HISTÓRIA
Nepal:
NEPAL: SÉCULOS PERTO DO CÉU

O vale de Katmandu era um lago onde flutuava uma flor de lótus mágica e iluminada. O patriarca chinês Manjushri, impressionado com a energia e beleza do lugar, drenou toda a água do lago até que a flor emergiu e pousou no solo. Em seguida, o chinês cortou toda a vegetação em volta do lugar com sua espada, para que a água pudesse sair. Em torno da flor ele construiu um pequeno povoado de madeira: Manjupatan. Em torno deste pequeno povoado, cresceu um país: o Nepal. Uma terra antiga com ricas tradições religiosas, dono das montanhas mais altas do mundo: a Cordilheira do Himalaia.
A PRÉ-HISTÓRIA E A DINASTIA LICHHAVI
A primeira sociedade organizada do Nepal nasceu em torno de 2500 AC. Durante vários séculos a região foi ocupada por grupos étnicos ligados fortemente ao budismo e o hinduísmo. O começo da história nepalesa é um pouco incerto e, as poucas provas históricas são mescladas ao misticismo religioso e outras lendas.
Segundo as tradições da comunidade indígena dos Newaris, no vale do Katmandu assentaram-se comunidades Budistas e Hinduístas brâmanes, correntes religiosas conectadas que conseguiram conviver no dia-a-dia compartilhando costumes, festejos e homenagens.
Em antigos textos indígenas, existem passagens que mencionam as regiões do vale de Katmandu e zonas montanhosas baixas, de onde se conclui que a parte central das montanhas do Himalaia era ligada às planícies do Ganges, há mais de dois mil e quinhentos anos.
Em 642 AC, nasceu Sidarta Gautama, na cidade de Lumbini, sul do Nepal. A dinastia Lichhavi, de origem hindu, começava a dominar o cenário político a partir do século I AC mantendo-se no poder até o século VIII DC. Esta dinastia foi a primeira de origem aborígene a governar o Nepal, estabelecendo um precedente que durou por séculos: reis hindus que reivindicam seu status de casta alta indiana e governam uma população que não é indo-ariana ou hindu.
Os Lichhavis foram sucedidos pela dinastia Takuri no século X e, em seguida, substituídos pelos Mallas.
A DINASTIA MALLA, A ÉPOCA DE GHURKA E A CHEGADA DOS BRITÂNICOS
A dinastia Malla deteve a hegemonia do governo da região do Nepal e seus arredores do século X até o XVIII. Ao contrário do que havia se passado com a dinastia Lichhavi, que não conseguiram impor sua crença religiosa aos súditos não hindus, os Mallas criaram um sistema legal e social baseado na filosofia hindu e assim conseguiram governar a população em sua totalidade.
Durante seu governo Yaksa Malla (1429 a 1482) dividiu o reino em principados independentes, governados por cada um de seus três filhos. Assim nasceram os principados de Katmandu, Patan e Bhagdaon. Cada um tinha o controle das regiões montanhosas das fronteiras e começaram a desenvolver o comércio com o Tibete e a Índia, cuidando das estradas que ligavam o Nepal aos outros Estados. Tais principados foram governados por dinastias de altas classes indianas.
O príncipe ghurka Prithvi Narayan Shah invadiu Katmandu em 1769 e tomou o governo. Os Mallas, com pouca representação e as voltas com uma grande crise econômica e social, não conseguiram evitar sua ascensão ao poder. Foi assim que os Ghurkhas começaram a traçar as bases do Estado moderno do Nepal.
O Nepal se viu envolvido numa guerra contra a Grã-Bretanha, que ambicionava o controle da região. Depois de anos de confrontos, as tropas britânicas tomaram o controle e obrigaram o monarca nepalês a assinar o Tratado de Sugauli. O Nepal teve que entregar o controle do sul de Terai e Sikkim em troca do fim da invasão, transformando-se a partir de então numa colônia britânica, apesar da monarquia local manter o poder, ainda que parcial, em cada região.
Em 1846, Juan Bahadur Rana, da dinastia Rana, assassinou diversos nobres e tomou o poder, sozinho. Com o apoio dos britânicos, destituiu os nobres de cada região de seus poderes e os substituiu por regentes de sua confiança.
Os britânicos recrutaram em 1857 a inúmeros soldados nepaleses para reprimir a rebelião dos Cipayos na Índia. Os gurkhas nepaleses transformaram-se numa das mais temidas forças do Império Britânico na região e, em troca da autorização do rei para uso da força nepalesa, os britânicos devolveram o controle da região de Terai ao Nepal.
DA INDEPENDÊNCIA AO RETORNO DA MONARQUIA
Quando os britânicos se retiraram da Índia em 1947, a dinastia Rana perdeu seu principal aliado. Cresceu a força dos grupos anti-Rana, formados por nepaleses exilados na Índia, promotores de uma política independente e a família Real Nepalesa.
Em 1948 o Nepal recuperou sua completa independência.
Em 1951 os nepaleses exilados na Índia e integrantes do Partido do Congresso Nepalês, propuseram que o rei Tribhuvan Bir Bikram Shah Deva, destronado pela família Rana, recuperasse o poder. Um golpe promovido pelo Partido Nacionalista derrubou a família Rana e governou juntamente com o monarca até 1960, quando o soberano Mahendra Bir Bikran Shah Deva dissolveu o parlamento e proibiu os partidos políticos. Seu filho, Birendra Bir Bikram Shah Dev, deu continuação ao estilo autocrata da família, quando sucedeu o pai no governo.
Depois de um acordo entre o Nepal, a Índia e a Grã-Bretanha, as forças gurkhas foram utilizadas pela Índia nas guerras contra a China e o Paquistão; também seriam utilizadas mais tarde pela Grã-Bretanha na guerra contra a Argentina pelas Ilhas Malvinas.
Em 1955 o Nepal tornou-se membro da ONU, numa manobra fundamental para o novo posicionamento da nação no mundo.
Em 1959 uma eleição geral foi convocada, de acordo com a nova Constituição aprovada pelo rei, e B.P.Koirala foi eleito. No ano seguinte, Koirala foi preso por ordem do Rei Mahendra, que também fechou o parlamento. A Constituição foi suspendida e todos os partidos políticos existentes foram dissolvidos. A partir de 1962 ficou estabelecido, segundo a nova Constituição, um sistema de governo não partidário; algo mais semelhante, segundo o rei, dos costumes e tradições nepalesas; o que na verdade significava um sistema de governo piramidal, com o poder absoluto nas mãos da monarquia e autoridade total do rei sobre todas as instituições.
Em 1972 o rei Mahendra foi sucedido por seu filho, o rei Bidendra.
CONFLITOS, CONVERTIBILIDADE E O SURGIMENTO DA GUERRA POPULAR
Em 1979 ocorreram revoltas e motins promovidos por grupos de estudantes que exigiam o retorno de uma democracia multipartidária. Pouco depois, um referendo foi promovido e o resultado foi pela manutenção do status quo. A oposição acusou o governo de manipulação no resultado dos votos.
Em 1986 o rei Birendra propôs a declaração do Nepal como uma “zona de paz”. No total, 75 países apoiaram a proposta, contudo não foram respaldados pela Índia nem pelo Butão.
Em 1989 o Nepal viveu um momento de tensão com a Índia, seu principal parceiro comercial, quando se aproximou da China, país do qual começou a importar armamento. Em resposta, o governo indiano fechou a maioria das estradas fronteiriças com o Nepal e boicotou o comércio bilateral, decisões que provocaram uma séria crise na economia nepalesa. O clima de instabilidade econômica fomentou novos protestos populares, que obrigaram o rei a aceitar o retorno dos outros partidos políticos em 1990. Em Maio de 1991, foram realizadas as primeiras eleições democráticas, após meio século de sistema Unipartidário.
Os governos seguintes prometeram criar uma série de reformas para liberalizar o mercado interno e promover uma reforma agrária a fim de revitalizar a economia. Simultaneamente, foi estabelecida a educação primária gratuita e em 1993, a conversão da moeda em Rúpia-Dólar, com o objetivo de estimular os investimentos estrangeiros.
Com o passar dos anos, os habitantes rurais começaram a manifestar sua insatisfação com as políticas do governo, reclamando as promessas não cumpridas. Em algumas regiões, a população se organizou para estabelecer novas propostas para a reforma do trabalho rural. O governo do Nepal reprimiu com violência o movimento, causando a radicalização da luta.
Em 1996 membros do Partido Comunista do Nepal promoveram uma rebelião armada, denominada “Guerra Popular”, com o apoio dos maoístas chineses, e objetivo de derrubar a monarquia, erradicar o feudalismo e estabelecer uma democracia popular baseada no modelo da China. Foi o começo da guerra civil no Nepal.
A GUERRA CIVIL
Em 1 de Junho de 2001, o príncipe herdeiro Dipendra Bir Bikram Shah assassinou seus pais e todos os irmãos. Especula-se que o motivo do massacre foi o fato de sua mãe não aprovar seu casamento com Devyani Rana, membro da família adversária. Ferido pelos guardas, o príncipe morreu no dia 4 de Junho. Seu tio, Gyanedra Bir Bikram Shah Dev assumiu o trono. Neste mesmo ano, Koirala renunciou devido a sua total incapacidade para conter a onda de violência entre os rebeldes e as forças de segurança.
Os maoístas exigiram o anulação da Constituição em vigor e a criação de uma Assembléia Constituinte para redigir uma nova, além do fim da monarquia. As exigências não foram aceitas, o que agravou a onda de violência durante os confrontos. O rei declarou estado de emergência, acusando a oposição de terrorismo.
Depois de um cessar-fogo, negociado entre os rebeldes e o governo, e uma trégua de sete meses, uma greve geral foi promovida em Agosto de 2003, resultando em choques violentos entre estudantes e ativistas e as forças do rei. Em 2004, grupos políticos que se opunham à intervenção monárquica nas questões do Poder Executivo, aderiram à greve. Em Agosto, os rebeldes bloquearam Katmandu, provocando a falta de abastecimento. No mês seguinte, o Nepal se viu totalmente paralisado por uma greve geral.
Em 2005 o príncipe Gayendra, herdeiro do trono, dissolveu o governo e assumiu o poder absoluto, postergando uma suposta convocação eleitoral para 2007. Como resposta, os partidos parlamentários se aliaram aos maoístas e juntos convocaram um levante popular para derrubar o rei. O povo atendeu o chamado e foi para as ruas. A repressão foi duríssima, porém, a intensidade dos protestos obrigaram Gayendra, segundo suas palavras a “devolver o poder ao povo”.
Em 2006, o governo e os rebeldes comunistas assinaram um cessar-fogo. As negociações entre o rei e os partidos de oposição levaram a um acordo para reabrir o parlamento, fechado desde 2001, e a divisão do poder em favor das forças civis. O rei foi desprovido de sua condição de “descendente divino hindu”, não tem poder sobre o exército e deve pagar impostos.
Em 2007 o parlamento decidiu, por ampla maioria, abolir definitivamente a monarquia. Cerca de oito mil combatentes maoístas foram integrados ao exército e a república foi proclamada.
O atual Primeiro Ministro do Nepal é maoísta. Durante seu primeiro ano de governo, o sistema de castas que imperava no país há mais de mil anos foi finalmente abolido.
Nepal: Séculos perto do céu”
GEOGRAFIA E CLIMA
O Nepal é dividido entre o sul fértil da zona de Terai, cujo clima subtropical e a presença do rio Ganges favorecem o assentamento humano e o norte, uma região de colinas de altura moderada que possui um clima temperado. O extremo norte, ocupado pelas montanhas do Himalaia, é dominado pelo clima de montanha e frio extremo. A presença do monte Everest e outras montanhas de altura similar são exemplos dos extremos geográficos do Nepal.
é dominado pelo clima de montanha e frio extremo ”
ECONOMIA
O Nepal é um dos países de menor renda per capta do mundo. Além da falta de desenvolvimento de seu sistema produtivo, a corrupção desmedida concentrou a riqueza em poucas mãos. Em torno de 24,7% de sua população vive abaixo do nível de pobreza e o desemprego chega a 48% da população.
As atividades agrícolas, principalmente nas regiões férteis do sul, são responsáveis pela maior parte dos ingressos anuais. A atividade agrícola produz arroz, milho, tabaco, cana de açúcar e juta. A pecuária está representada pela criação de búfalos.
Existe uma indústria tradicional centralizada na produção de cigarros, tecidos, almofadas e outros produtos artesanais destinados à venda no exterior e nos circuitos turísticos. A mineração encontra-se centralizada na produção de cimento. O turismo é uma importante fonte de ingresso e responsável por muitos empregos.
O Nepal é um dos países de menor renda per capta do mundo ”
FATORES HUMANOS
O Nepal é um país formado por etnias variadas. As maiorias étnicas são Chhettri (15,5%), Brahman-Hill (12,5%), Magar (7%), Tharu (6,6%), Tamang (5,5%), Newari (5,4%), Kami (3,9%), Yadav (3,9%). O restante pertence a outras minorias.
O idioma oficial é o nepalês, utilizado por 48% do país. No resto do território, apesar do idioma oficial ser o nepalês, alguns grupos falam o Maithali (12,1%), o Bhojpuri(7,4%), Tharu(5,8%), Tamang (5,1%), Newari (3,6%), Magar (3,3%) e o Awadhi (2,4%).
A dispersão religiosa é menos acentuada; 80,6% da população é budista, 4,2% muçulmana, 3,6% kirantis e o restante, outras crenças.
O Nepal é um país formado por etnias variadas ”
CULTURA
Visitar o Nepal é viajar no tempo. O país conserva antigas casas construídas com as mesmas técnicas e materiais de séculos atrás, amontoadas em ruelas de pedras estreitas onde, de vez em quando, surgem um pagode ou um palácio majestoso. Ao passar pelos templos podem-se ouvir mantras ou música com sons de instrumentos como o saarangi ou flauta. Invariavelmente, a música tradicional relata histórias do passado; de deuses e forças mágicas da natureza. As estupas, templos budistas espalhados pelo território onde se podem encontrar papiros de orações e mantras.
O povo nepalês é extremamente religioso e seus habitantes vivem um cotidiano que inclui antigas tradições. Não existe uma representação cultural estabelecida, senão um mosaico de micro culturas em cada comunidade, tribo e região que num conjunto, fazem da sociedade nepalesa um mosaico fascinante. Os monges tibetanos, com suas cabeças lisas e mantos cor de vinho, convivem com velhos mestres budistas e camponeses vestidos com roupas tradicionais nepalesas.
O visitante pode encontrar no Nepal, especialmente nas lojas próximas a Durbar Square, centenas de objetos interessantes: facas gurkhas, terços de oração, colares com pedras preciosas e pulseiras com desenhos típicos, além de roupas tradicionais e estatuetas religiosas antigas.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Katmandu
A mítica cidade de Katmandu foi fundada no século I AC pela tribo Kiratis, apesar de teorias que afirmam que o território é habitado desde o período neolítico. Poucas cidades possuem tantos palácios, templos e parques como Katmandu. Provavelmente o palácio mais impressionante seja o Hanuman Dhoka, antiga residência real e templo dedicado posteriormente ao Rei Mono. A estupa budista de Swayambhunath destaca-se por sua doma principal com treze aros dourados e os olhos do Buda pintados, observando os quatro pontos cardiais. Nos templos de Guhyesshvari e Bhim Sem o visitante pode observar as esculturas eróticas ricamente esculpidas e conservadas. Em Pashupatinath, os templos hindus estão por toda parte. Quem quiser dar um plantão em frente à Kumari Ghar, pode ter a sorte de ver Kumari, “a deusa viva”, uma menina escolhida pelos sacerdotes que acreditam ser a encarnação da deusa Kali na terra e que, vez por outra, deixa o palácio em sua liteira de ouro.
Patan
A antiga cidade de Patan (também chamada Lalitpur) ao lado da capital é a que possui as mais bem preservadas construções religiosas do Nepal. Ao redor da Praça Durbar no centro existem inúmeros palácios e templos antigos. O outrora Palácio Real, agora transformado em museu, reflete as glórias e tradições da beleza nepalesa. O Kumbeshawar, construído em 1392, é segundo alguns, a mais antiga construção do Nepal. O templo de Visankhu Narayan é um exemplo da arquitetura local em toda a sua expressão, refletindo as influências chinesas e hindus que fazem parte da história local. O templo de Krishna Mandir, do século XVII, é o único do Nepal construído inteiramente de pedra. No Templo Dourado, o visitante pode observar as tartarugas sagradas que passeiam no interior do prédio.
Lumbini
A cidade de Lumbini, na região de Terai, é a cidade onde nasceu Buda, em 642 AC. Um monumento erguido pelo rei maghada Ashoka, em 249 AC marca o local. O templo de Maydevi, um dos mais célebres do lugar, é o local exato em que Buda nasceu. Fica ao lado do Poço de Puskarini, onde Buda teve seu primeiro banho ritual. A cidade recebe diariamente inúmeros viajantes, desde peregrinos que vêm prestar homenagem até turistas de todas as partes do mundo.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
Os vôos internacionais ao Nepal estão restritos a um grupo pequeno de companhias aéreas. Muitos turistas optam por viajar à Índia e seguir por terra, contratando motoristas experientes, devido à complexidade dos caminhos. Diversas rotas com o Tibete ficam interditadas durante parte do ano em função dos temporais e deslizamentos de terra.
Para movimentar-se dentro do país, recomenda-se o uso de ônibus turísticos, a menos que o visitante queira se aventurar a utilizar os comuns, que transportam todo tipo de animais. O aluguel de automóveis é bastante limitado; pode-se contratar um local com carro próprio que aceitam transportar as pessoas para conseguir uma renda extra.
GASTRONOMIA
Thenthuk
Esta sopa é uma das versões mais populares da sopa Thpuka, feita no sopé do Himalaia. É preparada com pedaços de legumes e carne de cordeiro ou iaque. Antes de ferver, se junta o macarrão, feito a base de farinha de trigo. (Dica: um prato de Thenthuk contém as calorias necessárias para enfrentar as baixas temperaturas do Nepal).
Comida sherpas
Os sherpas são os famosos guias que conduzem os alpinistas ao topo do mundo. No momento da pausa para refeição, durante uma expedição, eles preparam uma comida própria, com temperos típicos da gastronomia nepalesa. O cardápio básico consiste de arroz cozido, gurr (um pastel de batata típico do Nepal), batatas assadas e temperadas com ervas, dhal (sopa de lentilha) e tsampa, um pratinho feito com farinha de cevada misturada com manteiga, salada e chá. (Dica: quando se contrata um sherpa para uma escalada ao Himalaia, este oferece a comida. Mesmo que o visitante tenha suficientes provisões, vale a pena provar os pratos que há séculos, provêm a energia necessária para sobreviver em um clima tão extremo).
Chiura
O Chiura é um dos pratos mais populares da cozinha nepalesa. Num passado remoto o prato era feito somente em casamentos. Hoje em dia faz parte da cozinha cotidiana nepalesa. É preparado com arroz, parcialmente moído, fervido com legumes, pedaços de carne, lentilhas ou verduras. Na hora de servir, é coberto com iogurte e curry. Costuma-se acompanhar com uma bebida leve ou chá.
Momos
O “momos” é um dos pratos mais populares da cozinha nepalesa. Trata-se de uma massa feita com farinha de milho. Antes de ser frita ou cozida, é recheada com carne moída, queijos, legumes ou uma combinação de ingredientes. Tempera-se com cominho, gengibre e alho. Depois de fritos os momos são pincelados com manteiga, o que dá uma aparência tostada. No fim, um molho de tomate temperado com cúrcuma e cominho dá um toque final, antes de servir. (Dica: os momos recheados com carne de ioque são os mais exóticos para os visitantes).
Bebidas típicas
Rakshi
O Rakshi é uma das bebidas tradicionais do Nepal. É preparado com o fermento destilado do milho e temperos locais. A técnica de preparo foi sendo refinada ao longo dos séculos pelos nepaleses e, hoje em dia, é uma bebida muito apreciada pelos estrangeiros. A gradação alcoólica varia entre 30 e 70 graus, dependendo do método utilizado no preparo. O licor feito com arroz ou batatas, também se chama “rakshi”, apesar de o gosto ser totalmente diferente.
Chá
Assim como em outros países asiáticos, os nepaleses são grandes consumidores de chá. Porém o costume local é toma-lo com sal e manteiga de leite de iaque. O chá preto local é da região sul do país e tem um sabor bastante forte. (Dica: ser convidado para um chá é uma cortesia e rejeitar, pode ser ofensivo para os locais).
Charg
No Nepal a cerveja costuma ser feita com o fermento da cevada ou do arroz. Trata-se de uma bebida muito forte, com uma aparência bem diferente das demais cervejas em outros países.
sopa Thpuka, feita no sopé do Himalaia ”
DICAS E CURIOSIDADES
DICAS
• Todos os estrangeiros, a exceção dos cidadãos indianos, necessita de visto para entrar no país.
• Para escalar uma montanha é necessário solicitar uma autorização com antecedência. Para os nepaleses as montanhas são sagradas, portanto o costume é uma maneira educada de explorar seu território com a autorização do povo.
• O sistema de água potável não é seguro.
• Existe risco de hepatite, meningite, malária e febre tifóide. Nas regiões montanhosas, deve-se tomar muito cuidado com queimaduras de raios UV e hipotermia.
• O sistema elétrico é de 220 V e 50 HZ.
• O comprimento mais comum entre os nepaleses é o aperto de mãos. Nas regiões hindus, a saudação comum é unir as duas mãos no peito e dizer “Namaste”.
• A gorjeta padrão é de 10%.
• Na maior parte do Nepal não existe eletricidade, água potável ou esgoto.
• Os nepaleses consideram a mão esquerda impura, portanto não deve ser usada para tocar pessoas ou objetos. O correto é segurar os objetos com as duas mãos.
• Como os nepaleses comem no chão, não é correto ficar de pé ao lado, enquanto comem, para que a comida não fique no nível dos pés.
• A lei do Nepal proíbe que os turistas comprem pedras preciosas soltas, facas, peles e antiguidades com mais de 100 anos.
• A barganha não é uma prática do Nepal. É de bom tom perguntar se o vendedor tem interesse em negociar o preço.
• Apesar de a guerrilha comunista haver assinado uma trégua, ainda existe bastante controle militar no país. Recomenda-se ter sempre uma cópia do passaporte para evitar problemas com a fiscalização.
Curiosidades
• Os membros da tribo da região do Dolpo praticam a poliandria, costume quando uma mulher possa ter vários homens ao mesmo.
•O Nepal é o único país do mundo cuja bandeira não é um retângulo e sim uma figura composta por dois triângulos.
• O Nepal abriga oito dos dez pontos mais altos do mundo, incluindo o Monte Everest, de 8.844 metros de altura.
• O verdadeiro conquistador do Monte Everest foi o sherpa nepalês Tenzing Norgay. A façanha ocorreu em 29 de Maio de 1953, às 11h30min, quando trabalhava como guia do explorador britânico Edmund Hillary.
• Apesar de o Nepal praticar uma política bastante restrita contra o consumo e tráfico de drogas, durante o Festival de Shivaratri, é permitido consumir maconha, que supostamente, facilita a comunicação com as divindades.