República do Panamá


Nome Oficial
República do Panamá
Habitantes
Panamenhos
Capital:
Cidade do Panamá
Língua Oficial
espanhol
População
3.322.576 (est. 2010)
Presidente
Ricardo Martinelli
Prefixo internacional
00507
Fuso horário
UTC -5
Moeda
Balboa e dólar americano
Outros grandes centros urbanos
Bocas de Toro, David, Santiago, Chitré, Colón e La Palma
superfície
78.200 Km2
Geografia e clima
O território panamenho conta com um clima tropical úmido na maior parte do seu território
Economia
O Panamá possuiu uma economia capitalista de alta inserção nos mercados globais com participação estatal muito limitada nos processos produtivos.
O que vestir
dicas
Feriados nacionais: 3, 4 e 28 de novembro.
Locais essenciais
Ciudad de Panamá, Canal de Panamá


 
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HISTÓRIA
República do Panamá:
PANAMÁ: O CENTRO DA TERRA
República do Panamá - História

“Não posso expressar meu contentamento e admiração que senti quando soube que o Panamá, o centro do Universo, é separado por ele mesmo, e livre por seu próprio poder. O Ato de Independência do Panamá é o documento mais glorioso que a história pode dar a qualquer território americano.” SIMON BOLIVAR, 1 de Fevereiro de 1822.

A PRÉ-HISTÓRIA

A região do Panamá foi povoada por grupos aborígenes pelo menos desde o ano 3000 AC. Algumas hipóteses indicam que existem rastros da presença de grupos humanos no mínimo, há onze mil anos. Existem sete grupos indígenas atualmente que originam das tribos aborígenes que habitam a região a milênios: os ngöbes, o maior grupo; os guaymies, bugles, tiribies e tules. Todos eles falam idiomas com estruturas comuns ao chibchense. A pré-história da população do istmo do Panamá pode ser dividida em quatro etapas de desenvolvimento econômico: caça, coleta e pesca (de 10.000 a 3.000 AC); formação da agricultura (3.000 a 1.500 AC); agricultura (1.500 a 300 AC) e finalmente a extensão da agricultura (300 AC até a conquista).
Quando os espanhóis chegaram, a região do istmo do Panamá era habitada por cerca de um milhão de habitantes, organizados política e militarmente em grandes chefias de base teocrática, uma nobreza sacerdotal com diversas camadas sociais: nobres, militares, sacerdotes, povo e escravos.
O explorador espanhol Rodrigo de Bastidas avistou as costas caribenhas do Panamá em 1501 e as percorreu em missão de reconhecimento.

 

O PERÍODO COLONIAL

Colombo chegou à região durante sua quarta viagem e a denominou como Porto Belo em seu diário. Em 1510 a colonização européia começou a instalar-se na cidade de Santa Maria de Darien e tres anos depois, o avançado Vasco Núñez de Balboa chegou ao litoral do Pacífico na região costeira ocidental do território panamenho. Em 1524, a cidade de Darién foi assolada pelos indígenas, pouco depois do poder espanhol ter mudado a cidade do Panamá.
Por tratar-se do ponto de embarque das riquezas americanas em rumo à Europa, a cidade foi alvo de diversos ataques dos corsários e piratas. Em 1671, o inglês Henry Morgan ocupou e saqueou a cidade do Panamá.
Durante o século XVII, as tribos kunas puseram em perigo a conquista espanhola, liderando lutas sangrentas na região de Darién. Ajudaram os piratas, escondendo os mesmos dos espanhóis, e receberam deles apoio em sua luta. Os espanhoís, por seu lado, contaram com o apoio de uma tribo inimiga dos kunas, os índios chocoes, oriundos da Colômbia. Espanhóis, chocoes e negros executaram as ordens da coroa espanhola para reduzir ou aniquilar os kunas.

 

A INDEPENDÊNCIA E A ENTRADA À GRANDE COLÔMBIA

O dia 10 de Novembro de 1821 marcou o começo do processo independista liderado por Rufina Alfaro. Em 28 de Novembro, o Panamá declarou-se emancipado da Espanha e poucos meses depois, tropas reais assinaram um acordo com as novas autoridades para abandonar o território. Para tratar de preservar sua independência, os cidadãos panamenhos uniram-se à Gran Colômbia, a nação que Simón Bolívar havia formado unindo os territórios da Venezuela, Equador, Panamá e Colômbia.
Em 26 de Setembro de 1830, quando a Grande Colômbia se desintegrou em consequência das tensões entre as diferentes regiões que a compunham, o Panamá tentou conseguir sua autonomia da Colômbia. A oportunidade foi destruída pela oposição do general José de Fabrega. Outro movimento independista, encabeçada pelo general Juan Elgidio Alzuru, tentou a separação em Julho de 1831, porém a intervenção do exército colombiano devolveu ao Panamá à órbita de Bogotá um mes mais tarde. O general Tomás Herrera proclamou o Estado Livre do Istmo em 1840 e conseguiu o reconhecimento dos Estados Unidos e Costa Rica, mesmo tendo desistido um ano mais tarde, diante da pressão política e militar exercida pela Colômbia. Em 1858 os panamenhos tentaram ditar leis que ampliavam sua autonomia com relação ao governo central colombiano, porém a guerra civil derrotou a tentativa.
Em 15 de Abril de 1858 uma série de distúrbios desataram a partir de um incidente mínimo, quando um cidadão americano negou-se a pagar por um pedaço de melancia que havia pego de um local de um vendedor panamenho. Nos dias seguintes, os distúrbios entre os locais e os norte americanos que trabalhavam na construção da ferrovia, se multiplicaram. As tropas dos Estados Unidos que guardavam a obra, abriram fogo contra a população local. No fim da revolta, 16 norte americanos estavam mortos e dois panamenhos. O governo norte americano usou o incidente para ocupar militarmente a zona, com a desculpa de defender seus cidadãos de uma conspiração instigada por Bogotá contra seus interesses. Na verdade, os Estados Unidos queriam a independência do Panamá para poder construir um canal trans-oceânico, empreitada em que competia com os governos da França e Inglaterra, que pretemdiam controlar o istmo. Vários outros lugares haviam sido cogitados para a construção da obra e a região panamenha parecia ser a ideal, porém os investidores se detinham diante das exigências colombianas para obter vantagens em troca da construção do canal em seu território.

 

NOVA INDEPENDÊNCIA: RUMO AO CANAL DO PANAMÁ

A Colômbia conseguiu recuperar o controle do istmo em 1862 após pagar uma enorme indenização aos Estados Unidos. Em Novembro de 1903, uma revolta separatista alentada pelo desastroso estado em que a Colômbia havia ficado depois da feroz luta interna conhecida como “guerra dos mil dias” travada entre 1899 e 1902, irrompeu.
Um contingente colombiano enviado para conter o levantamento não conseguiu chegar a tempo e grande quantidade de suas tropas ficaram detidas em Colón, pela ação dos norte americanos, que controlavam a ferrovia que os transportaria, chegando ao seu destino somente os comandantes, que foram detidos imediatamente e decretados prisioneiros pelo general Esteban Huertas, líder militar do levante. Apoiando Huertas uma parte do exército encontrava-se de prontidão na zona e milhares de civis panamenhos armados. A presença de uma frota norte americana que apoiava os independistas forçou a Colômbia a aceitar a independência panamenha.
Em 3 de Novembro o Panamá declarou sua independência e a nova nação foi rapidamente reconhecida pelos Estados Unidos e França. Uns dias mais tarde, o novo governo assinou um acordo com os norte americanos para autorizar a construção de um canal interoceânico e lhe concederam diversas vantagens econômicas, territoriais e militares para a empresa.
O Canal do Panamá foi terminado em 1914. Entretanto, a imposição de um protetorado norte americano e a constante intervenção deste país em assuntos internos foram criando uma oposição cada vez mais firme aos acordos de 1903. Em 1934 foram assinados uma série de protocolos para limitar a influência norte americana, porém a presença de tropas na zona do canal e a dependência econômica do país e das divisas que o canal gerava fez com que as promessas durassem pouco.


 

A SITUAÇÃO ATUAL

Em 1964 um grupo de estudantes panamenhos organizou uma série de protestos contra a presença norte americana no país. As tropas norte americanas presentes no Canal abriram fogo contra eles e assassinaram 21 manifestantes.
Um golpe de estado ocorrido em 11 de Outubro de 1968 levou o general Omar Torrijos ao poder, após um breve período de governo do general Boris Martínez. O governo de Torrijos caracterizou-se pelo uso de grupos paramilitares para atacar a oposição e a corrupção generalizada por aqueles que se encontravam ao redor do presidente. Porém o feito mais importante foi a assinatura do acordo, em 1977, com o Presidente Norte Americano Jimmy Carter, que prometia a entrega do Canal aos panamenhos no primeiro dia do ano 2000.
Torrijos morreu num obscuro acidente em 1981 e foi substituído pelo vice, o general Manuel Noriega. Ainda que fosse um ex colaborador da CIA norte americana, Noriega rapidamente adotou um discurso nacionalista que o levou a confrontar-se com os Estados Unidos. O homem forte panamenho governou com métodos tão brutais e corruptos quanto seu antecessor, além de ser acusado como facilitador da ação dos narcotraficantes e lavadores de divisas ilegais no território panamenho.
Após um confuso incidente em que membros da Guarda Nacional do Panamá assassinaram um soldado norte americano, Noriega declarou guerra aos Estados Unidos em Dezembro de 1989. Em 20 de Dezembro, tropas norte americanas invadiram o Panamá. Ainda que a resistência tenha sido fraca, os atacantes mataram 5.000 pessoas, a maioria deles civis que foram derrubados durantes os bombardeios norte americanos em zonas não militares. Logo depois de refugiar-se no Consulado do Vaticano no Panamá, Noriega foi preso e julgado por narcotráfico nos Estados Unidos.
Sob a tutela norte americana, Guilhermo Endara assumiu a presidência panamenha, pois havia sido ganhador nas eleições de 1989, abolidas pelo regime militar de Noriega.
Nos anos seguintes o Panamá conseguiu certa estabilidade política, alternando governos de diferentes correntes no poder executivo.

 


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