HISTÓRIA
República da África do Sul:
ÁFRICA DO SUL: UM LONGO CAMINHO A IGUALDADE

A África do Sul passou por uma das mais cruéis e intransigentes lutas para estabelecer uma nação. Sua sociedade cresceu e moldou-se com base no ódio e confronto. Foi preciso muita determinação de seu povo e de seus líderes; décadas de negociação e a intervenção pacífica de muitos outros países para ajudar a reconstruir uma nação que luta por encontrar sua identidade com base na integração e respeito pela sua própria diversidade.
DOS PRIMEIROS HABITANTES À CHEGADA DOS EUROPEUS
O sítio arqueológico sul-africano de Taung indica a existência de habitantes na região desde os tempos do Australopitecos Africanus, entre 2 e 3 milhões de anos antes de nossa era. Grupos de Homo Habilis e Homo Ergaster precederam o surgimento das primeiras comunidades do homem moderno no território. Há 100.000 anos, tribos bosquímanas ou tribos de San, estabeleceram os primeiros assentamentos organizados, sucedidos pela aparição das primeiras raças negras, que posteriormente se dispersaram por todo o sul da África, numa fusão de diferentes culturas, formando uma etnia conhecida como Khoissan (a fusão de todos os povos). Os primeiros conquistadores foram os bantus que imigraram do delta do rio Niger há 2.500 anos e absorveram e conquistaram as tribos existentes até então. Até a chegada dos europeus no continente, duas grandes culturas conviviam no território, os Bantu e os Xhosa.
Segundo a reconstrução histórica, feita por arqueólogos, os povos existentes dedicavam-se a domesticação do gado e foi a organização desta atividade que determinou os primeiros sistemas políticos e sociais. Os chefes das tribos passaram a controlar a produção, exercendo autoridade sobre os trabalhadores. Foi a criação de seu sistema social, incluindo casamentos com dotes (geralmente gado) dos pais do noivo à família da noiva. Os lideres dedicavam-se as trabalhos com metais, habilidade que aumentava ainda mais sua autoridade, pois começavam a ter o controle sobre a produção de armas.
E assim os diversos povos africanos conviveram, até a chegada dos brancos
A COLÔNIA HOLANDESA E A FUNDAÇÃO DA REPÚBLICA SUL AFRICANA
O primeiro europeu a pisar na região foi o português Bartolomeu Dias, que cruzou o Cabo da Boa Esperança em 1488. Em 1652 a Companhia Holandesa das Índias Orientais iniciou a colonização da África do Sul, estabelecendo um assentamento no local onde atualmente se encontra a Cidade do Cabo.
Os colonos holandeses se dedicavam a agricultura e aos eventuais conflitos contra os habitantes locais. A politica de incentivo a imigração europeia atraiu a muitos outros holandeses e alemães, assim como os franceses que fugiam da perseguição em sua terra ocorrida a partir de 1685. As disputas entre colonos europeus e grupos nativos mais belicosos caracterizou a primeira etapa da colonização.
No final do século XVII, os colonos, depois de anos de conflitos com as autoridades holandesas que não dividia com os trabalhadores o lucro econômico das colônias, romperam com a Holanda, no que represento o primeiro conflito dos boers (colonos do local).
Em 1795, os ingleses tomaram a Cidade do Cabo e em 1806 anexaram-na a seu território, apesar da resistência militar apresentada pelos boers. Os ingleses utilizavam os nativos como intermediários no intercambio de mercadorias, se opunham a capturar escravos e entraram em conflito com os boers, escravagistas intransigentes, que passaram a autodenominar-se “africâneres”.
A ocupação britânica resultou em outros grandes conflitos. Um dos mais amargos foi a guerra entre os boers e o Império Zulu, iniciada quando o rei Dingane massacrou a caravana do colono Piet Retief, que havia chegado ao local fugindo dos britânicos. A Batalha do Rio Sangrento, ocorrida em 16 de Dezembro de 1838 terminou com a derrota e prisão de 12.000 guerreiros zulus em poder de 450 boers. Em 1 de Maio de 1860, os colonos fundaram a Republica da África do Sul, uma entidade separada do Império Britânico.
A GUERRA DOS BOER E O SURGIMENTO DO APARTHEID
Em Dezembro de 1880 a Primeira Guerra dos Boer desatou, motivada pela resistência da anexação de Transvaal por parte do Império Britânico. A tática de guerrilha dos boers e as sucessivas derrotas que desferiram contra os britânicos, obrigaram os últimos a assinar o Tratado de Paz em 23 de Março de 1881 que reconhecia a autonomia de Transvaal e o Estado Livre da Laranja.
A descoberta do ouro em 1887 em Witwatersrand, região controlada pelos boers, causou a chegada massiva de mineiros britânicos. A politica agressiva contra os novos colonos por parte do governo boers foi a desculpa que o governo britânico precisava para começar uma campanha militar contra aqueles que lhes haviam derrotado tempos atrás. Em 12 de Outubro de 1899 estourou a Segunda Guerra Boer, com a invasão de tropas africâner à Cidade do Cabo e Natal. Durante o primeiro ano do conflito, a vitória favoreceu aos africanos que conseguiram tomar diversas localidades estratégicas. No inicio de 1900 os britânicos empreenderam um contra-ataque, apoiados por 450.000 homens, e pouco a pouco, foram cercando seus adversários. A repressão contra as propriedades e famílias dos boers, o uso de campos de concentração e o exilio dos prisioneiros foram minando a resistência dos africanos, que apostaram suas últimas forças em táticas de guerrilhas. Em 31 de Março de 1902, as últimas forças boers se renderam.
Diante da evidencia que as tensões entre a colônia e os boers não haviam desaparecido, o governo britânico decidiu dar mais autonomia à colônia, permitindo inclusive que formassem algumas instituições de autogoverno, apesar de manterem o poder político e econômico sobre a região.
Em 1912 o “Native Land Act” designou 7% das terras do país aos nativos negros, que representavam três quartos da população local, ficando 93% restante em poder dos brancos. Em 1923 o “Native Urban Act” proibiu por completo que os negros se instalassem nas cidades dos brancos, submetendo-os a uma extrema vigilância.
O AUMENTO DO RACISMO E O NASCIMENTO DA RESISTÊNCIA
Logo depois da Segunda Guerra Mundial, os brancos da África do Sul, empobrecidos pela recessão e falta de empregos, deram vasão total a seu racismo e batizaram “seus inimigos” de K.K. K: Kafer, Koeli, Komunismus- (os negros, os índios e o comunismo). Em 1940 o Congresso Nacional Africano adotou uma postura de resistência pacífica diante do racismo.
Em 1948, quando o Partido Nacional integrado pelos setores mais reacionários conseguiu impor-se nas eleições locais, o sistema conhecido como Apartheid cresceu e foi alimentado com novas leis e instrumentos de repressão. O apartheid reservava o voto somente a pessoas brancas, restringia o direito das outras etnias a locomover-se pelo país, estabelecia programas salariais desfavoráveis para os negros e estabelecia a utilização de lugares públicos baseados por raça.
Em 1958 alguns setores dissidentes dentro do CNA fundaram o Congresso Pan-africano (PAC), que adotou praticas mais próximas do enfrentamento, como a manifestação de 1960, que desencadeou uma feroz repressão, resultando em setenta mortos. Em seguida, tanto o PAC como o CNA e o Partido Comunista foram fechados. Como consequência, ambos os congressos africanos organizaram sua força militar. Foi nesta época que Nelson Mandela, líder da resistência, foi condenado à prisão perpétua.
Enquanto isto, a África do Sul foi envolvida num estado de guerra não declarado na Namíbia, ex-colônia alemã que a África do Sul havia anexado após a Primeira Guerra Mundial. O regime de Pretória apoiou a minoria africâner da Namíbia, que utilizava um sistema semelhante ao Apartheid e combatia contra as guerrilhas de oposição, financiadas pela União Soviética.
Internamente, as guerrilhas do Congresso Nacional Africano que lutavam contra a segregação deram lugar a uma feroz repressão contra a maioria negra. Os grupos que rejeitavam uma solução armada foram perseguidos com a mesma insanidade pela polícia do regime. Além disto, a África do Sul enfrentou uma imensa pressão da comunidade internacional que isolou o país nos fóruns internacionais e promoveu um boicote econômico contra seu governo, pressionando pelo fim do sistema de segregação.
O FIM DO APARTHEID
Diante da mudança do cenário, os opositores ao apartheid decidiram criar uma frente democrática que concentrava seiscentas organizações. Em 1988 o governo de Pieter Botha ilegalizou todos os grupos de oposição e prendeu todos os lideres.
Em 1989 o dirigente do Partido Nacional, Frederik de Klerk, substituiu Botha no governo e declarou-se favorável à mudança, convocando eleições parlamentárias.
O Movimento Democrático de Massas convocou uma greve geral, que teve a adesão de 3 milhões de negros sul-africanos. Pouco tempo depois ocorreu a primeira manifestação em massa contra o apartheid, da qual participaram alguns brancos. As negociações entre as duas partes começaram; as primeiras na historia moderna do país.
Em 1990, Nelson Mandela foi libertado, após 27 anos de prisão. Um referendo em 1933, entre a população branca aprovou o fim do apartheid. Em 1994 foram realizadas as primeiras eleições realmente democráticas da história da nação. Nelson Mandela ganhou com grande margem de vantagem. O líder da maioria negra e mestiça promoveu um acordo de paz e uma ampla anistia, para tentar aplacar os ressentimentos da sociedade local. A partir de 1994 a África do Sul voltou a ser membro com plenos poderes e direitos da comunidade internacional e diversos fóruns reconheceram os progressos de seus cidadãos para estabelecer uma relação mais harmoniosa entre seus diferentes grupos.
A mudança não está livre de problemas e a África do Sul ainda demonstra uma grande disparidade de riqueza entre a população, bastante violência social e um índice de imigração de quase um milhão de membros da minoria branca, insatisfeitos com o novo estado do país.
África do Sul: um longo caminho a igualdade ”
GEOGRAFIA E CLIMA
A África do Sul possui um território de grande variedade climática. O território se divide num planalto central com grandes pradarias de clima temperado e um litoral de clima tropical úmido, com exceção da região meridional, que apresenta um clima mais ameno. Do lado oeste a região costeira possui desertos secos de clima quente. Do leste, os bosques se intensificam na medida em que se aproxima do Oceano Índico. A região nordeste apresenta um clima mais úmido e caloroso.
possui um território de grande variedade climática”
ECONOMIA
A África do Sul possui uma economia capitalista de alta renda per capita e uma elevada acumulação de renda concentrada nas camadas mais favorecidas. A metade da população vive abaixo da linha da pobreza e o desemprego é aproximadamente de 25% de sua força de trabalho.
Dentro de seus setores produtivos destaca-se a mineração e a indústria. A economia sul africana é a mais desenvolvida de África e representa 25% do PBI do continente. Suas enormes reservas de ouro, prata, diamantes, carvão e platina são responsáveis pela maior parte de suas divisas. Ademais, o país conta com uma ampla base industrial com um bom desempenho nos setores automotores, aeronáutico, metalúrgico e energético. O setor agropecuário produz milho, carne bovina, açúcar, lã e produtos lácteos. O setor de serviços conta com uma solida estrutura bancaria e turística que geram importantes ingressos anuais.
economia capitalista de alta renda per capita e uma elevada acumulação de renda concentrada nas camadas mais favorecidas”
FATORES HUMANOS
A sociedade sul-africana é dividida em quatro grupos etnicamente diferentes, dos quais 80% pertencem a alguma das etnias africanas. O maior grupo é a etnia zulu. Em torno de 10% são descendentes de europeus holandeses, portugueses, franceses, ingleses e alemães, com uma representação progressiva pela imigração deste grupo a outros países. Os mestiços e descendentes de imigrantes hindus e chineses formam comunidades minoritárias.
A religião mais numerosa é a animista e seu sincretismo com o catolicismo, praticada de acordo com a tribo de referencia. Os pentecostais representam boa parte da população, seguida pelos católicos romanos e outras denominações protestantes. As pequenas comunidades hindus, budistas e judaicas completam o mosaico religioso sul-africano.
A África do Sul possui 11 idiomas oficiais, apesar de o sistema governamental continuar usando o africâner. Outros idiomas falados são o inglês, zulu, ndebele, se sotho do norte, se sotho do sul, suazi, xi tsanga, se tswana, venda, xhosa e chi tsonga. As comunidades imigrantes preservam sua língua materna. Os sul-africanos são bastante cordiais e curiosos com os estrangeiros. Grande parte da população fala inglês especialmente nos segmentos relacionados ao turismo.
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CULTURA
A África do Sul é um mosaico cultural rico e complexo. Nas regiões urbanas, a cultura africâner predomina e pode-se observar uma comunidade com tradições europeias e costumes próprias desenvolvidos durante anos de isolamento. Seus habitantes são bastante cosmopolitas e utilizam a influencia de diversas sociedades do mundo dentro de sua cultura. As culturas africanas ancestrais são representadas dentro de seus grupos étnicos próprios, ou seja, a cultura zulu tem o seu próprio monarca, Goodwill Zwelithini Kabhekuzulu, autoridade máxima de 9 milhões de membros da tribo. Em algumas regiões do interior, os zulus ainda vivem em casas de barro e palha e conservam suas antigas tradições tribais (poligamia, ritos animistas e vestimentas). São escultores e artistas em madeira, cerâmica e joia; todos estes objetos bastante buscados pelos turistas.
Os membros da tribo Xhosa, antigos rivais dos zulus, mantem a tradição, dedicando-se à agropecuária pelas regiões onde vivem como: Natal, Botswana, Lesotho e na região do Cabo. Sua cultura é rica em rituais, realizados em todos os eventos importantes. Já os Swasi, habitantes das regiões mais ao norte, tem na cidade de Mbabane seu centro politico e cultural. Conseguiram preservar ao longo dos séculos seus rituais e cerimonias sem alterações significativas. Vivem basicamente da agricultura.
O legado dos grupos indianos, que chegaram à África na época da colonização britânica, não foi pouco. Sua gastronomia e religião penetraram na cultura sul-africana para sempre.
LUGARES IMPERDÍVEIS
Pretória
O antigo povoado da etnia ndebele habitava o vale onde, depois da chegada dos europeus, foi erguida a cidade de Pretória, fundada em 1855 pelo dirigente africâner Marthinus Wessel Pretorius, que a batizou com seu sobrenome numa homenagem a seu pai. A cidade foi alvo do assedio britânico durante a Primeira Guerra Boer e centro da resistência africâner durante a segunda parte do conflito. Foi durante esta época que Winston Churchill, que viria a ser Primeiro Ministro da Grã-Bretanha, foi prisioneiro em Pretória. Em 2005, seu nome foi mudado para Tshwane, porém ainda é conhecida por seu nome antigo. Dentre os locais de interesse histórico e turístico encontra-se a antiga residência de Paul Kruger, líder da resistência Boer e o edifício Melrose House, onde foi assinado o acordo de paz entre britânicos e forças nacionais.
Johannesburgo
A cidade de Johannesburgo é a mais povoada da África do Sul e nasceu logo após a descoberta do ouro nas minas de Witwatersrand. Nas cavernas de Sterkfontein, a noroeste, foi encontrado um esqueleto completo de um hominídeo de 3,3 milhões de anos de idade. Além do mais, a cidade é rica em locais que relembram a historia mais recente do país. O bairro de Soweto, onde Nelson Mandela deu seus primeiros passos na militância contra o regime de Apartheid. O museu, criado em sua casa natal, exibe inúmeros objetos pessoais do líder sul-africano. Na zona de Crown Mine Shaft, uma antiga mina de ouro atualmente adaptada para o turismo, pode-se observar a historia da extração do metal.
Cidade do Cabo
Apesar de ter sido habitada há pelo menos 14.000 anos, a Cidade do Cabo foi oficialmente fundada em 1652, quando o explorador flamengo Jan Van Riebeeck chegou ao local a pedido da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Depois da Batalha de Muizenberg em 1795 os holandeses cederam a cidade de volta aos britânicos. A Cidade do Cabo tornou-se dede legislativa da África do Sul a partir de 1910 e possui diversos locais importantes na historia da África do Sul. Em seu litoral encontra-se a infame prisão de Robben Island, onde foram encarcerados muitos dos que lutavam pelo fim do Apartheid. De um de seus balcões, Nelson Mandela anunciou o “começo do fim” do Apartheid em 11 de Fevereiro de 1990. Atualmente a cidade é um grande polo econômico e um dos maiores destinos turísticos na África do Sul.
Durban
A cidade de Durban foi fundada em 25 de Dezembro de 1497 pelo explorador português Vasco da Gama, durante uma de suas viagens à Índia. Batizou-a como “Rio Natal” por acreditar que se encontrava diante de um rio (na verdade uma imensa lagoa) durante o período natalino. Em 1823 a cidade teve seu nome modificado para D’Urban, numa homenagem ao governador britânico da Cidade do Cabo. O local possui inúmeros pontos históricos interessantes. Nos arredores da cidade encontra-se Shakaland, um povoado zulu que guarda as lembranças do maior guerreiro desta tribo, Shaka. Pode-se também visitar o Parque Nacional Ukhahlmaba que guarda pinturas rupestres de 100.000 anos atrás. A cidade é o maior porto do continente africano e o maior depósito de containers do hemisfério sul.
COMO VIAJAR DENTRO DO PAIS
Por tratar-se de um grande destino turístico a África do Sul conta com grande serviço de voos vindos de todas as partes do mundo. Possui também excelente estrutura para viagens domesticas, apesar do preço do serviço em função das grandes distancias entre as cidades do país. O aluguel de carros é, portanto a forma mais usada pelos turistas estrangeiros. O sistema rodoviário e moderno e conta com boa manutenção, principalmente nas estradas que levam aos principais destinos turísticos. Entretanto não se recomenda percorrer as regiões urbanas marginais, onde os assaltos a automóveis são bastante frequentes. Nas zonas rurais existe o risco de animais soltos, portanto é necessário conhecer a região e ter experiência, especialmente dirigindo durante a noite. O transporte ferroviário é uma opção barata, porem precária, pelos falta de pontualidade no serviço e, ate mesmo, falta de segurança. Os ônibus interestaduais são recomendados, porém os que circulam dentro das cidades são pouco confortáveis devido ao numero de pessoas que viajam constantemente.
GASTRONOMIA
Biltong
O biltong na verdade é um método de secagem da carne animal bastante usado na África. Apesar do mais comum ser o biltong de carne, existe o de carne de cabra, zebu e de diversas caças encontradas no local. A técnica consiste na secagem ao ar livre dos pedaços de carne que depois são marinados em vinagre de sidra, sal grosso, semente de coentro, pimenta e açúcar mascavo. Depois é saboreado em fatias, acompanhadas de pão. (Dentre as carnes mais exóticas para os turistas encontra-se a de macaco, avestruz e de zebra).
Bobotie
Por estar localizada no caminho das Índias, a gastronomia sul-africana recebeu a influencia oriental no cardápio. Um claro exemplo é o bobotie, um ensopado de carne de cordeiro picada, refogado com alho e cebola e depois temperado com gengibre, louro, limão, curry e orégano. Por cima da mistura coloca-se um ovo batido no leite e farinha de pão e depois vai ao forno. Alguns cozinheiros gostam de adicionar passas, nozes, amêndoas e pedaços de banana, para realçar o sabor.
Braai- Churrasco
O churrasco sul-africano se chama “braai”. Preparado com a carne local, que é bastante macia e saborosa. Em geral é assada lentamente na brasa. Costuma-se assar boerwors (salsicha enrolada), sosaties (espeto de carne de cordeiro e legumes), pedaços de frango e porco. É servido com saladas e molhos variados, além de bolinhos de mel. (Dica: como na maioria dos países, o braai é um evento social. Enquanto a carne é preparada, os convidados aproveitam para conversar e relaxar.).
Bunny Chow
Dizem que o Bunny Chow nasceu da proibição dos cidadãos negros de entrarem nos restaurantes. Na pressa de fazer um lanche, compravam um pão recheado com curry para comê-lo na rua. O prato terminou se transformando num dos mais populares entre os sul-africanos e evoluindo, com diversos tipos de forma e recheios. Além do curry, pode-se juntar cebola, tomate, pedaços de cordeiro, carne e batata.
Potjiekos
O potjieko é um cozido de carne, cordeiro ou bitlong, arroz, legumes, farinha de milho e batata cozidos no azeite e que depois passa para uma panela de ferro, o “potjie”. É uma receita antiga, do tempo da colonização boer, muito popular em toda a África do Sul. Existem variações nos ingredientes, dependendo da região, mas o nome não muda. Um pouco de cerveja ou vinho no molho conferem um sabor diferente. É um prato bem forte, não recomendável antes de atividades físicas.
Bebidas típicas
Amasi
O amasi é uma bebida típica zulu e xhosa e consiste do leite fermentado dentro de abóboras (shekere) ou em sacos de bexiga de animal. Costuma ser consumido com aveia moída e cozida e se parece a um mingau. (Dica: os membros das tribos africanas não costumam oferecer o amasi aos turistas, pois com o tempo se acostumaram que a bebida agradava a poucos).
Umqombothi
A cerveja tradicional sul-africana é preparada desde há séculos pelas tribos xhosa e zulu. A bebida é feita com farinha e malte de milho, brotos de sorgo, levedura e água. Uma vez fermentada se obtém uma bebida escura e amarga de baixo teor alcoólico, que o sul- africanos consomem nos dias quentes.
Vinhos da África do Sul
Os primeiros brotos foram plantados na região pelos colonos holandeses em 1659. Em 1680, com a chegada de imigrantes franceses que conheciam mais o processo, a qualidade do plantio e o processo de fabricação evoluíram bastante. A partir de então, o vinho sul-africano vem ganhando fama e qualidade. Atualmente a África do Sul produz vinho Chardonnay, Pinot, Sauvignon Blanc, Semillon, Gewürztraminer, Ugni Blanc, Cabernet, Merlot e Shiraz.
Dentre as carnes mais exóticas para os turistas encontra-se a de macaco, avestruz e de zebra”
DICAS E CURIOSIDADES
DICAS
• O país possui uma das taxas de criminalidades mais altas do continente, portanto o turista deve tomar precauções com valores, evitando a exibição dos mesmos, assim como joias e passaporte, que devem permanecer no cofre.
• A África do Sul não exige visto dos cidadãos da Comunidade europeia, Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Costa Rica, Chile, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
• O sistema elétrico é de 220 V e 50 Hz.
• Existem riscos de doenças como: malária, febre amarela, carbúnculo hemático, tuberculose, esquistossomose e doenças transmitidas sexualmente, como a AIDS. A água potável não costuma ser segura em grande parte do território, portanto recomenda-se o uso de água engarrafada.
• A gorjeta comum é de 10% a 15%.
• Existem diversos animais perigosos no país. O sistema de saúde conta com boa capacidade de reação diante de acidentes com ofídios e insetos venenosos. É necessário ouvir o conselho dos guias locais ao percorrer regiões selvagens. Nas praias são registradas frequentemente a presença de tubarões e outras espécies nocivas ao homem.
• A direção sul-africana é a mão esquerda.
CURIOSIDADES
• O país abriga diversas espécies animais extremos: a girafa (o mais alto do mundo); o elefante africano (o mais pesado), o musaranho (o menor), o leopardo (corredor mais veloz), o avestruz (a maior ave).
•. A República da África do Sul conta com três capitais: Pretória, sede do Poder Executivo; Bloemfontein, sede do Poder Judicial e a Cidade do Cabo, sede do Poder Legislativo.
• Em 2009, 31% das mulheres grávidas eram portadoras do vírus da AIDS.
• O escritor sul-africano John Ronald Reuel Tolkien inspirou-se nas tradições de seu país para escrever a saga “O Senhor dos Anéis”.
• Um dos pratos mais populares do país é o Mashonzha, preparado a base de minhocas da espécie Gonimbrasia.
• O maior diamante encontrado no mundo foi encontrado na mina de Premier Diamond, próximo a Pretória em 1905 pesando 3.106 quilates.