HISTÓRIA
República da Áustria:
De Mozart a Sigmund Freud

A história da Áustria, um país pequeno que conseguiu transformar-se num Império, está intrinsecamente ligada a do restante dos países germânicos da Europa Central: de sua história de guerra à neutralidade atual.
DA QUEDA DOS ROMANOS À ASCENÇÃO DOS HABSBURGO
Desde tempos remotos, o atual território austríaco esteve habitado pela tribo dos ilirios, que logo foi absorvida pelos celtas na formação do reino de Noricum. No ano 15 AC, os romanos invadiram a região e a transformaram em parte de seu império. No momento em que se iniciou a decadência romana, as tribos de: hunos, godos, vândalos e lombardos começaram a invadir o território. As invasões dos eslavos, bávaros e ávaros terminaram por dar fim aos últimos baluartes romanos.
No século V, a Áustria era um mosaico de reinos divididos entre os grupos alemães na região de Voralberg, os bávaros no oeste e o reino eslavo-ávaro de Karantania, na região central e no leste. Nesta época, a cristianização da Áustria havia dado uma homogeinidade à diversidade étinica, produto das sucessivas invasões. Sob a influência dos reis carolíngios, a Áustria passou a ser um ducado do Sacro Império Romano Germânico.
No ano 788, o duque carolíngio Tassilo III, chefe das tropas austríacas, foi derrotado pelo rei Carlos Magno e os territórios passaram a fazer parte do território dominado pelo monarca vitorioso. Em 976, Leopold I de Badenberg ascendeu ao trono austríaco, que, juntamente com os territórios alemães, integrava o Sacro Império Romano Germânico.
A Casa Badenberg caiu quando Frederico II morreu em 1246. A vitória de Rodolfo I sobre os sucessores de Frederico na batalha de Dürnkut, ocorrida em 1278, deu início ao período do reinado dos Habsburgo.
Graças à uma política de alianças, campanhas militares e casamentos de conveniência, os Habsburgo da Áustria incrementaram seus territórios nos séculos seguintes. Felipe II, casado com a herdeira do trono de Castilha e Aragão, adicionou inúmeros territórios em regiões adjacentes e domínios nos Países Baixos. Seus sucessores, extenderam o território desde o leste ao incorporar a Lombardia, Veneza, Cracóvia, Galícia, Dalmácia e parte da Boemia e Hungria.
O NASCIMENTO DO IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO
Enquanto a Áustria crescia em poder e território, também levava à cabo um processo de modernização cultural e econômica. No século XIX, a Áustria era uma das potências mais dinâmicas da Europa. Entretanto, estas reformas não diminuiam o controle absolutista que a coroa exercia sobre o seu território nem o despotismo de seus governantes. Pelo contrário, as idéias liberais e republicanas foram fortemente reprimidas pela polícia real.
A Revolução Francesa e sua expansão sobre o restante da Europa levaram à extinção do Sacro Império Germânico. Em 1804, Francisco I proclamou o nascimento do Império Austríaco, uma entidade que agora incorporava a Prússia, através da Confederação Germânica. Aliada à Grã-Bretanha por um lado e com a Prússia e Rússia na Santa Aliança, foi parte fundamental do esforço de guerra que determinou a derrota de Napoleão em 1815.
Após a derrota francesa, a Áustria tentou impor sua influência sobre os territórios alemães. Em 1865, após fazer um pacto com Napoleão III da França, o chanceler prussiano Otto Von Bismarck ocupou militarmente a cidade de Holstein e expulsou os funcionários austríacos que a controlavam. A Áustria declarou guerra à Prússia em 2 de Agosto de 1866. A vitória foi dos alemães e a Áustria teve que ceder a Prússia e as regiões de Holstein, Hannover, Hesse-Kaessel e entregar à Itália, os territórios da Lombardia e Veneza.
Mesmo depois da derrota, o império austríaco seguia sendo uma das maiores e mais poderosas nações européias. Em 1867, o imperador austríaco Francisco José I, conseguiu que a Hungria, cuja coroa clamava direitos de herança, aceitasse fazer parte de seu Império. Nasceu então o Império Austro-Húngaro, uma das potências européias de então.
Em 1908, o império foi anexado o território da Bósnia Herzegovina, antiga região do Império Otomano que controlava desde 1878 e que era também reclamado pelos Sérbios. O crescimento dos austríacos começava a causar tensões com outras potências européias, especialmente com a França, Inglaterra e Rússia. Para fortalecer-se, a Áustria fez uma aliança militar com a Alemanha em 1879 e com a Itália em 1882.
As alianças não puderam impedir a ação de grupos nacionalistas que reclamavam a independência de alguns territórios ocupados pelo Império Austro-Húngaro. Um dos mais violentos foi o dos eslavos da Bósnia, que lançaram uma campanha terrorista com o apoio encoberto da Sérbia.
A GUERRA COM A RÚSSIA E O SURGIMENTO DOS NAZISTAS
Com a chegada do ano de 1914, as tensões políticas na Europoa haviam chegado a um limite. Em 28 de Junho deste ano, o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono austro-húngaro, foi assassinado na cidade de Sarajevo pelo terrorista Gavrilo Princip. Um de seus cúmplices, confessou a participação dos serbios no crime.
A Áustria-Hungria declarou guerra contra à Sérbia. A Rússia saiu em defesa dos eslavos sérbios, decisão que levou a Alemanha a declarar guerra à Rússia, forçada pela aliança que mantinha com os austríacos. A França e a Inglaterra respaldaram à Rússia, e logo o continente estava atravessado por imensos campos e trincheiras onde milhões de homens pereceram. O resultado foi adverso para a Áustria, que teve que amargar a perda de seus domínios e ficou reduzida à um território mínimo, semelhante ao que possui atualmente.
O pós-guerra foi um período de instabilidade para o país. Enquanto os socialistas se organizavam para tomar o poder, os grupos de direita formavam grupos para-militares para enfrentar-los. Logo a Áustria era palco de confrontos entre os partidos e suas milícias. Em Maio de 1934, o social-cristão Engelbert Dolfuss chegou ao poder e estabeleceu um regime inspirado no facismo italiano. Benito Mussolini foi a grande inspiração de Dolfuss. Em 25 de Julho deste mesmo ano, o Chanceler foi assassinado pelos nazistas apoiados pela Alemanha, que começavam a revelar-se como uma força dominante na política. Não se pode esquecer que Hitler havia nascido em território austríaco e nunca se negou a unir sua terra natal ao Terceiro Reich.
O posto de Chanceler passou para Kurt Schusching, um subalterno de Dolfuss. Nem bem assumiu o cargo, o novo Chanceler começou a ser pressionado pelo regime nazista para que os partidários de Hitler na Áustria fossem nomeados para cargos chaves no governo. Schusching buscou o apoio da Itália para frear a interferência alemã, porém um pacto assinado entre Hitler e Mussolini em 1936 terminou por reduzir a Áustria baixo influência alemã. Nem mesmo a França ou a Inglaterra ajudaram os austríacos, convencidos que era melhor não provocar tensões em qualquer assunto que envolvesse o regime nazista.
A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Em Junho de 1936 o Chanceler Schusching firmou acordo com Hitler que a Alemanha não viria a intervir em assuntos internos da Áustria em troca de nomear alguns importantes nazistas locais para cargos do governos e liberar alguns para-militares presos anteriormente por agitação. Em Junho de 1937, Schusching recebeu o dirigente nazista Arthur Seyss Inquart em seu governo.
O Chanceler austríaco acreditou que o apetite alemão havia sido saciado. Porém veio a compreender seu erro mais tarde quando grupos para-militares nazistas iniciaram uma série de ataques e revoltas em todo o país nos últimos meses de 1937. Schusching convocou um plebiscito para que os austríacos decidissem se apoiavam a independência austríaca diante da Alemanha. Os comícios estavam previstos para 13 de Março de 1938. Dois dias antes que ocorressem, tropas alemãs invadiram a Áustria. Seyss Inquart foi posto no governo e iniciou-se uma feroz perseguição contra a oposição, os habitantes judeus, os partidários da esquerda e todo aquele que se atrevesse a mostrar qualquer insatisfação com o nazismo.
O governo de Seyss Inquart convocou um plebiscito para que a população se pronunciasse sobre a união do país ao Reich alemão. Um total de 99,3% votou afirmativamente. O resultado não surpreendia, já que além de contar com inúmeros partidários na sociedade alemã, os nazistas garantiram o resultado obrigando que cada austríaco expressasse seu voto diante de um pelotão de tropas SS alemãs.
Durante a guerra os cidadãos austríacos mantiveram-se ativos contra as tropas de ocupação e seus partidários. Durante os combates entre os aliados e nazistas ou nas batalhas alemãs contra seus adversários ocorridas na Áustria, pelo menos 300.000 habitantes perderam suas vidas. Grande parte deles morreu combatendo nas frentes nazistas.
Em 27 de Abril de 1945, os aliados venceram as últimas tropas nazistas na Áustria. Seyss Inquart e muitos de seus cúmplices foram julgados por crimes contra a humanidade. O ex-chefe nazista austríaco foi executado logo após ser condenado. Devido a um acordo assinado em Outubro de 1943, a autonomia deveria ser devolvida à Áustria, porém o país permaneceu ocupado até 15 de Maio de 1955.
A SITUAÇÃO ATUAL
A República da Áustria que emergiu logo após a retirada dos aliados, uniu-se às potências ocidentais durante a Guerra Fria. Mesmo nunca tendo recuperado totalmente o poderio de séculos anteriores, a Áustria mostrou sua determinação em transformar-se num país desenvolvido e com estabilidade política.
Em 1970 o Partido Socialista (SPÖ) ganhou as eleições liderado por Bruno Kreisky (judeu agnóstico vienense), e governou desde então até 1983, anos de estabilidade econômica e reforma social moderadas. Logo o SPÖ governou em coalizão com o Partido da Liberdade (FPÖ), mantendo a política de bem estar social internamente, e de neutralidade no plano internacional.
Durante a década de 90, a política austríaca foi palco da ascenção do ultranacionalista Joerg Haider, que chegou a elogiar a política de trabalho do Terceiro Reich e acusar os estrangeiros de roubar o trabalho dos austríacos, o que fez com que fosse destituído do cargo de Governador de Caríntia em 1991. Em 1992 o Governo Nacional aprovou uma lei de punição à atividades neo-nazistas.
Em 1999, Haider voltou a ser eleito Governador de Caríntia e seu partido posicionou-se com a segunda força a nível nacional, ascendendo ao Governo através de uma aliança entre conservadores e liberais.
Logo depois de um referendo em 1994, a Áustria uniu-se à União Européia em 1996. Desde então conseguiu alavancar sua economia e tranformar-se em um dos países de maior desenvolvimento humano do mundo.
De Mozart a Sigmund Freud ”
GEOGRAFIA E CLIMA
O sul e o leste do território austríaco encontram-se cobertos pelas montanhas dos Alpes, ecossistema que engloba dois terços do território nacional. Nos grandes vales férteis situados entre as cadeias montanhosas encontram-se os principais núcleos de população. O clima é temperado no Verão e muito frio durante o Inverno. O pico mais alto é o Grossglockner, de 3.797 metros de altura. Nas regiões de alturas intermediárias encontram-se as florestas de carvalhos e faias. Na fronteira com a Hungria existe uma planície, às margens do Danúbio, o rio mais importante do país. O clima na região é mais temperado do que na região dos Alpes e abriga a maior parte da população austríaca.
ECONOMIA
A Áustria possui uma economia capitalista com forte intervenção do estado para resolver as diferenças sociais. Seu alto nível de desenvolvimento e eficiência lhe transformaram em um dos países de maior renda per capita.
Seu setor industrial tem forte desenvolvimento em siderurgia, indústria automotora, indústria de armamentos, maquinaria, indústria têxtil e química. Apesar de possuir poucas terras cultiváveis, produz grande quantidade de trigo, milho, vinho, batata, beterraba açucareira, cevada, hortaliças e verduras. A agropecuária está dedicada à criação de bovinos, suínos e caprinos. Os produtos alimentícios industrializados e o processamento de madeira também são altamente desenvolvidos. No setor de serviços, o turismo, as finanças e as telecomunicações são os maiores geradores de divisas.
FATORES HUMANOS
A sociedade austríaca é bastante homogênea em termos étnicos. 95% pertence à grupos alemães com pequenas minorias de ciganos, húngaros e eslovenos. A Áustria é um grande receptor de imigrantes e os cidadãos nascidos no exterior chegavam a aproximadamente 800.000 em 2009. As maiores comunidades estrangeiras procedem, em ordem de importância, da ex Yugoslávia, Turquia, de países do leste europeu, imigrantes de países do oeste europeu, latino americanos e africanos. A Áustria deu refúgio a 250.000 cidadãos da antiga Yugoslávia desperçados pela guerra.
O idioma oficial é o alemão, falado por 90% da população. O alemão falado pelos austríacos é ligeiramente diferente do falado na Alemanha. Na fronteira leste existe uma colônia de língua húngara e no norte existem grupos de língua eslovena. As comunidades ciganas utilizam seu próprio dialeto materno. Entre os imigrantes, predominam, em ordem de importância, o turco, o sérvio, o croata, o húngaro e o bósnio. Na região de Vorelberg, fala-se um dialeto local.
Cerca de 75% da população é católica, ainda qua a prática religiosa diminuiu nos últimos anos. A primeira minoria é composta por ateus, que representam 12% da população. Em seguida, os luteranos com 5% e os muçulmanos com 4,5%. O restante está dividido em judeus, católicos ortodoxos russos e diferentes vertentes das religiões orientais.
CULTURA
A figura de Wolfgang Amadeus Mozart demonstra a importância da Áustria na cultura mundial e o caráter distinto de sua arte. Grandes compositores de música clássica como Franz Schubert, Joseph Haydn, Johann Strauss, Alban Berg e Gustav Malher são oriundos da Áustria. Também de grande importância são os cientistas austríacos, tais como os físicos Víctor Hess e Ludwig Boltzmann, o filósofo Karl Popper, o biólogo Gregor Mendel, o matemático Kurt Gödel e, sua estrela científica de maior brilho, Sigmund Freud, aquele que transformaria o conceito do homem e seu inconsciente com sua teoria psicanalítica.
A Áustria conseguiu preserver ao longo dos séculos grande parte de seu patrimônio arquitetônico. Graças a não ter sofrido a devastação de outros países e da consciencia de seus cidadãos do valor de seus monumentos históricos, a Áustria pode exibir o acervo arquitetônico mais bem conservado do continente.
A arte austríaca também possui uma das expressões mais reconhecidas do mundo nos corais formados em cada uma de suas regiões. O mais famoso deles, Os Meninos Cantores de Viena, destaca-se por seu profissionalismo e precisão técnica de seus integrantes, fato surpreendente por serem crianças de pouca idade. Um pouco menos conhecido é o canto Yodel, um estilo nascido nas alturas alpinas que utiliza inflexões da voz humana para alcanças impressionantes escalas musicais.
A valsa, a eterna dança nascida na Áustria é junto com os bailes tiroleses um modo de expressão do espírito alegre e decididamente belo da sociedade austríaca.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Viena 48°12′17″N 16°21′46″E
Viena era uma antiga aldeia celta sobre o Danúbio quando, no ano 50 AC, chegaram os romanos e instalaram ali um acampamento fortificado. Ocupada pelos alemães desde o século V, foi desde então ponto estratégico para o controle da Áustria. Em meados do século XIX, o imperador Francisco José I ordenou uma importante reforma urbanística que criou grandes avenidas, que a tornaram famosa, e ordenou também a construção de edifícios emblemáticos da cidade. Data desta época o Palácio Imperial de Hofburg, residência da família real que possue 2.600 cômodos e também da Ringstrasse, avenida que concentra os mais lindos edifícios e construções de Viena. A ricamente decorada Catedral de San Sebastian remonta um período anterior, já que foi construída em 1741 por ordem da imperatriz Maria Teresa da Áustria e que por séculos tem sido o cenário mais prestigiado do país. Pelas ruas de Viena é possível tropeçar a cada passo com lugares de grande importância histórica e museus que exibem relíquias impossíveis de serem vistas em outras cidades. A casa de Sigmund Freud,o apartamento 5 em Bergase 19, é um dos locais mais visitados da capital austríaca.
Innsbruck 47°17'7"N 11°24'36"E
Apesar de haver conseguido sua fama como centro de esportes de inverno, Innsbruck esconde inúmeros lugares históricos de grande importância. Esta cidade, que nasceu como um ponto para atravessar o Rin, transformou-se com o passar do tempo em uma populosa metrópole. Sua importância política e econômica se reflete no castelo renascentista de Schloss AMbras, um local murado construído em 1563 que servia de residência ao príncipe da cidade. Porém sua mais famosa construção é o Goldenes Dachl, um edifício do século da Altstadt, ou Cidade Viena, cujo telhado é formado por 2657 telhas de bronze. Ali perto, a catedral barroca de San Jacob, é um exemplo da complexa arte austríaca do século XVIII. O Palácio Imperial, vem dos tempos em que a monarquia vinha à Innsbruck para disfrutar suas paisagens.
Graz 17°04′13″N 15°26′20″E
A capital do Estado de Estiria é a segunda maior da Áustria. Pouco se sabe acerca da data de sua fundação. Graz começou a ter maior relevância em 1379, quando o duque da Áustria a elegeiu como capital provisória de seus territórios. Em Abril de 1797 a cidade presenciou a chegada de Napoleão e seu exército triunfante e durante a Segunda Guerra Mundial, sua zona industrail sofreu a fúria dos bombardeios aliados. Apesar de seu turbulento passado, Graz conserva inúmeras construções centenárias, muitas das quais sobreviveram em seu estado original. Em cima do monte de Schlossberg, estão as ruínas da antiga fortaleza, destruída por ordens de Napoleão. A famosa Torre do Relógio de Graz, construída em 1560 sobre a mesma colina, pode ser vista de qualquer ponto da cidade. O Castelo de Eggenberg, situado nos arredores é um exemplo do barroco alemão tão característico do século XVII.
Salsburgo 47°48′0″N 13°02′0″E
A bela cidade de Salsburgo foi fundado durante a época dos celtas e transformada em fortaleza pelos romanos a fim de controlar a passagem pelo rio Salzach. Conhecida mundialmente por ser berço de Wolfgang Amadeus Mozart, abriga também outros importantes locais históricos. Na Cidade Velha, encontra-se a imponente Catedral de Salsburgo, construída a partir de 767, ocultando em sua fundação as ruínas de um antigo foro romano. No alto da colina que domina a cidade, observa-se a Fortaleza de Hohensalzburg, um local amuralhado que se manteve intacto desde sua construção em 1077.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
A Áustria conta com um eficiente sistema para servir os visitantes estrangeiros. Os sete aeroportos internacionais existentes em seu território estão complementados pela integração com a rede ferroviária européia. O sistema rodoviário é moderno e bem sinalizado, ainda que um pouco perigoso em tempos de nevadas fortes.
Para os que queiram conhecer o interior da Áustria, alugar um carro ou viajar em alguns dos modernos ônibus que percorrem as localidades do interior é boa opção. O hábito de viajar em bicicleta requer um pouco mais de preparo, caso deseje passear pelas regiões montanhosas. A Áustria possui pistas exclusivas para ciclistas que cobrem grande parte do território. Outra opção interessante são os cruzeiros que percorrem o Danúbio, revelando as paisagens rurais austríacas.
A Áustria é um dos países mais seguros para pegar carona. Os motoristas colaboram bastante com os turistas e estão sempre dispostos a resolver problemas com grande disposição.
Nas regiões montanhosas existem terrenos ideais para caminhadas e trekking, apesar do risco nas épocas mais frias em percorrer os caminhos mais afastados ou amendrontantes. Caso deseje visitar lugares mais elevados, existem inúmeros elevadores, teleféricos e funiculares.
GASTRONOMIA
Wiener schnitzel
Em qualquer restaurante de Viena, é possível degustar um delicioso Wiener schnitzel, uma das receitas mais populares de toda a Áustria. Preparada com uma fatia fina de carne de vaca ou porco e mergulhada em ovo batido, que em seguida é passada na farinha e pão ralado temperado com pimenta negra. Frito em manteiga, tem uma aparência semelhante à milanesa, porém com um sabor bem mais forte. Servido com arroz, batata frita ou salada, ao chegar à mesa, tempera-se com um pouco de limão e um molho de arandano vermelho. (Dica: o Wiener schnitzel é um prato que pode ser um pouco pesado para o fígado. Um bom digestivo é a solução para não sofrer de seus efeitos posteriores.)
Zwiebelrostbraten
Apesar de não ser uma receita complicada, o Zwiebelrostbraten é parte de um dos pratos mais típicos da Áustria. Feito com fatias de carne de boi (de preferência rosbife), assado com cebola, alho, mostarda, sal e pimenta, tudo colocado sobre uma camada de azeite ou manteiga. Um acompanhamento de batatas assadas sobre o caldo do cozimento da carne completa o prato. (Dica: nos restaurantes vienenses, existem variações desta receita com diferentes ingredientes. Pode-se também encontrar o Zwiebelrostbraten totalmente modernos e preparados com carnes exóticas.)
Strudel
O pastel típico da Áustria é o strudel, cuja autoria é reivindicada pelos austríacos. Os strudel podem ser recheados com carnes ou doces, de acordo com o gosto do freguês. É preparado a partir de uma massa feita com farinha, água, manteiga, ovo e sal que é esticada até formar uma massa fininha. O recheio é colocado sobre a massa, que é enrolada e cortada para formar uns bolos de forma triangular. Uma cobertura de gema de ovo e o forno são suficientes para finalizar esta receita popular austríaca. Em Viena, o strudel de maça molhado em rum (Apfelstrudel) é uma instituição da cidade. (Dica: muitos turistas acreditam que o strudel é uma sobremesa e são surpreendidos pelas variedades de carne. Um strudel de carne ou verduras é uma forma de comida rápida ou o belisco ideal para um dia de passeio pelo Tirol).
Kaiserschmarrn
O Kaiserschmarrn é um destes pratos que, apesar de parecer um amontoado de panquecas despedaçadas e frutas servidas aleatoriamente, é na verdade uma complexa receita preparada com o objetivo de combinar adequadamente os sabores e texturas. Prepara-se com uma massa parecida à de uma panqueca doce, porém com mais ovos. Logo é batida e coloca-se passas, amêndoas, nozes e, em algumas regiões, maças, ameixas e morangos. Cada cliente pode escolher a composição do seu Kaiserschmarrn, ao qual geralmente polvilha-se com açúcar no momento de servir. (Dica: o Kaiserschmarrn as vezes pode substituir uma refeição. A presença de frutas não significa que, comê-lo em grandes quantidades pode terminar em indigestão, especialmente quando acompanhado por molho de arandono ou morangos.)
Bebidas típicas
Café
Na Áustria, especialmente em Viena, o café é mais uma cerimônia do que uma simples bebida. Isto se deve ao fato dos austríacos haverem adotado o costume de beber um café expresso para relaxar ou como desculpa para ficar conversando por horas sobre coisas triviais. Os cafés vienenses possuem uma estética própria onde prima a intimidade, a leitura ou a introspecção. (Dica: o café em Viena e outrs cidades austríacas é tomado num ambiente tranquilo. Muitos turistas cometem o erro de acreditar que os cafés são bares onde ainda não começou o agito e incomodam aos presentes com sua inquietude e barulho).
Vinho
O vinho da Áustria, ainda que de modesta fama fora do país, conseguiu conquistar novos mercados mundiais nas últimas década. Os vinhedos austríacos ocupam uma superfície de uns 55.000 hectáres concentrados nas regiões de Wein, Baixa Áustria, Burgerland e Steirerland. As variedades produzidas são Rhine Riesling, Neuburger, Muskat-Ottonel, Welscheriesling, Müller Thurgau, Traminer, Zierfandler e Rotgipfle, Goldburger, Grüner Sylvaner, Grüner Rülander, Blaufrankisch, Blauer Zweigelt, Blauer Portugieser, Blauer Burgundr, St.Laurent e Blauer Wildbacher (Schilcher). (Dica: nos locais denominados Heuriger, os produtores vendem somente suas próprias variedades de vinhos. Trata-se de uma oportunidade para provar novos sabores e conversar com os proprietários sobre enologia.)
DICAS E CURIOSIDADES
• Não é exigido visto para os cidadãos da União Européia, Estados Unidos, Israel, Japão, Malásia, Singapura, Coréia, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, México, Panamá, Paraguai, Uruguai e Venezuela.
• O sistema elétrico é de 220 V e 50 Hz
• O sistema de água potável é extremamente seguro.
• Não existem riscos significativos de doenças ou espécies de animais ou vegetais. A hipodermia em época de inverno ou as zonas de altitude podem afetar os turistas que não tomem as devidas precauções.
• Para os amantes das artes, Viena oferece uma enorme quantidade de espetáculos gratuitos graças aos artistas de ruas e shows em lugares públicos.
• A taxa de delinquência na Áustria é baixa. No entanto, deve-se ter cuidado com os batedores de carteiras e não descuidar-se em lugares de muita aglomeração.
• Caso seja convidado à casa de um austríaco, é possível que lhe pidam para retirar os sapatos antes de entrar.
• Para os austríacos, a melhor forma de educação e respeito é a pontualidade.
• No caso de transgressão às regras de trânsito ou atirar papéis na rua, é possível ser repreendido por um austríaco, de maneira educada porém severa, que um erro foi cometido.
• Na Áustria, quem convida paga a conta.
• É costume deixar 10% de gorgeta.