HISTÓRIA
República Federal de Alemanha:
Uma potência que sempre se reconstrói

A Alemanha é indiscutivelmente uma potência, um país de grande influência mundial econômica, militar, intelectual, desportiva e científica, que ao longo de sua extensa história, vivenciou tanto o progresso e desenvolvimento, como o horror e a catástrofe. Um dos maiores berços filosóficos do Ocidente, também foi palco do pior genocídio do mundo moderno. É preciso mergulhar fundo em sua história para compreender sua cultura: imponente e enigmática.
A RESISTÊNCIA AO IMPÉRIO ROMANO
A formação das primeiras comunidades organizadas no território alemão coincidiu com a chegada das migrações procedentes da Rússia. Quando os romanos tentaram conquistar o território alemão, encontraram resistência das tribos locais e conseguiram somente pequenos avanços. No ano 9, os alemães derrotaram os romanos na Batalha de Teutoburgo e frearam definitivamente a penetração de Roma em seus territórios.
No ano 313, o cristianismo transforma-se na religião oficial de Roma e os alemãos adotam o catolicismo. Nesta época, os alemães haviam-se transformado numa importante parte do sistema comercial europeu e assimilado muitos dos costumes romanos. Organizados em um sistema de tribos confederadas, os reis alemãos conseguiram transformar o país em uma potência militar da época.
No ano 410, as tropas alemães visigodas saquearam Roma, precipitando a decadência do império. Em sucessivas campanhas, os germanos, visigodos, vândalos e saxões, entre outros, expulsaram os romanos da Grã-Bretanha, França, Espanha e norte da África.
Os romanos e germânicos aliaram-se para formar uma federação que tivesse, nos povos da Alemanha, um freio para as invasões dos povos do norte e dos hunos, procedentes do leste. Porém, os povos germânicos tambêm tinham conflitos internos: o mais persistente aconteceu entre os francos e os alemães, cujo ponto culminante foi a Batalha de Tolbiac, em 496. O triunfo dos francos pôs fim às ambições dos alemães em expandir-se para o oeste. Logo após a derrota, os alemães ficaram sob proteção de Teodorico, O Grande, rei dos godos. A morte do monarca os deixou sob o domínio franco, no ano 539. A situação seguiria até o ano 712, quando o monarca alemão, Pepino de Heristal, derrotou os francos, conseguindo a autonomia da região. Em 746, o rei franco Carlos Magno, submeteu novamente os nobres alemães, incorporando-os ao império Carolíngio.
DO SACRO IMPÉRIO ROMANO-GERMÂNICO A REUNIFICAÇÃO ALEMÃ
Em 962 nasce o Sacro Império Romano-Germânico, resultado da união dos antigos territórios carolíngios. Durante este período, o poder da liga dos príncipes alemães cresceu e extendeu sua influência aos territórios austríacos e eslavos, no leste e norte da Itália. A partir do século XII, os principados alemães ganharam mercados e se fortaleceram politicamente. Em 1356, os sete principados se organizaram como uma entidade política.
Em 1618, logo após a publicação das 95 Teses de Martinho Lutero, o território alemão mergulhou em uma longa guerra civil entre católicos e protestantes. O conflito prolongou-se até 1648, quando ocorreu a assinatura do Tratado de Paz de Westfália. Como consequência dele, a Alemanha foi dividida em uma série de estados, entre os quais, sobressaía-se a Prússia, com maior poderio. Quando a Revolução Francesa explodiu, as tropas napoleônicas encontraram nas forças prussianas um sério adversário. Apesar dos franceses conseguirem controlar uma importante parte do território alemão em 1806, durante a Batalha de Leipzig, em 1813, os prussianos obtiveram uma vitória esmagadora sobre o exército galo.
A criação de uma Confederação Germânica em 1813 foi o passo inicial para a reunificação alemã. Em 1848, ocorreram diversas lutas internas, fomentadas pelos republicanos alemães. A organização do Parlamento de Frankfurt deu impulso aos que viam a necessidade de formar uma nação alemã moderna sob a hegemonia da Prússia. A Prússia obteve a vitória na guerra contra a Áustria, pelo controle dos territórios de Hanover e Hesse Kassle, e formou a Confederação da Alemanha do Norte, sob a liderança do Chanceler Otto Von Bismarck. As idéias nacionalistas de Bismarck foram cruciais para superar antigas diferenças que os estados alemães possuíam e unir-los, sob o slogan de um estado único, que retomaria uma posição de poder estratégica na Europa.
PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
A vitória contra as forças francesas, na guerra que transcorreu entre Julho de 1870 e Maio de 1871, permitiu deixar para trás a interferência de Paris nos assuntos internos da Alemanha. A Prússia obteve o apoio de todos os estados alemães para levar a guerra adiante, fator determinante para fortificar os setores que apoiavam a reunificação política do território. Em 1871, consolidada a superioridade da Prússia, nasceu o Império Alemão. Guilherme I da Prússia foi aceito como imperador da Alemanha e, começou o II Reich.
O Congresso de Berlim de 1884, reuniu diferentes estados europeus para definir um acordo sobre a expansão colonial de cada país na África. Durante as deliberações, ficou claro que a Alemanha intencionava ter um papel muito mais protagônico no panorama mundial. Entre 1880 e 1884, os alemães conquistaram mais de dez países africanos e diversos territórios na Oceania e Ásia, que foram somados às outras colônias que possuíam em outras partes do mundo a partir do século XVIII.
A expansão alemã provocou reações da França e Inglaterra, que não viram com bons olhos o surgimento de um competidor de grande peso econômico e militar. Estas tensões fizeram com que a Alemanha, tendo a Áustria como aliada, entrasse em guerra contra a aliança formada pela França, Rússia e Reino Unido.
No início do conflito, os alemães conseguiram rápidos progressos e arrasaram simultaneamente com os exércitos da Rússia, no oriente e com os aliados, no ocidente, até chegar às portas de Paris. Uma contra-ofensiva aliada, deteve o avanço alemão e iniciou uma longa guerra nas trincheiras, que custou milhões de vidas de ambos os grupos. Quando a Rússia se retirou em 1917, por causa da Revolução Bolchevique, os alemães concentraram todas as suas forças nas trincheiras. Entretanto, seus adversários foram vitoriosos e conseguiram a rendição alemã, em Novembro de 1918. Durante a guerra, a Alemanha perdeu 1.770.000 soldados e milhões de outros ficaram descapacitados, em função das feridas causadas por fuzis, artilharia ou gases venenosos.
O NAZISMO
O Tratado de Versalhes, que determinou o fim das hostilidades, impôs condições humilhantes à Alemanha, e começaram anos de crises políticas e econômicas. Entre 1921 e 1923, o país entrou em uma gravíssima inflação e foi envolto por uma violência, derivada do choque entre os grupos antagonistas.
Em 1933, para enfrentar a crise política crônica, o presidente Paul Von Hindenburg convidou os nazistas para fazer parte do governo. A popularidade de Hitler foi aumentando e, nas eleições seguintes, o partido conseguiu o status de partido hegemônico da Alemanha. A medida que ganhavam mais poder, os nazistas avançavam na perseguição de seus opositores; desenvolviam uma política cada vez mais agressiva contra os judeus, a quem culpavam por todos os males passados e presentes do país.
Hitler aliou-se aos grandes industriais e lançou um programa de obras públicas que revitalizou a economia. Seu discurso nacionalista conquistou o apoio da maioria dos alemães. As forças de choque do partido se encarregaram de destruir qualquer vestígio de oposição mandando para o cemitério ou os campos de concentração todos aqueles que considerava “indesejáveis” (judeus, ciganos, homossexuais, comunistas e uma infinidade de grupos minoritários).
Hitler rejeitou o Tratado de Versalhes e criou uma poderosa maquinaria militar a fim de recuperar territórios alemães em poder de outras nações. A França e a Grã-Bretanha reagiram com timidez quando Hitler aliou-se à Áustria e à Checoslováquia. Porém, em Setembro de 1939, Hitler invadiu a Polônia em cumplicidade com os soviéticos. As tropas nazistas mecanizadas, apoiadas por aviões da Luftwaffe, destruíram os exércitos aliados da França e Grã-Bretanha. Em questão de meses, ocuparam: França, Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, Noruega, Yugoslávia, Grécia e outros estados europeus. A onda nazista encurralou os britânicos em sua ilha central e os submeteu a um assédio aéreo e marítmo. Em 1941, a Alemanha invadiu a União Soviética e seus aliados japoneses atacaram os Estados Unidos, precipitando a entrada dos norte-americanos na guerra. Nesta época, os campos de concentração nazistas já haviam sido palco do assassinato de milhões de pessoas.
Entretanto, a força dos aliados foi demasiada para os nazistas, que sofreram derrotas brutais na Rússia e em seguida, tiveram que enfrentar o desembarque aliado na Itália, Normandia e França. Em Maio de 1945, sobravam apenas alguns poucos redutos nazistas em Berlim. Em 30 de Abril de 1945, Hitler suicidou-se e, nos dias que se seguiram, a Alemanha rendeu-se aos aliados. Cinco milhões de mortos e o país devastado foi o epílogo do período nazista.
DO PÓS-GUERRA AOS DIAS DE HOJE
A Alemanha foi dividida em quatro zonas, e cada uma das potências vencedoras tomou posse de uma. Em 1948, os soviéticos bloquearam o acesso por terra aos fornecedores que abasteciam as zonas ocidentais de Berlim, com o objetivo de apressar a saída dos países capitalistas da cidade. A resposta foi uma ponte-aérea que salvou os berlineses da inanição. A tensão forçou a união dos territórios sob controle da França, Estados Unidos e Reino Unido formando uma entidade independente, que em 1949, passou a ser conhecida como República Federal da Alemanha.
Em 1962, os soviéticos anunciaram o nascimento da República Democrática da Alemanha, de tendência comunista.
A Alemanha ocidental transformou-se numa potência econômica e tecnológica, enquanto seu espelho oriental se debatia entre o atraso e a dura ditadura do regime comunista. A migração massiva do lado leste ao oeste levou os comunistas a erguer um ostensivo sistema de vigilância cujo símbolo foi o Muro de Berlim, que partiu a cidade em duas.
Uma potência que sempre se reconstrói”
GEOGRAFIA E CLIMA
O território alemão divide-se entre a planície no norte, de clima temperado úmido e o sul montanhoso. Do leste, o clima é oceânico e pode alcançar temperaturas mais altas. As zonas mais íngremes do sul, apresentam um clima de montanha que se torna mais rigoroso a medida que aumenta a altitude.
ECONOMIA
A Alemanha é uma das dez maiores potências econômicas do mundo. Seu sistema produtivo, baseado nas fórmulas capitalistas com uma intervenção bastante acentuada do estado em assuntos considerados estratégicos, é caracterizada por sua eficiência, a qualidade de seus produtos e sua penetração nos mercados estrangeiros.
Seu sistema industrial encontra-se bastante concentrado na produção automotora, maquinaria industrial, eletrônica, farmacêutica, têxtil, química, alimentos processados, navios e produtos aeroespaciais. Marcas como Audi, Mercedez Benz, Porsche e Volkswagen difundiram a qualidade da indústria alemã, que prima pela inovação e qualidade.
A agricultura alemã, onde predominam as unidades familiares de até 40 hectares, também é beneficiada pela tecnologia e a eficiência para produzir batatas, beterraba açucareira, frutas, cereais, legumes, verduras e vinho. Os campos alemães servem para a criação de suínos e gado bovino. A mineração concentra-se principalmente na produção de carbono.
O setor de serviços, o mais desenvolvido da economia local, é especialmente forte na prestação de serviços financeiros, turísticos, de telecomunicações e seguros.
FATORES HUMANOS
Além de ser o país mais populoso da Europa Ocidental, a Alemanha é uma sociedade composta por várias correntes migratórias.
A maioria da população nativa é alemã (91,5%), com uma grande comunidade de origem turca (2,4%) e diversos grupos gregos, polacos, russos, sérbios, croatas, espanhóis, latino americanos e asiáticos. Devido ao quase inexistente índice de crescimento demográfico, a imigração foi aceita, e atualmente, representa 20% do total dos habitantes da Alemanha.
Na sociedade alemã, 64% da população é cristã (34% católicos e os outros 30% protestantes), com a primeira minoria composta por ateus (29,6%). A primeira minoria religiosa é a muçulmana, representando 4% da população. Existe uma comunidade judaica composta por 200.000 integrantes que sobreviveu às matanças e à migração. Outros grupos religiosos são os hindus, budistas e cristãos ortodoxos.
O idioma oficial é o alemão, falado por 98% da população, porém o estado reconhece a existência da língua sérvia, dinamarquesa, frísia, polonesa, romani, turca, grega e espanhola.
CULTURA
A Alemanha conseguiu desenvolver uma cultura própria e característica com expressões que foram incorporadas internacionalmente. A melhor maneira de descrever a cultura clássica alemã é citando os renomados personagens desta terra.
Os compositores Ludwig Von Beethoven, Sebastian Bach, Johannes Brahms e Richard Wagner são apenas alguns dos artistas de renome alemãos. Os pintores Alberto Durero e Hans Holbein, criaram obras que fazem parte do patrimônio mundial. Porém a Alemanha também foi berço de grandes pensadores e cientistas. Albert Einstein, Karl Marx, Max Planck, Daniel Fahrenheit, Wilhelm Roentgen, Richart Hertz, Carl Gauss, Hans Geiger, Ferdiand Von Zeppelin, Friedrich Nietzsche, Emmanuel Kant, Schopenhauer, Georg Hegel, Rudolf Diesel, Gottlieb Daimler, entre outros, mudaram a história da espécie humano com suas descobertas e teorias.
A Alemanha também é um país alegre que sabe aproveitar seus festejos e celebrações. A festa nacional mais famosa é o Oktoberfest, ocasião em que milhões de alemães e estrangeiros juntam-se para tomar cerveja, alguns deles usando os Trachten típicos, para festejar por dias seguidos. Os homens geralmente vestem os típicos Lederhosen e as mulheres os trajes Dirndl.
A festividade da cultura alemã também se refleta em sua música; como no caso de Schuhplattler, a dança típica do interior alemão e em outras expressões como a polca, a polonesa, Schwertertanz, as valsas e alemande.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Berlim 52°31′07″N 13°24′30″E
Desde sua fundação em 1237 sob o nome de Cölln, a capital alemã protagonizou as páginas mais importantes da história da humanidade. O ponto obrigatório para começar um tour histórico por Berlim é o Portão de Brandemburgo, antigo acesso à cidade construído entre 1788 e 1791 por ordem do imperador Guilhermo II. Perto dali, o edifício da Chancelaria ou Reichstag relembra fatos célebres como o incêndio nazista de 1933 bem como os trájicos bombardeios que destruíram a cidade durante a Segunda Guerra Mundial. Embaixo de uma construção próxima, escondem-se os restos do bunker onde Adolf Hitler se suicidou, quando viu que seu plano havia fracassado. Os restos do Muro de Berlim podem ser vistos em vários pontos da cidade e no “Checkpoint Charlie” ainda se conserva o que era a passagem entre o lado ocidental e oriental da cidade durante a Guerra Fria. A igreja de Kaiser-Wilhelm-Gedächtiniskirche permanece exatamente como ficou depois de sua destruição pelos bombardeios aliado, para relembrar o horror vivido durante a guerra. Na Ilha dos Museus estão reunidas algumas das coleções mais ricas da história natural e etnográfica do mundo.
Kiel 54°19′60″N 10°7′60″E
A cidade foi fundada por Tom Kyle de Holstentadt em 1233 por cima de um antigo assentamento usado pelos vikings como ponto de abastecimento. Mesmo tendo sido quase totalmente destruída pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial, a cidade conseguiu preservar um importante acervo histórico. Um dos pontos que mais atrai o turismo é o Museu de Laboe, onde encontra-se um dos míticos U-boot, que infestaram os mares nos tempos nazistas. A Torre da Câmara Municipal, de 67 metros de altura, é uma das poucas estruturas que preservam a tradicional arquitetura alemã. O jardim botânico de Kiel, criado em 1668, é um dos mais antigos do mundo.
Munique 48°8′24″N 11°34′30″E
A antiga cidade de Minga, como era chamada no dialeto bávaro, nasceu de um antigo convento católico fundado no século VIII. A partir do século XII a cidade já havia se transformado em um importante centro político e econômico da Alemanha. Entre as construções mais emblemáticas da cidade destaca-se a Igreja de Nossa Senhora, conhecida como Frauenkirche e, perto dali, a Câmara Municipal, com sua famosa torre arrematada por um relógio animado por um magnífico carrilhão. O Parque Olímpico de Munique, é um triste marco histórico, lembrando o ataque terrorista da OLP contra um grupo de atletas israelenses em 5 de Setembro de 1972. A 10 km do centro, as instalações do campo de concentração de Dachau ainda podem ser vistas. De volta ao centro de Munique, é possível visitar o Palácio Real, antiga residência do rei da Baviera, construído em 1835.
Outro submarino, um U955 de fabricação soviética, permanece exibido em um píer da cidade para que os visitantes possam visitar seu interior.
Frankfurt 50°6′37″N 8°40′56″E
A capital do estado de Hasse foi, a partir do ano 83, um acampamento romano e com o decorrer do tempo transformou-se na residência dos imperadores merovíngios. Sua arquitetura reflete um passado rico e complexo. O mais famoso exemplo é o Paulskirche, igreja protestante transformada posteriormente numa igreja cristã, e que terminou alojando o primeiro parlamento alemão em 1848. Também famosa é a casa onde nasceu a figura máxima da literatura alemã, Johann Wolfgang Goethe. O aspecto da cidade em séculos passados pode ainda ser visto no distrito de Römer, onde foram reconstruídas e restauradas, desde os mínimos detalhes, as casas e lojas originais de Frankfurt de séculos passados. A Catedral de São Bartolomeu, cuja construção foi iniciada em 1239, exibe uma impressionante torre de 96 metros de altura e era o local onde os imperadores alemães eram coroados.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
Os aeroportos internacionais de Frankfurt, Munique e Dusseldorf recebem todos os dias milhares de passageiros procedentes de todo o mundo. A vasta rede de aeroportos doméstico permite viajar pelo interior do país de maneira cômoda e eficiente. Também se pode utilizar o serviço ferroviário ligado aos países fronteiriços, tomar barcos que ligam os portos alemães aos estados bálticos e as rotas terrestres, cujas estradas encontram-se muito bem mantidas e sinalizadas.
Muitos turistas preferem alugar carro para percorrer o interior do país, uma opção mais econômica do que os trens rápidos alemães. Os ônibus, confortáveis e pontuais, permitem alcançar as localidades mais remotas da Alemanha.
GASTRONOMIA
Eisbein
O Eisbein é um dos pratos mais populares da cozinha alemã. Preparado com a parte inferior do pernil do porco, é marinado pelo menos por tres dias, em um tempero açucarado. Depois é condimentado com ervas, em geral orégano, sálvia, alecrim e louro. A carne vai cozinhando em fogo lento, em água e sal, ervas e açúcar. Uma vez pronta, é servida com Sauerkrauto ou chucrute. (Dica: a receita original tem outras versões ainda mais saborosas. Pode ser preparada defumada com lenhas resinosas e pedaços de frutas assadas no fogo, o que dá um sabor todo especial, muito superior do que o feito à gás.
Schwarzwälder Kirschtorte
Conhecida em muitos países como “floresta negra”, este prato de sobremesa alemão é um dos mais procurados pelos visitantes estrangeiros. Preparado com rodelas de biscoite de chocolate embebido em licor Kirschwasser, intercalado com camadas de creme e cerejas. A cobertura é feita com creme batido, palitos de chocolate e frutas da região, geralmente cerejas e nozes. (Dica: trata-se de uma torta ideal para saborear com um café expresso, o que na tradição alemã é quase um ritual religioso).
Salsichas
As salsichas alemães são parte intrínseca da cultura alemã. No país existe uma variedade imensa de salsichas. A mais comum é a Bratwurst, preparada com carne de porco, envolta em tripa natural. A Brütwurst diferencia-se por ser pré-cozida. A partir desta pequena diferença, existem variedades preparadas com carne de cordeiro, vaca, frango e inclusive a espécie Erbwurst, feita com bacon, ervilhas e cebola. As salsichas podem ser comidas assadas, fritas, cozidas ou cruas, de acordo com a receita. (Dica: o universo da salsicha alemã é tão rico que explorar-lo será uma verdadeira aventura cheia de cores e sabores).
Knödel
O Knödel consiste de um bolo preparado de maneiras diferentes, dependendo da região. O knödel mais comum chama-se Karttofen e é feito com uma massa de batata, ovos, miolo de pão e farinha. Antes de ferver, pode ser recheado com carne, verduras ou frutas. Também pode ser feito com carne moída ou fígado (Leberknödeln), semolina (Grieβklöβchen) ou leite (Topfen)
Bebidas típicas
Cerveja
Deixar a Alemanha sem tomar uma cerveja é como não ter visitado o país. Os alemães tomam cerveja como aperitivo, durante as refeições, usam como tempero em pratos típicos e, naturalmente, como a desculpa mais eficiente para reunir-se. Existem mais de 5.000 tipos de cerveja na Alemanha. A mais comum é a Pilsen, clara e com gosto levemente amargo. A Klosch, vinda de Colônia é fabricada em temperatura alta. Sua cor clara as vezes se confunde com a Helles de Bayern. A Schwarzbier é o extremo oposto, bem escura. (Dica: os alemães colocam bastante coisa na cerveja: em algumas regiões tomam com limão e em outras com sal. No norte da Alemanha é comum colocar açúcar ou páprica. Na Baviera, costumam oferecer rabanete e sal, para temperar a cerveja.
Kirschwasser
O licor típico do sul da Alemanha é o Kirsch, uma bebida produzida a partir da maceração da cereja e sua posterior fermentação. Um vez destilada, em barris de cobre, o preparado é guardado por um ano. O resultado é um licor, de alto teor alcoólico. É geralmente servido em pequenos copos nas festas, como um digestivo após as refeições. (Dica: o Kirsch é geralmente tomado em pequenas quantidades, devido a seu alto teor alcoólico. A ressaca por tomar grandes quantidades pode ser dolorosa.)
Vinho
O vinho alemão segue conseguindo uma posição de prestígio no mercado vinículo internacional. As treze produtoras estão concentradas na região sul, em sua maioria. Algumas das variedades mais conhecidas de vinho são o Riesling, o Muller Thurgau, o Silvaner, o Kerner, o Bacchus, o Scheurebe, o Gewürztraminer, o Pinot (branco, cinza, meunier e Noir), o Blauer Portugieser, o Dornfelder e o Lemberger. (Dica: um dos tipos mais exóticos de vinho alemão é o Glüwein, preparado com vinho quente e ervas, bastante adequado para combater o frio.)
As salsichas alemães são parte intrínseca da cultura alemã”
DICAS E CURIOSIDADES
• A Alemanha não exige visto para cidadãos da União Européia, da América do Sul, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Japão.
• O sistema de água potável é bastante seguro.
• Os alemães são bastante conscientes com as questões ecológicas e saúde pública. Se alguem joga lixo na rua ou na estrada, vai com certeza ter que enfrentar uma denúncia ou puxão de orelha de algum cidadão local.
• O sistema elétrico é de 220 V e 50 HZ.
• A saudação mais comum dos alemães é um aperto de mão. Não se deve exagerar na cordialidade que pode ser interpretada como falta de educação.
• A gorjeta comum é de 7 a 10% da conta. Normalmente entrega-se ao garçon ou numa caixa com um comentário sobre o serviço. Deixar a gorjeta na mesa é um sinal de falta de educação.
• Os objetos da época nazista são proibidos, portanto a comercialização de antiguidades hitlerianas são marginais. Na alfândega, os objetos não permitidos, em bagagem de turistas podem ser apreendidos.
• Na Alemanha existem velocidades mínimas e máximas. Nas estradas de alta velocidade o motorista deve manter uma velocidade de 130 km. Caso contrário, as buzinas e gestos vão avisar que o carro deve mudar para uma pista mais lenta.
• A Alemanha tem um dos mais baixos índices de delinquência da Europa. Existem registros muito esporádicos de agressões a turistas por parte de grupos xenófobos.
• Os alemães apreciam bastante a pontualidade e um presente, caso seja convidado para algum evento em uma casa. Agradecer ao anfitrião no dia seguinte também é de bom tom.
• Ao entrar na casa de alguém, deve-se tirar os sapatos.
• Os estrangeiros geralmente estranham como os alemães limpam o lixo antes de jogá-lo fora. A razão é que o caminhão de lixo só faz coleta de quinze em quinze dias, desta forma, evitam cheiro ruim.