HISTÓRIA
Japão (Nippon):
Cultura ancestral e poderio econômico

Influenciado no começo pela cultura chinesa, o Japão conseguiu desenvolver uma identidade própria e bastante característica. Uma sociedade austera e extremamente leal a seus princípios e crenças, o Japão foi devastado pelo poder destrutivo das armas nucleares da Segunda Guerra Mundial. Porém conseguiu recuperar-se e hoje encontra-se encontra-se na privilegiada posição de potência mundial.
A INFLUÊNCIA CHINESA
Os dados mais antigos sobre a existência da população no arquipélago japonês datam de mais de 100.000 anos, quando todavia fazia parte da massa continental asiática. Os homens primitivos que viviam no arquipélago durante o período Paleolítico (Idade da Pedra Lascada) sobreviviam principalmente da caça e da coleta de frutos. Já no período Neolítico (Idade da Pedra Polida) há uns 10.000 anos, encontram-se provas que permitem observar a fabricação de objetos de pedra polida, o desenvolvimento de técnicas de caça mais avançadas, o uso de arco e flecha e a fabricação de objetos de barro para cozinhar e armazenar comida.
O Japão não estava isolado na região. A China exerceu uma forte influência sobre as antigas sociedades japonesas através do comércio e das frequentes incursões comerciais e militares na ilha. Sabe-se que alguns domínios semi-bárbaros japoneses eram (tributários) do Império Han, na China.
Porém logo após a queda do Império Han, o Japão seguiu seu próprio caminho, ainda que influenciado pelos monges budistas oriundos da China. No século VI da era cristã, começa a instituição do Mikado, a longa linha de imperadores japoneses que governaram por, pelo menos quinze séculos, e que é a dinastia mais antiga do mundo atualmente no trono.
Do século IV ao VI a cultura chinesa foi introduzida na Coréia na forma de produtos industriais dos setores têxtil, metalúrgico, cortume e construção de barcos que haviam alcançado um elevado desenvolvimento na China. Também foi adotada a escrita chinesa, caracterizada pela utilização de ideogramas, ferramenta que permitiu aos japoneses aprender os fundamentos básicos da medicina, alguns segredos do calendário e de astronomia, assim como a filosofia de Confúcio. O budismo, procedente da Índia, seguiu a rota da China e Coréia e foi introduzido no Japão no ano 538. Além disto, os japoneses formaram seu sistema de governo baseados nas estruturas políticas chinesas.
No ano 710, o Mikado abandonou sua cultura semi-nômade espalhada por todo o sul do Japão para estabelecer-se como governo sedentário em Nara, que um século mais tarde seria transferida para Kioto. A mudança da capital a Kioto deu início ao período Heian, um dos mais importantes períodos do ponto de vista do desenvolvimento artístico. Os contatos com a China foram interrompidos em fins do século IX e, desde então, a civilização japonesa começou a consolidar suas próprias características e caráter. O exemplo mais típico deste processo foi o desenvolvimento de uma escrita original japonesa que abriu o caminho para o surgimento de uma literatura especificamente japonesa.
O FECHAMENTO DAS FRONTEIRAS
Os europeus chegaram ao Japão pela primeira vez no século XVI, com o objetivo de introduzir o cristianismo e estabelecer acordos comerciais. Negociantes portugueses desembarcaram numa pequena ilha do sudoeste do Japão em 1543 e introduziram armas de fogo no país. Por outro lado, durante os anos que se seguiram, missionários jesuítas encabeçados por grupos de espanhóis, além de alguns comerciantes holandeses e ingleses que se estabeleceram em solo japonês.
A presença dos europeus exerceu uma profunda influência no Japão: os missionários converteram grande quantidade de pessoas, particularmente no sul do país. Imediatamente, o shogunato se deu conta de que o cristianismo era perigoso contra o poder político local e decidiu impedir a entrada a todos os estrangeiros, com exceção de um punhado de holandeses e chineses dedicados ao comércio. Durante dois séculos e meio, esta pequena colônia foi o único meio de contato entre o Japão e o mundo exterior. Foi através desta pequena porta que estudiosos japoneses adquiriram conhecimentos básicos da medicina ocidental e de outras ciências, duranto o longo período de isolamento do país. O Japão foi uma sociedade fechada às influências estrangeiras durante 230 anos, desde o decreto de reclusão de 1638 até o retorno do poder imperial e a Revolução Meiji, que começaria em 1868.
A REVOLUCÃO MEIJI: A MODERNIZAÇÃO DO JAPÃO
A restauração Meiji, Xogunato no Doran ficou conhecida como a queda do regime despótico no Japão, com características bastante semelhantes às do feudalismo europeu. No caso japonês, o imperador não tinha poder de fato, na verdade dependia do Damiôs, o senhor feudal ou das famílias importantes. O Japão havia permanecido isolado do resto do mundo economicamente e politicamente até 1853. Porém em 1854, os setores que desejavam uma abertura cultural e comercial com o exterior apoiaram-se na presença armada norte americana para conseguir a assinatura do Tratado de Kanagawa, que permitia a existência de um consulado norte americano no Japão. Deste modo, depois de 251 anos de isolamento, o Japão começou um acelerado processo de modernização ao assimilar as técnicas industriais e comerciais ocidentais provenientes dos Estados Unidos e outras potências que a partir deste momento estabeleceram relações com o governo japonês.
O crescimento econômico e industrial que o país experimentou a partir da Revolução Meiji, levou a um confronto direto com a China entre 1894 e 1895, da qual saiu vencedor. Como consequência da guerra, a China teve que ceder ao vencedor as ilhas de Taiwan, dos Pescadores e Liadong, além de concordar com a presença japonesa na península coreana. Em 1904 o Japão entrou em guerra com a Rússia, a quem derrotou logo depois de uma campanha por terra e mar que teve seu final na batalha de Tsushima, batalha naval em que a frota japonesa destruiu completamente a esquadra russa. Depois do confronto, o Japão conseguiu expandir sua influência na China e erguer-se como potência militar de primeira grandeza.
O JAPÃO EM GUERRA
O crescimento de grupos para-militares e a necessidade de garantir o fornecimento de matéria prima para seu crescente sistema industrial conduziu à guerra com as potências coloniais com interesses na Ásia e Oceania. Em 1931, tropas japonesas invadiram a Manchúria e algumas outras cidades do litoral chinês. Com o estouro da Segunda Guerra Mundial, o Japão se apressou a estabelecer uma aliança com a Alemanha (conhecida como O Eixo.) Em resposta à esta ofensiva, o governo de Washington decretou o embargo de matérias primas estratégicas contra o Japão. Em 7 de Dezembro de 1941 aviões japoneses atacaram a base norte americana de Pearl Harbour, forçando assim a entrada dos Estados Unidos na guerra. Apesar de nos primeiros anos o Japão haver conseguido importantes avanços ao invadir as Filipinas, Bornéu e outros territórios inimigos, rapidamente ficou claro que sua capacidade militar não era forte o suficiente para derrotar a coalisão adversária. Em 15 de Agosto de 1945, o Imperador Hirohito assinou a rendição do Japão, pouco depois de sofrer a devastação provocada por duas bombas atômicas lançadas por aviões norte americanos contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki, ataques estes qeu custaram a vida de pelo menos 220.000 pessoas. O Japão teve que concordar com a presença de tropas estrangeiras em seu território e a proibição de montar um sistema militar que excedesse as necessidades estritamente defensivas.
DA DESTRUIÇÃO AO RETORNO COMO POTÊNCIA
Os anos do pós-guerra marcaram a transformação do Japão em uma potência do mundo capitalista. Com o apoio dos Estados Unidos e outras nações, o Japão foi admitido em diversas organizações internacionais que permitiram com que participasse do comércio internacional, livre e multilateral. Desde meados dos anos sessenta, o Japão tornou-se poderoso economicamente o bastante para competir com sucesso nos mercados livres mundiais.
Porém a recuperação não foi exclusivamente econômica. O Japão investiu em esforços diplomáticos para restituir sua posição internacional. Desde o momento de sua admissão nas Nações Unidas em 1956, o Japão transformou-se em um participante cada vez mais ativo nos âmbitos políticos, econômicos e sociais internacionais. A inserção no mundo ocidental em si já representava um êxito. Os Jogos Olímpicos realizados em Tóquio em 1964, simbolizaram a renovada confiança do povo japonês e a crescente importância do país na comunidade internacional.
O consistente crescimento econômico causou mudanças importantes no centro da sociedade japonesa. Logo após a recuperação do pós-guerra e de conseguir satisfazer suas necessidades mais básicas, o cidadão japonêes tratou de melhorar ainda mais sua qualidade de vida. Os valores se diversificaram ainda mais e muita gente começou a dar mais importância à auto-realização e a conquista de objetivos mais pessoais.
Em 11 de Março de 2011, o Japão sofreu um dos terremotos mais devastadores de sua história. Logo em seguida, um tsunami de magnitude inesperada arrasou, entre outras, a cidade de Sendai, na província de Miyagi. O resultado foram milhares de mortos, outros milhares desaparecidos e vários milhões de dólares em prejuízos materias.
Cultura ancestral e poderio econômico”
GEOGRAFIA E CLIMA
O Japão é um arquipélago montanhoso cuja grande extensão permite a existência de climas variados. As quatro ilhas centrais tem um clima temperado, com grandes variações térmicas nas estações extremas. Como a topografia é montanhosa, também é possível perceber mudanças de temperatura e humidade a medida que se sobe. A montanha mais elevada é o Monte Fuji com 3.776 metros, um dos símbolos do Japão.
Ao sul encontra-se o arquipélago de Ryuku, cuja ilha principal é Okinawa. Caracteriza-se por um clima e vegetação mais tropical. Mesmo tendo sido reclamadas durante séculos pela China, desde 1879 fazem parte do território japonês. No norte está o arquipélago de Hokaido, com um clima mais frio.
ECONOMIA
A economia do Japão é a mais poderosa do planeta, logo depois da norte americana e chinesa. Trata-se de uma das estruturas econômicas mais variadas do planeta. Suas indústrias produzem: produtos de alta tecnologia, automotores, produtos siderúrgicos, serviços, telecomunicações, alimentos agrícolas e pesqueiros, químicos, têxteis e uma imensa lista de produtos. Apesar disto, por tratar-se de um território pobre em terras férteis e com recursos naturais limitados, o sistema econômico sempre teve que depender da flutuação dos preços dos bens essenciais.
A ausência de mão de obra qualificada e as restrições ao acesso à matérias primas promoveram altos níveis de eficiência produtiva e o desenvolvimento de robôs industriais em grande escala. Atualmente, cerca de 40% dos robôs trabalhando em linhas de produção encontra-se no Japão.
Os empresários japoneses combinam os altos padrões de qualidade e inovação constante com uma efetiva política de promoção de exportações. O governo local protege as atividades dos setores estratégicos e aproveita-se dos incentivos fiscais para investir em novos setores produtivos. Nintendo, Sony, Toyota, Honda e Canon são algumas das companhias japonesas que alcançaram prestígio internacional.
Em 1990 a economia japonesa começou a mostrar sinais de desaceleração e, em seguida de crise, quando os níveis de produtividade, o surgimento de competidores globais mais agressivos e a queda do valor do yen, impactaram negativamente as projeções estratégicas das grandes companhias.
FATORES HUMANOS
A sociedade japonesa é composta por uma maioria nipônica. Existem outras minorias nacionais como os ainus, habitantes do arquipélago de Hokkaido e os okinawenses, habitantes das ilhas do arquipélago de Ryuku.
O Japão enfrenta um sério problema de redução demográfica. Os números oficiais indicam que o índice da natalidade está situado nos níveis mínimos e caso essa tendência continue uma despopulação progressiva pode ocorrer. Além disso, o Japão exibe uma das populações mais longevas do planeta. Curiosamente, seu outro grande problema é a grande densidade demográfica que faz com que o valor imobiliário nipônico seja um dos mais elevados do planeta.
Os japoneses das regiões urbanas- cerca de três quartos do total dos habitantes- são abertos aos visitantes e em geral aceitam os costumes estrangeiros. Entretanto são extremamente respeitosos com seus rituais e culturas próprias. O turista deve estar atento às situações que possam alterar a harmonia do lugar em que visita.
Em todo o território fala-se Japonês, mesmo que em regiões como Ryuku seja comum que os habitantes sejam bilíngues e comuniquem-se entre eles em dialetos locais. O domínio do idioma inglês, e em menor quantidade de outras línguas européias, é bastante difundido e nos lugares turísticos são aceitos apenas funcionários que se comuniquem em inglês fluente.
A religião xintoísta predomina no Japão, seguida pelo budismo e minorias católicas, protestantes e animistas espalhadas pelas cidades ou zonas no interior.
exhibe una de las poblaciones más longevas del planeta”
CULTURA
O Japão é um dos países com uma das culturas mais peculiares e complexas do mundo. Suas tradições ancestrais convivem em harmonia com o culto à modernidade e à tecnologia.
Os costumes e rituais cotidianos são muitos e fascinantes. Um dos mais famosos é a Cerimônia do Chá, um complexo ritual que inclui cortesia, trajes típicos, ambientação de insensos e arranjos de flores em vasos requintados.
Tanto em Tóquio como em outras grandes cidades japonesas é possível encontrar gueixas, sofisticadas damas de companhia, especializadas na arte de dançar, conversar e dar atenção aos clientes. Podem ser encontradas nas “okiyas”, denominação do lugar onde trabalham. As gueixas usam seus tradicionais quimonos, elaboradas vestimentas com ricos bordados e tecidos caros. Os quimonos novos e sofisticados podem chegar a preços bem altos.
Nos teatros locais pode-se assistir à apresentações de Kabuki, arte cênica japonesa caracterizada pelo uso carregado de maquiagem e vestimentas representando as histórias da mitologia local.
Nas escolas de Bujutsu, pode-se presenciar a prática de artes marciais japonesas como o Judô, Karatê, Kendo e Aikido. Em Okinawa, é possível visitar escolas de karatê, herdeiras dos agricultores que primeiro desenvolveram esta arte marcial no século XV antes da proibição do rei Shoshin bania o uso de armas.
Os amantes das artes mais modernas encontram no Japão uma grande variedade de produtos derivados do Mangá, uma tipo de história em quadrinhos japonesa muito popular no país.
Com relação à música, no Japão pode-se encontrar rítmos próprios de cada região, quase todos variações da música folclórica baseada no uso de guitarras, citaras Koto e tambores. As histórias cantadas ao som da guitarra shamisen na ilha principal compete em sutileza com as melodias Kamiuta o Kuduchi, de Okinawa. Nos lugares mais modernos, pode-se curtir o karaokê, um costume que encanta aos japoneses de todas as idades.
As cerimônias públicas encontradas são variadas. O Festival da Cerejeira, que coincide com a chegada da primavera, é uma excelente ocasião para presenciar os rituais coletivos e privados que os japoneses realizam em volta da cerejeira e de seu florescimento.
Outro ritual imperdível no Japão é o festival de Obon, tradicionalmente celebrado em torno de 15 de julho a cada ano. O objetivo do ritual é prestar homenagem aos antepassados falecidos e a Buda. Uma das imagens mais impressionantes é o lançamento de pequenos barcos nos rios, cheios de velas ou o depósito de cestas iluminadas nas ruas, para guiar a alma dos mortos.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Tóquio 35°41′05.11″N 139°45′08.85″E
Tóquio nasceu formalmente em 1457, quando o samurai Ota Dokkan começou a contrução do castelo Edo. Em 1603 o Shogun Tokugawa Leyasu conseguiu destacar-se ante os outros senhores feudais e Tóquio, começou a ser considerada a capital política da ilha, enquanto Kyoto manteve-se como residência e sede do poder imperial até os tempos modernos. Tóquio possue numerosos edifícios que testemunham sua rica cultura histórica. O Palácio Imperial é uma das jóias arquitetônicas japonesa. Situada na zona de Chiyoda, a fortaleza que o abriga tem um total de 341 hectares de construções e jardins deslumbrantes. É a residência do imperador e a cada ano, em 2 de janeiro, é a sede das celebrações do monarca.
Castelo Iga Ueno 34°46′12″N 136°7′38″E
Em 1585 começou a construção do Castelo Iga Ueno, o edifício que abriga a história dos samurais. Encontra-se próximo à cidade de Ueno, a que deve seu nome. O castelo também guarda a história da casta dos Ninja, guerreiros que fizeram do sigilo e astúcia uma arte. Surgiram dos guerreiros participantes das guerras civis e dedicaram-se a aperfeiçar as artes marciais e a filosofia que os rodeava. A República de Iga, que formaram para dedicar-se ao sonho de autonomia, teve no castelo um ponto de resistência quase intransponível. O castelo guarda hoje a mais importante coleção dedicada aos Ninja e Samurai. Dentro do Castelo, realizam-se espetáculos históricos em que os artistas demonstram algumas das habilidades Ninja com o uso de armas ancestrais e pode-se percorrer espaços cheios de armadilhas, portas giratórias e outras atrações que demonstram a habilidade de construção dos guerreiros japoneses.
Nagasaki 32°58′N 129°48′E
Famosa por ser alvo da segunda e mais poderosa bomba atômica utilizada contra uma população civil, Nagasaki possue também um rica história anterior. Foi fundada em 1500 por comerciantes portugueses ansiosos por conquistar o mercado japonês. Em 1587 a cidade foi ocupada pelo Shogun Hideyoshi Toyotomi, que desconfiava da rápida penetração do cristianismo que vinha ganhando força nas cidades. Expulsaram missionários e comerciantes estrangeiros. Milhares de católicos japoneses foram perseguidos, exilados ou assassinados em Nagasaki durante os séculos seguintes. Ainda assim, a cidade seguiu sendo o bastião católico no Japão graças aos fiés que mantiveram a religião na clandestinidade. Somente em 1720 a cidade revocou a proibição contra os estrangeiros holandeses, impedidos de regressar até então. Em 1855, com a abertura do Japão às idéias ocidentais, a cidade converteu-se em um centro cultural e industrial privilegiado. Em 9 de agosto de 1945, a bomba atômica “Fat Men” de 25 kilotons destruiu grande parte da cidade e matou cerca de 140.000 pessoas. A cidade foi reconstruída e, atualmente é uma das grandes metrópoles japonesas.
Okinawa 26°19′58″N 127°44′56″E
A ilha de Okinawa faz parte do arquipélago de Ruykyu, um estado independente que em 1879 foi anexado pelo Japão. Possue uma rica tradição e culturas próprias, em alguns aspectos muito diferentes ao das outras ilhas do Japão. Antes de ser ocupada pelo Japão, estava unida à China e portanto a influência de ambas culturas pode ser notada nas expressões artísticas da ilha. Seus dialetos, que variam de acordo com as diferentes regiões da ilha, são prova da diversidade cultural que possue sua sociedade. Entre seus legados mais famosos, encontra-se o karatê, arte marcial que desenvolveram logo após a proibição da posse de armas. Ainda é possível visitar as cavernas e bunker que serviram de defesa durante a batalha de Okinawa em junho de 1945, quando forças americanas e japonesas travaram um feroz embate no qual morreram 12.000 soldados norte americanos e 107.000 defensores. Além disso, foram mortos 100.000 civis. O Museu da Paz foi erguido em diante da fortaleza onde muitos habitantes cometeram suicídio, movidos pela propaganda japonesa que afirmava que as tropas invasoras executariam matanças em massa caso triunfassem.
Kyoto 35°0′41″N 135°46′5″E
Os primeiros grupos humanos a habitar a região de Kyoto datam do século VII. Desde o ano 794 Kyoto foi a sede do poder imperial japonês. Em 27 de janeiro de 1868, as forças imperiais derrotaram aos exércitos shoguns na batalha de Toba- Fushimi, travada onde hoje encontra-se o centro da cidade. Esta vitória permitiu dissipar a resistência dos shogunes e começar a modernização econômica e política. Tempos depois da batalha, Tóquio foi convertida em centro político do Japão e Kyoto foi mantida como residência da nobreza. Suas ruas conservam construções centenárias e magníficos templos budistas, entre os quais destacam-se o Kinkaku-ji ou Pavilhão Dourado e o Ginkaku-ji, Pavilhão da Prata. É possível visitar o Sanjusangendo, um templo budista onde a cada ano é realizado um célebre torneio de arqueiros e a Cerimônia dos Salgueiros. O Palácio Heian, residência do Imperador, é na verdade um enorme complexo de edifícios restaurados, rodeados por uma sólida muralha que fortalece os boatos referentes à antiga corte japonesa. O Jardim Byodoin é o destino ideal para os que buscam um momento de harmonia e é um incrível exemplo do paisagismo japonês.
Nara 34°40′32″N 135°50′22″E
A capital da região de Kansai foi erguida no século VII ao norte da principal ilha do Japão. É famosa por seus antigos templos budistas. Entre eles destaca-se o Todaiji, construção budista que representa a maior edificação de madeira do mundo. Segundo o mito que cerca sua execução, 2.6 milhões de japoneses trabalharam em conjunto para construir o edifício. Em seu interior encontra-se a maior estátua de Buda do país. Tanto o templo como sua famosa estátua foram reconstruídos várias vezes ao longo dos tempos, como consequência de desastres naturais e ataques de exércitos invasores. Outra famosa construção de Nara é o Templo de Toji, cuja pagoda de 57 metros de altura é a mais alta de todo o Japão.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
Tóqui possue um dos sistemas de transporte aéreo mais avançados e eficientes do planeta. Os bilhetes aéreos domésticos não são caros se comparados a outros países.
O turista pode tomar o trem bala que conecta os grandes centros urbanos com comforto e preços semelhante a dos bilhetes aéreos. Os carros se distinguem por sua comodidade e higiene e os trens tem frequência e horários restritos.
A opção de transporte mais econômica é viajar em ônibus, que percorrem as cidades com bom nível de pontualidade e comodidade. Trata-se de uma alternativa para chegar a destinos que não possuem estações de trem.
Ao alugar um carro, deve-se tomar em consideração que no Japão dirige-se pela esquerda e que os engarrafamentos nas grandes cidades são frequentes. As estradas Japonesas são devidamente sinalizadas tanto em japones como em inglês. Os motoristas japoneses são cordiais e cautelosos na direção.
Por tratar-se de um arquipélago, além dos vôos internos, existem balsas para alcançar as ilhas menores. No caso de Okinawa, deve-se considerar que a distância que separa as ilhas principais, necessitam de uma viagem mais prolongada.
Os serviços de táxi são caros em relação a outros países.
GASTRONOMIA
Gastronomia
Tempura
A tempura é uma categoria que engloba os pratos preparados a partir de uma rápida fritura. Pode ser preparada com pedaços de mariscos, aves ou vegetais, que geralmente são mergulhados em azeite de gergelim bem quente. Cada porção deve ser cortada de maneira a caber inteira na boca. Pode-se também mergulhar em molho de soja e acompanhar com wasabi ( creme picante feito com repolho “wasabia niponica”). (dica: não é recomendado abusar do wasabi, pois seu sabor forte e picante podem impedir a degustação da sutileza da comida).
Sukiyaki
O sukiyaki é uma espécie de “macarrão” japonês e é parte intrínseca da gastronomia niponica. Para preparar o sukiyaki, são utilizadas tiras finas de carne de boi, cebolas Negi, cogumelos Shiitake ou enokitake e tofu dourado (preparado com leite de soja cualhado) Nas regiões urbanas também prepara-se com Sake, ovos e molho de soja.
Teriyaki
O Teriyaki é uma técnica de cozimento na braza, no wok ou no forno, na qual diferentes variedades de ingredientes são mergulhados no molho e depois assados antes de ser cozinhados. O molho mais comum é o preparado com molho de soja, sake, açúcar mascavo e vinho de arroz. A palavra Teriyaki é composta de dois vocábulos: “Teri” que significa “laqueado” e “Yaki” que quer dizer assado. O sabor do molho é agridoce e pode ser utilizado no preparo de carne, frango ou peixe. Serve-se acompanhado de tofu, arroz ou verduras. (dica: igualmente à outros pratos de comida japonesa, evita-se o uso de talheres de metal para não alterar o sabor da comida).
Sashimi
Os finíssimos filés de peixes ou marisco cru são uma das especialidades gastronômicas da cozinha japonesa. Existem tantas variedades de Sashimi como diferentes pescados e mariscos possam ser encontrados. Serve-se acompanhado por Wasabi, rabanete, gengibre e vegetais cortados verticalmente. Menos comuns são os sashimis de carne ou variedades vegetarianas. (dica: uma das variedades mais exóticas e caras de Sashimi que é servida no Japão é o preparado com o peixe balão “ Fugu sashi”. Por tratar-se de uma das espécies mais venenosas do mundo animal, deve ser preparado por um especialista, já que até hoje não se conhece o antídoto para seu veneno.
Sushi
Além de ser um tipo de comida que representa o Japão no mundo, o sushi é um tipo de cerimônia de degustação. Seu componente principal é o arroz cozido com vinagre de arroz e açúcar. Prepara-se com peixe, combinações de arroz e carnes ou vegetais enrolados em folhas de algas, ou diferentes preparos concebidos para transmitir a harmonia da cozinha japonesa e a sutil combinação de sabores que o sushi propõe. Geralmente é acompanhado por rabanetes, wasabi e molho de soja. (dica: os chefs de sushi japoneses podem irritar-se com reclamações de turistas tais como: a demora do sushi em chegar a mesa, ou que peçam variedades ocidentais como “Califórnia roll”, que não fazem parte do cardápio e não são considerados sushi pelos japoneses)
Bebidas típicas
Sake
O licor de arroz integral é a bebida mais difundida no Japão. Seu nome é Nihonshu, ainda que normalmente é chamado saquê, termo usado para todas as bebidas alcóolicas no idioma local. Existem quatro tipos de Nihonshu: Honjouzu, Guinjo, Dai guinjo e Tokubetsu, cada um deles com uma variante no tipo de elaboração que lhe dá níveis alcóolicos e sabores diferentes. É tomado na temperatura do agrado de cada um. (dica: no sul, ao pedir um Saquê, é possível que lhe sirvam um destilado de fermento de batata conhecido como Shóku e em Okinawa, um destilado de cana de açúcar.
Amazake
Preparado a partir do fermento de arroz com Koji, o Amazake é uma das bebidas mais antigas e tradicionais do Japão. Misturado em água morna e adornado com gengibre ralado, é consumido desde os tempos mais remotos em casas, bares e vendedores de rua. (dica: pela doçura originada pelo fermento, o amazake é usado como substituto do açúcar em muitas partes do Japão.
Genmiacha
É a mistura do chá verde com arroz integral torrado e é usado pelos japoneses como bebida digestiva ou consumida em encontros sociais.
Awamori
Original da região de Okinawa, o Awamori é uma bebida produzida a partir da destilação do arroz tailandês. Se diferencia do saquê das outras ilhas por ser fabricado a partir da variedade moho negro e por seu nível alcóolico, que em geral está em torno dos 60 graus. (dica: por seu alto nível de álcool, o awamori pode provocar ressacas imensas caso consumido em excesso.)
DICAS E CURIOSIDADES
• Os cidadãos da Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Uruguai, Estados Unidos, Canadá ou União Européia não necessitam de visto para entrar no Japão. O ingresso do turista é válido por 90 dias.
• Ao subir em um taxi em Tóquio, o motorista lhe abrirá a porta. É considerado indelicado que o passageiro toque na porta antes do motorista.
• Uma opção econômica aos restaurantes são os izakaya, barzinhos onde são servidos pratos menos elaborados ou shokudo, lanchonetes mais populares com comidas de preço mais baixo.
• As Gueixas não são prostitutas. Tal confusão já levou mais de um turista à situações incômodas, ao fazerem propostas ofensivas às damas japonesas.
• A visita ao Palácio Imperial de Kyoto requer uma autorização prévia, que é processada na Household Agency de Kyoto. Seu passaporte será solicitado ao ingressar.
• O Japão é uma das nações mais castigadas por abalos sísmicos de grande intensidade. Os sistemas antisísmicos no entanto são eficientes.
• O câmbio de moeda somente é permitido em bancos autorizados, correios e em alguns hotéis.
• A segurança para o turista é uma das melhores do mundo. Além das precauções normais, não é necessário seguir nenhuma rotina de segurança
• Nos restaurantes, templos e na maioria das casas particulares é costume tirar os sapatos antes de entrar. Apesar de haver tolerância com o turista, considera-se uma falta de cortesia não respeitar o costume.
• Com a excessão de taxis ou bares modernos, é inapropriado oferecer gorjeta.
• No Japão, barganhar é considerado falta de educação.
• Não deixar restos no prato é considerado boa educação e bons modos.
• Ao comer com palitos, evite usar os mesmos para fazer sinais ou gesticular.
• Ao consumir bebidas alcóolicas deixe-se servir por quem está a seu lado e certifique-se que seu vizinho próximo tenha seu copo abastecido.