HISTÓRIA
República de Chile:
De vinhos, mar e futuro

Como todo país latino-americano, o Chile também tem seu conquistador. O português Fernando de Magalhães foi o primeiro europeu a visitar o atual Chile, quando em 1520 desembarcou na Ilha Chiloé, depois de haver cruzado o perigoso estreito que terminou sendo batizado com seu nome. Magalhães deparou-se com um território habitado por diferentes tribos com características bem distintas. No norte do país estavam os aimaras, atacameños e diaguitas que haviam estabelecido culturas agrícolas fortemente influenciadas pelo Império Inca que, desde fins do século XV, dominava grande parte do atual Chile, alcançando até o Rio Maule. Ao sul do Rio Aconcagua, estavam as comunidades semi-nômades dos mapuches (a principal etnia indígena do país), enquanto os grupos indígenas chonos, kawésqar, selknam e yaganes encontravam-se nos canais do sul.
A CONQUISTA ESPANHOLA
Foi a partir de 1535, quando Diego de Almagro, um dos capitães da conquista espanhola do Peru, aventurou-se a explorar as terras situadas ao sul de Cusco. Após tres anos de buscas em vão pelo território chileno, a expedição retornou ao Peru sem resultados: não somente não haviam encontrado ouro, também haviam descoberto a tenacidade dos mapuches.
Anos depois, Pedro de Valdivia conduziu uma segunda expedição pelo sul do Chile. Apesar de uma feroz resistência dos mapuches, conseguiu estabelecer várias colônias: Santiago de la Nueva Estremadura em 1541, Concepción em 1550 e Valdivia em 1552. Mas em 1554, os mapuches organizaram um levante geral, massacrando Valdivia e muitos de seus companheiros; devastaram todas as cidades, exceto Concepción e La Serena. Os combates continuaram de forma intermitente e não cessaram até o final do século XIX.
Em 1557, a Espanha tomou posse do território chileno. No seio deste império colonial, o Chile foi primeiramente uma dependência do Vice-reinado do Peru, antes de ter seu próprio governo, dirigido por um governador e um Tribunal Real. O desenvolvimento do país foi lento, particularmente pela falta de minas de ouro ou prata, tornando-o menos atrativo para os espanhóis. Por outro lado, o Chile estava distante dos grandes centros peruanos de colonização e seu acesso era difícil.
A INDEPENDÊNCIA DO CHILE
Em consonância com os movimentos independistas da região, no século XVIII, duas correntes entraram em conflito: os realistas, por um lado e os patriotas por outro. Seu combates levaram a uma primeira vitória em 1810, momento no qual, juntamente com outras colônias espanholas, o país rompeu todo e qualquer laço político com a Espanha. O conselho municipal de Santiago destituiu o governador colonial do Chile e delegou seus poderes a uma Assembléia formada por 7 pessoas. Embora oficialmente independente da Espanha desde então, o Chile continuou em combate contra as tropas espanholas enviadas pelo Peru, que tentaram a reconquista de 1814 a 1817.
A partir de 4 de Julho de 1811, o primeiro Congresso Nacional elegeu uma junta revolucionária com Bernardo O’Higgins no comando. Derrotadas primeiramente em Outubro de 1814, as tropas chilenas beneficiaram-se do apoio do general argentino José de San Martín, que lançou seu exército dos Andes ao ataque no Chile. Em 12 de Fevereiro de 1817, a derrota do exército realista na batalha de Chacabuco pôs fim ao controle dos espanhóis no norte do país.
San Martín recusou o poder e fez com que O’Higgins renunciasse como Diretor Supremo; um ano depois, em 12 de Fevereiro de 1818, o Chile proclamou sua independência. Entretanto, somente em 1826, as tropas reais foram definitivamente expulsas do país.
A HORA DE CRESCER
Após trinta anos de governo conservador, em 1861, iniciou-se um período de domínio do Partido Liberal que se caracterizaria pela riqueza econômica obtida através da exploração mineira do salitre na região de Antofagasta. Esta atividade causaria diferenças fronteiriças com a Bolívia, que reividicava a posse do mesmo território. Apesar de Chile e Bolívia haverem assinado acordos de demarcação em 1866 e 1874, não conseguiram solucionar suas disputas e, em 14 de Fevereiro de 1879, o Chile desembarcou suas tropas no porto de Antofagasta, dando início à ações militares contra a Bolívia. Como o Peru havia feito anteriormente um pacto de aliança defensiva com a Bolívia, o Chile declarou guerra aos dois em 5 de Abril dando início à Guerra do Pacífico, que terminaria com a assinatura do Tratado de Ancón com o Peru e o Pacto de Trégua com a Bolívia, em 1884. Com o fim do conflito, o Chile conseguiu o domínio sobre o lado boliviano de Antofagasta e as províncias peruanas de Tarapacá, Arica e Tacna.
Os anos anteriores a 1900, apesar do auge econômico, caracterizaram-se por uma instabilidade política e o início do movimento trabalhador conhecido como “Cuestión Social.” A base deste movimento encontrava-se na disparidade da distribuição de riqueza que, a medida que passavam os anos, acentuava-se cada vez mais, deixando cicatrizes na sociedade chilena. Como consequência, Arturo Alessandri foi eleito presidente, transformando-se numa elo provisório entre a elite e o proletariado, que encontrava-se cada vez mais agitado e organizado. Apesar disto, a crise agravou-se, o que levou à renúncia de Alessandri logo após a promulgação da Constituição de 1925, que deu origem à Rupública Presidencial. Após alguns anos caracterizados por uma forte crise econômica devido a pobres estratégias políticas e como consequência da Primeira Guerra Mundial, Pedro Aguirre Cerda é eleito Presidente em 1938 sob uma aliança que era opositora aos tradicionais governos da elite chilena. O governo de Aguirre Cerda deu início a um período de governos de Radicalismo e conseguiu muitas mudanças, principalmente na área econômica, ao fundar as bases da industrialização chilena. Porém seu governo viu-se truncado com a morte inesperada do mandatário. Juan Antonio Ríos, seu sucessor, teve que enfrentar a oposição e as pressões dos Estados Unidos para declarar guerra ao Eixo durante a Segunda Guerra Mundial, países com que rompe relações diplomáticas em 1943, declarando posteriormente guerra ao Japão em 1945.
Após obter o apoio do Partido Comunista, o radical Gabriel González Videla foi eleito Presidente em 1946. Todavia, no início da Guerra Fria, o distanciamento do país em relação às potências ocidentais motivou a proibição do comunismo através da chamada “Ley Maldita”. A situação endureceu e, em 1948, centenas de comunistas foram detidos baseados na lei pela Defesa da Democracia, que proibia a existência do Partido Comunista. Uma revolta militar, dirigida pelo antigo presidente Ibáñez, foi reprimida e o período que se seguiu foi tumultuado por uma importante agitação social. Em 1951, quase todos os setores da economia foram atingidos pelas greves. No ano seguinte, o povo demonstrou sua hostilidade pelos partidos tradicionais elegendo o general Carlos Ibáñez, apoiado pelo Partido dos trabalhadores rurais.
Em 1970, Salvador Allende foi eleito com 36,3% dos votos, e por não haver alcançado a maioria necessária, foi necessário o pronunciamento do Congresso. Uma vez no comando, o Presidente Allende realizou as promessas feitas durante sua campanha: transformou o país em um Estado socialista. Uma importante parte da economia ficou sob controle do Estado: minas, bancos estrangeiros e empresas monopólicas foram nacionalizadas. A reforma agrária foi acelerada e conselhos nacionais foram fundados. Ademais, Allende dedicou-se a redistribuição da renda nacional, aumentando os salários e instituindo um controle de preços. Entretanto, seu governo enfrentou muitos problemas econômicos externos, como a crise mundial 1972-1973, além da forte oposição do resto do espectro político e do governo de Richard Nixon.
Apesar do cobre haver sido nacionalizado, o país seguiu caindo numa forte crise econômica, enquanto a inflação alcançava níveis de 600 a 800%.
Os confrontos de rua entre opositores e simpatizantes da Unidade Popular tornaram-se frequentes e chegaram a altos níveis de violência. Allende, que acreditava numa revolução democrática, perdeu o apoio do Partido Socialista, que era partidário de um levante popular armado, para manter o poder. Finalmente, em 11 de Setembro de 1973, desferiu-se um Golpe de Estado que acabou com o governo de Allende. Ele se suicidou depois do bombardeio ao Palácio de La Moneda.
A DITADURA PINOCHET
Depois do Golpe de Estado instaurou-se uma ditadura comandada por Augusto Pinochet, Comandante do Exército. Neste período, estabeleceu-se uma dura repressão contra a oposição e diversas violações contra os direitos humanos foram perpetadas; mais de 1.000 presos desaparecidos, mais de 3.000 assassinados, 35.000 torturados e em torno de 200.000 exilados. No âmbito econômico, Pinochet encarou uma reestruturação do Estado criada pelos funcionários conhecidos com “Chicago Boys”, que implantaram um modelo neo-liberal que tentou aumentar o crescimento econômico, produzindo o chamado “Milagro de Chile”, sob o qual o Estado cedia grande parte de seu poder na economia ao setor privado.
Em 1978, o Chile e a Argentina enfrentaram-se no Conflito de Beagle pelo domínio das Ilhas Picton, Lennox e Nueva, fato que esteve a ponto de provocar uma guerra entre os dois países e que foi evitado pela intervenção do Papa João Paulo II. Em 1980, Pinochet conseguiu a aprovação de uma nova Constituição num plebiscito questionado por diversos organismos internacionais. Entretanto, a crise econômica de 1982 gerou altos níveis de desemprego e crescimento negativo, que em 1983 deram início a uma série de protestos contra o governo e seu modelo econômico que se extenderiam até o fim de seu mandato. Mesmo assim, nem tudo estava perdido para Pinochet. Durante 1985, a economia conseguiu uma recuperação no que tornou-se conhecido como o “Segundo Milagro”, ocorrido após a privatização da maioria das empresas estatais e da redução gasto social, o que gerou um explosivo crescimento econômico, mas também um aumento da pobreza e uma desigualdade crescente na distribuição de renda.
O RETORNO DA DEMOCRACIA
Augusto Pinochet deixou seu cargo em 11 de Março de 1990 depois de haver sido derrotado num plebiscito que ele mesmo convocou. Patricio Aylwin assumiu então o poder como o primeiro presidente do período conhecido como a Transição, que caracterizou-se por restaurar o regime democrático, estabelecer uma nova política nacional, manter a estrutura econômica do período anterior, reduzir de maneira significativa os níveis da pobreza e reconhecer as violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura.
Após as presidências de Eduardo Frei e Ricardo Lagos, durante as quais o Chile conseguiu uma significativa penetração internacional, a candidata socialista Michelle Bachelet foi eleita presidente em 2006, transformando-se na primeira mulher em conseguir atingir este posto na história do país. Seu governo caracterizou-se por desenvolver a paridade entre homens e muheres, o estabelecimento de uma rede de proteção social para os mais pobres e o ingresso do país na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Apesar da altíssima popularidade de Bachelet, o opositor Sebastián Piñera, representante da Coalisão pela Mudança, transformou-se em 2010 no primeiro centro-direitista a ser eleito presidente do país, depois de 52 anos.
De vinhos, mar e futuro”
GEOGRAFIA E CLIMA
O Chile está localizado no extremo meridional do continente americano e cobre a costa oeste da Cordilheira dos Andes. Seu território cobre uma estreita faixa de 4.200 km de norte a sul, característica que lhe dá uma extrema diversidade climática, que vai desde o deserto seco e quente de Atacama aos úmidos bosques gelados sub-antárticos. Banhado pela costa do Pacifico, o território do Chile inclui também a Ilha de Páscoa e assentamentos permanentes na Antártida.
Por estar localizado em uma das zonas mais ativas do “cinturão de Fogo do Pacifico”, o Chile é afetado por terremotos de alta intensidade. O mas recente, ocorrido em 27 de fevereiro de 2010, teve uma magnitude de 8,8 graus na escala Richter. De fato, o país sofreu o tremor mais potente desde o registrado em 22 de maio de 1960 na cidade de Valdivia. Associados aos terremotos, algumas regiões costeiras sofreram com devastadores tsunamis ao longo de sua história.
ECONOMIA
A economia chilena se caracteriza por um sistema capitalista com forte estímulo às regras de autorregulação do mercado, forte exportação e exploração dos ricos recursos minerais presentes em seu território. O país é o principal produtor de cobre do mundo e uma fonte de ouro, molibdênio e prata. É também um forte exportador de produtos vinho, frutas, peixes e madeiras. O Chile conta com uma das economias mais sólidas e com maior crescimento sustentável do continente.
FATORES HUMANOS
O Chile é uma sociedade altamente mestiça com forte presença de descendentes dos colonizadores europeus, principalmente alemães, que chegaram ao país desde meados do século XIX. Após a experiência da ditadura do general Pinochet (1973 – 1990), a sociedade chilena tem exibido um alto grau de ordem e respeito às regras.
Embora a maioria da população seja nominalmente católica, a religião tem perdido peso nos últimos anos, como fator principal na vida diária dos chilenos.
Apesar do recente terremoto no Chile, em 27 de fevereiro de 2010, o Chile atravessa um período de forte crescimento econômico e de consumo, fatores que levaram a uma modernização da arquitetura e infraestrutura do país.
O Chile é regido por um regime presidencialista com separação de poderes. O presidente é eleito por voto direto para um período de quatro anos, sem possibilidade de reeleição para um segundo mandato consecutivo.
CULTURA
O Chile reflete as diversas origens da sua sociedade através de uma cultura rica e eclética. O poeta Pablo Neruda é uma figura emblemática do Chile, tanto pela sensibilidade de seu trabalho como por seu papel na história política de seu país. Gabriela Mistral é outro sucesso das letras chilenas.
A vida musical do Chile abrange uma ampla gama de estilos e influências. É possível encontrar música clássica executada magistralmente por um dos muitos grupos no país, explorar os diferentes ritmos folclóricos, como a cueca ou as criações de Inti Illimani ou Quilapayún, que mesclam influências pré-colombianas e europeias e cantores contemporâneos do porte de Víctor Jara e Violeta Parra, que exploram variações de ritmo melódico, música folclórica, rock e jazz. Nas regiões mais remotas sobrevivem os ritmos antigos executados com instrumentos próprios de cada região e às vezes recitados em dialetos locais.
O maior evento de música do país é o Festival de Viña del Mar, celebrado em fevereiro na cidade que lhe dá o nome. É uma oportunidade para se conhecer a nata da música local, que conta também com a participação de grandes artistas internacionais. A particularidade deste festival é a prática de submeter a performance dos artistas à avaliação pública. “O Monstro”, como é chamado o conjunto de espectadores, a celebrar ou não os que se aventuram no palco, por meio de demonstrações sonoras.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Santiago 33°27′0″S 70°40′0″O
A capital do Chile foi fundada em 12 de fevereiro de 1540 pelo conquistador espanhol Pedro de Valdivia. Em novembro do mesmo ano, a cidade estava prestes a ser destruída pelos índios liderados pelo cacique Michimalonco. O temor com relação aos nativos não foi o único desafio enfrentado pelos habitantes de Santiago. Uma série de terremotos atingiu a cidade nos anos seguintes e seus habitantes tiveram que reconstruí-la em mais de uma ocasião. Santiago sempre foi o centro da vida política e cultural do país e, por esta razão, ao percorrê-la, é possível encontrar museus e casas históricas que permitem conhecer os detalhes da história chilena. A casa do poeta Pablo Neruda, o novo Mercado Central e o Palacio de la Moneda, onde Allende foi assassinado em 1973, são algumas opções para aqueles que desejam reencontrar o passado. Com seus 5,4 milhões de habitantes, é atualmente uma comunidade cosmopolita que oferece uma vasta gama de eventos culturais, esportivos e artísticos.
Valparaíso 33°02′46″S 71°37′20″O
Desde sua fundação em 1536 por Juan de Saavedra, o porto de Valparaíso, localizado a 120 quilômetros da capital, é o elo entre o Chile e o restante do mundo. A região foi anteriormente habitada pelos nativos “changos”, um grupo étnico dedicado à agricultura e à pesca. Ainda hoje é possível observar no centro histórico as casas coloniais e ao longo da costa as antigas docas das quais os pescadores saem ao amanhecer em barcos frágeis e coloridos. As encostas que circundam a cidade estão cheias de casas “suspensas” em suas inclinações. Nos museus de História Natural, Belas Artes e do Mar, é possível presenciar a rica história da cidade, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
Viña del Mar 33°01′23″S 71°33′07″O
Localizada a 112 km de Santiago, a cidade turística de Viña del Mar é rica em história e paisagens. Decorrente de uma fazenda vinícola, logo se tornou uma grande cidade costeira de inspiração de José Francisco Vergara, visionário que planejou a cidade e comercializou seus lotes. A chegada da ferrovia em 1855 deu um impulso para a nova colônia que, ao chegar ao século XX, tornou-se o local de veraneio preferido dos chilenos. O cassino em estilo Art Deco, o Teatro Municipal e o Palácio do Planalto são alguns dos locais que podem ser visitados a fim saber mais sobre a história de Viña del Mar.
Ilha de Páscoa 27°7′10″S 109°21′17″O
A tradição Rapa Nui afirma que seus primeiros habitantes chegaram no século IV, liderada pelo rei polinésio Hotu Mutu’a. O primeiro europeu a avistar a Ilha de Páscoa – ou “Te pito te henua” no idioma local – foi o holandês Jakob Roggoveen, em 1722. Desde então, a ilha, a mais remota do mundo, desperta a imaginação dos visitantes por suas estátuas gigantes, ou moai, cuja finalidade ainda é objeto de especulação. A maior parte dos 3.800 habitantes da ilha descende dos colonos originais, porém suas tradições e língua escrita, o Ranga Roa, perderam-se como consequência do assentamento e de uma misteriosa catástrofe demográfica ocorrida por volta do século XV. Nas encostas do vulcão que circunda a ilha, é possível ver as pinturas rupestres dos “homens-pássaros” e, na capital Hanga Roa, é possível assistir a apresentações de música local.
Parque Nacional Torres de Paine 51°15′57.60″S 72°22′12″O
O sul do Chile foi explorado por aventureiros tentavam encontrar uma passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Os navegantes Juan Ladrillero e Sarmiento de Gamboa adentraram a atual Patagônia chilena entre 1557 e 1579 e começaram a explorar uma das paisagens mais magníficas de lagos, florestas e montanhas do mundo. Em 13 de maio de 1959, foi criada a reserva de Torres de Paine, um dos principais centros de turismo ecológico no Chile. Abrange uma área de 181 mil hectares e está localizado a 312 km da cidade de Punta Arenas. Em abril de 1978, foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO.
Deserto do Atacama 24°30′S 69°15′O
Com uma área de 105.000 km2, a região do Atacama é o local mais seco do planeta. Em Antofagasta, em 1971, foi registrada a primeira chuva em 400 anos. Os levantamentos geológicos mostram que a cerca de 150 milhões anos o Atacama era parte do leito do mar, sendo possível encontrar fósseis de espécies que desapareceram. Também é possível visitar as aldeias abandonadas durante o século passado, que abrigaram os mineiros e foram esvaziadas pelo esgotamento das reservas. O clima seco extremo permitiu a mumificação natural dos restos mortais dos habitantes pré-colombianos de Atacama, que permaneceram quase intactos até os dias atuais.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
O Chile possui um sistema de transporte moderno. As principais cidades são ligadas por estradas e rodovias devidamente sinalizadas. O trajeto até a Patagônia chilena pode ser interrompida pela neve e por tempestades. Para o norte, deve-se tomar as devidas precauções para viajar em áreas desérticas e quentes. Os motoristas que não estejam acostumados a viajar em terrenos montanhosos devem buscar informações sobre as especificidades de estradas geladas e caminhos borda.
Os principais destinos estão ligados por via aérea e do sistema aeroportuário possui alto nível de pontualidade e conforto. É possível escolher o sistema ferroviário, mas sua extensão é limitada a determinadas áreas do país.
GASTRONOMIA
Humita
A variedade de humita preparada no Chile consiste em uma pasta de milho moído com cebola picada, banha de porco, pimentão verde, leite e manjericão em embalagens de folhas tenras de milho. A preparação é imersa em água quente com sal e servida após um breve cozimento. (Dicas: Recomenda-se atenção na hora de consumir a humita. Seu conteúdo quente pode vazar e causar queimaduras.)
Curanto
Trata-se de um prato típico do sul do Chile. Consiste em uma preparação cozida em um buraco de um metro e meio cavado no chão, onde são colocadas pedras quentes e, sobre estas, uma variedade de legumes e carnes. A preparação é então coberta com panos úmidos e ramos pangue ou vinha, para que o calor a ferva lentamente. O curanto é normalmente preparado com batatas, legumes, carne bovina, carne de porco, frutos do mar, salsichas e peixes. Com pequenas variações nos ingredientes, a preparação recebe o nome de Guatia é no norte do Chile. Quando a mesma variedade de ingredientes é cozinhada em uma panela, recebe o nome de “Pulmay”. (Dicas: o curanto possui alto teor calórico. Recomenda-se medir seu consumo em épocas de calor. Por se tratar de uma cerimônia, o estrangeiro deve ocupar um lugar à espera durante a preparação e ser paciente, visto que sua preparação requer várias horas.)
Machas a la Parmesana
Os mariscos chilenos são mundialmente conhecidos por seu sabor e variedade. Uma das formas típicas de usar as “machas” (Ensis macha), uma variedade de moluscos bivalves típica da América do Sul, é prepará-las ao queijo parmesão. Após ter sua parte carnosa lavada, os mariscos são cobertos com queijo e então assados. Cada convidado adiciona manteiga e limão a gosto. Trata-se de um dos pratos mais consumidos pelos chilenos e visitantes estrangeiros no país. (Dicas: Como ocorre com outras variedades de marisco, as machas tendem a ser afetadas, ocasionalmente, pela “maré vermelha”, que os torna tóxico para seres humanos.)
Paila marina
Trata-se de um dos mais procurados por pratos turistas gastronômicos no Chile. Consiste em uma espécie de guisado preparado com uma variedade de frutos do mar (ostras, mexilhões, machas, picoroco, piure), peixe, vinho branco e especiarias. Segundo a tradição, possui propriedades afrodisíacas e é capaz de acabar com a ressaca. Uma variedade com salsichas, preparada nas regiões central e norte do Chile é chamada de “Mariscal Caliente”. (Dicas: há certas espécies de moluscos cujo consumo é proibido por serem espécies ameaçadas de extinção. Recomenda-se perguntar que espécies estão sendo consumidas a fim de não contribuir para a degradação ecológica.)
Caldillo de Congrio
Este prato foi mundialmente popularizado graças ao poeta chileno Pablo Neruda, que o dedicou um poema. É preparado com Congrio Dorado, um tipo de peixe próprio do Chile. O peixe é preparado com batatas, cebolas, alho, coentro, creme tomate, sendo a preparação fervida para fazer uma sopa normalmente servida em pratos de cerâmica para manter a sua temperatura. (Dicas: existem infinitas variações para a preparação deste prato e acredita-se que cada restaurante possui sua própria receita para prepará-lo e servi-lo.)
Picante de Conejo
Prato típico do norte de Chile caracterizado por seu sabor picante. Este prato é preparado com carne de coelho fresca colocada previamente em salmoura durante metade do dia. É então temperada com alho, locoto – variedade bastante picante de pimentão – e acompanhada com arroz ou quinoa, batatas, molho tomate ou amendoim. (Dicas: em algumas regiões centrais e do norte do Chile, o coelho é às vezes substituído por viscacha sem que o prato mude de nome)
Bistec a lo pobre
Trata-se de um dos pratos más populares do Chile. Consiste em bifes acompanhados de porções de batatas e ovos fritos. Diferentemente da cozinha de outros países da região, a carne não é assada ou grelhada, mas frita em óleo a fim de amaciar a carne do boi ou de algumas raças de vacas criadas no país. Afirma-se que seu nome deriva da má interpretação do prato francês “boeuf au poivre” ou “bife apimentado”. Existem variações preparadas com carne de aves ou congro.
DICAS E CURIOSIDADES
• Devido a seu elevado nível cultural, muitos chilenos podem se comunicar em mais de um idioma.
• Os mapuches chilenos têm mantido vivas muitas de suas tradições. Mesmo nas grandes cidades, é possível observar os antigos ritos e costumes de diferentes grupos indígena.
• O Chile possui renomados resorts de esqui. Nas encostas dos Andes, foram construídos muitos resorts de esqui com os equipamentos modernos que operam de junho a agosto.
• Caso pretenda visitar o Chile, esteja preparado para uma ampla gama de temperaturas entre o norte e o sul do país. No deserto do norte, as temperaturas diurnas chegam a 40 graus Celsius e no sul do Chile podem cair a -20 graus Celsius na mesma época do ano.
• Nas grandes cidades no Chile, não são raros crimes contra turistas. Em regiões remotas, muitas vezes é difícil encontrar água potável e em regiões desérticas é por vezes impossível encontrá-la em dezenas de quilômetros.
• O Chile não exige visto de visitante, mas estabelece uma política de reciprocidade com os Estados, que o exige para chilenos. Por esta razão, os cidadãos dos EUA, australianos e canadenses devem pagar uma taxa para entrar no país.
• Em algumas regiões remotas do Chile, é possível encontrar focos de cólera e outras endemias. Por esta razão, recomenda-se que os visitantes tenham vacinação adequada.
• A fonte mais comum de energia elétrica é de 220 V com tomadas tipo americano.
• Fora da região central, onde vive a maior parte dos chilenos, a paisagem é remota, sendo difícil encontrar acomodações ou meios de comunicação telefônica disponíveis. Em contraste, o sistema de transportes é bem desenvolvido na maior parte do país.
• Com exceção dos pumas nos Andes, não existem no Chile espécies perigosas para o homem. O único risco consiste em algumas espécies de aranhas e cobras, que raramente entram em contato com os humanos.
• Santiago é afetada por um alto nível de poluição. Pessoas com sensibilidade respiratória devem tomar precauções para o caso do turismo na cidade.
• Por estarem localizadas em grandes altitudes acima do nível do mar, muitas regiões do Chile podem causar o mal da montanha.
• Santiago possui um dos índices de poluição mais elevados do mundo. Nos dias de maior poluição, recomenda-se que crianças e pessoas com problemas respiratórios evitem circular pelas ruas.
Santiago de Chile
Morro Santa Lucia
O morro de Santa Lucia é uma colina situada no centro de Santiago do Chile. No seu topo, a estátua do indígena Lautaro que em 1552 deu início a uma grande revolta dos índios mapuche, demonstrando grande estratégia e desferindo um pesado golpe contra os espanhóis na cidade.
Estádio Nacional do Chile
O principal estádio de futebol do Chile transformou-se a partir de 11 de Setembro de 1973 em um imenso campo de concentração e de torturas onde em torno de 30.000 chilenos foram mortos, torturados ou simplesmente, apagados da historia do país durante a ditadura.
Igreja de San Agustín (Santo Agostinho)
Em 1647 um grande terremoto arrasou a cidade. A imagem do Cristo da Agonia permaneceu intacta apesar de tudo a sua volta ter sido completamente destruído. A única coisa que aconteceu foi que a coroa da estátua deslizou da cabeça até o pescoço. Segundo a lenda, quando a coroa for posta novamente na cabeça da estatua, a cidade passará por um novo terremoto.
Esconderijo de Neruda
O famoso escritor chileno Pablo Neruda passou um ano escondido em um prédio em Santiago antes de partir para o exilio na Argentina. Ali escreveu uma de suas obras mais célebres, O Canto Geral.
Catedral Metropolitana
A construção de 1748 é a igreja mais importante do Chile. No local da atual catedral haviam duas igrejas, destruídas por diferentes terremotos.
La Chascona-Casa de Neruda
Em Novembro de 1952, o poeta Pablo Neruda comprou a residência com a intenção de resgatar a vida romântica com sua então amante, Matilda Urritia. Pouco a pouco, passou a decorar a casa, que reflete sua personalidade e gosto únicos. O local atualmente é um museu dedicado ao escritor e ainda conserva de maneira intacta a aura de boemia criada pelo casal.
Palácio da Moeda
Sede da Presidência chilena. No dia 11 de setembro de 1973 o edifício foi bombardeado pelas forças militares que se mostraram contra o presidente socialista Salvador Allende. Ainda não foi descoberto se Allende foi assassinado pelos rebeldes ou se o político preferiu se suicidar para evitar a prisão.
Igreja dos Dominicos
Convento no qual o mítico guerrilheiro Manuel Rodríguez se disfarçou com vestimentas de monges, evitando sua captura.
Cemitério Geral
O cemitério mais importante do Chile, local onde estão enterrados alguns dos mais célebres chilenos. Além disso, alguns de seus túmulos são verdadeiros obras sacras. Ali se encontram enterrados Manuel Rodríguez, Violeta Para, Manuel Jara, Pedro Montt e Orlando Letelier.
Ministério de Justiça
Neste edifício, antes conhecido regionalmente como Seguro Obrero, se hospedou um grupo de jovens nazistas. Eles planejaram o golpe de estado de 5 de setembro de 1938. Ao fracassarem, 59 deles foram massacrados pelos oficiais do governo.
Mercado Central
Logo após o incêndio do Mercado Central, o arquiteto Juan Estephani foi contratado para construir um novo edifício. A estrutura de ferro fundido foi integralmente confeccionada em Glasgow, no Reino Unido. Seu exterior coberto de ladrilho chama a atenção.
Ilha de Páscoa
Hanga roa
Capital das ilhas e local onde vive a maioria da população, formada pelos descendentes dos antigos habitantes.
Ahu akivi
Neste local encontram-se os sete únicos moais (estátuas) que não estão “olhando” o mar. Segundo a mitologia da ilha, eles representam os primeiros colonizadores da ilha.
Rango Kao
Vulcão extinto que domina a parte sudeste da ilha. É desta região que vem a maioria das pedras utilizadas para construir os moais. Em seu interior uma lagoa de que esconde antigas pinturas dos homens pássaros.
Ahu Tongariki
O maior moai encontrado na ilha e aparentemente inacabado, um colossal bloco de pedra de 21 metros de altura e 180 toneladas.
Valparaíso
Torre Baron
Esta famosa construção representa um dos monumentos mais conhecidos da cidade, parte da antiga estação de trem, construída no século XIX.
Mercado Cardonal
Construído em 1912 com planejamento e materiais trazidos da Alemanha, o antigo mercado não mudou quase nada desde a época de sua inauguração.
Catedral de Valparaíso
A maior e mais importante igreja da cidade, construída em 1930 e reconstruída em duas ocasiões diferentes (1971 e 1985) em função de estragos de terremotos.
Castelo Wullf
Em 1881, o milionário alemão Gustavo Wullf pediu autorização para construir uma grande residência a beira mar. Em 1904 a casa estava terminada e ainda hoje representa um grande cartão postal da cidade.
Casa de Neruda
“La Sebastiana”, a residência do poeta Pablo Neruda. A casa foi transformada em um museu e guarda diversos objetos pessoais do escritor.
Forte Esmeralda
Grande baluarte da defesa da cidade desde 1879. Trata-se de um bunker que protegia o litoral integrando o complexo que guardava a entrada do porto.
Ascensor Polanco
Construído sobre o duto de 150 metros de largura de uma antiga mina de prata, o Ascensor Polanco, é o mais antigo da cidade e um dos mais altos.
Submarino Flach
Em algum lugar da baía de Valparaíso se encontram os restos do submarino fabricado pelo imigrante alemão Karl Flach em 1866. Criado para defender o local diante da frota espanhola que bloqueava o porto, o submarino afundou no dia 3 de Maio do ano de sua criação, juntamente com seu criador, seu filho mais velho e outros tripulantes.