HISTÓRIA
República Popular da China :
O MUNDO DO PASSADO E DO FUTURO

A milenar história da China atravessa dezenas de dinastias que, ao longo dos séculos, formaram uma cultura complexa e profundamente enraizada no passado. Reconhecida desde o espaço por sua Grande Muralha; estudada e analisada por seus filósofos e líderes políticos, a China possui uma riqueza histórica que merece ser descoberta.
Confúcio e a Grande Muralha.
Registros arqueológicos sugerem que os povoados chineses mais antigos, de tribos nômades e caçadoras, datam de, pelo menos, o ano 10.000 AC. O fato não é surpreendente quando se sabe que no território chinês foram encontrados restos de hominídeos, os antepassados mais antigos da espécie humana. Porém a primeira sociedade organizada da China remonta ao surgimento da dinastia Xia, desenvolvida a partir de 2.200 AC, durante a qual foi elaborado o primeiro calendário Chinês, que explicava a astrologia, os meteoros e outros fenômenos naturais e que determinava as atividades agrícolas e políticas de acordo com cada mês.
Outros avanços importantes foram conseguidos durante o período da dinastia Zhou, como por exemplo, o surgimento de filósofos tais como Confúcio e a formação de um sistema de comércio sólido, que utilizava dinheiro ao invés da troca de mercadorias, como pagamento. A última etapa da existência da dinastia Zhou foi marcada pelas guerras entre os diferentes estados, que terminaram recusando a autoridade da corte Zhou. Após a morte do último rei em 256 AC a situação de guerra constante continuou, o governo central perdeu o poder e foi separado em 7 grandes estados mais importantes até que o estado de Qin conquistou os demais.
A dinastia Qin conseguiu unificar e pacificar a maior parte do território chinês a partir do ano 200. A partir de então, os reis deixam de utilizar esta denominação e inicia-se a era dos imperadores. Durante este período, foi realizado um intenso trabalho de unificação de normas: foram unificados pesos, medidas e o sistema de escrita. Por outro lado, executou-se uma queima de livros, eliminando todos os que não se enquadravam no padrão religioso ou social do novo império.
A estabilidade trouxe um grande desenvolvimento para as artes e ciências. Foi também neste período que a cultura característica da nação foi definida. Neste momento, a construção da Grande Muralha da China foi concluída: até então, eram partes isoladas, cujo objetivo era prevenir às invasões bárbaras pelo norte e estabelecer as fronteiras do império unificado.
Apesar de haver passado muitos de seus anos entre lutas internas pelo poder, a primeira etapa da dinastia Tang foi uma época de esplendor cultural onde o império dominou grandes extensões de terra, incluindo regiões da Ásia Central. Sob o ponto de vista tradicional chinês, a dinastia Tang representou uma das épocas mais gloriosas da China.
A partir do século VI, a dinastia Tang também dedicou muita atenção ao desenvolvimento tecnológico e artístico, enquanto resistia aos intentos das potências vizinhas que cobiçavam o controle das vastas riquezas chinesas. A chegada do budismo e o desenvolvimento comercial através da Rota da Seda trouxeram maior prestígio econômico e estratégico ao império, que durante o século IX era uma das maiores potências do mundo.
A Dinastia Ming.
Em 1279 a China foi invadida e reunificada pelos Mongóis. Enquanto isto, a dinastia Ming iniciou outro período de esplendor artístico e científico, que foi coroado pela exploração do mundo iniciada pelo almirante Sheng He, cujas embarcações parecem haver visitado lugares distantes da América e África. Por outro lado, aprofundou-se o intercâmbio comercial com as potências comerciais da Ásia, África e Europa. Os primeiros contatos com os europeus surgiram em 1516, com a chegada dos primeiros navios exploradores portugueses.
A partir de 1644, a dinastia Qing fortaleceu o poderio militar da China e iniciou uma agressiva política de expansão que a levou a incorporar os territórios de Taiwan, Mongólia e Tibete. Porém ao mesmo tempo, a nova dinastia teve que enfrentar rebeliões contra o poder do governo central, que foram duramente esmagadas pelas tropas imperiais. No plano internacional, entre 1839 e 1860, a China enfrentou vários conflitos armados contra a Grã-Bretanha, em função da ambição da potência européia em controlar o circuito de produção e comércio do ópio. Aliados aos franceses e outras nações ocidentais, os britânicos derrotaram às forças chinesas e impuseram uma severa reparação de guerra. Pelos tratados de Nanquim e Tianjín, a China teve que ceder a cidade de Hong Kong ao Reino Unido e as potências estrangeiras tomaram o controle de praticamente todas as exportações chinesas.
Para piorar a situação, o descontentamento interno se aprofundou quando a China foi derrotada pelos japoneses e teve que assinar, em 1895, o Tratado de Shimonoseki, através do qual teve que entregar o controle de Taiwan ao Japão e reconhecer a independência da península coreana, anteriormente ocupada pelas forças chinesas. Paralelamente, nos anos seguintes a França tomou a Indochina e a Birmânia foi tomada pelos ingleses, acentuando a perda territorial chinesa em favor de potências estrangeiras.
República da China
Em 10 de Outubro de 1911, uma revolta republicana aconteceu em Wuchang, dando início à uma guerra civil que terminaria em 1912 com a queda do imperador Qing Puyi, o começo do período republicano e a nomeação de Sun Yat Sen como primeiro presidente da China.
Entretanto, suas ambições ao poder o levaram a proclamar-se imperador em 1915. A rivalidade entre o governo e os grupos republicanos e comunistas-opositores mergulhou a China em conflitos internos esporádicos. Neste contexto, em 1931 a China perdeu a Manchúria durante uma invasão japonesa. Nos anos posteriores, tropas imperiais japonesas seguiriam em seu avanço contra o interior do país e somente encontraram alguma resistência significativa nas tropas do general nacionalista Chiang Kai Sek, um subalterno do já derrotado Sun Yat Sen.
República Popular da China.
Durante a Segunda Guerra Mundial os japoneses avançaram sobre o território chinês e as forças nacionais lutaram ao lado dos aliados para expulsar os invasores. No fim do conflito, Chiang Kai Sek emergiu como líder da China, apoiado pelos países capitalistas. Porém as forças comunistas lideradas por Mao Tse Tung, respaldadas pelos soviéticos, iniciaram em 1947, uma campanha militar que pouco a pouco foi encurralando aos partidários de Chiang Kai Sek no sul do país. Em 1949, o líder nacionalista foi obrigado a fugir para Taiwan, onde estabeleceu um governo no exílio enquanto em 1 de Outubro deste mesmo ano, Mao Tse Tung proclamou a República Popular da China. No ano seguinte, a China invade o Tibete e o proclama parte de seu território.
Mao iniciou uma profunda transformação na sociedade chinesa. Os planos de industrialização acelerada, a desapropriação de propriedades, uma ampla reforma agrária e um férreo controle das atividades culturais caracterizaram os primeiros anos do governo comunista chinês. No contexto da Guerra Fria e em função de sua aliança com o bloco soviético, a China envolveu-se na Guerra da Coréia e nas revoltas independistas da Indochina, nas quais Pequim participou apoiando com tropas e mantimentos aos rebeldes que lutam respectivamente contra os Estados Unidos e a França. Mas as diferenças ideológicas e a necessidade de desenvolver uma política exterior própria levam a China a distanciar-se do governo soviético. Em 1960, já era possível observar uma grave tensão entre os dois países, o que levaria a uma série de conflitos na fronteira sem grandes repercussões.
No fim da década de 50, Mao lança seu programa de rápida modernização econômica, conhecido como O Grande Salto. A estratégia fracassaria devido a falhas no planejamento; uma série de desastres naturais terminam colocando a China num estado de fome devastador.
Os primeiros sinais de descontentamento contra as políticas maoístas foram seguidos pela Revolução Cultural, um processo de ataque à dissidência e que culminou com os grupos mais severos dentro do Partido Comunista Chinês e reforçou ao resto dos dirigentes a praticar a ortodoxia ideológica proposta por Mao.
Mao Tse Tung morreu em 9 de Setembro de 1976 e os líderes comunistas chineses evitaram ao máximo que outra figura carismática chegasse ao poder. Entretanto, o reformador Deng Xiaoping sobressaiu-se cada vez mais dentro do partido e suas idéias de adotar algumas medidas que moderassem mais o dogmatísmo comunista foram penetrando na direção do país. Desta forma, a China começou a implementar desde 1979 diversas medidas para incentivar a iniciativa privada e a aproximação com as potências ocidentais.
O clima de renovação motivou uma demonstração por parte de grupos estudantis, simpatizantes de Deng Xiaoping, reunidos na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), no centro de Pequim. Em 4 de Junho de 1989, o protesto foi intensificado, culminando com centenas de jovens sendo atacados por tropas do exército e um sério número de prisões entre ativistas e simpatizantes do movimento mais liberal. Estima-se que entre 400 e 2.500 pessoas morreram e pelo menos 10.000 foram presas ou ficaram feridas.
RUMO À ABERTURA
Nos anos seguintes a China implementou sucessivas reformas para aproximar-se de um modelo econômico com maiores traços capitalistas, apesar de sua forma de governo, exercido por um único partido, não ter sofrido nenhuma mudança.
Após a morte de Deng, seu sucessor Jiang Zemin governou até que entre 2001 e 2004 foi substituido em todas as suas funções pelo atual Presidente da República Popular da China, Hu Jintao.
O mundo do passado e do futuro”
GEOGRAFIA E CLIMA
A China é o terceiro maior país do mundo em extensão territorial. Pode ser dividido em seis regiões com climas distintos. Do lado leste,às margens do Rio Amarelo, extensas planícies férteis, onde está concentrada a maior parte da população chinesa. A região costeira conta com climas mais moderados graças à ação dos ventos marinhos e da umidade gerada por eles. No sul, suaves colinas intercaladas por algumas serras mais íngrimes, possuem clima menos temperado e com estações mais definidas. O centro do país é recortado por rios de corrente mediana. No noroeste, a cordilheira do Himalaia, a mais alta do mundo, dá lugar à paisagens montanhosas de uma beleza imensa e climas extremos. O oeste é ocupado pelo deserto de Gobi, um inóspito e imenso território de pedras e areia dominado pela seca e por grandes vazios.
ECONOMIA
A economia chinesa demonstra atualmente uma complexa mescla de traços comunistas e capitalistas. Apesar do estado continuar sendo a entidade que regula as interações produtivas, as reformas implementadas a favor do modelo capitalista deram lugar ao consumo, à chegada do capital estrangeiro e ao estímulo da iniciativa privada. Portanto o ambiente de negócios é bastante semelhante ao existente nas economias ocidentais mais desenvolvidas. Em apenas 25 anos, a China conseguiu quadruplicar seu PIB e posicionar-se como a segunda maior economia do mundo.
O segredo de seu estável crescimento foi ter conseguido modificar sua economia agrária e transformar-se em uma das principais potências do planeta. A combinação da utilização de novas tecnologias e baixo custo de mão de obra permitiram desenvolver uma estrutura de exportação que desbancou com seus produtos outras potências econômicas globais em vários setores do mercado. As principais exportações chinesas são produtos industriais, maquinaria elétrica, têxteis, aço, derivados de petróleo e produtos químicos. O sucesso gerou super ávits em sua balança comercial e a valorização de sua moeda permitiu que a China se transformasse também num forte exportador de capitais.
O maior inconveniente que a economia chinesa encontra é a superpopulação e a falta de recursos naturais para manter sua indústria. Apenas 7% de seu território é cultivável e muitas indústrias dependem de produtos do exterior para manter um rítmo de produção eficiente.
Com o objetivo de estimular um crescimento menos dependente do estado, desde março de 2007 o governo chinês legalizou a propriedade privada de alguns bens urbanos, o que estava suspenso desde os tempos maoístas. Especula-se que a libertade de propriedade poderá extender-se aos setores rurais como uma maneira de aumentar a eficiência na produção de alimentos e outras matérias primas.
O grande avanço tecnológico vivido nos últimos anos provocou a modernização dos meios de comunicação e transporte.
FATORES HUMANOS
O país mais populoso do mundo é habitado por um mosaico de etnias e culturas. A maior parte da população – mas de 90% - pertence à etnia Han, que por sua vez conta com uma variedade de subgrupos difenciados em cultura e idiomas. Existem 56 grupos nacionais diferentes na etnia Han. Em Uigur fala-se afegão e no Tibete fala-se tibetano.
Nas imensas planícies da Mongólia chinesa os locais falam mongol enquanto nas regiões fronteiriças com o Vietnam e Laos existem comunidades que falam tailandes e birmanês. Em Hong Kong, a maior parte da população fala inglês porém utilizam o mandarim e o cantonês para comunicar-se.
Em termos religiosos, a maioria dos chineses professam o budismo ou o taoísmo. Existem minorias muçulmanas da região de Uigur, fronteira com o Afeganistão, onde a população é islâmica, comunidades confusionistas espalhadas em diferentes regiões e grupos católicos. Entretanto, o sincretismo religioso é parte essencial da cultura chinesa: a adoração de deuses antigos acontece paralelamente com a prática das religiões mais difundidas. O estado é declaradamente ateu, ainda que reserve aos indivíduos o direito da prática de qualquer religião dentro do território nacional.
O crescimento da população a ponto de superar a produção de alimentos é um problema histórico na China. Há décadas o governo implementa uma rigorosa política de controle da natalidade para que casais nas cidades tenham apenas um filho;no caso de regiões rurais, os casais podem ter um segundo filho caso o primeiro seja do sexo feminino. Os que violam a lei estão sujeitos à fortes penalidades.
A maior parte da população fala mandarim, apesar de no centro da China existir uma presença forte do putonghua, dialeto derivado do mandarim. Em alguns lugares é possível encontrar contingentes de língua cantonesa.
Os chineses que vivem nas regiões urbanas são bastante abertos ao contato com os estrangeiros. No interior, os locais podem mostrar-se mais reservados. Da mesma maneira, nas cidades é possível encontrar pessoas que falem inglês, o que é muito difícil em zonas rurais. Mais difícil ainda é comunicar-se nos locais onde utiliza-se apenas dialetos locais.
CULTURA
A cultura chinesa é tão extensa e variada quanto seu território. Atualmente existem dois grandes componentes que dominam a cultura do país: por um lado sobrevivem as tradições artísticas cuja variedade e sincretismo variam de uma região para outra. Por outro, pode-se constatar a influência da história recente da China e a presença do estado comunista com seu próprio universo de símbolos e slogans.
A mitologia chinesa conta com a existência de deuses e criaturas fantásticas presentes em pinturas, canções e celebrações. Em todo o país podem ser encontradas milhares de figuras de dragões, deuses e retratos de antepassados que regem a vida diária de muitos chineses. Também de grande importância é o pensamento filosófico chinês, cujos principais representantes são o confucionismo, o taoísmo e o budismo.
A caligrafia chinesa, uma arte desenvolvida há milhares de anos atrás, conta com 2500 símbolos e ideogramas de difícil compreensão. A dedicação de seus artistas é descrita na música Han, executada em geral numa combinação de tambores, gongos, flautas de bambu (Dizi), guitarras Erhu e guqin ( antigo instrumento de corda semelhante a uma citara). A música Han tem cinco notas e construção melódica simples. Cada região possue um estilo musical definido e instrumentos próprios para executa-lo.
A música tibetana conta com harmonias que identificam-se com rezas budistas e composições do Tantra. No sudeste do país, o baisha xiyue constitue uma forma popular de música para dança apreciada pelas classes populares da região. Um pouco mais complexas são as composições dos povos das regiões de Xinjiang, que em sua música revelam a influência da cultura coreana de seus habitantes. No sul, destaca-se a música executada com o “Gin”, instrumento de uma corda só com um som incrivelmente complexo.
Algumas vezes a parte instrumental vêm acompanhada por letra, cujos temas giram em torno da cultura milenar e da poesia. O teatro de marionetes chinês é outra arte importante e composto por uma combinação de música, dramaturgia e a intricada confecção dos bonecos de porcelana com seus figurinos de seda e ricos materiais. Os artesãos de Quanzhou são os responsáveis por ter elevado esta confecção a seu alto nível de perfeição.
O Ano Novo Chinês, ou Festival da Primavera é a ocasião perfeita para assistir aos ruidosos festejos organizados pelas cidades do país. Desfile de carruagens, festas populares e shows de fogos artificiais formam parte das comemorações coletivas realizados durante o mês de Fevereiro. As festas de Ano Novo terminam em Março com o Festival das Lanternas, durante o qual acontecem os desfiles das imensas figuras de leões e dragões que executam coreografias onde contam histórias da tradição chinesa. Em Junho realiza-se em Hong Kong o famoso Festival do Barco-Dragão, no qual inúmeros barcos transformados em animais da mítica chinesa, competem numa colorida corrida.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Pequim 39°54'57"N 116°23'26"E
O lugar de 0,72 Km2, berço da Cidade Roxa, é um dos símbolos da China. A cidade foi construída entre 1406 e 1420 durante a dinastia Ming. Até 1912, foi a residência oficial dos Imperadores Chineses. Possue 800 construções que no passado alojavam o Imperador, suas muitas concubinas e sua corte,além da administração do palácio, e áreas de recreação como o impecável Jardim Imperial. O mesmo possui 9000 salões que guardam a maior coleção de pinturas e desenhos do mundo. O lugar está protegido por uma muralha de 10 metros de altura, planejada para resistir invasões. A construção central encontra-se sobre uma uma base tripla de mármore de 230 metros de largura que servem de base a um conjunto de colunas que sustetam o magnífico Palácio principal.
Grande Muralha da China 40°50'0"N 116°17'27"E
A Grande Muralha da China começou a ser construída em 221 AC pela dinastia Qin, com o objetivo de defender o território dos invasores vindos do norte. Com o passar do tempo, os governantes chineses continuaram levantando novas partes da muralha até formar um emaranhado de paredes de 6 a 7 metros de altura e 5 metros de espessura , reforçadas por torres e abrigos capazes de conter centenas de soldados. No século XVI a Grande Muralha extendia-se por 20.000 km no norte da China, do deserto de Gobi até a Coréia. Atualmente existe apenas um terço da construção original. Estima-se que um milhão de trabalhadores morreram durante sua construção. Apesar de sua estrutura, invasores Mongóis conseguiram atravessa-la subornando os generais que a guardavam.
Mausoléu de Qin Shihuang 34°23′6.2″N 109°16′23.2″E
Em Março de 1974 trabalhadores da região de Xian, na província de Shanxi, encontraram artefatos de argila durante escavações para um sistema de irrigação. Tratava-se de um primeiro sinal que levou à descoberta da tumba do Imperador Qin Shi Huang, uma das maiores e ricas tumbas de toda a história. Os arqueólogos trabalharam durante anos para desenterrar 7000 guerreiros de argila de tamanho natural, completamente formados, como se estivessem preparados para o começo de uma batalha. Alguns adornados com armaduras de jade, outros montando cavalos ou portando armas e trajes ricamente esculpidos. Cada guerreiro tem traços únicos e em conjunto representam as diversas etnias, postos e idades recrutados pelos exércitos de Qin. Também foram encontrados carros de combate ricamente decorados com filetes de ouro e prata. Estudos indicam que a tumba de 200 metros de largura por 60 de profundidade foi construída no ano 210 AC.
Lhasa 29°39′0″N 91°06′0″E
A capital do Tibete foi durante muito tempo um lugar cercado de mistério para o resto do mundo. Pouco é conhecido sobre sua fundação, mas acredita-se que a cidade existe há pelo menos 3.000 anos. Situada a 3.650 metros de altura sobre as íngremes montanhas do Himalaia, a capital do Tibete conserva intactas as construções que lhe deram fama mundial. Em 1959 o Tibete foi anexado pela China e o Dalai Lama fugiu para o exílio na Índia, acompanhado por milhares de membros da corte e sacerdotes. Sua principal atração é o Palácio de Potala que serviu durante séculos de residência ao Dalai Lama. O imenso edifício de arquitetura tibetana possue um total de 130 mil metros quadrados e localiza-se no antigo centro da cidade. O Templo de Jokhang, construído no século VII, é o mais famoso templo budista do Tibete. Em seu interior pode-se admirar inúmeros altares e locais de oração de decoração altamente intrincada.
Xangai 31°2′00″N 121°5′00″E
Os primeiros habitantes de Xangai chegaram pelo norte no século X , enquanto fugiam das invasões dos Mongóis. Sua localização estratégica foi fundamental para que se transformasse em porto principal para o comércio com o Ocidente. Em 1842, pelo Tratado de Nanquim, foi designada como local oficial para o comércio exterior com as demais potências ocidentais. Atravessou um período de forte influência européia quando os comerciantes estrangeiros começaram a construir grandes palácios e residências, adotando padrões ocidentais em sua urbanização.Atualmente, Xangai é uma cidade moderna e dinâmica onde todos os dias surgem novos e imensos arranha-céus. Percorrendo o Bund, região da orla da cidade, é possível admirar o estilo eclético da arquitetura durante a etapa européia de Xangai. O Jardim de Yuyuan, construído em 1559 pela cidade como uma homenagem à Dinastia Ming, é o melhor exemplo da arquitetura tradicional conservada em Xangai.
Templo Shaolin 34°30′01″N 112°54′56″E
A cidade de Henan guarda um dos monastérios budistas mais famosos por sua associação com o Kung Fu. O Templo Shaolin, construído no século VI, foi onde os monges Shaolin levaram o Kung Fu a seu nivel mais elevado. O Kung Fu, teria sido desenvolvido como um caminho para o auto conhecimento e um complemento à meditação, e não uma técnica de auto defesa. Sua utilização como técnica de combate ocorreu depois do confisco de armas dos habitantes da região pelo Imperador Wei, no ano 446. A partir daí, o Kung Fu começou a ser utilizado como técnica de luta e defesa pessoal. É no Templo Shaolin que esta arte se despe de seu caráter guerreiro e adquire um tom mais espiritual, onde até hoje é praticada pelos monges que aí vivem. Dentro do monastério encontra-se em exibição um mural de 300 metros quadrados, ricamente trabalhado e uma exposição permanente com antigos elementos do Kung Fu.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
Voar para a China é bastante simples devido à grande variedade de companhias que oferecem o serviço e sua frequência de vôos. Dentro da China o sistema estatal conta com vôos de baixo custo e serviço de qualidade questionável.
Nas grandes cidades existem serviços de ônibus que servem a todo interior da China. Entretanto a medida que a distância dos grandes centros urbanos aumenta, os veículos ficam mais obsoletos e lotados.
O sistema de trem foi durante certo tempo um meio de transporte pouco recomendável. Porém nos últimos anos o sistema foi modernizado a ponto de contar com linhas cuja pontualidade e serviço é comparável aos melhores do mundo.
As cidades estão conectadas por modernas estradas onde o único inconveniente é um trânsito infernal na hora do rush. O aluguel de carro é uma opção econômica, porém o turista podera enfrentar o problema com a sinalização em chinês e um sistema rodoviário saturado de veículos. No interior é conveniente contratar um guia local antes de meter-se por estradas de terra ou recorrer a meios de transporte mais rústicos para as estradas mais íngremes. Na maioria da China dirige-se pela esquerda, com a excessão de Hong Kong, onde o volante é na direita.
A bicicleta segue sendo um modo muito comum de transporte. Os ciclistas contam com pistas exclusivas para movimentar-se à direita da calçada.
É bastante difícil conseguir táxi fora dos lugares turísticos ou pontos específicos. Nos hotéis existem serviços de radiotaxi. A tarifa é calculada de acordo com o tarifário ou o relógio.
GASTRONOMIA
Pato laqueado à moda de Pequim
Esta receita supostamente foi criada no século XIII, durante o governo da Dinastia Ming. É preparada com um animal de 11 a 12 semanas onde limpa-se o interior do pato (vísceras) e em seguida o incham para separar a pele da carne, um processo que somente os especialistas chineses executam perfeitamente. A carne do pato é então envolta em mel de cana de açúcar e assada durante 1 hora ou 1 hora e meia no forno. Quando servido, o pato vem ao prato desossado, servido em pequenos pedaços e acompanhado por uma porção de alho-porro e pepino. Separadamente a pele e cortada em pedaços e servida com molho de cebolinha. Geralmente o sabor do pato é acentuado por um molho de ameixa. Os ossos podem ser utilizados para preparar uma sopa que é servida como terceiro prato. (Dica: uma das receitas mais originais do Pato Laqueado é a que utiliza animais alimentados com milho, feijão e raspagem de trigo)
Sopa de barbatana de tubarão
Este prato representa uma das iguarias culinárias mais procuradas da China. Prepara-se com as barbatanas do tubarão, que passam por um processo de limpeza e secagem. Cortadas em filés ou inteiras, as barbatanas vão ao fogo com caldo de frango ou porco. Enquanto o caldo engrossa, junta-se broto de bambu, cogumelos chineses, molho de soja, temperos e ajinomoto. (Dica: a barbatana de tubarão é uma cartilagem e portanto não tem um sabor definido. É utilizada por sua textura e seu valor cultural, portanto deve-se evitar comentários sobre o sabor do tubarão, o que causaria um certo constrangimento)
Zongzi
Mesmo não tendo o mesmo glamour e complexidade se comparado a outros pratos da cozinha chinesa, o Zongzi é um dos pratos mais típicos e populares em toda a China. Trata-se de um arroz pegajoso enrolado em folhas de bambu. Seu preparo requer certa habilidade e experiência. (Dica: O Zongzi pode ser preparado com folhas de lótus, banana ou milho. Cada folha dá ao arroz um sabor diferente e vale a pena conferir as sutis diferenças. Cada região prepara seu próprio Zongzi)
Sopa de ninho de passarinho
Preparada com o ninho dos pássaros Swiflets, trata-se de um prato bastante exótico e apreciado tanto pelos chineses como pelos turistas gastronômicos. O ninho destas aves é construído com finíssimos tópicos de saliva encontrados em cavernas nas Filipinas ou Malásia e seu preço é bastante alto, chegando a 50 dólares por grama. Seu sabor tem origem nos insetos e algas encontrados nos estômago as aves. Preparado com o caldo da fervura do ninho, a textura da sopa é mais apreciada que seu sabor em si. (Dica: os chineses atribuem um forte poder afrodisíaco aos ninhos)
Cha siu bao
A pastelaria chinesa é rica em sabores e formas de prepar. O Cha siu bao é um dos bolinhos mais populares. Confeccionado com farinha, água e açúcar é cozido no vapor ou forno. Recheado com a carne do porco agricodoce , molho de soja, temperos, molho de ostra, óleo de gergelim e xerez. Existem variedades preparadas com outras carnes, verduras e temperos. (Dica: Explorar a pastelaria chinesa é uma grande aventura. A variedade de recheios é imensa e exótica, incluindo ingredientes inusitados e combinações diferentíssimas.)
Pastel de lua
O Pastel de Lua faz parte do tradicional Festival do Outono, apesar de ser encontrado em qualquer época do ano. Feito com uma massa de farinha, óleo, água e sal, coberto por massa folheada e decorado com ideogramas chineses simbolizando harmonia familiar. Recheado geralmente com creme de semente de lótus, podendo também ser preparado com feijão aduki, recheado com frutas secas (amendoim, nozes, gergelim...) ou molho de carne. (Dica: uma das variedades mais extravagantes do Pastel de Lua é o de recheio de chiclete)
Cho Fan
O Cho Fan ou Chau Fan, dependendo da tradução, é talvez a mais popular de todas as comidas chinesas. Preparada com uma mistura de cebola picada miudinha e refogada em óleo e arroz branco previamente cozido. Adiciona-se cebola, cogumelos, pimentões e outras verduras picadas fininhas. Junta-se ovo batido com molho de soja. Depois de cozido e cortado em tiras finas. Existem diferentes maneiras de servir o Cho Fan, que pode também ser feito com pedaços de frango, carne ou camarões.
Espécies exóticas
Existe um ditado chinês que diz: “ Pode-se comer qualquer coisa que nade, exceto um submarino, qualquer coisa que vôe exceto um avião, qualquer coisa que caminhe exceto um carro.” Sob este ponto de vista, é possível provar pratos feitos à base de cachorro, gatos e ratos, além de receitas antigas contendo formigas, cavalos marinhos, escorpiões, cobras, minhocas e aranhas. Uma das mais celebradas é a de cabeça de crocodilo com molho doce. Em alguns mercados de Guang Dong, pode-se adquirir comida preparada com grande variedade de espécies. (Dica: O exotismo todavia possue um lado cruel, originado na comercialização de produtos extraídos de espécies animais em extinção. É aconselhável informar-se sobre sua compra, para não contribuir com o abuso ambiental).
Bebidas típicas
Chá
O chá é consumido na China a mais de 4.000 anos e foi de lá que se espalhou para o resto do mundo. Inclusive a origem da palavra é do vocábulo chinês “Chá”, que foi prontamente adotado e reformado por outras culturas para denominar a infusão. Geralmente são consumidas variedades de chá preto ou vermelho, provenientes do fervimento da planta. Muito utilizado também é o chá verde ou Lu Cha, obtido de plantas não fermentadas. Quando é feito de brotos que não foram expostos ao sol, é chamado de chá branco. Na China o chá é servido em xícaras sem asas conhecidas como “ zhong” e utiliza-se um coador chamado ‘chi”, para evitar que as ervas caiam sobre o chá. (Dica: Na China denomina-se “chá” a uma variedade muito grande de infusões. Caso não tenha preferência no sabor, pode-se experimentar a variedade oferecida.)
Huangjiu
A China possue sua própria variedade de licor, também conhecido como vinho chinês ou Jiu, obtido através do fermento de grãos. Existem diferentes tipos de Jiu, produzidos a partir de arroz, milho e trigo. Geralmente possuem baixo teor alcoólico e em algumas regiões diferentes ervas lhe emprestam diferentes sabores. O mais popular deles é o vinho de arroz ou Mijiu, parecido levemente em seu preparo ao sakê japonês. O Fujian é também preparado a partir do mesmo princípio, porém com ervas medicinais. O Shaoxing, de maior teor alcoólico, distingue-se por seu sabor rosado, proveniente do uso de um arroz desta coloração.
Chá de ervas
Originário da região de Guandong, o chá de ervas é o nome genérico que recebe qualquer infusão preparada com uma mistura variada de plantas medicinais. Possue propriedades refrescantes e harmonizantes.
Yuangyang
Na cidade de Hong Kong, pode-se saborear uma mistura de chá, leite e café chamada Yuangyang. Toma-se frio ou quente, dependendo do gosto e da temperatura ambiente.
DICAS E CURIOSIDADES
• Para visitar a China é necessário visto de turista que deve ser solicitado previamente nas embaixadas do país.
• A burocracia chinesa pode causar problemas ou impedimentos na hora de conseguir imagens de lugares históricos ou entrar em determinados locais. Informe-se sobre as regras antes de programar atividades.
• A China possui uma imensa indústria de produtos falsificados. Apesar da qualidade e aparência dos produtos serem razoáveis, não possuem consertos e nem garantias.
• Os chineses aproveitam bastante o turismo interno, razão pela qual os lugares históricos estão frequentemente lotados.
• A grande parte das sinalizações e cartazes encontra-se em ideograma chinês. Para saber se chegou a seu destino, o turista deve levar o nome anotado no idioma local.
• A lista de produções culturais ocidentais proibidas de exibição na China é imensa e não existe maneira de saber quais são. Inspetores do estado podem revistar bagagens de cada passageiro e confiscar objetos durante o ingresso ao país. Um grande grupo de guias de viagem, literatura e cd’s de música constam desta categoria. O mesmo acontece com servidores (internet) que funcionam na China. Existe uma grande censura a artigos políticos com menções positivas à independência de Taiwan ou Tibete, à pornografia, e à artistas cuja obra é considerada negativa pelas autoridades locais.
• As condições sanitárias na China em geral são aceitáveis e o acesso à água potável nas regiões urbanas é bastante alto. Entretanto o risco de doenças existe e é preferível tomar água fervida ou engarrafada pelo risco de hepatite e doenças gástricas.
• Na refeição tradicional chinesa, os pratos são comunitários e portanto é necessário dividir as porções servidas na mesa. O uso de palitos é a norma e somente em cidades grandes poderão ser encontrados talheres. Caso não domine a arte de comer com palitos, leve seus próprios talheres quando viajar à China.
• Deve-se evitar as comidas de ambulantes de rua e os mariscos crus ou apenas cozidos. A China sofre com problemas de contaminação e os produtos da região costeira podem representar um perigo.
• A refeição chinesa é sempre abundante. Porém não tente demonstrar bons modos limpando o prato. Um prato vazio é um sinal de que o convidado ainda não está satisfeito....
• Regatear é uma prática comum nos mercados chineses e é quase impossível evitar. O preço de cada produto é apenas uma indicação do valor de onde começar a negociar o preço final. Em alguns mercados é possível comprar, mediante o regateio, por um décimo do preço pedido.
• Não é considerado adequado beijar alguém no rosto. Deve-se estender a mão ou inclinar suavemente a cabeça.
• Ao entrar num templo budista, deve-se tirar os sapatos e deixar o dinheiro do lado de fora, para não ofender aos ancestrais.
• Ao chamar uma pessoa com um gesto de mão, deve-se manter os dedos apontados para baixo, caso contrário é considerado uma descortesia. Por isso em certos filmes chineses as lutas são precedidas com este gesto por um dos adversários.
• Ao comer, não se deve fincar os palitos na comida, a menos que queira insultar o cozinheiro. Tampouco se deve deixar os palitos por fora do prato, fato que pode trazer azar ao local da refeição. A boca deve se aproximar da comida, não o inverso.
• Ao contrário do costume ocidental, fazer barulho quando se toma sopa é considerado uma forma educada de comer.
Ciudad Prohibida en Pekín
El recinto de 0,72 Km2 que alberga la Ciudad Púrpura es uno de los símbolos de China. Fue construida entre los años 1406 y 1420 guante la dinastía Ming. Hasta 1912, fue la residencia de los emperadores chinos. Consta de 800 edificios que en su momento servían para alojar al emperador, sus numerosas concubinas y su corte, las instituciones administrativas y diferentes recintos recreativos tales como el exquisito Jardín Imperial. Posee 9.000 salones en los que se alberga la mayor colección de pinturas y dibujos del mundo. El recinto está rodeado por una muralla de diez metros de altura diseñada para resistir los ataques. El edificio central se levanta sobre una triple terraza de mármol de 230 metros de largo, que sirven de soporte a un conjunto de columnas que sostienen el magnífico Palacio principal.
Gran Muralla China
La Gran Muralla China comenzó a se construida en el 221 AC por la dinastía Qin para detener las invasiones provenientes del norte. Con el paso del tiempo, los gobernantes chinos siguieron levantando nuevos segmentos de la muralla hasta formar un complejo entramado de paredes de 6 a 7 metros de alto y 5 metros de ancho, recintos fortificados con imponentes torres y bastiones capaces de albergar cientos de guerreros. Hacia el siglo XVI la Gran Muralla se extendía por 20.000 km. del norte de China desde el desierto de Gobi hasta Corea. En la actualidad sólo se conserva una tercera parte de la construcción original. Se estima que un millón de trabajadores murieron durante su construcción. Pese a su fortaleza, los invasores mongoles lograron sortearla gracias al soborno a los generales que la custodiaban.