Estado Plurinacional de Bolívia


Nome Oficial
Estado Plurinacional de Bolívia
Habitantes
Bolivianos
Capital:
Sucre (Sede constitucional e judicial) e La Paz (Sede política)
Língua Oficial
Espanhol – Castelhano, quéchua, aimará e guarani. Falam-se ao menos outros 35 idiomas e dialetos locais.
População
10.027.644 (censo 2008)
Presidente
Evo Morales
Prefixo internacional
00591
Fuso horário
UTC -4
Moeda
Peso boliviano
Outros grandes centros urbanos
Cochabamba, Oruro, Potosí, Santa Cruza de la Sierra e Tarija.
superfície
1.098.581 Km2
Geografia e clima
A Bolívia é um dos países de maior elevação média do planeta. Entretanto, é também uma nação de extremos geográficos.
Economia
A economia boliviana se baseia principalmente da extração de produtos primários.
O que vestir
dicas
Feriados nacionais: 25 de maio, 21 de julho e 6 de agosto
Locais essenciais


 
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HISTÓRIA
Estado Plurinacional de Bolívia:
O coração aborígene das montanhas
Estado Plurinacional de Bolívia - História

No coração pulsante da América do Sul, encontra-se a Bolívia, um pequeno país privado do oceano, um dos territórios mais altos do mundo e nação com maior presença e influência indígena do Continente. Suas raízes foram postas à prova por séculos de conquistas e aniquilação: o Império Inca, a colonização espanhola. A mineração, que tem sido sua principal economia, ao mesmo tempo foi o centro de trabalhos forçados que deixaram milhares de mortos entre sua população. No centro das montanhas, ao redor do imenso lago Titicaca, a cultura resiste em cores e canções: oferendas são feitas a Inti Tata (Deus Sol) e à Pachamama (Mãe Terra), para receber o ano aymara 5518.

OS POVOS ORIGINÁRIOS E A CONQUISTA INCA

Existem resquícios de ocupação humana no atual território da Bolívia que remontam do ano 12.000 AC na região da jazida de Viscachani. Em torno de 2.000 AC, tiveram lugar as primeiras civilizações conhecidas: a viscachanense, correspondente ao período paleolítico andino, a wankarani, na região de Oruro e a chiripa, próxima do imponente lago Titicaca.


Entre as culturas que existiam na Bolívia antes da conquista dos Incas, a tiwanaku foi a mais importante e é considerado o primeiro Estado aymara independente. Extendia-se do lago Titicaca por toda a região do altiplano, chegando a ser considerado o “berço das civilizações americanas”. A cidade de Tiwanaku foi planejada e orientada astronomicamente pelo lado leste, segundo a antiga tradição aymara.
 

Esta cultura era composta por doze reinos separados, que foram denominados de forma coletiva como Os Collas. Nesta época destacam-se os avanços na agricultura, hidráulica, a utilização da cerâmica, a metalurgia e, especialmente, a escultura e a arquitetura.
 

O avanço dos Incas sobre a região começou no Século X e culminou no ano 1438, com a vitória do Inca Pachacútec sobre o último soberano Colla, incorporando desta maneira o altiplano boliviano ao Império Inca como Província de Collasuyo. O quechua, idioma dos Incas, foi estabelecido como língua oficial, porém o aymara continou em uso, inclusive até os dias de hoje. O Império Inca, tal como era sua característica, soube absorver e por em prática os conhecimentos e avanços da cultura da região.


Na região leste, habitavam os arahuacas e os chanés. Quando o Império Inca quis frear os avanços guaranis sobre a região, teve que aliar-se a estas tribos e construir fortalezas e cidades inteiras; datam desta época as construções Incas mais imponentes da região. De toda a forma, as invasões guaranis venceram e tomaram o poder dos pampas e vales de Santa Cruz.

A CONQUISTA ESPANHOLA E AS FUNDAÇÕES

Diego de Almagro foi nomeado em 1535 como o pioneiro dos territórios do Sul do Peru. Em uma expedição ao Chile, passou pelo território boliviano, onde fundou a cidade de Paria, próxima a atual cidade de Oruro.


Por outra parte estava Francisco Pizarro, outro enviado do Rei Carlos V. As disputas de poder entre Pizarro e Almagro atrasaram a conquista em vários anos. Em 1538 Almagro foi derrotado e fusilado em Cusco. Pouco tempo antes os espanhóis haviam conquistado a província de Callao. Pizarro segue até o Sul e funda Charca, mais tarde conhecida como La Plata, Chuquisaca e, finalmente, Sucre. Ali foi estabelecida a Audiência de Charcas, o mais alto tribunal da Coroa Espanhola na região até então conhecida como Alto Peru (atual Bolívia), e passaria a ser um dos centros mais importantes dos Vice-reinados espanhóis.


Potosi foi fundada em 1546, La Paz em 1548 e Cochabamba em 1574. Para povoar Santa Cruz (fundada em 1561), a Coroa decidiu isentar seus habitantes de impostos, indultar grupos perseguidos e libertar os mestiços e aborígenes. Em seguida autorizou o estabelecimento de missões jesuítas. Desta maneira chegaram os centro-europeus, e o êxito das missões resultou em grandes benefícios culturais e econômicos.


Em 1574 a cidade de Potosi era a mais povoada da América, graças à riqueza de sua mineração. Em 1611 era a maior produtora de prata do mundo, e nos séculos seguintes foi a cidade mais importante do Império Espanhol no hemisfério ocidental. A mineração foi a obsessão dos colonos, o que foi significou um desinteresse pela agricultura, ao mesmo tempo que a base da exploração brutal dos indígenas.


No final do século XVIII a produção de prata começou a minguar, o comércio desviou-se e a cidade de Potosi terminou por cair no anonimato.

DAS PRIMEIRAS REBELIÕES À INDEPENDÊNCIA

Em 1780 ocorre uma rebelião liderada por Tomás Catari (aliado a Túpac Amaru do Peru) que se extende por Charcas, Oruro, Cochabamba e La Paz. Logo após a morte do líder, seus irmãos Damaso e Nicolas tomaram o comando da rebelião e sitiaram Charcas com mil e duzentos homens. São derrotados e executados. Neste mesmo ano, o índio Tupac Catari entra em La Paz e sitia a cidade por quase duzentos dias. Finalmente é derrotado. E o resto dos tenentes é esquartejado.


Em 25 de Maio de 1809, um grupo revolucionário (liderado por Jaime Zudañez), depôs o Presidente da Audiência de Charcas e proclamou a liberdade das colônias americanas. Em 16 de Julho, um grupo de revolucionários invadiu os quartéis de La Paz e tomou o controle da cidade. Finalmente os revolucionários foram vencidos e levados à forca. Neste momento inicia-se uma guerra de quinze anos pela liberdade da Bolívia.


De 1818 a 1820 a Guerra das Guerrilhas, com participação destacada de Juana Azuruduy de Padilla, liderou um combate incessante pela emancipação. Em 1823 Andrés de Santa Cruz foi vencido em La Paz. Pouco mais tarde, Simón Bolívar triunfou em Junín e em Ayacucho, entrou no Alto Peru e a liberação teve seu lugar.
Em 6 de Agosto de 1825, a Assembléia de Representantes declara a independência do novo Estado, que é nomeado República de Bolívar, em homenagem a seu liberador, nome que pouco depois foi substituído pela palavra Bolívia.


Em 1826 a Constituição é redigida. Após um breve período de governo de Bolívar, a Assembléia elige como Presidente José Antonio Sucre, que fora Marechal na batalha de Ayacucho.

O CAOS E AS GUERRAS

Uma vez constituída a República, a história da Bolívia transforma-se numa caótica sucessão de guerras e conflitos, revoluções, inestabilidade econômica e política.


Uma revolução derrota Sucre e Santa Cruz assume o governo durante dez anos. Consegue abolir a Constituição bolivariana e impõe um plano de Federação do Peru e Bolívia. O Chile se opõe ao plano e invade o Peru para derrotar a Federação. Em 1841 a Bolívia é invadida pelo Peru, porém as tropas de Ballivian resistem e consolidam a República. Uma República onde desatam-se sangrentas lutas entre civis e militares; entre liberais e conservadores, resultando numa patente anarquia.


Entre 1879 e 1883 acontece a Guerra do Pacífico, onde o Chile vence o Peru e a Bolívia. Em decorrência, a Bolívia perde sua soberana saída para o Oceano Pacífico. Em 1880, Nicanor Campero é designado presidente e começa um período de certa estabilidade democrática, refletido por um desenvolvimento econômico baseado na exploração mineira da prata (em Sucre)e do estanho (Oruro e La Paz). Em 1888, durante o governo de Aniceto Arce, entra em operação a primeira ferrovia pública do país.


Em 1889 a paz interna tem um fim. Logo após uma guerra civil, os liberais derrotam os conservadores e tomam o poder. A Presidência é transferida de Sucre à La Paz.
Em 1904 começa um conflito com o Brasil pela exploração da borracha no eixo Beni-Pando. Depois da guerra do Acre, a Bolívia teve que ceder ao Brasil todo o território em disputa.


Finda a guerra da Borracha com o Paraguai (1932-1935), tornam-se frequentes os governos militares e os movimentos revolucionários.
Em 1960 um regimento de polícia em La Paz se rebela. Em 1965 os mineradores de estanho pressionam, com protestos, o governo militar. Em 1967, o exército boliviano assassina o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, líder dos confrontos contra o governo.


Os governos militares se sucedem e a crise econômica se agrava com empréstimos solicitados ao Fundo Monetário Internacional.


Em 1982 o governo militar convoca eleições.

A VOLTA DA DEMOCRACIA

Em 10 de Outubro de 1982 o General Guido Vildoso Calderón entrega o poder a Hernán Siles Zuazo, da Unidade Democrática e Popular (UDP), eleito presidente por voto popular. Seu governo chega ao fim em 1985, quando é levado a renunciar diante de uma grave crise econômica, encurralado pela oposição parlamentária e as greves de fome da “Central Obrera Boliviana”. É sucedido por Paz Estenssoro, que tenta conter a inflação com um plano de austeridade que, entre outras consequências, fecha as empresas estatais.


No começo da década de 90 a política de privatização se flexibiliza e o capital estrangeiro começa a retornar.


Durante a presidência de Gonzalo Sánchez de Lozada, o Plano de Todos é adotado, um programa de reformas estruturais. Capitaliza com investidores estrangeiros as cinco principais empresas do Estado, entregando 50% aos bolivianos.Cria-se o sistema de regulamentação através de superintendências, leva-se adiante a descentralização administrativa, a Lei da reforma educativa e a Lei da reforma constitucional.


Seu sucessor na Presidência, Hugo Bánzer Suárez, enfrenta uma nova crise econômica, além da crise institucional gerada por graves denúncias de corrupção contra sua gestão. A recessão se agrava, o PBI pára de crescer e o governo decide erradicar os cultivos de coca, o que provoca uma reação imediata dos camponeses, que interditam as estradas de todo o país. Bánzer renuncia em 2001 por problemas de saúde.


Em 2003, durante a nova presidência de Gonzalo Sánchez de Lozada, milhares de pessoas marcham, exigindo que o gás da Bolívia não saia pelo Chile, além de manifestar-se contra a exportação de gás aos Estados Unidos. Após um mes de protestos, incluindo o fechamento de estradas, confrontos onde morrem civis, uma greve geral apoiada por partidos políticos, passeatas e distúrbios de todos os tipos, Sánchez de Lozada renuncia e foge para Miami.
Assume então o Vice-presidente, Carlos Mesa Gisbert, apoiado pelo exército.


Em 2004 o governo anuncia um aumento no preço do combustível, que é rejeitado pela população. Evo Morales, líder da oposição e dirigente sindical dos plantadores de coca, reivindica eleições antecipadas.


Em 18 de Dezembro de 2005, Evo Morales ganha as eleições presidenciais com 53,7% dos votos, e transforma-se no primeiro Presidente indígena da história boliviana. Entre 2009 e 2010 Morales consegue ser reeleito e o oficialismo ganha as eleições no Poder Legislativo e a maioria dos governos, prefeituras e conselhos.

O coração aborígene das montanhas”

5000 A.C - 1000 A.C
999 A.C - 500 D.C
501 D.C - 1450 D.C
1451 D.C - 1780 D.C
1781 D.C - 1900 D.C
1901 D.C - 1950 D.C
1951 D.C - Atualidade