Nepal


Nome Oficial
Nepal
Habitantes
Nepalês
Capital:
Katmandu
Língua Oficial
nepalês
População
28.287.147 (est. 2010)
Presidente
Ram Baran Yaday
Prefixo internacional
00977
Fuso horário
UTC + 5:45
Moeda
Rúpia nepalesa
Outros grandes centros urbanos
Biratnagar, Birgunj, Janakpur e Pokhara
superfície
140.800 Km2
Geografia e clima
clima predominante de montanha e frio extremo
Economia
um dos países com menor renda per capita do mundo
O que vestir
roupas bem quentes durante o Inverno
dicas
eriados nacionais: 11 de Janeiro, 18 de Fevereiro, 8 de Março, 10 de Abril, 24 de Outubro, 9 de Novembro e 17 e 28 de Dezembro.
Locais essenciais
Katmandu, Patan e Lumbini


 
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HISTÓRIA
Nepal:
NEPAL: SÉCULOS PERTO DO CÉU
Nepal - História

O vale de Katmandu era um lago onde flutuava uma flor de lótus mágica e iluminada. O patriarca chinês Manjushri, impressionado com a energia e beleza do lugar, drenou toda a água do lago até que a flor emergiu e pousou no solo. Em seguida, o chinês cortou toda a vegetação em volta do lugar com sua espada, para que a água pudesse sair. Em torno da flor ele construiu um pequeno povoado de madeira: Manjupatan. Em torno deste pequeno povoado, cresceu um país: o Nepal. Uma terra antiga com ricas tradições religiosas, dono das montanhas mais altas do mundo: a Cordilheira do Himalaia.

A PRÉ-HISTÓRIA E A DINASTIA LICHHAVI

 

A primeira sociedade organizada do Nepal nasceu em torno de 2500 AC. Durante vários séculos a região foi ocupada por grupos étnicos ligados fortemente ao budismo e o hinduísmo. O começo da história nepalesa é um pouco incerto e, as poucas provas históricas são mescladas ao misticismo religioso e outras lendas. 

Segundo as tradições da comunidade indígena dos Newaris, no vale do Katmandu assentaram-se comunidades Budistas e Hinduístas brâmanes, correntes religiosas conectadas que conseguiram conviver no dia-a-dia compartilhando costumes, festejos e homenagens. 

Em antigos textos indígenas, existem passagens que mencionam as regiões do vale de Katmandu e zonas montanhosas baixas, de onde se conclui que a parte central das montanhas do Himalaia era ligada às planícies do Ganges, há mais de dois mil e quinhentos anos.

Em 642 AC, nasceu Sidarta Gautama, na cidade de Lumbini, sul do Nepal. A dinastia Lichhavi, de origem hindu, começava a dominar o cenário político a partir do século I AC mantendo-se no poder até o século VIII DC. Esta dinastia foi a primeira de origem aborígene a governar o Nepal, estabelecendo um precedente que durou por séculos: reis hindus que reivindicam seu status de casta alta indiana e governam uma população que não é indo-ariana ou hindu. 

Os Lichhavis foram sucedidos pela dinastia Takuri no século X e, em seguida, substituídos pelos Mallas.

 

A DINASTIA MALLA, A ÉPOCA DE GHURKA E A CHEGADA DOS BRITÂNICOS

 

A dinastia Malla deteve a hegemonia do governo da região do Nepal e seus arredores do século X até o XVIII. Ao contrário do que havia se passado com a dinastia Lichhavi, que não conseguiram impor sua crença religiosa aos súditos não hindus, os Mallas criaram um sistema legal e social baseado na filosofia hindu e assim conseguiram governar a população em sua totalidade. 

Durante seu governo Yaksa Malla (1429 a 1482) dividiu o reino em principados independentes, governados por cada um de seus três filhos. Assim nasceram os principados de Katmandu, Patan e Bhagdaon. Cada um tinha o controle das regiões montanhosas das fronteiras e começaram a desenvolver o comércio com o Tibete e a Índia, cuidando das estradas que ligavam o Nepal aos outros Estados. Tais principados foram governados por dinastias de altas classes indianas.

O príncipe ghurka Prithvi Narayan Shah invadiu Katmandu em 1769 e tomou o governo. Os Mallas, com pouca representação e as voltas com uma grande crise econômica e social, não conseguiram evitar sua ascensão ao poder. Foi assim que os Ghurkhas começaram a traçar as bases do Estado moderno do Nepal.

O Nepal se viu envolvido numa guerra contra a Grã-Bretanha, que ambicionava o controle da região. Depois de anos de confrontos, as tropas britânicas tomaram o controle e obrigaram o monarca nepalês a assinar o Tratado de Sugauli. O Nepal teve que entregar o controle do sul de Terai e Sikkim em troca do fim da invasão, transformando-se a partir de então numa colônia britânica, apesar da monarquia local manter o poder, ainda que parcial, em cada região.

Em 1846, Juan Bahadur Rana, da dinastia Rana, assassinou diversos nobres e tomou o poder, sozinho. Com o apoio dos britânicos, destituiu os nobres de cada região de seus poderes e os substituiu por regentes de sua confiança.

Os britânicos recrutaram em 1857 a inúmeros soldados nepaleses para reprimir a rebelião dos Cipayos na Índia. Os gurkhas nepaleses transformaram-se numa das mais temidas forças do Império Britânico na região e, em troca da autorização do rei para uso da força nepalesa, os britânicos devolveram o controle da região de Terai ao Nepal. 

 

DA INDEPENDÊNCIA AO RETORNO DA MONARQUIA

 

Quando os britânicos se retiraram da Índia em 1947, a dinastia Rana perdeu seu principal aliado. Cresceu a força dos grupos anti-Rana, formados por nepaleses exilados na Índia, promotores de uma política independente e a família Real Nepalesa.

Em 1948 o Nepal recuperou sua completa independência.

Em 1951 os nepaleses exilados na Índia e integrantes do Partido do Congresso Nepalês, propuseram que o rei Tribhuvan Bir Bikram Shah Deva, destronado pela família Rana, recuperasse o poder. Um golpe promovido pelo Partido Nacionalista derrubou a família Rana e governou juntamente com o monarca até 1960, quando o soberano Mahendra Bir Bikran Shah Deva dissolveu o parlamento e proibiu os partidos políticos. Seu filho, Birendra Bir Bikram Shah Dev, deu continuação ao estilo autocrata da família, quando sucedeu o pai no governo.

Depois de um acordo entre o Nepal, a Índia e a Grã-Bretanha, as forças gurkhas foram utilizadas pela Índia nas guerras contra a China e o Paquistão; também seriam utilizadas mais tarde pela Grã-Bretanha na guerra contra a Argentina pelas Ilhas Malvinas.

Em 1955 o Nepal tornou-se membro da ONU, numa manobra fundamental para o novo posicionamento da nação no mundo.

Em 1959 uma eleição geral foi convocada, de acordo com a nova Constituição aprovada pelo rei, e B.P.Koirala foi eleito. No ano seguinte, Koirala foi preso por ordem do Rei Mahendra, que também fechou o parlamento. A Constituição foi suspendida e todos os partidos políticos existentes foram dissolvidos. A partir de 1962 ficou estabelecido, segundo a nova Constituição, um sistema de governo não partidário; algo mais semelhante, segundo o rei, dos costumes e tradições nepalesas; o que na verdade significava um sistema de governo piramidal, com o poder absoluto nas mãos da monarquia e autoridade total do rei sobre todas as instituições. 

Em 1972 o rei Mahendra foi sucedido por seu filho, o rei Bidendra.

 

CONFLITOS, CONVERTIBILIDADE E O SURGIMENTO DA GUERRA POPULAR

 

Em 1979 ocorreram revoltas e motins promovidos por grupos de estudantes que exigiam o retorno de uma democracia multipartidária. Pouco depois, um referendo foi promovido e o resultado foi pela manutenção do status quo. A oposição acusou o governo de manipulação no resultado dos votos.

Em 1986 o rei Birendra propôs a declaração do Nepal como uma “zona de paz”. No total, 75 países apoiaram a proposta, contudo não foram respaldados pela Índia nem pelo Butão.

Em 1989 o Nepal viveu um momento de tensão com a Índia, seu principal parceiro comercial, quando se aproximou da China, país do qual começou a importar armamento. Em resposta, o governo indiano fechou a maioria das estradas fronteiriças com o Nepal e boicotou o comércio bilateral, decisões que provocaram uma séria crise na economia nepalesa. O clima de instabilidade econômica fomentou novos protestos populares, que obrigaram o rei a aceitar o retorno dos outros partidos políticos em 1990. Em Maio de 1991, foram realizadas as primeiras eleições democráticas, após meio século de sistema Unipartidário. 

Os governos seguintes prometeram criar uma série de reformas para liberalizar o mercado interno e promover uma reforma agrária a fim de revitalizar a economia. Simultaneamente, foi estabelecida a educação primária gratuita e em 1993, a conversão da moeda em Rúpia-Dólar, com o objetivo de estimular os investimentos estrangeiros.

 Com o passar dos anos, os habitantes rurais começaram a manifestar sua insatisfação com as políticas do governo, reclamando as promessas não cumpridas. Em algumas regiões, a população se organizou para estabelecer novas propostas para a reforma do trabalho rural. O governo do Nepal reprimiu com violência o movimento, causando a radicalização da luta. 

Em 1996 membros do Partido Comunista do Nepal promoveram uma rebelião armada, denominada “Guerra Popular”, com o apoio dos maoístas chineses, e objetivo de derrubar a monarquia, erradicar o feudalismo e estabelecer uma democracia popular baseada no modelo da China. Foi o começo da guerra civil no Nepal.

 

A GUERRA CIVIL

 

Em 1 de Junho de 2001, o príncipe herdeiro Dipendra Bir Bikram Shah assassinou seus pais e todos os irmãos. Especula-se que o motivo do massacre foi o fato de sua mãe não aprovar seu casamento com Devyani Rana, membro da família adversária. Ferido pelos guardas, o príncipe morreu no dia 4 de Junho. Seu tio, Gyanedra Bir Bikram Shah Dev assumiu o trono. Neste mesmo ano, Koirala renunciou devido a sua total incapacidade para conter a onda de violência entre os rebeldes e as forças de segurança.

Os maoístas exigiram o anulação da Constituição em vigor  e a criação de uma Assembléia Constituinte para redigir uma nova, além do fim da monarquia. As exigências não foram aceitas, o que agravou a onda de violência durante os confrontos. O rei declarou estado de emergência, acusando a oposição de terrorismo.

Depois de um cessar-fogo, negociado entre os rebeldes e o governo, e uma trégua de sete meses, uma greve geral foi promovida em Agosto de 2003, resultando em choques violentos entre estudantes e ativistas e as forças do rei. Em 2004, grupos políticos que se opunham à intervenção monárquica nas questões do Poder Executivo, aderiram à greve. Em Agosto, os rebeldes bloquearam Katmandu, provocando a falta de abastecimento. No mês seguinte, o Nepal se viu totalmente paralisado por uma greve geral.

Em 2005 o príncipe Gayendra, herdeiro do trono, dissolveu o governo e assumiu o poder absoluto, postergando uma suposta convocação eleitoral para 2007. Como resposta, os partidos parlamentários se aliaram aos maoístas e juntos convocaram um levante popular para derrubar o rei. O povo atendeu o chamado e foi para as ruas. A repressão foi duríssima, porém, a intensidade dos protestos obrigaram Gayendra, segundo suas palavras a “devolver o poder ao povo”. 

Em 2006, o governo e os rebeldes comunistas assinaram um cessar-fogo. As negociações entre o rei e os partidos de oposição levaram a um acordo para reabrir o parlamento, fechado desde 2001, e a divisão do poder em favor das forças civis. O rei foi desprovido de sua condição de “descendente divino hindu”, não tem poder sobre o exército e deve pagar impostos.

Em 2007 o parlamento decidiu, por ampla maioria, abolir definitivamente a monarquia. Cerca de oito mil combatentes maoístas foram integrados ao exército e a república foi proclamada.

O atual Primeiro Ministro do Nepal é maoísta. Durante seu primeiro ano de governo, o sistema de castas que imperava no país há mais de mil anos foi finalmente abolido. 

 

Nepal: Séculos perto do céu”

5000 A.C - 1000 A.C
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