HISTÓRIA
República de Cuba:
A Ilha onde a história é o presente

Muito mais do que os inconfundíveis sabores caribenhos, os puros charutos cubanos e as paisagens paradisíacas que encontram-se ao redor da ilha, Cuba é um dos últimos países do mundo onde a história acontece num presente intenso, apaixonante e muitas vezes incerto.
A chegada de Colombo
Em tempos pré-colombianos, Cuba era habitada por inúmeras tribos indígenas formadas por nativos e correntes migratórias internas do continente e de outras ilhas. Uma das razões desta densa população, era a dos extensos recursos naturais da ilha, entre os quais destacava-se a abundância da pesca.
Com a chegada de Cristóvão Colombo em Cuba em Outubro de 1492, não só a América como o resto do mundo, encerravam um capítulo de sua história e davam início a um novo e radicalmente diferente. E Cuba foi, paradoxalmente, o ponto de chegada de Colombo e o de partida desta nova era histórica. Em 1492, Colombo e sua expedição chegaram à região do sul da ilha e, a partir dali, foram explorando o restante. Quase vinte anos depois, Diego Velázquez de Cuellar foi o segundo europeu a chegar à ilha e com ele deu-se início a invasão e conquista da ilha de Cuba. Durante este período foram fundadas algumas cidades como Havana, Porto Príncipe, Camaguey e Santiago de Cuba. Paralelamente, submeteram a população aborígene à escravidão e foi estabelecido em Baracoa o Bispado de Cuba, de onde o governo controlava toda a ilha.
Os conquistadores europeus dedicaram-se na ilha à exploração dos recursos naturais, especialmente da cana de açúcar, tarefa para qual utilizaram a importação de milhares de escravos africanos para realizar as tarefas, uma vez que os nativos usados inicialmente para este trabalho, foram desaparecendo, devido aos maus tratos e às duras condições de trabalho.
O desenvolvimento da colônia cubana e de sua economia atraiu a atenção dos corsários ingleses, franceses e holandeses que fizeram inúmeras viagens à diferentes cidades da ilha. Em 1537, o pior ataque ocorreu, quando os franceses ocuparam por um dia, a cidade de Havana. Para defender-se, a coroa espanhola fortificou o porto de Havana e instituiu uma força militar na cidade.
Quando a Espanha aliou-se à França contra à Inglaterra, durante a Guerra dos Sete Anos, os britânicos tomaram Havana num assalto e a ocuparam em 12 de Agosto de 1762. Durante onze meses, a capital da ilha foi ocupada pelos ingleses, que concordaram em devolver-la à Espanha, em troca dos territórios norte americanos da Flórida.
A demorada independência.
Apesar da América ter sido tomada por ventos independistas a partir da metade do século XVIII, Cuba se mantinha longe das revoluções emancipadoras devido à combinação de um duro controle das autoridades da colônia e à properidade de sua economia. O grito revolucionário do padre Félix Varela Morales foi talvez, a mais séria tentativa autonomista de Cuba no século XIX, porém fracassou quando seu líder foi preso e executados pelas tropas coloniais.
Em 1862, novo intento independista liderado pelo fazendeiro Carlos Manuel Céspedes teve lugar. Liderando seus escravos libertos, conseguiu importantes avanços militares, sem todavia conseguir uma vitória definitiva. Alertada pela força das manifestações independistas, a Espanha aboliu a escravatura em Cuba e fez algumas concessões políticas que beneficiavam os nascidos na ilha.
Durante este tempo, os Estados Unidos já haviam incrementado sua influência econômica em Cuba, graças à instalação de inúmeras companhias desta origem em diversos setores da produção local, especialmente no negócio de produção açucareira. Os brados independistas começaram a acontecer no território norte americano com o aberto apoio de Washington. Calixto García, Quintín Banderas e José Maceo foram algumas das figuras da ofensiva emancipadora conhecida como Guerra Chiquita, que entre 1879 e 1880, tentou derrubar as autoridades coloniais. Neste período surge a figura de José Martí, ideólogo que conseguiu reforçar os sentimentos patrióticos, em muitos dos cidadãos da ilha.
Martí, Maceo e Gómez deram início a uma campanha militar que conseguiu êxito contra os espanhóis e representou com suas tropas em plena Havana. Ao longo da ilha, as colunas rebeldes conseguiram derrotar às colunas adversárias melhor treinadas e equipadas, mediante a utilização de táticas de guerrilhas e, com o apoio do povo, que os provisionava com novos recrutas e abastecimento.
A guerra pela independência de Cuba favoreceu definitivamente ao bando patriota, com a intervenção das tropas norte americanas, no que marcou a guerra hispano-norte americana. O motivo formal para a entrada dos Estados Unidos na guerra foi a misteriosa explosão do navio Maine, da marinha norte americana, em 15 de Fevereiro de 1898, enquanto o mesmo estava atracado no litoral de Havana. Ainda hoje, o motivo da explosão que pôs fim à vida de 266 marinheiros é desconhecido.
Derrotada em todas as frentes, a Espanha concordou em assinar com os Estados Unidos o Tratado de Paris, em 10 de Dezembro de 1899, mediante o qual se responsabilizava pelos territórios de Cuba, Porto Rico e Filipinas. Em 20 de Maio de 1902, Cuba proclamou-se livre, ainda que os Estados Unidos manteve sua influência sobre a nova nação e os capitais desta país passaram a dominar os nervos centrais do sistema produtivo. A tutela de Washington ficou em evidência em 12 de Setembro de 1906, quando tropas norte americanas desembarcaram na ilha para terminar com uma rebelião dos liberais cubanos.
Independência da Espanha, dependência dos Estados Unidos.
O descontentamento com relação à presença norte americana e o desejo de conseguir uma independência efetiva foram enfraquecendo um movimento político de considerável estrutura. A prosperidade trazida pelo alto preço das matérias primas exportadas por Cuba, principalmente o açúcar, tirou por completo a força destes grupos. Porém, a partir de 1922, a crise econômica radicalizou ainda mais os grupos vinculados às elites econômicas aliadas aos Estados Unidos, que em 1926 apoiou a ascenção de Gerardo Machado e a instauração de uma ditadura que combinou a repressão com um discurso populista.
Em 12 de Agosto de 1933, Machado foi derrotado e forçado a fugir do país. Após um curto período de turbulências, em 1952, Fulgêncio Batista assume a presidência, um sargento duro e bastante ambicioso. O regime de Batista deu carta branca à corrupção em todos os níveis do Estado, a concentração da riqueza em poucas mãos e foi praticamente o auge dos grupos vinculados à máfia ítalo-americana. A prostituição, o crime organizado e a ausência do Estado como provedor de serviços básicos, caracterizaram este período.
A revolução
A resistência contra Batista foi liderada por diversas personalidades, entre as quais protagonizava, cada vez mais, a figura do advogado Fidel Castro Ruz, líder do movimento 26 de Julho. Em Julho de 1953, Castro havia tentado tomar o quartel de La Moncada e depois de fracassar, foi preso, sendo anistiado em 1955. Em Novembro de 1956, Castro voltou do exílio no México, junto com 82 outros partidários, a bordo do iate Granma. Sua tentativa de iniciar um levante com dissidentes do grupo liderado por Frank País, de tomar a cidade de Cuba, terminou fracassando.
Após alguns anos de luta em Sierra Maestra, Fidel Castro e seus homens conquistaram importantes posições. O argentino Ernesto “Che” Guevara e Camilo Cienfuegos foram nesta época seus mais importantes comandantes. E foi assim que em 1 de Janeiro de 1959, as tropas rebeldes conseguiram entrar em Havana, ao mesmo tempo em que Batista fugia com parte do tesouro público.
Logo após um breve governo formado por uma coalisão de partidos que faziam oposição ao governo de Batista, Fidel Castro assumiu o poder e permaneceu como autoridade máxima na ilha pelos 47 anos que se seguiram. Enquanto destituía a propriedade privada e socializava a economia, confiscava propriedades que pertenciam aos cidadãos, alguns deles, sócios de capitais norte americanos. Estas ações determinaram a decisão do governo norte americano de romper relações diplomáticas com o regime cubano. Castro havia evitado qualquer pronunciamento com relação ao tipo de governo que pretendia levar adiante, uma vez que tomasse o poder, porém, diante da ofensiva de Washington e ao ataque de aviões em território cubano em abril de 1961, proclamou-se marxista leninista e aliado ao bloco soviético.
Cuba durante a Guerra Fria.
A posição de Castro foi criando uma insatisfação em diversos setores da ilha e em 17 de Abril de 1961, um grupo de cubanos anticastristas apoiados e equipados pelos Estados Unidos, tentou um ataque na Baía dos Porcos. Foram totalmente derrotados pela contra-ofensiva cubana, o que fortaleceu política e moralmente o curso da Revolução comandada por Fidel Castro.
Em Junho de 1962, e em plena Guerra Fria, a União Soviética começou a instalar mísseis atômicos em território cubano. Quando a inteligência norte americana descobriu o fato, declarou um bloqueio total contra Cuba em 22 de Outubro, para impedir a chegada dos projéteis. Após excruciantes momentos de incerteza que mantiveram o mundo em apreensão pelo risco de um confronto nuclear, os soviéticos concordaram em não instalar os foguetes em troca da promessa americana de não invadir a ilha no futuro.
Nos anos que se seguiram, Cuba transformou-se numa importante peça no jogo da Guerra Fria na América Latina e outras regiões do Terceiro Mundo. Conjuntamente com os soviéticos, treinaram e equiparam muitos movimentos guerrilheiros que atuaram na América Latina entre 1960 e 1989. Além disto, enviou tropas à conflitos internos em Angola, Zaire, Iemêm, Etiópia, Guiné Bissau, Namíbia e África do Sul.
Em 1989, a queda do bloco soviético provocou em Cuba uma imensa crise econômica. A perda dos subsídios de cerca de 6 milhões de dólares anuais além da perda de benefícios na aquisição de matéria prima e bens de capital a preço de custo no bloco comunista, provocaram um debate econômico sem precedentes.
Em 1991 o presidente Fidel Castro declarou o começo de um “período especial”, eufemismo para um plano de racionamento e corte de gastos que feriu uma população em uma época de falências e penúria. A partida de milhares de cubanos ao exílio, muitas vezes em precárias balsas fabricadas com objetos de uso diário, o que fez com que ficassem conhecidos como “balseiros”, exibiu o lado mais amargo da crise.
A Ilha onde a história é o presente”
GEOGRAFIA E CLIMA
Na ilha predomina o clima tropical úmido, com escassa diferença térmica entre o dia e a noite. Existe uma variação menor de temperatura entre as regiões orientais e ocidentais.
Cuba se divide entre a região costeira e as formações rochosas que se encontram no centro da ilha. Na altura de Sierra Maestra são registrados índices de temperatura mais baixo do que nas outras regiões de Cuba.
Predomina el clima tropical húmedo”
ECONOMIA
Cuba é a única economia comunista do hemisfério ocidental. Desde a revolução, que a aliou ao bloco comunista, os Estados Unidos exerce um bloqueio econômico, que entretanto não conseguiu frear o intercâmbio com o resto do mundo.
Durante a Guerra Fria o regime de Fidel Castro dependia estritamente da ajuda soviética. A queda do bloco oriental em 1989 foi um golpe duro na economia cubana. O “período especial”, como ficaram conhecidos os anos de racionamento de alimentos, vestimenta e energia, antecedeu a introdução de reformas na economia para adaptar-la a um novo contexto. Atualmente o sistema produtivo cubano vem dando passos importantes na direção da economia aberta, permitindo uma maior flexibilidade na posse de divisas estrangeiras, propriedade privada e trabalho por conta própria.
A aliança política com a Venezuela permitiu o acesso a produtos derivados do petróleo a preços baixos e destinados a reativar os diferentes setores da indústria. Cuba tem demonstrado uma notável recuperação nos últimos cinco anos com índice de crescimento elevado.
Cuba obtém divisas através da exportação do níquel, açúcar, turismo e das remessas enviadas por residentes em países estrangeiros. Possue atualmente uma considerável estrutura industrial que produz um terço do PBI, destinada a satisfazer o consumo interno. Outras produções importantes são o rum, o tabaco, a indústria farmacêutica e a biotecnologia.
FATORES HUMANOS
A sociedade cubana é resultado de uma história bastante rica e com eventos inusitados. A população é na sua maioria, descendente dos imigrantes europeus do tempo da colônia e dos momentos apoteóticos da ilha, e também de imigrantes africanos trazidos em épocas reais, para trabalhar nos campos de cana de açúcar. Existe também uma colônia significativa formada por habitantes dos antigos países da ex União Soviética e descendentes de chineses, a maioria deles, habitando as grandes cidades.
Cuba também é um país de exilados. Estima-se que cerca de 3 milhões de cubanos vivem no exterior, em sua maioria nos Estados Unidos, México e pela Comunidade Européia.
O idioma oficial em Cuba é o espanhol. A presença de línguas aborígenes é quase inexistente devido ao desaparecimento das etnias originárias nos tempos de colônia. Existe uma numerosa comunidade de habitantes que falam creole do haiti, a maioria descendentes do imigrantes haitianos chegados no século passado.
Apesar do estado cubano ser declaradamente ateu e no passado promover o abandono de qualquer prática religiosa, uma grande parte dos cubanos seguem o catolicismo. Alguns grupos combinam antigas crenças africanas e cristãs como o ñañismo, ifás e a Regra Conga.
Uma das características essenciais da população cubana é seu elevado nível de alfabetização, um dos mais altos do mundo e o respaldo de um sistema de saúde universalizado que conseguiu elevar a expectativa de vida média aos 78 anos.
Os turistas são muito bem recebidos em Cuba e não raro encontra-se pessoas que falem outros idiomas fora do circuito turístico. Em Havana o turista pode sofrer um pouco o assédio de locais interessados em chamar a atenção do estrangeiro ou oferecer algum tipo de negócio ou serviço com uma insistência difícil de demover. Pode-se pedir ajuda à polícia para que o visitante siga seu caminho.
CULTURA
Cuba exibe uma cultura extremamente rica e profundamente afetada por sua história. Do momento em que o turista chega à ilha, constatará constantes sinais de discussões propagandistas a favor do regime liderado por Fidel Castro, a representação revolucionária e a retórica anti emperialista. Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos aparecem constantemente em cartazes, canções, mídia e conversas.
Além disto a cultura cubana tem tradições hispanas e africanas profundamente enraizadas. A música cubana é uma das manifestações mais expressivas da sociedade. O Cha cha cha é provavelmente o rítmo que melhor representa o ânimo festivo do povo cubano. Como o Mambo, é interpretado em todos os cantos da ilha e servem de desculpa para que os cubanos demonstrem sua paixão pela dança. A Nueva Trova Cubana, que tem em Silvio Rodríguez e Pablo Milanés seus expoentes máximos, traduz com melodias simples o pensamento e as aspirações da geração revolucionária. Outros rítmos populares da ilha são o Danzón, o Changüi, o Guaguancó, a Guajira, a Guaracha e a Rumba, são alguns dos expoentes da criatividade cubana e sua paixão pela música.
O turista pode comprar inúmeras lembranças características de Cuba. As talhas de madeira caoba, a cerâmica e a cestaria são bastante apreciados. Podem ser encontradas nas feiras de artesanato de Havana e nas lojas para turistas das cidades mais visitadas pelos estrangeiros. Não se pode esquecer dos famosos charutos cubanos, cuja qualidade e sabor fazem com que sejam considerados como melhores do mundo. A marca Cohiba é a mais famosa delas e os turistas podem visitar as casas onde são fabricados artesanalmente, com técnicas centenárias.
No mes de julho festeja-se o Carnaval de Havana, ocasião onde desfiles e festejos acontecem em frente ao Capitolio, na cidade. Também famoso é o carnaval de Santiago de Cuba. O Festival de Jazz, realizado também anualmente na capital no mes de julho, reúne grandes nomes do estilo.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Havana 23°8′N 82°22′O
Havana foi fundada em 16 de novembro de 1529 a fim de estabelecer um porto que permitisse a exportação da produção da ilha ao mesmo tempo que sua colonização. Ao longo de sua existência, a cidade foi objeto de ataque de corsários, sofreu a ocupação britânica em 1672, testemunhou a ação de independistas cubanos durante o século XIX e foi palco do triunfo revolucionário liderado por Fidel Castro em 1 de janeiro de 1959. Seu centro histórico conserva a maior parte da arquitetura colonial e construções emblemáticas como o Capitolio Nacional, sede do poder legislativo cujo edifícil é uma cópia do similar norte americano. Na zona portuária, pode-se visitar o Forte de San Carlos que protegeu a cidade durante séculos e em Habana Vieja, o bar La Bodeguita del Medio, imortalizada pelo escritor Ernest Hemingway.
Santiago de Cuba 20°01′N 75°50′O
A segunda maior cidade de Cuba foi fundada em 1515 pelo espanhol Diego Velásquez de Cuellar. Sua localização estratégica permitiu dominar o oriente cubano e por anos competiu em magnitude com a cidade de Havana. O castelo de San Pedro de la Roca, que durante anos testemunhou o ataque de piratas e corsários, reflete a heróica história de Santiago. Nos arredores da cidade, pode-se visitar as ruínas das plantações de café que trouxeram prosperidade e prestígio à sua economia e a tumba de José MartÍ no cemitério de Santa Ifigenia. A casa de Diego Velázquez e o Museu Bacardi são outros dos atrativos históricos que o lugar oferece.
Trinidad 21°48′11″N 79°59′04″O
Na costa sul de Cuba encontra-se a linda cidade de Trinidad. Desde 1514, ano em que foi fundada, Trinidad foi o centro da atividade açucareira. Seu centro histórico conserva a maior parte das construções coloniais. Além disso, é sede do Museu da Luta contra os Bandidos, nome que recebe a exibição que denuncia a interferência norte americana em Cuba desde 1959 em diante. Em uma de suas vitrines, encontra-se em exibição a insÍgnia do avião espião U2 norte americano, derrubado durante a Crise dos MÍsseis. Também é possível visitar o Museu Guamuhaya, de onde se podem observar elementos da vida pré colombiana da ilha e coleções de sua época colonial.
Santa Clara 22°24′49″N 79°57′58″O
Poucas cidades caracterizam tão nitidamente a revolução cubana como Santa Clara, capital da província de Villa Clara. A história da cidade começou em 1689 com a chegada de um grupo de colonos fugidos dos constantes assaltos dos corsários na costa. Transformada em um centro comercial por sua localização estratégica, a cidade prosperou durante o auge da exploração açucareira. Criou fama mundial quando Che Guevara e 600 guerrilheiros capturaram em 13 de dezembro de 1858, um trem carregado com 5.000 soldados designados a lutar contra a revolução. Sua captura deu início a queda do regime de Batista. Na cidade encontra-se um maosoléu com os restos de Che e alguns dos outros que tiveram sua última aventura em Cuba.
Isla de la Juventud 21°45′N 82°51′O
A principal ilha do arquipélago de Canarreos, no sudoeste de Cuba, foi descoberta por Cristóbal Colón em 13 de junho de 1494. Conhecida anteriormente por diferentes nomes, recebeu o atual por ser o ponto de reunião dos jovens que a revolução cubana recebia antes de seguir para os campos de treinamento. Em seu território localiza-se o impressionante Presídio, onde Fidel Castro foi confinado após fracassar na tentativa de tomar o quartel La Moncava e a fazenda El Abra, onde estava o prisioneiro patriota cuba José Martí. As cavernas de Punta del Este conservan as pinturas em pedra mais espetaculares de toda Cuba.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
Apesar do bloqueio norte americano, Cuba está conectada por uma abundante quantidade de vôos. Cubana de Aviación, a linha aérea estatal da ilha, possue vôos econômicos ainda que as acomodações a bordo estarem longe das aerolíneas mais modernas. O mesmo acontece com os vôos domésticos que servem as principais localidades.
Pode-se também optar por serviços de ônibus, relativamente cômodos e pontuais para viajar dentro da ilha ou pedir carona aos caminhoneiros que circulam pelas estradas; os motoristas particulares estão sempre dispostos a levar os turistas a seus destinos e não tem a mínima timidez na hora de sugerir que uma compensação financeira seja paga.
Existe também a opção de tomar um táxi e deve-se negociar com o motorista antes de fazer trajetos mais distantes. Em geral, os táxis são automóveis antigos nos quais falta ar condicionado e os amortecedores milenares podem fazer do percurso uma verdadeira odisséia.
A opção de trem não é muito recomendada. O sistema de trens é extremamente ineficiente e incômodo, apesar de muito barato.
Alugar um carro não é opção barata e as estradas sofrem com a falta de manutenção e sinalização. Deve-se ter muito cuidado com a quantidade de carros velhos e animais atravessando as estradas. No lado positivo, os cubanos estão sempre dispostos a ajudar os visitantes a chegarem a seu destino.
GASTRONOMIA
Moros e cristianos
Este curioso nome identifica um dos pratos típicos da gastronomia cubana. É preparado com feijão negro cozido. Ao mesmo tempo, prepara-se um refogado de cebola, pimentão, alho e toucinho cortado em cubos. Uma vez pronto, junta-se o refogado ao feijão. Serve-se com arroz branco. O prato trata-se de uma variação encontrada em outros países, porém alguns dos ingredientes e modo de servir são típicos de Cuba. (Dicas: existem algumas variações na hora de servir este prato. Uma forma de servi-lo é misturando o arroz com o feijão antes de trazer à mesa.)
Picadillo a la Habanera
O picadinho à Habanera é um dos pratos mais populares da cozinha cubana. É preparado com carne picada, cozida com alho, cebola e pimentão. Em seguida, junta-se ervas, suco de laranja e azeitonas picadas. O resultado é uma massa nutritiva e saborosa, que é servida com arroz branco, banana frita e salada de alface ou agrião.
Cerdo al estilo cubano
O porco é uma carne importante da culinária cubana. Uma das maneiras típicas de prepara-lo é em grandes pedaços, temperado com laranja, orégano e sal. O porco é assado num fogo de madeira de guayabo e cozido por quatro ou cinco horas até começar a desfiar. Uma vez pronto, é servido com aipim, salada de alface e tomates. Trata-se de um prato delicioso e preparado em ocasiões especiais. (Dica: antes de cozido, são retirados do porco apenas o pêlo e as vísceras. É considerado uma honra comer a cabeça e outras partes do animal. Convém recusar antecipadamente antes de encontrar uma cabeça de porco no prato.)
Sopón Holguinero
A cozinha cubana é rica em sopas e caldos. Um dos pratos mais famosos é o Sopón Holguinero. Preparado com carne de porco, frango ou presunto cortado em tiras finas. Depois de umedecer a carne para fazer o caldo, junta-se sal, pimenta e molho crioulo. Leva-se ao fogo para engrossar e junta-se banana, batata doce, aimpim, abóbora e arroz. A combinação produz uma sopa altamente nutritiva e saborosa, bastante apreciada por cubanos e estrangeiros.( Dica: recomenda-se tomar o Sopón Holguinero ao fim do dia, já qua não se deve praticar exercícios físicos após seu consumo)
Arroz a la cubana
O arroz à cubana faz parte da mesa diária de milhões de habitantes da ilha. É preparado refogado com cebola picada, alho, sal, pimenta e azeite. É cozido com pouca água até estar no ponto. Em separado, prepara-se um molho de tomate e cebola. Em uma frigideira, frita-se bananas passadas na farinha. Finalmente junta-se todos os componentes e completa-se o prato com um ovo frito. Trata-se de um prato com uma variedade de sabores e texturas diferentes para cada ocasião. (Dica: os “paladares” ou restaurantes do bairro de El Vedado, preparam as mais requintadas e famosas variedades de arroz à cubana.)
Bebidas de Cuba
Cubalibre
A mistura de rum com soda transcendeu as fronteiras de Cuba e transformou-se num dos coquetéis mais populares do mundo. Começou a ser consumido quando Cuba ainda era um virtual protetorado dos Estados Unidos e a mistura, que muitos associam com o fim da colônia, conservou seu nome até o presente. (Dica: A cubalibre pode ser preparada com qualquer tipo de refrigerante. Os cubanos tem suas próprias marcas que competem com as originais norte americanas e que servem perfeitamente para o preparo da bebida.)
Mojito
É difícil visitar Cuba e não cair na tentação de tomar um mojito numa praia ou num bar de Havana Vieja. É preparado com rum branco, açúcar, suco de lima, hortelã em folha e gêlo. Pode-se também preparar-lo com água gasosa ou colocar umas gotinhas de suco de Angostura. (Dica: em Habana Vieja deve-se visitar o bar La Bodeguita del Medio e provar um dos legendários mojitos imortalizados pelo escritor Ernest Hemingway)
Daiquiri
O daiquiri é uma das grandes contribuições cubanas aos coquetéis mundialmente. É preparado com rum branco e diferentes sucos de fruta. Recebeu seu nome em homenagem à uma praia de Havana, que, reza a lenda, foi preparado pela primeira vez pelo americano Jennings Cox. Juntamente com o Mojito, foram parte inseparável da vida do escritor norte americano Ernest Hemingway em Cuba, que tomava aqueles preparados no bar Habanero El Floridita”. (Dica: os sucos de fruta disfarçam o teor alcóolico da bebida. O clima caloroso de Cuba propicia a tomar-los sem parar, o que pode ter efeitos pesados durante uma escapada de férias.)
DICAS E CURIOSIDADES
• O governo de Cuba exige visto aos turistas da maioria dos países. Podem ser obtidos, após o pagamento de um imposto de valor variável, nas embaixadas cubanas de cada país.
• O sistema de água potável é considerado relativamente seguro porém foram reportados alguns casos de Hepatitis B e infecções parasitárias.
• Em Cuba usa-se os sistemas elétricos 110 e 220 volts. É aconselhável informar-se sobre o tipo de conexão disponível antes de usar uma tomada, já que não há sinais de aviso.
• Cuba vem atravessando há algum tempo uma situação difícil com relação à prostituição infantil. Alguns cubanos oferecem serviços de prostituição, atividade que não é considerada ilegal na ilha, envolvendo menores de idade. A polícia reprime severamente estes casos.
• Em Havana, utiliza-se um serviço de transporte público conhecido como “camelo”. Trata-se de grandes caminhões onde sobem dezenas de pessoas amontoada. É lugar preferido dos batedores de carteira e recomenda-se ao turista evitá-los.
• Deve-se trocar dinheiro nos estabelecimentos destinados para este fim (CADECAS). Fora deles, aparecem oportunistas que se oferecem para fazer a troca num valor bastante conveniente e utilizão bilhetes fora de circulação ou aproveitam-se do turista no valor do câmbio. O dólar norte americano tem um desconto de 20%, porém o mesmo não é aplicado ao Euro.
• O alojamento em casas particulares é extremamente regulamentado. As casas autorizadas exibem um sêlo azul na entrada. Deve-se verificar o sêlo com o proprietário, caso ele não esteja exibido.
• A utilização da Internet é fortemente fiscalizada pelo estado cubano. Apesar dos progressos na área, em algumas regiões é virtualmente impossível encontrar conexões eficientes. Alguns lugares e serviços são bloqueados pela censura cubana.