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Para estudar a história da Coréia do Sul é necessário primeiro, conhecer a história do nascimento da Coréia que, logo, se dividiria em Coréia do Norte e do Sul. Os primeiros dados assombrosos: de acordo com ferramentas arqueológicas encontradas no território coreano, determinou-se que a presença humana na região remonta há 700.000 anos.
Em 2.333 AC, foi fundado na Coreia o reino de Choson, que a lenda atribuiu ao mítico rei Tan Gun vindo do céu, e a uma mulher de certa tribo, que era representada pelo totem de um urso. A organização política da antiga Coreia era caracterizada pela existência de clãs de comunidades que formavam a cidade estado.
Por mais de dois mil anos, a sociedade coreana foi construída por uma entidade guerreira de cultura agrícola, onde lutar sem armas significava ter treinamento em daligi (corrida), dunjiki (jogar), jileuki (golpear com as mãos), balchaki (golpear com os pés) e su Young (nadar).
Séculos mais tarde, a partir de 57 AC, surgiram os três reinos de Koguryo, Paekche e Silla. O primeiro, originado no ano 37 AC, caracterizou-se pelo desenvolvimento das artes marciais e outras técnicas de combate que lhe permitiu expandir seus territórios do norte coreano até a Manchúria. No sudeste, o desenvolvimento do reino Paekche, surgido em 18 AC, era voltado para a produção e o comércio de bens agrícolas. O terceiro reino, Silla, estabeleceu uma aliança militar com o império Tang da China para submeter Koguryo e Paekche. Entretanto a China violou o pacto e revelou suas verdadeiras intenções de apoderar-se dos territórios dos outros reinos. Foi então que a Silla não teve outra saída senão declarar-lhes guerra e, no ano 676 DC, expulsou os chineses e formou o primeiro estado unificado: Balhae.
O novo império unificado atravessou um período de florescimento econômico e científico. Livre das preocupações internas e das invasões estrangeiras, o novo clima permitiu a rápida eclosão da arte, religião, comércio e educação. A capital de Silla tinha uma população de um pouco mais de um milhão de habitantes, e a maior parte de suas cidades vivia com opulência. Por outro lado, o budismo floresceu sob a proteção da nobreza e da corte exercendo uma grande influência nos assuntos do estado.
No ano 918, a dinastia Silla foi derrubada por um grupo de generais liderados por Wang Kun, que estabeleceu o reino de Goryeo, com capital em Song-ak. Nesta época, o budismo já se havia transformado numa religião tão importante como o confucionismo. Em 1394, o general Lee Sung Kei fundou o reino de Lee Joseon e iniciou a reconversão da população ao confucionismo.
Em 1592, 150.000 soldados japoneses invadiram a Coreia assim que o país negou aos japoneses utilizar seu território como passagem para atacar a China. Joseon foi invadida pelos japoneses a mando de Toyotomi Hideyoshi. A guerra durou sete anos e o reino ficou totalmente devastado. O general Toyotomi morreu durante a campanha e deu por encerrada a guerra em 1598, deixando para trás uma Coreia arrasada.
Nos anos seguintes, começaram as pressões dos grupos liberais para introduzir reformas que tirariam o país do atraso. Apesar de conseguirem alguns progressos, os conservadores vinculados à aristocracia, reduziram o impacto das medidas progressistas. Aliada e protegida pela China, a dinastia Joseon foi extinta em 1910, quando as tropas japonesas voltaram a ocupar a península coreana, aproveitando do enfraquecimento de seu principal aliado, ocupado na disputa contra as potências ocidentais.
Apesar de a ocupação japonesa haver trazido a modernização da infraestrutura e da economia coreana, também impactou a exploração dos recursos alimentícios e a fome generalizada. Os ocupantes entregaram terras aos agricultores japoneses, em detrimento dos agricultores coreanos, que foram desalojados e deixados à própria sorte ou a fome. Ademais, iniciaram um processo de “japonização” da Coreia, que consistiu na proibição da língua e tradições locais e a substituição pelo idioma e costumes japoneses.
Uma grande parte dos coreanos decidiu migrar para o Japão e Manchúria, fugindo da inanição, enquanto outro grupo, em 1919, iniciava um movimento de protesto contra a ocupação japonesa. Os japoneses reprimiram os protestos de forma violentíssima, o que custou a vida de milhares de coreanos, que apesar disto, continuaram tentando sua independência. Um governo temporário com sede em Shangai tentou manter o pedido de emancipação, porém os coreanos tiveram que esperar o fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota japonesa para recuperar a soberania.
Entretanto, assim que a guerra terminou, tropas soviéticas ocuparam o norte do país e os aliados ocidentais o sul. As potências começaram a promover os grupos afins, com a intenção de triunfar nas eleições que formariam o primeiro governo independente. Os russos, com o apoio de seus aliados chineses, mantiveram Kim II Sung, a figura central do comunismo coreano. Nas eleições de 10 de Maio de 1948, os comunistas se negaram a participar e em seguida, ignoraram os resultados onde Syngnam Rhe havia sido eleito presidente.
Em 25 de Junho de 1950, o exército comunista avançou sobre o sul. Mais numerosos e contando com o melhor do arsenal russo, os coreanos do norte não tiveram problemas em aniquilar as tropas dos coreanos do sul. Tropas norte-americanas e de outros países foram convocadas pelas Nações Unidas e tentaram deter o avanço comunista, porém foram encurraladas num estreito perímetro nos arredores da cidade de Pusang. Uma força anfíbia norte-americana a mando do general Douglas Mc Arthur, atacou a cidade de Inchn, bem ao norte da retaguarda comunista. A manobra foi bem sucedida e os exércitos norte-coreanos, agora reforçados por regimentos chineses e “assessores” soviéticos, que operavam jets e equipes de comunicação, começaram a ceder terrenos diante das tropas ocidentais. Um armistício assinado em 1953 estabeleceu um cessar fogo e a divisão entre as duas Coreias a partir do paralelo 38.
Syngnan Rhe retomou o poder e foi mantido na presidência até que um golpe de estado o derrubou. Longos anos de autocracia e frequentes abusos de poder impulsionaram as massivas manifestações que antecederam sua derrubada. Um novo golpe de estado derrotou seu sucessor, John Chang, em 1961. Nos anos seguintes, um regime de fato, liderado pelo general Chung Hee Park estabeleceu um plano de profundas reformas, levadas adiante por um grupo de tecnocratas. Apesar de haver vivido imersa em restrições de liberdades políticas, a Coréia do Sul passou por uma acelerada industrialização e modernização de seu sistema econômico. Uma política de reconciliação com seus vizinhos do norte e com o Japão teve resultados ambíguos. Enquanto o Japão começava a investir seu capital na Coréia do Sul, o regime comunista hereditário que governava a Coréia do Norte deu sinais da aproximação ao mesmo tempo em que promovia ocasionais incidentes na fronteira.
Em 4 de Julho de 1974, os governos do norte e do sul assinaram um acordo para acelerar a reunificação, porém o tratado foi submetido a inúmeros atrasos, em função de o norte provocar novos incidentes fronteiriços.
Enquanto isso, o general Park orquestrou outras eleições fraudulentas que o mantiveram no poder até 1979, ano em que foi assassinado pelo chefe da inteligência estatal. A morte de Park deu início a uma série de manifestações dos partidos políticos que exigiam eleições livres e o estabelecimento do Estado de Direito. Um grupo de opositores chegou a tomar a cidade de Kwangju.
A junta militar que controlava o poder, respondeu com uma campanha de repressão iniciada em Maio de 1980, causando milhares de mortes e levando outros tantos milhares a prisão. A figura máxima de oposição ao governo militar, Kim Dae Jung, foi preso e condenado à prisão perpétua, após ser considerado culpado por instigar os protestos. Logo após novas eleições repletas de fraudes em 1981, o governo militar entregou o poder a Chun Doo Wan. O presidente ordenou que a repressão fosse intensificada, mas teve que retroceder e acalmar as tropas devido ao desprestígio e a revolta da comunidade internacional.
Os protestos exigindo a democracia retomaram força em 1987, quando o governo apontou Roh Tae Woo como candidato para as eleições seguintes. Além disso, exigiam que o presidente Chun fosse julgado por seu papel na repressão de anos anteriores.
Em Outubro de 1983, um grupo terrorista assassinou vários ministros sul-coreanos durante uma visita à Birmânia. Após investigar o incidente, as autoridades encontraram provas que implicavam o governo da Coréia do Norte e decidiram romper suas relações diplomáticas.
Nas eleições de 1990, a fusão dos principais partidos de oposição conseguiu ganhar as eleições presidenciais, pondo um fim a hegemonia dos militares e seus aliados. Porém uma nova onda de protestos dos sindicatos desatou a violência policial causando a prisão massiva dos sindicalistas. Um acordo de reconciliação, assinado pelas duas Coreias em Dezembro de 1991, diminuiu as tensões históricas entre as duas partes do país. Em 1995, os ex-presidentes Chun e Woo foram presos por corrupção e conspiração em um golpe de estado.
Em 1997, a região asiática entrou em uma profunda crise econômica e financeira que causou uma grave recessão na economia coreana. Em troca de uma ajuda de sessenta e sete milhões de dólares, o FMI concluiu que as ações do conglomerado das maiores empresas coreanas, em posse da elite político-militar que governava o país, fora distribuída de forma igualitária. Ademais, exigiu que uma melhora nas condições de trabalho nas fábricas locais fosse feita. Em Outubro de 2000, o líder político Kim Dae Jung, recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua militância e contribuição da reunificação coreana.
Em Junho de 2002, um incidente naval entre navios das duas Coreias terminou com a morte de cinco marinheiros sul-coreanos e um número incerto de norte-coreanos. Uma série de reuniões de ambos os lados atenuou a situação, que tornou a ser agravada quando a Coréia do Norte iniciou uma série de provas nucleares. Afetada pela fome, a Coréia ameaçou o Ocidente com uma guerra a fim de obter uma milionária assistência humanitária, após o que anunciou a suspensão de seu programa nuclear.
A Coréia do Sul conseguiu recuperar-se das consequências da crise de 97, porém novos problemas na fronteira com a Coreia do Norte, no final de 2010, quando a artilharia desta bombardeou zonas civis do lado sul, fizeram com que a incerteza voltasse a pairar sobre o processo de reunificação da Coreia.

