armadas, dissolveu âmbas as Câmaras do Congresso e interviu na Corte Suprema.

No ano 2000, seguindo uma segunda reeleição de Fujimori, proliferam filmagens que comprovam as denúncias de suborno de congressistas e empresários que implicavam o Presidente, obrigando-o a renunciar do exterior e refugiar-se no Japão, sua terra natal.

Em junho de 2006 Alan García volta à presidência, derrotando nas eleições o nacionalista Ollanta Humala.

 

Filhos do sol”

5000 A.C - 1000 A.C
999 A.C - 500 D.C
501 D.C - 1450 D.C
1451 D.C - 1780 D.C
1781 D.C - 1900 D.C
1901 D.C - 1950 D.C
1951 D.C - Atualidade