HISTÓRIA
Canadá:
Dos esquimós à prosperidade

Situado no extremo norte do continente americano, o Canadá é um país que nasceu sob as sombras dos Estados Unidos, Inglaterra e França. Seu território foi ponte de migrações pré-históricas e hoje abriga um país moderno e próspero.
A PRÉ-HISTÓRIA
De acordo com estudos arqueológicos, estima-se que as primeiras migrações que povoaram a América percorreram o território canadense há 26.500 anos. Os primeiros habitantes da região pertenciam a diversos povos da Sibéria que chegaram ao Canadá através do Estreito de Bering, e pouco depois, chegaram os últimos povos Inuit (esquimós) provenientes da Ásia.
Atualmente é possível encontrar na região Ártica, os habitantes esquimós que há milhares de anos habitam as eternas geleiras do Pólo Sul.
DESCOBRIMENTO DAS TERRAS CANADENSES: INGLESES E FRANCESES
A colonização européia do Canadá começou a partir do ano 1.000, quando uma expedição viking comandada por Leif Eriksson estabeleceu uma colônia Leifbundir em L’Anse aux Meadous, na ilha de Terra Nova, a qual batizou como “Vinland” ou terra das videiras. A colônia foi abandonada pouco tempo depois, devido a hostilidade dos nativos e ausência de estímulos comerciais.
Foi então que, enquanto buscavam um novo caminho para alcançar o Oriente, exploradores franceses e ingleses percorreram as águas da América do Norte. Eles construíram um importante número de postos. Os franceses ao longo do Rio Lawrence, Great Lakes e Mississippi e os ingleses ao redor de Hudson Bay e ao longo do litoral Atlântico. Em 1497, o Canadá foi explorado pelo italiano João Gaboto durante uma missão da Coroa Inglesa e em 1534 pelo explorador francês Jacques Cartier, que também percorreu o litoral canadense. As tres viagens de Cartier tiveram como objetivo principal encontrar uma nova rota para Cathay, navegando rumo ao ocidente. Cartier fracassou em seu objetivo porém, já na segunda vigem, distinguiu-se como o primeiro explorador do Canadá a subir o rio São Lourenço até o posto de Montreal.
Na terceira expedição, Cartier preparou-se ante a necessidade de colonizar o território, levando consigo vinte trabalhadores de confiança. Apesar de ser a primeira tentativa de colonização, a empreitada durou pouco: a decepção de não encontrar um caminho para a China nem jazidas de ouro, limitou a investida e desencorajou a tentativa colonialista. A partir de então e até o final do século XVI, somente pescadores e traficantes de peles se aventurariam novamente por aquelas terras distantes.
Os primeiros assentamentos permanentes em território canadense foram Port Royal e Quebec, fundados pelo francês Samuel de Champlin em 1605 e 1608, respectivamente. Durante o século XVII, os franceses tiveram que enfrentar o ataque das tribos iroquesas cobiçadas por ingleses e holandeses, que desejavam enfraquecer a presença gala no Canadá e dominar o comércio de peles na região.
A COLONIZAÇÃO: DISPUTA ENTRE DUAS COROAS
Em 1610, os britânicos fundaram uma série de assentamentos em Terra Nova e começaram o processo de colonização em direção ao sul. Entre 1689 e 1763, os franceses e os ingleses enfrentaram-se pelo controle dos territórios na América do Norte. A assinatura do Tratado de Paris em 1763, pôs fim à Guerra dos Sete Anos entre a França e Inglaterra obrigou os primeiros a ceder as terras do Canadá. Mas a transição da colônia não foi isenta de problemas e tensões com os novos governantes. Em 1774, a Coroa Inglesa teve que dar um estatuto especial à comunidade de Quebec que lhes permitisse praticar a fé católica e conservar seu idioma original.
A partir da independência dos Estados Unidos, o Canadá recebeu uns 50.000 ingleses que migraram para a nova nação e que em 1812 foram a base principal das forças armadas britânicas quando ocorreu a Guerra Anglo Norte Americana. Através de tratados com as tribos aborígenes, os colonos estabeleceram-se principalmente na região hoje conhecida como Ontário.
A influência da revolução norte americana foi sentida em 1837, quando estouraram uma série de rebeliões de crioulos canadenses, liderados por Louis Joseph Papineu no Baixo Canadá e William Lyon Mc Kenzie King, no Alto Canadá. Apesar das revoltas haverem sido aplacadas, os ingleses foram obrigados a conceder uma representação parlamentária aos canadenses na câmara baixa do parlamento em Londres e outros direitos contidos no Ato da União de 1840.
RUMO À INDEPENDÊNCIA
Nos anos seguintes o governo colonial dedicou-se à consolidação de seu domínio sobre os territórios habitados pelas tribos mais hostis, como era o caso dos “meti” e na exploração das regiões mais remotas do imenso território canadense. Este processo permitiu que incorporassem novos territórios de cultivo e a exploração de diversos recursos minerais encontrados. A properidade atraiu milhões de imigrantes originários da Europa e contingentes menores da Ásia.
Diferentemente dos Estados Unidos, que lutaram por sua liberdade, o Canadá evoluiu de uma forma pacífica. Através de um tratado assinado pela Rainha Vitória, o Canadá transformou-se numa federação com governo independente em 1867. Atualmente os canadenses celebram o Dia da Rainha Vitória na terceira Segunda-feira de Maio, em reconhecimento e comemoração a monarca que por mais tempo governou o Império Britânico (1837-1901).
Em 1914 o Canadá viu-se envolvido na Primeira Guerra Mundial enviando 628.000 soldados aos regimentos da Comunidade que combateram junto aos britânicos. Em 1917, as notícias sobre o massacre no fronte de combate europeu provocou uma reação na população canadense, que começou a desertar massivamente quando o governo local impôs o recrutamento forçado para cobrir as numerosas baixas que a guerra produzia nas trincheiras. Apesar dos protestos, o Canadá enviou generosamente suas tropas ao combate e dando a vida de 60.000 soldados.
Em 1929, o Reino Unido reconheceu o direito canadense de decidir sua política interna e externa durante a Conferência Imperial. Em 11 de Dezembro de 1931 a Grã-Bretanha divulgou o Estatuto de Westminster, através do qual outorgava a independência ao Canadá, apesar da medida que transformava as ex-colônias em parceiros políticos e econômicos de Londres pela sua adesão ao Commonwealth.
Em 1939 o Canadá voltou a entrar em guerra para apoiar a Grã-Bretanha, desta vez para enfrentar o Eixo formado pela Alemanha, Japão e Itália. Ao longo da guerra, 42.000 canadenses lutaram em todas as frentes. A vitória aliada permitiu ao Canadá ocupar um lugar central na sociedade das nações e integrar-se a sociedade militar e econômica do ocidente no momento da eclosão da Guerra Fria, em 1949. Neste ano, a Terra Nova, território que havia permanecido como entidade separada durante o processo de autononia das ex-colônias britânicas da América do Norte, uniu-se ao Canadá.
PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO
Durante o pós-guerra, o Canadá avançou consideravelmente no processo de industrialização, que fora inciado com as guerras mundiais, até transformar-se numa das mais poderosas economias do mundo. A combinação de imensos recursos naturais e um moderno sistema produtivo trouxe a oportunidade da implementação de planos de distribuição de riqueza e introdução de reformas sociais progressistas. Este processo não foi totalmente isento de problemas, especialmente pela presença de grupos indígenas que ainda reivindicam o reconhecimento de seus direitos de propriedade, além de alguns grupos separatistas da província de Quebec, que desde 1968 exigem a criação de um estado próprio na parte francesa do Canadá. Em 1980, um referendo foi realizado em Quebec para decidir sobre a questão separatista. A recusa em separar-se do Canadá manifestou-se em 60% dos votos.
Em 1982, o processo da reforma constitucional culminou com a assinatura do Ato da Constituição do Canadá. Segundo a nova lei, o Ato da América do Norte Britânica de 1867 e suas várias emendas transformou-se na Lei de Constituição 1867-1982. A Constituição, sua Carta de Direitos e Liberdades e sua fórmula de emenda geral, redefiniu os poderes do governo, reforçou a equidade de mulheres e homens e protegeu o direito dos indivíduos e grupos etno-culturais. Dois esforços maiores ainda foram feitos para reformar o sistema constitucional: o Acordo de Meech Lake, de 1987 (não implementado pela falta de consentimento do total das províncias) e o Acorde de Chalottetown, de 1991. O Acordo de Chalottetown haveria reformado o Senado, protegido o princípio de auto-governo Aborígene e realizado outras mudanças de menor porte na Constituição. Foi rejeitada pelos canadenses em um referendo nacional ocorrido em 26 de Outubro de 1992. O Parlamento do Canadá. O Parlamento Canadense aprovou desde então um projeto de lei, em 1996, garantindo que mudanças na Constituição somente poderão ser feitas com aprovação das 5 grandes províncias. Menos de um mês após o referendo de Quebec em 1995, o Parlamento aprovou uma resolução reconhecendo Quebec como uma sociedade distinta no Canadá.
Em 1994, a economia canadense integrou-se às dos Estados Unidos e México através da NAFTA, um acorde de livre comércio que incrementou o intercâmbio comercial na América do Norte.
O Canadá atravessa o presente com grande estabilidade e um sistema político sólido, o que se reflete no cenário social e índices de crescimento estáveis mantidos por décadas.
Dos esquimós à prosperidade”
GEOGRAFIA E CLIMA
O Canadá é o segundo maior país do planeta em extensão. Em consequência, seu território possui uma enorme variedade de climas e ecossistemas. O norte encontra-se repleto por gêlo permanente do ártico e por climas bastante extremos. A região costeira engloba cerca de 244.000 km devido à presença de inúmeros golfos, arquipélagos e outros tipos de acidentes geográficos. Nas costas do leste as temperaturas são moderadas pela presença de uma corrente morna que percorre a zona sul, porém tornam-se mais rigorosas na direção norte.
Os terrenos são ondulados e de elevações pouco desenvolvidas. Na costa leste, os ventos frios do oceano causam temperaturas geladas e a presença de neve constante nas regiões setentrionais. A região central de terras baixas está tomada pela presença de grandes lagos e vastos bosques. Em seus vales férteis situados em montanhas de altitude média, está assentada a maior parte da populaçã e o núcleo agropecuário e industrial do país. A zona de pradarias de Manitoba, Alberta e Saksatchewan, possue a maior parte das terras cultiváveis do país. Representa aproximadamente 10% do território nacional e sua densidade demográfica é baixa. A região montanhosa coberta de bosques de coníferas ocupa 45% do território e extende-se em ambas as margens das montanhas Rochosas.
ECONOMIA
O Canadá é uma economia capitalista de alto desenvolvimento. Seu sistema produtivo conta com uma equilibrada participação de grandes e pequenas empresas dedicadas a todos os ramos da indústria. A intervenção do estado é austera na proteção dos direitos trabalhistas e de saúde dos empregados.
Os ricos recursos naturais do Canadá lhe permitem ser um consumidor e exportador de primeira grandeza. O Canadá conta com muitos recursos da exploração petroleira e de gás, de produtos agrículas centralizados em grãos, produção agropecuária, extração mineral e serviços. É um dos grandes produtores mundiais de trigo, colza, zinco, urânio, ouro, níquel e alumínio.
Do ponto de vista industrial, possue uma variedade de manufaturas centralizadas especialmente na região central do país. Suas indústrias mais representativas são a aeronáutica, os derivados de petróleo, os produtos químicos, os automotores e os serviços financeiros.
FATORES HUMANOS
O Canadá possue uma das mais baixas concentrações demográficas do mundo. Tres quartos de sua população habita os vales do sul, fronteiriços com os Estados Unidos. Sua composição étnica é extremamente diversificada. Pouco mais de 35% da população descende dos inglêses e francêses que povoaram o Canadá nos primeiros anos da colônia. Outro terço procede das migrações européias chegadas a partir do final do século XIX, principalmente da Irlanda, Alemanha e Itália. O resto é produto da mistura entre os europeus e aborígenes, com uma pequena comunidade asiática, em sua maioria procedente da China, uma menor procedência afroamericana e em torno de 4% de aborígenes agrupados em 600 tribos espalhadas por todo o território. O Canadá segue sendo um dos destinos privilegiados para as migrações; estima-se que cada ano, 250.000 pessoas torna-se parte da sociedade local.
Desde 1969 o estado canadense aceita o inglês e o francês como línguas oficiais. Cerca de 60% da população tem o inglêes como idioma principal e 23,2%, o francê. Em torno de 17,7% dos canadenses falam ambos idiomas. Entre os grupos indígenas, existem 11 grupos linguísticos diferentes e 65 dialetos reconhecidos. Grande parte dos indivíduos de comunidades descendentes de imigrantes chineses, latino americanos, alemães e italianos falam também o idioma de seus ancestrais.
De acordo com as estatísticas do governo canadense, 43% da população é composta de católicos apostólicos romanos, 9,5% de protestantes, 6,8% de anglicanos e o restante luteranos, evangélicos ou integrantes de outras comunidades cristãs. Existem pequenos núcleos judaicos e muçulmanos. A primeira minoria religiosa é de ateus.
CULTURA
Apesar da Polícia Montada ser a imagem mais conhecida do Canadá, suas tradições culturais são ricas e variadas, fruto da mescla harmoniosa entre as culturas aborígenes, a herança inglesa e francesa, além da chegada de comunidades de imigrantes provenientes do mundo inteiro. O resultado é uma sociedade multicultural onde as diferenças são celebradas.
A música canadense conseguiu lugar de destaque na aldeia global, com bastante sucesso. Celine Dion, Neil Young, Alanis Morissette e Shaina Twain são apenas alguns dos últimos artistas que conseguiram fama mundial em diferentes estilos musicais. Existem rítmos mais antigos como a música country e as canções ancestrais dos aborígenes cujas raízes são compartilhadas com a sociedade norte americana. Em algumas regiões, outros rítmos como o Blues canadense importado pelos escravos negros, séculos atrás, o chansoniers herdado pela presença francesa ou o powwow de algumas tribos nativas, possuem grande aceitação.
Um dos festejos mais visitados do Canadá é o Winterlude, um imenso festival organizado no mês de Fevereiro em Ottawa para receber a temporada de Inverno. Não menos espetacular é o desfile de Carnaval de Inverno de Quebec, celebrado nos meses de Fevereiro e Março, festividade que inclui o desfile de carros alegóricos e espetáculos artísticos, como competições na neve e exibição de esculturas feitas em gêlo. O Festival dos Primeiros Povoantes da cidade de Victoria é a ocasião onde as tribos originárias exibem suas tradições e produtos típicos.
Os canadenses são amantes dos esportes e o visitante não deve perder a oportunidade de assistir as partidas de hockey no gêlo, durante as quais os jogadores demonstram seu vigor e, as vezes, a paixão extrema que o jogo desperta. Grande número de canadenses prestigiam os jogos de inverno ou as partidas de “lacrosse”, esporte originado pelos indígenas e colonos franceses que habitaram o Canadá.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Ottawa 45°25′15″N 75°41′24″O
A capital canadense foi fundada nos terrenos da tribo do mesmo nome no século XVII.
Originalmente foi apenas um assentamento precário que servia de passagem aos caçadores de peles franceses. A chegada de colonos procedentes do sul lhe conferiu maior importância e desde, 1812, os britânicos empreenderam grande esforço para popular a região e evitar assim uma invasão norte americana, medida que transformou Ottawa em um dos centros políticos e comerciais mais importantes do lugar. Entre os lugares históricos que coroam a cidade encontra-se o ByWard Market, um dos bairros mais antigos da cidade. O National Gallery do Canadá é um dos mais prestigiados museus de história natural do mundo e em seu interior guarda uma
impressionante coleção de arte de diferentes estilos e compete em importância com o Museu das civilizações, com sua vasta exibição de objetos da história do país. No Château Laurier, um hotel de luxo famoso por suas histórias de personagens célebres como escândalos, pode-se encontrar relatos extraordinários da história canadense.
L'Anse aux Meadows 51°34′18,6″N 55°29′54,4″O
No ano 1.000, o comerciante viking Thorfinn Karlsefni liderou a primeira expedição européia que fundou um povoado em terras canadenses, na região norte da ilha de Terranova. Antes disto, em 985, se havia fundado uma colônia na Groenlândia, a primeira da América. Os vikings deram o nome “Vinland” às terras descobertas no território do Canadá e Leifbudir ao povoado formado por oito casas, um estaleiro e tres armazéns que construíram no local. Leifbudir foi considerada uma lenda até 1960, ano em que os arqueólogos norueguêses Helge Instad e Anne Stine descobriram suas ruínas e desvendaram o mistério da primeira chegada viking ao Canadá. Atualmente os restos do antigo povoado viking encontram-se restaurados e podem ser visitados durante a maior parte do ano.
Quebec 46°48′58″N 71°13′27″O
Em 1608 o explorador francês Samuel Champlain fundou a cidade de Quebec nas margens do Rio San Lorenzo. O nome que tem origem no idioma huron e significa “onde se estreita o rio”, foi usado para denominar a zona. A cidade foi conquistada pelos britânicos em diversas ocasiões e logo em seguida, recuperada pelos franceses. Desde 1763, a assinatura do Tratado de Paris fez com que a França entregasse o controle da cidade aos britânicos. Em 1775, tropas norte americanas tentaram tomar a cidade, porém foram derrotadas. A Cidade Velha e sua muralha, Citadelle, são testemunhas de um passado marcado pelas guerras. Outras atrações históricas são a impressionante Catedral de Notre Dame de Quebec e a Igreja de Notre Dame des Victoires, a mais antiga do país.
Toronto 43°40′″N 79°25′″O
A cidade de Toronto foi fundada em 1750 a partir de Fort Rouillé, um destacamento militar que logo foi transformado em base naval pelos britânicos. Em 1813, a cidade foi tomada e saqueada durante cinco dias por norte americanos durante a Guerra contra a Grã- Bretanha. Em 1837 foi palco de uma das tentativas independistas lideradas por William Lyon Mackenzie. Desde então Toronto cresceu muito, transformando-se na cidade mais populosa do Canadá e centro financeiro do país. Os bairros onde estão concentradas as comunidades chinesa, italiana, portuguesa, indiana e grega revelam o passado migratório de muitos de seus habitantes. O Distillery District, com suas construções vitorianas conserva o legado britânico. Por cima deles se ergue a Torre CN, de 553 metros de altura, que desde 1976 é a estrutura artificial mais alta do continente. A cidade oferece uma interessante variedade de museus históricos e artísticos.
Montreal 45°30′0″N 73°40′0″O
Montreal deve seu nome à um incidente linguístico com o nome Mont Royal, denominação que recebia uma elevação próxima ao assentamento original. Ainda que tenha sido habitada desde tempos precolombinos por tribos huron e iroqueses, sua fundação oficial é atribuída ao explorador francês, Jaques Cartier, em 1535. Montreal prosperou graças ao comércio de peles. Em 1760 foi invadida pelos ingleses e desde 1763 foi anexada pelo império britânico, que obteve o aval francês em troca do reconhecimento da Ilha de Guadalupe no Caribe. Montreal é uma cidade rica em histórias: em 1776 foi ocupada pelas forças independistas norte americanas, que buscavam em vão o apoio canadense; suas ruas testemunharam o movimento separatista mais antigo do Canadá francófono, que nas décadas de 60 e 70 tentaram conseguir sua independência pela força. Porém foi também o local eleito pelos norte americanos para se esquivarem das proibições da Lei Seca, vigente na época. As grandes quantidades de bebidas alcoólicas, as casas de jogos e os prostíbulos que proliferaram na época lhe conferiram o apelido pouco elegante de “cidade do pecado”. A magnífica construção da Prefeitura de Montreal, as bem conservadas construções de Old Montreal, o museu de Pointe-à-Calliére e a Place d’Armes são alguns dos locais mais visitados pelo turismo histórico.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
O Canadá está muito bem servido por uma grande quantidade de linhas aéreas e é possível chegar ao território partindo também de muitos aeroportos norte americanos. Devido à extensão de seu território, desenvolveu muito bem a variedade de vôos domésticos, que podem ser caros devido as grandes distâncias entre os locais. Para chegar às regiões mais afastadas utiliza-se táxis aéreos e muitos utilizam também hidroaviões para transportar-se às regiões remotas dos lagos.
O sistema ferroviário cobre grandes distâncias, porém não possue muitas ramificações, portanto não é de fácil acesso para visitar zonas distantes. A solução é o sistema de ônibus, que conta com uma frota moderna, confortável e com alto índice de pontualidade. Deve-se levar em consideração que as viagens entre lugares distantes podem exigir mais de uma viagem.
O aluguel de carro é também uma boa opção para percorrer o Canadá. O país possue um sistema rodoviário com pistas de velocidade e estradas bem mantidas e sinalizadas. Deve-se tomar cuidado em regiões frias e utilizar correntes nas zonas cobertas de gêlo. Na falta de experiência em dirigir neste tipo de terreno é preferível não aventurar-se em lugares desertos.
GASTRONOMIA
Tourtiére
A influência da cozinha francesa na região de Quebec popularizou o Tourtiére, um pastel preparado com recheio de carnes. Normalmente utiliza-se no preparo uma combinação de carne de porco, boi e toucinho, a que se agregam batatas, cebolas e aipo. A mistura é colocada dentro de uma massa de pão previamente colocada numa panela. Uma outra camada de massa é colocada na parte de cima, antes que seja levado ao forno. Um caldo de carne ou azeite fazem ajudam a manter o interior molhado. Em algumas regiões do interior canadense preparam-se variedades com carne de viado, bisão, rena ou alce.
Pudding au chomeur
As sobremesas e doces são forte especialidade da cozinha canadense. O pudding au chomeur é um prato da região de Quebec que surgiu nos duros tempos da Depressão de 1929. Trata-se de uma torta a base de caramelo colocado sobre uma massa de trigo. Sua simplicidade faz com que este prato seja consumido em todas as ocasiões.
Sanduíche de boeuf fume
A região de Montreal tem no sanduíche de boeuf fume um dos seus mais apreciados pratos da gastronomia canadense. Trata-se de um sanduíche de carne defumada no pão de centeio ao qual se juntam vários condimentos, entre eles picles, mostarda e tomates. As fatias de carne, apesar de serem cortadas fininhas, são empilhadas em grandes quantidades até formar um enorme sanduíche. É servido normalmente acompanhado de batata frita, verduras e cerveja e trata-se de um dos pratos mais populares do Canadá. (Dica: apesar de tratar-se de um simples sanduíche, o boeuf fume é um prato grande que exige um considerado esforço para ser terminado.)
Cozinha de Terranova
A região de Terranova é conhecida pela utilização da variedade de frutos do mar no preparo de pratos que se destacam por seu sabor e calorias. Um dos pratos mais celebrados são as línguas de bacalhau empanadas com scunchions (pedaços de toucinho fritos). O uso de frituras se extende aos mexilhões – utilizados em outras receitas para deliciosas sopas-, as barbatanas de foca empanadas e a carne de baleia ou “maktaaq”, que são comidas em pequenos pedaços. Também bastante popular é o Solomon Gunduy, um preparado de arenques crus temperados com vinagre e ervas.
Salmão defumado
O salmão canadense se destaca por sua frescura e sabor. Há séculos faz parte da dieta local e é geralmente consumido defumado. Uma das maneiras mais tradicionais de consumir-lo é defumado. Um dos pratos mais populares é o Salmão Defumado com Blinis de Arroz. É servido com molho de mel, cebola, arándanos e temperos, cozido até que alcance a consistência de um purê. O Blinis é preparado com leite, levedura, farinha e uma vez amassado é frito em óleo ou manteiga. O arroz silvestre cozido serve para acompanhar esta magnífico prato. (Dica: os tipos mais procurados de salmão são os silvestres. Aos gastrônomos a sugestão é de que procurem os tipos de defumados feitos na madeira ou processos artesanais.)
Poutine
Originalmente de Quebec, o Poutine é uma mistura de batatas fritas, queijo ralado e um molho conhecido como “Gravy”. Este molho é originário da cozinha britânica e é preparado com o caldo proveniente do cozimento de carne e legumes. É possível disfrutar de diversos Poutines preprarados com molho à bolonhesa, diferentes queijos e até mesmo com carne ou carne de porco desfiada. O Poutine é uma comida ligeira canadense e pode ser comprado em ambulantes ou bares de todo o país. (Dica: o prato é rico em calorias e teor de gordura. Portanto não é um prato recomendado para aqueles que preferem comidas leves ou de baixo colesterol.)
As bebidas típicas
Maple Syrup
Ainda que seja fabricado em todos os Estados Unidos, o Maple Syrup é um produto originário do Canadá. Fabricado com a seiva do arce, o resultado depende do tipo de arce (de açúcar ou negro), um vez fervida, a seiva adquiri um sabor diferente. Costuma-se fabricar-lo tanto em plantas industriais como de maneira artesanal. Os canadenses costumam tomar como bebida durante almoço e janta. (Dica: não é recomendável discutir com os canadenses sobre a origem do Maple Syrup, se americana ou canadense. O fato da folha do arce ser parte da bandeira canadense é o bastante para que os locais considerem a discussão encerrada.)
Canada dry
O Canada dry é uma bebida a base de Ginger Ale bastante representativa do país. Foi criada pelo farmaceútico John McLaughlin em 1890, que começou a produção da água gaseificada em suas instalações em Toronto. Desde então, a bebida se transformou em um dos produtos mais exportados do Canadá para o mundo. Seu nome original era Canadá DryPale Ginger Ale e em 1907, quando a fábrica foi designada como fornecedora real, seus proprietários adicionaram o mapa do Canadá em sua etiqueta.
Vinho canadense
Os habitantes do Canadá consumem grande quantidade de vinho fabricado no país desde 1866. A produção está praticamente concentrada na região de Niágara, a mais apta devido ao seu clima e tipo de terreno para produzir as variedades locais. Outras vinículas se estabeleceram na região de Vancouver, inclusive buscando climas mais amenos no sul da cidade. Atualmente existem uns 70 produtores de vinho. As espécies mais comuns são o Chardonnay, o Pinot Grigio, Noir ou branco, o Sauvignon, o Vidal e o Marechal.
Cerveja
A cerveja faz parte da vida diária dos canadenses, que gostam de tomar-la em eventos sociais e na intimidade de suas casas. A produção local de cerveja é centenária. As marcas mais populares são a Molson e Labatt Blue, que podem ser encontradas em qualquer lugar no Canadá. Pelo país são encontrada destilarias menores que produzem cervejas artesanais com sabores e texturas diferentes. (Dica: Na maior parte do Canadá não é permitido servir bebidas a menores de idade. O ideal é ter uma identificação para provar a maior idade, que será verificada antes de servir-lo.)
Vinho de gêlo
No Canadá prepara-se um curioso tipo de vinho, preparado com uvas tardias de riesling, amassadas enquanto estão congeladas. Para isto, são colhidas em tempos de baixa temperatura, em geral entre os 10 e 13 graus centígrados. Devido ao fato de, durante este período, a uva ter alta concentração de açúcar, o bebida tem um sabor muito mais doce que as outras variedades. (Dica: o método de produção exige o uso de grandes quantidades de uvo, portanto o “icewine” costuma ser mais caro e difícil de ser encontrado em algumas épocas.
DICAS E CURIOSIDADES
• O Canadá não exige visto de entrada aos cidadãos de Andorra, Antígua e Barbados, Austrália, Áustria, Bahamas, Bermuda, Bélgica, Botswana, Brunei, Croácia, Chipre, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Coréia do Sul, Latvia, Lituânia, Liechtenstein, Luxemburgo, Malta, Mônaco, Namíbia, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Nova Guiné, Polônia, Portugal, St. Kitts e Nevis, St.Lucia, St. Vincent, San Marino, Singapura, Eslovaquia, Ilhas Salomão, Espanha, Suiça, Suécia, Eslovênia, Samoa e Estados Unidos. É possível consultar a lista de nacionalidades para as quais se exige visto em www.cic.gc.ca . O acesso pode ser negado à pessoas portadores de doenças consideradas perigosas pelo departamento de saúde canadense.
• No Canadá dirigi-se pela direita.
• Em regiões do norte canadense, é necessário informar-se sobre lugares para consertos, para a eventualidade de tormenta. Trata-se de um local de população muito escassa e vastos desertos gelados.
• Entre as espécies perigosas para o ser humano, destacam-se os ursos pardos, na região das montanhas Rochosas e os ursos polares, nas zonas árticas. Informe-se sobre as precauções a serem tomadas em territórios habitados por estas espécies.
• Os canadenses costumas jantar as 05:00 da tarde, apesar dos lugares turísticos prepararem pratos para os que estão acostumados a comer mais tarde.
• No Canadá o costume de saudação é um aperto de mão; beijar no rosto é reservado para os casais e não é usual beijar extranhos.
• As bebidas alcoólicos são servidas aos maiores de 19 anos e é necessário mostrar identidade para comprar-las.
• Chegando ao sul, o clima frio pode ser violento, chegando a temperaturas de -35 graus, portanto é sempre importante informar-se sobre o clima do local a que se deseja visitar.
• O Canadá possue um sistema elétrico de 110 V e 60 Hz.
• Devido à sua grande extensão, o território canadense possue 6 diferentes fusos horários. É aconselhável adequar-se ao horário local, para planejar vôos e visitas.
• A gorgeta usual é 10% do serviço e pode-se chegar a 15% caso o serviço seja excepcional. No Canadá, as maneiras e a boa educação são extremamente valorizadas.